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Os top-3

SÃO PAULO | Pode ser que este seja o último post de 2011, e desde já faço aqueles votos de sempre: um grande 2012 a todos vocês leitores, assíduos ou perenes, muita paz, saúde, felicidade, sucesso, força e inteligência.

Estive pensando nestes dias nos melhores e piores momentos do esporte a motor neste ano, e resolvi fazer uma listinha pequena, de três cada, com uns breves comentários. Os senhores, pois, tratem de comentar.

Melhores

1) A Indy 500. Essa eu dei uma sorte daquelas. Viver aquilo foi espetacular. Foi uma espécie de continuação do que aconteceu naquele GP do Brasil de 2008, a curva final, a decisão de um título/uma vitória. Lá pela volta 170, lembro que estava preparando a reportagem da corrida totalmente voltado a mais uma conquista de Dario Franchitti. Parágrafos iniciais já estavam escritos, e a exaltação ao escocês estava ali pelo domínio absoluto da prova. As mudanças começaram a vir como efeito-cascata, a ponto de pensarmos que um não muito conhecido Bertrand Baguette venceria pela equipe de Bobby Rahal e David Letterman, apontando um final não muito aprazível ao público para uma prova de comemoração centenária. Aí pintou JR Hildebrand bem na parada, com um desempenho sólido durante a prova inteira e uma equipe que buscava acabar com o estigma de ter sido segunda nas últimas três edições, duas delas com Dan Wheldon.

Naqueles instantes finais, a sala de imprensa em Indianápolis pôs-se de pé tal como as arquibancadas que empurravam o rapaz americano de uma equipe com sede em Indiana e cores da Guarda Nacional. A volta 199 seria meramente um último desfile. Não fosse a última curva.

Numa análise mais distante agora, o grito do povo é que foi o mais marcante em tudo aquilo e durou o tempo que Wheldon levou para ultrapassar Hildebrand e ganhar a corrida. Nesta análise ainda distante, considerando tudo que aconteceu depois, Hildebrand tinha de bater pra Wheldon vencer sua última corrida. “Baby, I love you so much…”

2) O GP do Canadá. Foi o exemplo perfeito do quanto Jenson Button é bom, um acepipe do que ele fez com Rubens Barrichello em 2009 na Brawn, na disputa particular pelo título que nunca esteve próximo do brasileiro. Em 2010, era para Button também ter disputado o título com Alonso, Hamilton, Vettel e Webber no seu jeito constante e garboso. E neste ano só não o fez porque… bem, porque Vettel está em estado de graça.

Voltando à corrida, aquela que teve 4h, Button saiu de último na prática para uma vitória na última passagem, contando com um erro de Vettel, seu primeiro no ano. Se teve uma conquista merecida na F1 neste ano, certamente Montreal foi o palco ideal.

3) A ultrapassagem de Webber sobre Alonso em Spa-Francorchamps. O nível dos dois pilotos este ano foi de um tom maniqueísta. Mas Webber pelo menos demonstrou vida e garra e ser melhor que Alonso naquela disputa anterior à subida da Eau Rouge.

Creio que não haja muito mais a dizer, a não ser que Webber só teve dois ou três momentos de brilhareco como este em 2011, enquanto Alonso se firmou como monarca absoluto na Ferrari.

Piores

Posso resumir tudo em um texto só: as três mortes, de Gustavo Sondermann, Wheldon e Marco Simoncelli.

A primeira é mais revoltante porque se tratou de uma repetição do que havíamos visto em 2007 com Rafael Sperafico, por essa gente que monopoliza o esporte e o trata como um viés meramente financeiro. Quase nove meses depois, nada foi feito na prática para que a situação não volte a acontecer: a tal chicane em Interlagos é só um paliativo. E como hão de matar a Copa Montana no fim do ano que vem, ninguém vai investir uma pataca (uia!) para que o carro mude tecnicamente.

Wheldon foi a mais absurda das fatalidades. A corrida em Vegas foi uma falha em termos promocionais e se viu obrigada a mudar de tática para que, além da decisão, tivesse um outro atrativo. Fez de Wheldon uma roleta de 5 milhões de dinheiros americanos, e se vencesse davam metade para um torcedor na arquibancada. Poucas voltas, um acidente múltiplo, e Dan me bate a cabeça no alambrado depois de decolar e morre instantaneamente. A vida tem dessas…

E uma semana depois do acidente de Wheldon, acontece com Simoncelli, o piloto mais perto do estrelato que a MotoGP vinha formando.

 

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Passe livre

SÃO PAULO | Nem o próprio Kubica deve ter certeza se vai voltar a competir dignamente em um carro de F1, mas seu nome e seu passe continuam em ebulição quente e borbulhante no mercado. Se não estiver pronto para o ano que vem — como parece — e devidamente livre das amarras da Lotus, duas equipes já se manifestaram muito favoráveis à sua chegada em 2013, é o que diz a revista Autosport: Ferrari e Red Bull.

A publicação inglesa diz que Daniele Morelli, empresário do piloto, já foi chamado para conversas mais avançadas. No fim da temporada que vem, os contratos dos iguais Massa e Webber chegam a um ponto final, e pelo que tem sido feito por ambos até agora, a chance de que permaneçam onde estão é como a do Corinthians ganhar a Libertadores — frase cunhada por Felipe Giacomelli. Mas é uma nova amostra, como a dada por Eric Boullier, do estado em que estas equipes se encontram para ter um piloto que seja forte — no caso dos cavalos e dos touros, que haja um companheiro forte aos seus primeiros pilotos.

Se a McLaren acertar na sintonia fina de seu novo modelo, que vem sendo tratado como MP4-27A (híbrido? o MP4-27 já era? hum!…) nos testes em Abu Dhabi, e com a dupla que tem, com Hamilton refeito de seu mal necessário, há de vir forte para pelo menos ser campeã de Construtores — um cenário perfeitamente plausível.

E sem a pressão de ter de se recuperar, sabendo que 2012 está perdido, Kubica terá um tempão para sentar num carro novamente durante a temporada do ano que vem, ver se seu incrível talento não se foi naquele malogrado acidente de rali e analisar as propostas. Seu retorno, que seja fora da F1, pela HRT ou num time top, já será uma vitória e tanto.

Aí o Diogo Kotscho, viajante e palpiteiro de plantão, lançou uma pergunta, que adapto aqui: que vale mais, o Kubica de 2010 ou o Massa de 2008?

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Os não campeões

SÃO PAULO | O Grande Prêmio vai fazer uma matéria mais aprofundada a respeito, mas os números  e os resultados acabam desmentindo por completo a declaração dada por Webber a respeito da vida de companheiro em uma equipe dominante, alfinetando e diminuindo a presença de Barrichello na Brawn em 2009. O australiano afirmou que se esforça, mas não consegue ainda ser campeão na Red Bull justamente por ter Vettel do outro lado da garagem e usou o exemplo do título de Button, em que “não teve competição” com o brasileiro há dois anos. A declaração foi dada ao jornal ‘The National’, dos Emirados Ãrabes, aqui.

Ainda que Barrichello e Webber não tenham, de fato, sido concorrentes à altura de seus companheiros, Markola acabou usando uma comparação infeliz: nas 12 primeiras provas de 2009, com a pontuação atual, Button somou 182,5 pontos contra 140 de Barrichello. Diferença, pois, de 42,5 pontos. A vantagem que Vettel leva para Webber com o mesmo número de corridas nesta temporada é mais do que o dobro, 92.

Webber fez mais pontos — conseguiu em todas as etapas de 2011, sendo que Barrichello abandonou duas vezes nas 12 corridas —, mas até agora não venceu. Em igual período, Rubens já havia subido no primeiro lugar do pódio em Valência, justamente a 12ª etapa. Até o fim da temporada 2009, Barrichello venceu mais uma vez, mas terminou em terceiro na classificação geral.

E aí eu pergunto aos caros leitores: numa comparação direta, quem é melhor: Webber ou Barrichello?

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Webber wins

SÃO PAULO | Quem achou que não foi nada de mais tem de dar o braço a torcer…

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Rumo ao bi

SÃO PAULO | Conta rápida, aqui e ali: Vettel só faz aumentar sua diferença para o segundo colocado na tabela, no caso Webber, a cada corrida. Agora a diferença está em 92 pontos. Faltam sete corridas para o fim do campeonato.

Isso significa dizer o seguinte: Vettel nem precisa ir mais ao pódio para ser campeão de novo.

À matemática: 92 ÷ (uia!, achei esse sinal jogado aqui nos caracteres da vida) 7 dá 13 mais alguns quebrados. É isso, então, que Webber teria de tirar a partir de agora. Assim, se Webber só tirar 13 pontos por prova, vai chegar a um total de 91, o que é insuficiente. De acordo com o sistema de pontuação, 13 pontos representam uma diferença do primeiro (25) para o quarto (12). Assim, sete quartos lugares garantem o segundo título do alemão daqui pra frente.

Puro mel na chupeta.

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S & F, 3

SÃO PAULO | A foto anterior à ultrapassagem do ano. Da Getty.

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S & F, 2

SÃO PAULO | A movimentação em Spa & Francorchamps começou logo de manhã, quando parte da negada quis mudar a regra do jogo na caruda e foi pedir a quem de direito que pudessem mudar a cambagem e trocar os pneus usados no Q3 de ontem alegando bolhas. O quem de direito vetou, recomendou que passasse uma água boricada e cobrisse com band-aid, e assim Vettel foi, meio inconformado, para o grid seco. Mas foi na iminência do apagar das luzes que grande parte das atenções deixaram a frente para se concentrar ali na quarta-fila. Em Senna. Primeiros metros, largada mediana — Alonso já o havia superado —, passar Webber foi fácil, meteu o carro ali por dentro e não foi freando, não foi freando, não foi freando na La Source, e pobre Alguersuari, que vivia talvez seu melhor fim de semana na F1, acabando assim, destrozado con el corazón partío, como bem definiu Fernando Silva.

Torcedores atiraram a almofada na parede. O tio velho e bigodudo e o moleque dele desligaram a TV, bem como muitos tantos no Brasil-sil-sil todo. A corrida de Senna acabou ali também. Naquele circuito de 7 km, dar uma volta lenta até chegar aos pits para conserto dos eventuais reparos foi fatal. Botou pneus novos para não mais sair lá do fim do pelotão. Nem mesmo a entrada do safety-car no acidente de Hamilton lhe foi favorável, até porque, inexplicável e burramente, a Lotus Renault não o chamou para nova troca dos Pirelli. Mas é bem provável que nem uma mudança radical no tempo, que baixasse a temperatura uns tantos graus centígrados, e não Celsius, e levasse Irene dos EUA para a Bélgica levaria Bruno de volta à frente. Falta bagagem para tal ainda. Uma sexta mediana, um sábado excelente e um domingo ruim: este é o saldo do primeiro fim de semana efetivo de Senna na F1. O primeiro e o terceiro dia foram marcados pela afobação; o do meio, pela qualidade inerente à família em pista molhada. 13º lugar, e uma bela experiência adquirida, sobretudo, para evitar tais erros. E que tome cuidado na largada igualmente problemática de Monza, daqui duas semanas. Acelerar, Bruno sabe. Mas que tenha em mente quando pressionar no momento devido o pedal da esquerda.

Rosberg, que parecia ser Nico, e não o pai, fez a largada da vida e pulou na ponta para atrapalhar Vettel em duas voltas e nada mais. E Massa para uma corrida quase que toda. O atestado de que o alemão e o brasileiro passaram boa parte da temporada disputando posição é uma metáfora para o fraquíssimo desempenho que Felipe vem tendo. Daqui a pouco sigo nisso. Mas Vettel foi lá para as cabeças, Massa ficou preso, Alonso chegou, fez-se um mise-en-scène para segurar o companheiro, o óbvio e de sempre aconteceu, passou, Hamilton passou, todos passaram Rosberg, menos Massa, e o negócio era ali entre os três.

Os caras que mais reclamaram do estado de seus pneus pararam primeiro — as Red Bull e Hamilton —, e Alonso acabou tendo uma tática fora da janela dos ponteiros, independente do composto que colocassem. Nas idas e vindas, era o espanhol quem parecia vir com mais força. Parêntese: quando Alonso voltou à pista, encontrou Webber, que fez uma ultrapassagem por fora na entrada da Eau Rouge que ouso classificar como uma das cinco maiores que já vi — a primeira, claro, 1996, Cart, Zanardi sobre Herta no Saca-rolha em Laguna Seca. Tirando a largada pífia, Webber estava com a chimpanzé no fim de semana, nem macaca era. Acho que tomou muito Camberra Milk. Fecha parêntese. Aí veio outra de Hamilton: o toque com Kobayashi, o que é imperdoável, a explosão do patrocínio da Allianz em isopor, o apagão momentâneo no carro, o berro pela insensibilidade do cara do GC em tirar da transmissão a faixa da TV que mostrava os tempos, o safety-car e a sacada da Red Bull em chamar Vettel de novo nos pits para recomeçar a prova ainda ali na frente e com mais vigor. Não tardou muito, pois, para que o campeão/bicampeão jantasse Webber e Alonso tão logo a prova foi retomada, e lá estava ele na frente para não mais sair dali. Finito.

Se na frente o negócio era favas contadas, atrás vinha Button. É pecado mortal e eterno dizer que é o piloto do ano? O cara é sublime, pelamor: sai em 13º, vai passando todo mundo e mesmo com o desgaste que provocam as disputas, lá estão os pneus prontos e inteiros para virar até mais rápido do que os ponteiros. E olha que Button foi atrapalhado no entrevero entre Senna e Alguersuari, do contrário perderia menos tempo para passar a rapa toda. Aí apareceu em oitavo, passou Schumacher e Sutil, chegou em Massa-Rosberg, deu uma dica para o brasileiro de que ele podia ser bem sucedido sem precisar entrar juntinho na La Source para contornar a Eau Rouge pertinho e usar o DRS para tentar a manobra na reta e tal, mas preferiu não jogar o tempo ao léu. Button trocou o pneu e foi lá buscar Alonso. Foi como a terceira vitória no ano, o terceiro lugar.

A turma de trás também estava levemente empolgada. Kobayashi, indestrutível, teve de ficar vendo a turma do bololô, Maldonado, Barrichello, Di Resta, Petrov e o companheiro Pérez, que acertou Buemi e forçou a Toro Rosso a testar uma asa com cambagem. Não deu muito certo, e Buemi abandonou e fez cara feia, sem muito esforço. O Ligeirinho também acabou abandonando, e coube a Maldonado um mísero e primeiro pontinho no ano. Barrichello, que até parecia perto da zona de pontos, teve um toque com… Kobayashi! E um toque no mito, já sabe: qualquer um sai na pior. Some-se a isso a fase ruim de Rubens, e o resultado é terminar a prova atrás das duas Lotus verdes. É pior que fricassê de jiló.

Schumacher. Lembrou os velhos tempos. Saiu em último, já era 14º na primeira volta, e foi ali cozinhando o galináceo até dar os botes na hora certa e chegar em Rosberg, que não mais tinha Massa em seus retrovisores por conta de seu furo no pneu. A Mercedes abriu a disputa, e o alemão mais velho, com pneus mais novos, passou. Um quinto posto do qual Michael deve se orgulhar em seu convescote de 20 anos de F1.

Sobre Massa, sei lá, é o que tem sendo dito e visto e a tecla é a mesma, sempre tocada nas desculpas da transmissão. Hoje foi a tração. Problema de tração. Felipe tem tido problema de tração há uma temporada e meia. Vai um relato: antes da corrida, na BBC, Vettel dava uma entrevista e falava deste período pós-férias, teoricamente mais difícil para a Red Bull. Não anotei a declaração, exatamente, mas ele disse algo do tipo ‘ah, porque agora eu, Mark, Fernando, Jenson e Lewis vamos brigar pelas vitórias e…’, o que mostra exatamente que até os pilotos não mais acreditam em Massa brigando por vitórias. A defesa que sempre é apresentada é tipo a ameaça que as federações estaduais de futebol estão fazendo às torcidas organizadas para não protestarem contra Ricardo Teixeira neste domingo: funciona ao contrário. Aí Massa acaba sendo visto como o oposto, como ruim, o que, de fato, não é. Só que um cara que tem um canhão vermelho na mão não pode passar uma prova toda, ou uma temporada toda, atrás de um estilingue prateado. Aí a Ferrari se vê obrigada a elogiar o piloto alheio. “He (Jenson) is very ambitiousâ€, enquanto, até ironicamente, a equipe escreve um “Felipe passed Maldonadoâ€. Massa tem bem menos da metade dos pontos de Alonso com 2/3 de campeonato. Para um piloto de nível de ponta, não dá.

Ao torcedor brasileiro, sua vida tem sido muito difícil. Isso em qualquer escala. Mesmo centígrada.

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Pale Ale, 3

SÃO PAULO | O desempenho nos treinos livres jamais permitiria a Lewis Hamilton sonhar com um lugar no pódio no GP da Alemanha, em condições normais, se considerasse que as Red Bull e as Ferrari vinham muito à frente da McLaren. O segundo lugar na classificação com uma volta mais-que-perfeita começou a lhe dar alguma esperança. E eis que, sem chuva, Hamilton foi lá e conquistou uma vitória até que tranquila em Nürburgring neste domingo (24).

Fernando Alonso e Mark Webber até que foram rivais duros, mas só na primeira parte da corrida. Uma vez que Hamilton — líder desde a primeira curva, mas que perdeu a ponta na primeira parada nos pits — retomou a posição de destaque da corrida na Alemanha, não mais a perdeu.

Sebastian Vettel fez sua aparição mais pobre na temporada. Não andou
em nenhum momento no ritmo dos líderes, chegou a rodar e teve de suar para conseguir um quarto lugar — foi sua primeira prova fora do pódio desde o GP da Coreia de 2010, quando abandonou; considerando as provas em que chegou até o fim, é a primeira que não levanta um troféu nem estoura a champanhe desde o GP da Itália, em setembro do ano passado.

Na verdade, Vettel teve de contar mais com o erro da Ferrari na última volta. Foi nos boxes que o alemão da Red Bull superou Felipe Massa.

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Saiba como foi o GP da Alemanha de F1, em Nürburgring

Novamente pole, Webber se viu sem o primeiro lugar depois de uns 200 metros. O australiano assentiu que era impossível brigar na freada e se posicionou diretamente atrás de Hamilton, garantindo que o pessoal da segunda fila não o atacasse. Na curva 1, Alonso emparelhou com Vettel e conseguiu superá-lo. Massa, que tentava um bote por fora para ganhar a posição de ambos, acabou na verdade perdendo um posto, para Rosberg. Mais atrás, Barrichello pulava para 11º, três posições à frente de seu posto de largada.

O que Alonso havia obtido nos momentos iniciais perdeu logo na segunda volta: uma escapada na curva 3 abriu passagem para que Vettel retomasse a terceira colocação. No entanto, o espanhol se manteve nos retrovisores do atual líder da temporada, e na abertura do giro 8, houve nova inversão de lugares.

O sinal de que Vettel não estava em seu fim de semana aconteceu instantes depois: na curva Michelin, tangenciou para fazer a curva à esquerda e pôs o pneu além da linha, onde estava molhado. Rodou, mas voltou ainda à frente de Rosberg, que sofria para segurar Massa.

O primeiro acidente da corrida aconteceu na volta 10: andando lá atrás após um incidente com Paul di Resta, Nick Heidfeld buscava recuperação a seu modo, bem lentamente. O mesmo acontecia com Sébastien Buemi, que largou em último por ter sido desclassificado devido a uma irregularidade. Os dois se acharam na chicane. Na verdade, Buemi jogou o carro sobre Heidfeld, que deu uma decolada e foi parar ali na área de escape, um tanto quanto furioso.

O choque no pelotão intermediário foi o pavio para acender a corrida, que nem no chove-não-molha estava. Webber, que vinha comboiando Hamilton, chegou a passá-lo na entrada da reta principal, mas Lewis, com mais ação, devolveu ainda no fim da reta. Alonso colou de vez na dupla da frente. Ensanduichado, o australiano passou a gastar excessivamente seus pneus. Não à toa, abdicou da briga ao ir para os pits, na passagem 15.

O fim da volta 16 e o começo da 17 foi assim, ó: Massa passou Vettel na chicane e Webber se aproveitou para fazer o mesmo. Hamilton e Alonso foram juntos aos pits. Chegou lá no final da reta, os carros que saíam dos pits trombavam os que estavam na pista. O brasileiro assumia a liderança e segurava os três logo atrás, com muito mais ação. Assim foi por uma volta, afinal Massa teve de parar. A Ferrari trabalhou bem e o pôs de volta à frente de um incrivelmente lento Vettel.

Barrichello, neste ínterim, abandonava com sua Williams sem Kers para pesar menos. Disse a Williams que foi um vazamento de óleo que mereceu intensa investigação. Disse Rubens que a equipe ficou pedindo por voltas e voltas pelo rádio para que parasse e evitasse uma quebra de motor. Triste calvário conjunto.

A coisa toda deu uma esfriada na frente depois dos pits, com Webber mantendo certa distância para Hamilton e Alonso. De legal, mesmo, teve Schumacher tentando dar um duplo bote quando ele e seu companheiro alcançaram Vitaly Petrov. Sem êxito, o alemão mais velho partiu para cima de Rosberg. Mas acabou cometendo o mesmo erro de Vettel na volta 22: pneu além da pista e rodada. A Mercedes respirava aliviada enquanto o público se queixava. Ao menos, serviu para que o mítico Kobayashi colasse em Schumacher para resgatar uma disputa que seu às pencas nesta temporada.

A Red Bull chamou Webber para sua segunda parada na 31. A McLaren o fez com Hamilton na 32. Mais rápida, a equipe prateada devolveu seu piloto à frente. Com mais ação, os dois se encontraram na saída dos pits. Chegou a haver um toque na curva seguinte, mas Lewis se manteve à frente. A perda de tempo de ambos seria fundamental para Alonso, que foi aos boxes na 33. O espanhol chegou a voltar como líder, com Hamilton em ação similar à de Webber na volta anterior. Só que o inglês teve competência e arrojo para superar o antigo companheiro, e por fora assumiu a ponta da prova.

Aí a corrida voltou a dar uma caída. Button disputou ali um sexto lugar com Rosberg, passou, e na volta seguinte a McLaren lhe tirou o doce: problema eletrônico, e o pobre Jenson levava o carro para os boxes para marcar no campeonato seu segundo abandono seguido. Lá na frente, Hamilton abria mais de 3 segundos para Alonso, que se livrava de Webber. Vettel partia para cima de Massa para tentar um quarto lugar.

A última rodada de paradas aconteceu na volta 52, a oito do fim, pois. Hamilton foi o primeiro a pôr os pneus duros. A Ferrari preferiu esperar para averiguar se, mesmo com os velhos pneus macios seu piloto seria mais rápido. Não. Então fez seu papel, e Alonso voltou naturalmente atrás. A ida de Webber aos boxes pouco importou.

De resto a se observar foi só a disputa pelo quarto lugar. Vettel tinha muito mais ação, mas não conseguia a ultrapassagem sobre Massa. Curiosamente, ambos foram para os pits na última volta para pôr, por regulamento, os pneus duros. E aí, para motivar a queixa generalizada à Ferrari, eis que a equipe italiana trabalhou cerca de 1s5 mais lenta que a Red Bull, perdendo uma porca, e permitiu que o alemão ganhasse a posição nos pits.

Na volta aos boxes, a Ferrari pediu encarecidamente para que Alonso parasse seu carro na pista. O espanhol acabou voltando de carona no carro de Webber, em cena que lembrou os tempos de Nigel Mansell e Ayrton Senna.

Solitário em grande parte da corrida, Adrian Sutil fez por merecer um glorioso sexto lugar com sua oscilante e boa Force India. Rosberg e Schumacher, tão oscilantes quanto, foram sétimo e oitavo, respectivamente. Kobayashi ficou em nono com a Sauber e Petrov terminou em décimo com a Renault, que passou a prova inteira fazendo aliterações — frases iniciadas com a mesma letra — pelo Twitter. Sinal de como a corrida em Nürburgring não foi lá essa coisa toda.

De fato foi a primeira derrota em pista da Red Bull — e talvez a maior chance que Webber tinha de vencer enquanto dava. Na metade da temporada. A reação se fez tarde, e a inês está enterrada.

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Pale Ale, 2

SÃO PAULO | Ora, ora, e não é que acordaram Webber? Desde Silverstone, Markola voltou a ser aquele leão de treinos que o marcou nos tempos de Jaguar. É um piloto de altos e baixos, Webber, mais baixos do que altos. Muitas vezes passa a impressão de que só faz um esforço extremo quando é realmente necessário – tipo uma renovação de contrato, por exemplo. Fato é que deu uma acordada em Vettel, que ficou ali relegado a uma segunda fila que não via havia pelo menos 14 corridas e alguns contos de réis.

Duro para Webber são os prognósticos e o vamovê. Na Inglaterra, largou mal no seco, e sua corrida já era, ainda mais com a pista mezza molhada. Amanhã a chuva em Nürburgring é tão certa como beata em missa. O australopiteco não é nenhuma Brastemp nestas condições. Explica-se então Hamilton rindo à toa, como se estivesse ouvindo Falamansa, banda preferida de Felipe Giacomelli. Sabe quando falam em volta perfeita? A de Luis foi mais, ainda mais com essa sub-McLaren. Sonhar com a vitória é claramente possível. Problema é a afobação que lhe tem sido inerente neste ano.

The locals were very pleased to see him...Daí as coisas se voltam para Vettel, como sempre em 2011. “Não estou desapontadoâ€, disse logo após a classificação. Nem tem por quê. Vê-lo largando em terceiro é pelo menos uma oportunidade de entender o que é capaz de fazer nesta rara adversidade, ainda que ínfima. O único fator que poderia atrapalhá-lo é uma suposta pressão aí do lado, ó, da foto. Vencer em frente à sua torcida. Mexe com qualquer um.

Em quarto, Alonso é o ‘free-agent’ da turma, ‘yo soy la garantía’. Bom demais no molhado e com um carro enfim bom, fecha a quadra que deve brigar pela vitória — com uma forcinha, dá para colocar Button, que guia o fino sob chuva, e c’est fini. Com os pormenores e deslizes dos três anteriores, o español até parte com certa banca e favoritismo para o triunfo germânico.

Kobayashi em 18º só pode ser um chiste de mau gosto. Um acinte. Um descalabro. Há de passar 17 amanhã e se tornar mais mito do que já é. Mas digamos que esteja perdendo lá um pouco de sua gleba para Pérez. O primo de Carla é bom, mesmo. Duro é essa Sauber que não sabe se sai da moita. Em Silverstone, chegou a brigar com a Mercedes. Agora em Nürburgring, é com Williams e Toro Rosso e olhe lá. Dá um carro bom na mão destes dois aí que é só alegria. Nóis agradece.

Quanto a Massa e Barrichello, nada além do que se esperava deles. Felipe larga em quinto, sempre com uma distância em cronômetro relevante para Alonso, e nada faz crer que amanhã andará no ritmo dos ponteiros e, pois, para a vitória. Rubens apegou-se ao 14º lugar no fim de semana. Mas o interessante da história é que a Williams descobriu que o carro está acima do peso. Votecontá, que cazzo andam fazendo lá em Grove que demoraram meia temporada para ver isso? E em vez de mandar o FW33 para o ‘The Biggest Loser’, tiraram o Kers do carro de Barrichello para melhor avaliá-lo. Santa paciência, Batman. Rubens deve estar passando pelo tratamento de choque do filme e repetindo ‘gusfraba’ como se fosse um mantra e se perguntando: “Que mal que eu fiz?â€

Pai Zulu baixou aqui e falou que virão 2 safety-cars como tempero na corrida de amanhã. E como se fosse a chamada da TV, disse que a promessa é de uma grande corrida amanhã e altas disputas com esta galerinha do barulho num circuito daqueles que valem mais do que uma pena.

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Pale Ale

SÃO PAULO | Alonso e Webber, Webber e Alonso. Chega no domingo, sobra quem para tentar a vitória, faça chuva ou faça sol? Desnecessário dizer. Fato é que, se no começo do ano era a McLaren a grande concorrente da Red Bull, a Ferrari quem ocupa a pleno este posto. E a McLaren atual é muito abaixo da Ferrari das primeiras corridas. Não há endplate, flap, new wing ou whatever que dê jeito nos carros prateados. Vez ou outra, acabam atrás até da Mercedes. Como hoje. Hamilton foi sétimo, e mal dá para dizer que se trata de estratégia de combustível ou acerto para a chuva, que são os pneus, que estão escondendo o jogo. A McLaren simplesmente regrediu. Jenson Button foi só o 11º. Muitíssimo pouco para quem, até outro dia, era vice-líder do Mundial. A McLaren de hoje é a McLaren da pré-temporada, aquela que fazia feio.

Vettel ficou ali em terceiro, só na espreita, tomando 0s3 dos líderes nas duas sessões. Não se pode dizer que não tenha sido constante, pelo menos. Mas, como sempre, nada que deva preocupá-lo. Amanhã ele estará na briga pela pole, de certo, com os dois primeiros de hoje. A Ferrari — que tem uma interessante abertura na cobertura do motor, funcionando como escapamento; parece que a peça está mal encaixada e amarrada com ‘cadarços’ — de Massa tem de ser melhor alimentada com um feijãozinho para pensar em largar na primeira fila.

Ali atrás, a Williams continua pastando para tentar acompanhar Toro Rosso e Sauber e tem sido pouca coisa mais eficiente que a Lotus. A Virgin e a Hispania seguem sendo dois esboços do comboio do horror. HRT, aliás, eles vão reforçar a sigla, agora com novos donos. Nenhum dos pilotos andou abaixo do tempo dos 107%. Aí chega amanhã, acontece o mesmo, e a dona FIA, toda pimpa e descarada, permite que corram, enquanto seus representantes analisam se o logo da entidade está pintado e bordado de forma correta no macacão alheio. A CBA realmente tem a quem puxar, mesmo.

Verdade seja dita, como sempre… esses treinos de sexta, votecontá, viu… alguém tinha de dar um jeito de valer alguma coisa. A Evelyn Guimarães, beberrona, define-os como pior que porre de Chalise. Para as equipes, foi um alento não ter chovido. Para quem vê (e ouve alguns petardos), é dureza.

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Team GB, 2

SÃO PAULO | Se não é Vettel, só pode ser Webber. É o que a F1 2011 aponta neste ano. Mesmo essa F1 aí que muda regras do dia para a noite, literalmente — e ainda assim a FIA não consegue demover a Red Bull da primeira posição do grid. O australiano, que sempre anda bem em Silverstone e vem em ótimo desempenho ao longo do fim de semana, valeu-se da costumeira alternância climática da Inglaterra para conseguir hoje sua segunda pole no ano. Seu companheiro alemão larga a seu lado na nona prova da temporada.

As Ferrari saem na segunda fila, com Alonso novamente melhor que Massa — em resultado que se mostrou inverso ao que foi apresentado durante a própria classificação, em que o brasileiro sempre esteve à frente.

A terceira fila é caseira. Button, inglês, e Di Resta, escocês que levou a Force India ao melhor resultado em grid no ano. A sequência tem Maldonado e Kobayashi, dois pilotos que tem mostrado suas amplas qualidades. Depois, Rosberg e Hamilton — em um mau décimo posto.

Olho no radar do tempo, e os blocos azuis que passavam perto da pista indicavam que todo mundo sairia rapidamente para garantir ao menos uma volta em pista seca. Foi o que aconteceu, e os 24 pilotos se lançaram de vez sob as nuvens pesadas e densas. De início, chamou atenção Heikki Kovalainen, andando no ritmo dos grandes. Mas é que os grandes é que estavam meio que andando num ritmo menor. Alonso foi o primeiro dos grandes a aparecer na frente — em seguida, deu uma escapada e fez um rali na brita — e depois foi a vez de Vettel. Então apareceram as Williams, primeiro com Barrichello e depois com Maldonado. Incrível desempenho? Nem tanto. É que os dois andaram com os pneus macios logo de cara, enquanto os demais optaram pelos duros. No vaivém dos tempos e voltas, Webber surgiu com 1min32s670 para tirar a graça do venezuelano.

Faltando 6 minutos para o fim do Q1, eis que a chuva se intensificou. E quem se beneficiou, daquela turma de sempre do fundão, foi justamente Kovalainen, 16º na sessão e agraciado pela terceira vez no ano com a dádiva de continuar na classificação. Como sempre acontece, sobrou para a Toro Rosso, desta vez para os dois carros. Alguersuari e Buemi vão largar em 18º e 19º. O resto é a porca miséria de sempre, na ordem: Glock, Trulli, D’Ambrosio, Liuzzi e o estreante Ricciardo. Como complemento, Massa acabou logo atrás de Maldonado — em terceiro, pois — e Barrichello foi sexto.

Quando a segunda parte teve início, a Mercedes imaginou que o asfalto estava para pneus intermediários, e com eles Rosberg e Schumacher saíram dos pits. Duas voltas bastaram para se notar que era exagero: eram só algumas curvas que estavam úmidas. As outras equipes partiram com os slicks de cara. Era uma questão de cautela. Os primeiros tempos vieram na casa de 1min37s — com Maldonado —, depois baixaram para 1min36s — com Pérez —, aí para 1min35s — Webber e Kobayashi — e chegaram a 1min34s com Adrian Sutil, que se empolgou e foi o primeiro a ir para 1min33s. Restando 3 minutos para o fim, Alonso fez 1min31s727, ou seja, bem melhor do que Webber havia virado no Q1. A pista já estava totalmente apta àquelas condições. O espanhol ainda foi superado pelo próprio australiano e, de novo, pelo companheiro Massa, que liderou com 1min31s640.

Carros acostumados ao Q3 ficaram de fora, tipo as Renault — afetadas, decerto, com a decisão da FIA em reduzir o uso dos gases aquecidos que passam pelo difusor quando não há aceleração — e Schumacher. Ao grupo dos eliminados juntou-se Barrichello, que ainda persegue o objetivo de passar à superfinal em 2011. Enquanto isso, o brasileiro teve de engolir Maldonado terminando em décimo e se incluindo pela terceira vez no ano no grupo dos top-10. Rubens sai em 14º na corrida deste domingo. Di Resta e Kobayashi passaram.

A fase derradeira veio com Vettel já indicando o de sempre: de que estava ali para brigar pela pole: 1min30s431. Só que Webber, endiabrado, bateu o tempo do parceiro de Red Bull em 0s032. As Ferrari colocaram-se em terceiro e quarto, com Alonso bem à frente de Massa. Nos minutos finais, uma garoa deu as caras. E aí já era. E aí, com tudo que a FIA fez para acabar com o domínio dos rubrotaurinos, o máximo que conseguiram por ora foi inverter a posição dos pilotos. O australiano, na nona prova do ano, conseguiu sua segunda pole e manteve a invencibilidade do time. E de Di Resta a Kobayashi, sexto a oitavo no grid. Entre eles, Maldonado.

Há, como de praxe, chance de chuva. Mas se a Red Bull, e principalmente Vettel, sair de Silverstone com uma nova vitória, a FIA vai ter de inventar uma nova patifaria para se apegar e tentar aplicar um desvio a um caminho mais do que óbvio. Tipo, sei lá, andar com 3,5 rodas.

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Team GB

SÃO PAULO | Choveu à la Inglaterra em Silverstone hoje, e pilotos e equipes ficaram meio acabrunhados e temerosos de andarem a pleno durante os dois treinos livres. Bastou uma melhoradinha, e todo mundo se lançou à pista. No primeiro treino, lá esteve Webber na frente e no segundo, deu Massa, no ciclo das voltas rápidas em sequência com o trilho formado. O australiano acabou o dia como o mais rápido. Mas uma sexta-feira nestas condições adversas pouco vale.

A previsão é sempre imprevisível lá, diria Felipe Paranhos, então é sempre complicado avaliar se as práticas de hoje tiveram, de fato, efeito para o fim de semana. Alguns institutos apontam que a pista deve estar molhada amanhã, mas menos que esta sexta; outros pendem para a melhoria das condições. Num sentido, a chuva vai acabar atrapalhando a análise geral de como os carros vão se comportar sem o difusor aquecido, se realmente a Red Bull vai ser afetada ou se a ordem da F1 tende a dar uma chacoalhada. Por outro lado, aproxima mais quem tem um equipamento mais limitado em mãos, casos da Mercedes e de Kobayashi, o Mito, segundo e terceiro, respectivamente. Schumacher veio bem, tal como fizera no Canadá em condições similares. Vettel fez o basicão. Aí chega amanhã, e todos sabem o que acontece.

Fato é que Silverstone é do tipo de circuitos que dá gosto de ver corrida. Circuito, em sua essência, seja lá qual for a condição climática. E agora com suas novas instalações, mudaram a reta de largada/chegada. Meio estranho ver os pilotos contornando a Woodcote e não completando a volta ou a Copse sem abri-la. Nada que vá mudar o rumo da vida, mas imaginem a reta oposta de Interlagos passando a ser a principal. É como mexer com nossos mitos.

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La Comunitad, 3

SÃO PAULO | Tem alguém perto que está ouvindo a rádio Iguatemi até o talo, e lá passa um programa só com músicas do Roberto Carlos. “Eu tenho tanto pra lhe falarâ€. Verdade. Tem muita coisa.

Primeiro que Valência não dá. Difícil que haja uma corrida tão ruim até o fim do ano. Nem com todo o blush, rímel e batom que a F1 aplicou para dar uma chacoalhada no espetáculo foi possível assistir sem pensar na hora e meia perdida e nos braços do Morfeu. Porque justamente Valência foi criada de forma maquiada: ser uma nova Mônaco para que os ricões atraquem seus iates luxuosos numa corrida de rua que teoricamente permite ultrapassagens, 60 e tantos por cento de aceleração plena, áreas de escape, blé. Em quatro edições, Valência já criou a tradição de ser um puta saco. Ninguém abandonou. Uau, recorde histórico. Sabe aquele ditado de que não se deve confiar em gente que não bebe? Não acredite em corrida em que ninguém abandona. Ainda, não acredite numa corrida em que o mito Kobayashi não termina nos pontos e não vai bem.

E não acredite, também, em tudo que se ouve. Coisas como Massa perdeu a vitória hoje. Todo santo domingo de corrida tem sido um editorial de explicações de uma defesa desnecessária, que elimina qualquer caráter jornalístico e racional e considera meramente o patriotismo e as relações pessoais hiperbólicas. E como a Ferrari não tem feito o seu trabalho dos boxes, fica muito fácil entregar o filho nas mãos de um mecânico que se atrapalha na troca de um pneu. Foram 5 segundos nos boxes. Felipe terminou 51 atrás de Vettel. Tomou 40 de Alonso. Massa só fez bem a largada. A partir de então, só andou para trás — até se imaginou que partiria para uma tática diferenciada de paradas; nada; mesma coisa. É um feito e tanto Alonso terminar entre as Red Bull. Ô se é. E já que se explica tanto por que Massa está sempre de quarto para cima, seria de bom grado explanar por que Massa não alcança tais feitos. Como a verdade dói, ela é omitida.

Alonso é melhor que Massa. Qualquer outra lavagem cerebral é lobotomia.

Como Vettel é melhor que Webber. Que mal tem nisso? E, sim, as comparações têm de ser feitas em esportes e competições. Um tem de ser melhor que outro. A diferença entre Vettel e Webber é similar à de Alonso e Massa. Há três meses, escrevi isso numa parte da análise da temporada 2011: “(…) o australiano Webber e o brasileiro Massa, de países continentais com histórico notável na F1, Brabham e Jones para um lado, Fittipaldi, Piquet e Senna para o outro, um sem ser campeão há três décadas, outro há duas. Quando Webber estreou em 2002 pela Minardi, lá estava Massa, também em sua primeira corrida, com uma Sauber. Os dois passaram muito perto do título: Webber o perdeu no ano passado na última prova e Massa, em 2008, na última curva. Acidentes marcaram as carreiras: a clavícula quebrada de Webber depois de cair de bicicleta foi decisiva para sua derrota em 2010; a mola que atingiu a cabeça na classificação do GP da Hungria tirou Massa de combate durante o resto da temporada de 2009. Inegavelmente bons, nem Webber nem Massa têm arroubos de pilotos fora-de-série, contudo, e diante de Vettel e Alonso, respectivamente, são vistos na maioria como segundões.â€

É isso. Nem Massa nem Webber são maus pilotos. Só não têm condições de acompanhar seus companheiros. Há algum pecado em ser pior do que o cara com quem se divide garagem? A Ferrari e a Red Bull não ouvem Cássia Eller e ficam a cantarolar, em Maranello ou Milton Keynes: “Eu vou sabotar / você vai se amarrarâ€. Ninguém gasta milhões em salário para ferrar com a vida alheia.

Salvo engano, Webber e Massa não usaram a asa móvel hoje — só na reta em que estava liberada independente da distância para o carro da frente. Quer coisa mais abissal que essa? Quando foi liberada pela direção de prova, o australiano já estava mais de 1 segundo atrás do companheiro, tal como Massa. Aí em nenhum outro momento da corrida diminuíram a diferença para ninguém à frente — e Webber, pior, nem mesmo quando foi ultrapassado em pista por Alonso. Convenhamos que, nestes tempos de F1 com possibilidade de ultrapassagem, ainda que seja em Valência, esse horror, alguém que queira ganhar posição ou vencer uma corrida em que ninguém abandona tem de usar o DRS.

Assim, cai por terra a tese de que Massa perdeu a chance de vitória por seus 5 segundos perdidos nos pits, por exemplo.

Sobre Vettel, não há muito o que dizer. Tão logo foi informado de que o parceiro-barreira fora superado por Alonso, impediu sua aproximação. Simples. Apertou o da direita, e aí, o espanhol não tinha o que dar mais à sua torcida a não ser o segundo lugar. E acabou. Acabou o campeonato. Para o próprio Alonso, que tinha de chegar à frente do futuro bicampeão para sonhar o sonho impossível, mas que já deve estar com os pés no intransponível chão de que não há mais o que fazer. A Ferrari — e também a McLaren — deveriam usar 2011 apenas como forma de desenvolvimento das peças dos modelos de 2012.

Na McLaren, Hamilton, de forma mais evidente, e Button ficaram putitos porque não tiveram em nenhum instante como acompanhar a Ferrari, que dirá a Red Bull. A cúpula alega que foi o superaquecimento dos pneus que os tirou de combate e que voltarão com força na Inglaterra. Mas nenhum dos dois pilotos foi bem hoje, Button principalmente.

A Mercedes é simplesmente uma piada em corrida, e não cola mais o papo de que ainda sofrem as consequências do esforço hercúleo do título de 2009 quando ainda era a Brawn. A Lotus Renault caiu demais, e Heidfeld e Petrov não ameaçam sequer a Mercedes e começam a brigar com Sauber, Force India e Toro Rosso — que novamente pôs Alguersuari num oitavo lugar, novamente recuperando-se de uma péssima classificação, utilizando-se de uma estratégia diferenciada. É a sobrevida, o respiro do mediano piloto espanhol no segundo time energético. Sutil fez sua melhor corrida no ano e foi nono, mas nada que deva fazê-lo ficar no grupo dalit.

A próxima corrida é Silverstone, onde o ritmo das provas anteriores, com alguma emoção, deve ser retomado. Do segundo lugar em diante, obviamente. Qualquer coisa diferente disso se torna uma exceção nesta temporada que já tem dono.

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Constantinopla, 2

SÃO PAULO | O cara mais rápido do oeste, diriam alguns, apesar de Vettel não ter feito exatamente as últimas poles do lado esquerdo do mundo. Mas não fez nem diferença a panca que deu ontem no treino. Foi lá, encaixou a volta quase meio segundo mais rápida que Webber, ficou vendo a banda passar dos boxes, e zás. É humilhante o que o alemão faz com seus companheiros e os demais, tipo o que tem feito também Will Power na Indy. Desde 2006 que ninguém engata uma sequência de cinco primeiros lugares no grid. Foi com Alonso, na Renault, à época. E curioso é ver Alonso de novo em quinto no grid — sua única colocação de largada na temporada. Curioso, não? OK, sei que não.

Se a Red Bull diz ter arrumado seus problemas no Kers, OK, amanhã é o feijão-com-arroz do 1-2, com Webber seguindo o companheiro. A Mercedes de Rosberg não tem carro nem superpneus para brigar com os dois da frente, mas pelo menos é notável o esforço e a evolução da equipe alemã, que agora, sim, pode se gabar do que disse na pré-temporada, de que era a segunda força. Não é, ainda, mas o terceiro lugar no grid permite a Ross Brawn e sua trupe sonharem com isso hoje.

Mau desempenho da McLaren, quarta com Hamilton e sexta com Button, sempre tendo como parâmetro a Red Bull e sua tentativa de enfrentá-los. Corrida é corrida, claro, mas tomar 0s5 e 0s9, respectivamente, assim, pode esquecer. Só se Vettel e Webber repetirem o cenão do ano passado, se achando na pista. O negócio vai ser tirar Rosberg do pódio.

E Massa não indo ao Q3 para poupar um jogo de pneus, hein? Ferrari cada vez pior, tsc, tsc, tá tão perdida que, na nota que envia à imprensa depois do treino, colocou que estava 32ºC em Istambul. Enfim, até que pode ser uma boa para o brasileiro, e entra naquela questão que falei semanas atrás de como desenvolver uma estratégia para as corridas, com estes pneus que se desfazem. O ideal, parando três vezes, seria Massa largar com pneus duros e rodar depois das paradas só com os moles, se aguentar. Aí pode fazer um provão como o de Webber na China para recuperar-se do décimo lugar no grid.

E Massa larga uma posição à frente de Barrichello, que conseguiu levar essa Williams capenga a tal posto. Um feito e tanto. Segundo Reginaldo Leme, a Williams terá motor Renault no ano que vem, e isso é o que pode fazer Rubens ficar por lá mais um tempo. Não que a Cosworth seja culpada pelo desempenho catastrófico deste ano, mas a equipe de Grove tem de se curvar a um motorzinho melhor, convenhamos.  

Chovê que mais… as cinco grandes não deixaram espaço para ninguém, Kobayashi não pode mostrar por que é mito, Virgin e Hispania são piores que festa de aniversário de um ano — apesar de os hispaniois já terem conseguido superar os virginianos, com Liuzzi, feito tão grande quanto a chegada à Lua —, é isso. O treino não foi lá grande coisa, mesmo. Vettel não deixa.

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Mal Azia, 4

SÃO PAULO | Vamos com calma, que são muitas coisas a se pontuar. A primeira é que a corrida na Malásia foi de boa pra cima. Até mesmo o fim, que costuma ser descartável em sua maioria, rendeu. Num circuito largo e de longas retas como o de Sepang, a combinação KERS + DRS + UGH (pneus da Pirelli que vão se jorrando pedaço e transformando a pista numa caca emborrachada) funcionou bem. E pôs alguns pingos nos is nesta temporada.

Primeiro que a disparidade de Vettel para Webber é colossal. Um largou atrás do outro, em posição física. O primeiro completou a volta inicial na posição da pole, e o outro foi parar em décimo. Nas duas ou três vezes que tentou passar Kobayashi, tomou de volta do mito. Preso e sem avançar, a Red Bull se viu obrigada a alterar a estratégia, chamando o trambolho australiano mais cedo para os pits. Com pneus que não duravam mais do que 15 ou 16 voltas, ali se via que a tática do segundo piloto era parar quatro vezes. Ou seja: se os outros pensavam em poupar, a corrida de Webber era andar rápido para todo e sempre.

Ao resto, o comum numa prova sem chuva — de quem da meteorologia cobro por ter apontado 90%, tempestade e não sei o quê?; apamerda —, seriam as três paradas, como acabou acontecendo aos três primeiros. Vettel não foi acharcado em nenhum momento principalmente por causa das primeiras voltas, em que Heidfeld surgiu numa largada estupenda, pulando para segundo e minando por completo qualquer chance de Hamilton. O alemão certamente não sai de Sepang com a mesma impressão da corrida dos outros: passeou sem ver o agito de quem tentava persegui-lo.

O vaivém dos boxes meio que camufla e esconde quem está realmente bem ou mal. Num primeiro momento, Webber parecia fadado ao cadafalso e só não pegou pódio porque fraquejou no fim diante do ótimo Heidfeld. Button parecia ficar de canto, perdendo terreno até para a Ferrari, e no fim das contas apareceu em segundo, melhor que Hamilton. Hamilton, que pensava em chegar em Vettel, perdeu rendimento de vez quando foi tocado por Alonso, de quem pouco se esperava na corrida, até por ter ficado bom tempo atrás de Massa — sem atacá-lo, note-se. Na bandeirada, então, VET, BUT, HEI, WEB, MAS, ALO e HAM. Só PET das quatro grandes não completou. Seria oitavo, fácil.

Aí depois puniram ALO e HAM, só para darem trabalho para corrigirmos tabelas de classificação e de resultado. Os comissários disseram que o primeiro provocou uma colisão e que o segundo mudou a trajetória mais de uma vez para se defender.  Poderiam ter escrito embaixo, no documento, no francês da FIA: pute frescurité. Então acrescentem do inglês antes um KOB.

E Massa fez um corridão hoje. Sei não se um pódio não era possível caso não tivesse ocorrido aquela pequena demora na primeira parada, pela roda dianteira esquerda mal colocada. Não se intimidou com Alonso, de novo o superou na largada, e nas idas e vindas da corrida, acabou bem na frente do espanhol. Que deve estar putito e cheio de mimimi pra fazer por isso e pela, hã, afobação ao tentar passar Hamilton. Ainda teve de dar explicações na sala de chá e café dos comissários. Como diria o narrador, tudo isso é bom pra Massa.

Por outro lado, ficou claro que a Mercedes e a Williams são fiascos independente das paradas nos pits. Schumacher ainda fez muito em somar dois pontinhos depois de tomar quatro ultrapassagens de Kobayashi, o supremo (aliás, a Red Bull bem que podia soltar um comunicado destes de pegar meio mundo de surpresa, mesmo quem está ‘in loco’, com uma demissão de Webber e KOB em seu lugar; seria fascinante, eu diria). Voltando. Rosberg certamente fez sua pior prova na casa prateada. Mal chegou a andar entre os dez primeiros. Sofreu na mão de Toro Rosso e Force India. A Petronas nem apareceu na TV. Vai ter um crack na bolsa malaia amanhã. Enfim, se na Austrália o carro havia sido mal acertado, agora se chega à conclusão de que o carro é mal feito, isso sim. A Mercedes vai levar uma sova da Renault, até de Petrov, com seu Lotus Sputnik com direção ejetável. E a Williams, também, votecontá, o carrinho quebra que é uma beleza e não parece ser melhor que o do ano passado, como tem indicado Barrichello. Ser pouca coisa melhor que a Lotus é para derrubar as ações da equipe na bolsa de Frankfurt.

E falando em bolsa, Vettel já leva 50 pontos na sua. A China é o fim da primeira perna do Mundial, na semana que vem. Os carros que todo mundo viu hoje irão para Xangai sem modificações, portanto. Não há nenhuma razão para se pensar em outra coisa que não seja a tripleta de Vettel. É cedo, tal, mas vamos e venhamos: não tá com uma cara de que Sebastian vai enfiar todo mundo no mesmo saco logo, logo? Agora já são 24 pontos de vantagem para Button. E olha que os taurinos não têm muito bem definido como usar direito o sistema de energia cinética. Quando se acertarem bem com a pilha AA, vão parecer aquele coelhinho que batucava muito mais do que os outros.

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