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Um lugar a Indicar, o evento em SP

SÃO PAULO | Sobe som. De análise.

A corrida da Indy em São Paulo é o exemplo mais próximo e recente de como as pessoas, de um modo geral, esperam acontecer algo de ruim para tomar uma providência, sem perceber ou ter em mente que tomar medidas que combatessem os problemas desde o início seriam mais do que suficientes. Isso vai desde a questão da reta do sambódromo, afeita inicialmente a um mundial de patinação ou ao curling, estivesse São Paulo num inverno suprarigoroso, até o furto do laptop do excelente fotógrafo Miguel Costa Jr..

Na quinta-feira em que aconteceu o sumiço do notebook do Miguel, o Anhembi estava exposto a quem quisesse, não só aos jornalistas. Não era necessário credenciamento. Os seguranças estavam longe da sala de imprensa. O resultado, com a presença de delegados, não era de se surpreender. “Ah, isso só acontece no Brasil”, teve quem falasse. Não, não acontece só no Brasil. Acontece em qualquer lugar porque tem gente com espírito de porco em todo lugar. Em Jerez, Marcelo Ferronato teve seu protetor de ouvido levado. “Ah, mas é um protetor de ouvido. Foda-se. Não é o valor do aparato. É o fato. Mas aqui no Brasil, as coisas tendem a seguir o velho laissez-faire francês, o deixar fazer, para então arregaçar as mangas e evitar posteriores contratempos. Na sexta-feira, já eram dois ou três os seguranças na porta do espaço da mídia. Então não houve mais quem se queixasse de que desapareceu alguma coisa simplesmente do nada.

Quando Tony Kanaan chegou levemente emputecido a tal sala de imprensa no sábado após o primeiro treino livre, a saraivada de críticas veio em cima de Tony Cotman, o mentor e projetista da pista, isentando o restante da organização, a saber a TV Bandeirantes e a prefeitura de São Paulo. Se foram levados todos no bico, Bandeirantes, prefeitura e a IRL em si também devem ser responsabilizadas. Porque não houve um ser destes três níveis que chegou a contestar Cotman se era imprescindível jogar um piche naquele piso do sambódromo — raspar as linhas demarcatórias do carnaval foi um paliativo de quem tratou a pista em si em segundo plano. Precisou que os carros sambassem naqueles tantos metros de passarela, sem quase acelerar a metade do que são capazes, e outros encontrando o muro em quarta ou quinta marcha, tipo Ryan Briscoe, Bia Figueiredo ou Milka Duno — se bem que ela encontra o muro em qualquer superfície— para que providências rápidas fossem tomadas. À noite, lixaram todo o sambódromo e, voilà, puseram Davey Hamilton, o piloto, digamos, reserva da Indy para então avaliar com o carro de dois lugares se a solução era eficaz.

Então veio o domingo, e houve corrida. E a grande maioria com quem conversei saiu com uma boa impressão, porque, além de nestes casos ser a última impressão aquela que fica, não havia como esperar algo pior do que havia se passado no dia anterior. E foi uma baita corrida, também por várias coisas: por o GP do Bahrein na F1 de horas antes ter sido lastimável, porque a pista de rua, seja qual for, proporciona momentos mais emocionantes e porque veio a chuva. E foi ótimo ela ter vindo de forma torrencial. Porque mostrou, num evento esportivo para tantos e múltiplos países, os problemas que São Paulo vive. Uma chuva forte de 20 minutos alagou o trecho da Marginal e parte da reta do sambódromo. E a prefeitura e também o governo, não só da dupla Kassab-Serra, mas os anteriores também, agem sempre depois que a catástrofe se instala. Como Kassab e Serra não podiam construir piscinões ontem, restou aos fiscais a tarefa de escoar para onde pudessem aquele aguaceiro com seus rodos rápidos.

Uma frase, a de Kanaan, é simbólica: “Só aqui querem fazer uma corrida em quatro meses”. Uma segunda, que ouvi na transmissão da TV, também: “É o maior evento esportivo do ano”. Agora a Bandeirantes e a prefeitura vão ter um ano para pegar tudo que (não) foi feito para este ano, sentar, planejar, conversar e ouvir, e fazer certinho para 2011, para que seja um evento impecável, para que os americanos não fiquem na transmissão zombando e caracterizando o modus operandi do brasileiro como o terceiro mundo que não existe mais na geopolítica. E que a TV e a prefeitura possam, então, falar com propriedade que se trata de um ótimo evento esportivo — não o maior, afinal, ao que me conste, em 2010 há uma Copa do Mundo, e a F1 tem mais valor —, sem que se vomite descaradamente inverdades e se mascare todos estes problemas em rede nacional a pessoas minimamente inteligentes.

Ótimo que se tenha a Indy em São Paulo e ótimo que permaneça. A Indy é uma ótima categoria, e o público gostou. Como eu gosto, tanto quanto a F1, e torço por ela. Mas que as pessoas que dela cuidam não enganem e não se enganem novamente.

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Um lugar a Indicar, a ordem dos boxes

SÃO PAULO | Sobe som. Música do “Marcha Soldado”.

Eis a ordem que os 24 carros que, por enquanto, estão inscritos na corrida de São Paulo da Indy vão ocupar nos boxes:

Ganassi (Franchitti e Dixon)
Penske (Briscoe, Castroneves e Power)
Andretti (Kanaan, Patrick, Andretti e Hunter-Reay)
Newman/Haas/Lanigan (Mutoh)
Dale Coyne (Duno e Lloyd ou Hildebrand) 
Panther (Wheldon)
KV (Sato, Viso e Rossiter)
De Ferran/Luczo Dragon (Matos)
Foyt (Meira)
Dreyer & Reinbold (Conway, Wilson e Figueiredo) 
HVM (De Silvestro)
Conquest (Romancini)
Fazzt (Tagliani)

Como é a primeira corrida da temporada, as posições foram dadas de acordo com a classificação do ano passado. As equipes com mais de um carro vão ter a benesse de agrupá-los. A partir da segunda corrida, o que vale é a pontuação do campeonato.

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Um lugar a Indicar, o ingresso

SÃO PAULO | Sobe som. Tilintar das moedas. Ação da caixa registradora.

O preço mais barato do ingresso da corrida da Indy em São Paulo será de R$ 100. O mais caro vai custar R$ 500. As vendas vão começar a partir de 1/2, pelo site da Livepass.

Barato? Caro? Justo? Manifestai-vos.

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Um lugar a Indicar, estrelando Beyoncé

SÃO PAULO | Sobe som. Pode ser Halo, Baby Boy ou Ego.

Ontem a Indy colocou em seu site oficial o comunicado que torna oficial o traçado da tão falada corrida na São Paulo em que chove consecutivamente há 35 dias — e contando. No meio do texto, há dois links, referentes ao site oficial da corrida em português e um outro para o site que vai vender os ingressos ao lado de um telefone.

Sem clicar no link, liguei para o telefone. Uma voz feminina gravada me informava que se trata da “Livepass”, a quem cumprimento com prazer. A telefonista, então, me deu duas opções. A primeira era clicar o número 1, ”para compra de ingressos”. Animei-me e surpreendi-me. Mas não durou mais do que 4 segundos. Porque a segunda, o número 2, se tratava de “informações para os shows da Beyoncé”.

Até gosto da Beyoncé, canta bem, faz uns cliques sensuais, é gostosa, mas não tenho muito interesse em adquirir as caras entradas para seus rebolantes shows em São Paulo, Rio e Salvador — curiosamente as cidades da Indy. Daí pressionei o 1. Deparei-me com o tutu.

O tutu persistiu por mais umas quatro vezes. Na oportunidade seguinte, fui para o 2, que me dava uma série de opções da cidade e do dia dos ingressos da apresentação da gloriosa Beyoncé.

Parti para o site que a Indy indicava, e mais Beyoncé. Cliquei no calendário de março, e nada está marcado, por enquanto, como evento em 14 de março para venda dos tíquetes. Esperemos, pois, até 1º de fevereiro, data em que o site brasileiro da corrida promete infos.

Enquanto isso, vamos de Beyoncé.

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Um lugar a Indicar, o traçado

SÃO PAULO | Sobe som. As trombetas fazem o anúncio.

Ao que parece, agora, sim, está definido o traçado da corrida da Indy em São Paulo. O site oficial da corrida divulgou o desenho da pista contígua ao sambódromo e à Marginal Tietê.

Apesar da longa reta formada à margem do nada límpido rio, a largada e a chegada vão acontecer na passarela do samba paulistano. Pegam a avenida Olavo Fontoura e antes que chegue à redonda Praça Campo de Bagatelle, contornam o estacionamento do Anhembi e caem na marginal.

A pista terá 4.180 metros e a corrida, 75 voltas. Serão 11 curvas e uma velocidade máxima de 310 km/h.

Indy_circuito

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Um lugar a Indicar, remake

SÃO PAULO | Sobe som. A novela que fez tanto sucesso, atingiu outros sites, rádios gaúchas e até os EUA, ganhou novos capítulos. Esperados, até.

*Atualizado na manhã de quarta-feira, às 11h.

Está definido o sambódromo como a pista de rua que vai receber a corrida paulistana, paulista e brasileira da Indy em 2010. O anúncio, inclusive, era para ter saído nesta terça-feira. Mas digamos que a Marginal alagada e tomada pelo barro, pelo entulho e pelo lixo do Tietê, parte do traçado escolhido, segurou a revelação dos planos, por assim dizer.

Não vi o traçado, haviam me falado a pista por telefone, e eu tinha feito um traçado inicial, que incluíam as duas vias da Rua Olavo Fontura e a Praça Campo de Bagatelle, num circuito que resultaria em mais de 5 km. A Indy quer uma pista de no máximo 3,7 km. Assim, o desenho abaixo é mais plausível.

A reta principal vai se dar na própria Marginal, utilizando a chamada pista local e parte da nova pista que ainda está em construção ali do lado do sambódromo. A primeira curva vem à direita, contorna-se o sambódromo por fora, cai na Olavo Fontoura, e aí, sim, entra-se na passarela do samba em ritmo de festa. Depois haverá uma chicane até chegar na área do estacionamento do Anhembi.  Uma reta, e os pilotos voltam à Marginal.

Se São Paulo estiver bem, ensolarada, sem resquícios do que aconteceu hoje, o anúncio oficial sai nesta semana. Do contrário, só na segunda ou terça da próxima.

Obras terão de ser feitas, obviamente. Faltam três meses para a corrida, marcada para 14 de março. O piso do sambódromo, de concreto, está incluso como prioridade absoluta no projeto.

Assim que obtiver o traçado correto, postarei aqui. Segue o esboço atual, sem a Campo de Bagatelle — que seria interessante no projeto, a meu ver.

indy_pistacerta

Este aqui foi o que eu havia imaginado de início, passando pelos arvoredos da Olavo Fontoura e pela praça onde há a réplica do 14-Bis:

Indy_pista

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Um lugar a Indicar: Rio está fora

SÃO PAULO | Sobe som. Trilha sonora de “Tubarão”. Cenas de ação.

Está no ar mais um capítulo de “Um lugar a Indicar”. A novela do automobilismo.

Não há quem confirme categoricamente, com assinatura de acordo e tudo mais, em que lugar vai ser a corrida da Indy no Brasil. As únicas certezas em torno da história que já tem mais de quatro meses vêm na linha inversa, onde não vai acontecer. O que já se sabe é que a prova não será realizada em Ribeirão Preto, cidade favorita no começo e eliminada de pronto, e, agora, que não será no Rio.

Carlo Gancia, representante da Indy no Brasil, informou ao Blog Victal que a cidade que vai sediar as Olimpíadas em 2016 desistiu de receber a categoria nas ruas de Flamengo ou Botafogo em 2010. Mas não de maneira cordial, por assim dizer. Simplesmente porque o prefeito Eduardo Paes se portou como um fugitivo.

A insatisfação de Gancia com Paes era explícita. Perguntei se o Rio estava definitivamente fora da disputa. “O ego do prefeito subiu à cabeça”, falou o dirigente, já ratificando a informação. “Ele não atende o telefone quando eu ligo, quando o pessoal da [TV] Bandeirantes liga, gente que era amiga dele muito antes de ele ser político.”

Era certo que seria no Rio, a verdade é essa. Todos davam como certo. O amigo jornalista Américo Teixeira Jr., por exemplo, informou há um tempão que o anúncio estava por acontecer. O anúncio, aliás, vazou lá entre o pessoal da Indy, saiu no site da categoria, a tal matéria do título “Bom dia, Rio”. Pessoas muito próximas ao pessoal que cuida da Indy no Brasil e lá também iam nesta direção. O que deu errado? Como disseram, a resposta se encontra no “descendente de inca” Paes.

“Dizer não num negócio é algo normal, que pode acontecer”, falou Gancia. “Mas aí ele vai, aperta a mão, fala que vai fazer a corrida e depois some, nem atende o celular. Nem lamentável eu posso dizer que isso é…” Gancia ressaltou, ao longo da conversa, a situação. “Ele confirmou, apertou a mão e depois fez todo mundo perder tempo. Ele não atende o telefone para fugir do problema. E o problema são os devaneios da cabeça dele.”

O prefeito Paes foi procurado, via assessoria, mas não se manifestou ainda.

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Um lugar a Indicar, capítulo n

SÃO PAULO | Sobe som. A família se reúne. Os brasileiros e brasileiras esfregam as mãos. No ar…

Um lugar a Indicar. A sua novela do automobilismo.

O capítulo de hoje apresenta Carlo Gancia, representante da Indy no Brasil, conversando com Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris, que é a empresa que cuida do turismo, da cultura e do esporte na capital paulista. O encontro aconteceu ontem. 

São Paulo se mostrou disposta a receber a corrida, sim. Uma prova de rua, diga-se, descartando Interlagos por completo. Gancia pretende falar agora com o prefeito Gilberto Kassab e acertar o mais rápido possível, até por pressão da Indy — que quer uma resposta até amanhã —, a realização da etapa brasileira. Se tudo der certo, então, haverá um estudo do local e da pista a ser feita na cidade. 

A qualquer momento, voltamos com o próximo capítulo desta linda novela.

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A novela da Indy, capítulo x+1

SÃO PAULO | Digamos que a Indy, usando de um eufemismo, está meio enfezada com essa história da corrida do Brasil que nunca sai, e tentaram estipular um prazo. Quarta-feira que vem, dia 25.

Digamos que a Indy, usando de um eufemismo, mandou rapidamente alguém para São Paulo, para que este emissário tente, após várias reuniões, a realização da corrida nas ruas da capital paulista.

Digamos que a Indy, usando de um eufemismo, ficou nervosa com o prefeito do Rio de Janeiro.

Porque, segundo comentaram na reunião que a Indy fez ontem lá em Indianápolis, Eduardo Paes é meio doido. Usando de um eufemismo.

É o capítulo de hoje de “Um lugar a Indicar”, a sua novela da Indy.

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