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A corrida do imposto

SÃO PAULO | Não deve ter sido privilégio só meu ter recebido o não muito aprazível carnê de pagamento do IPTU com uma foto de uma corrida porque as pessoas responsáveis por tal mal devem saber que milito no jornalismo desta área há alguns anos. Assim, os moradores desta não muito sossegada cidade de São Paulo devem ter visto em suas caixas de correio o mesmo papel de cobrança.

É uma foto singela, puxa vida, que quebra os padrões normais, burocráticos e frios. Há uma cor naquele papel, como se fosse um alento para quem paga o imposto da sua casa, própria ou não.

Mas não é bem isso, a gente sabe bem, a foto que ali está é uma promoção da corrida que vai acontecer ainda neste mês, no fim do mês, a corrida da Indy, a corrida no Anhembi, a corrida às margens do Tietê. Dia 29 de abril, como bem indica a data da foto.

Por promoção, entendo que a prefeitura paulistana esteja fazendo uma propaganda em seu carnê de IPTU a seus habitantes da etapa que vai correalizar (que palavra horrível) com a TV Bandeirantes. Mas noto, com certa rapidez, que a foto não me remete bem à Marginal ou à Olavo Fontoura ou à reta do sambódromo.

Reparo a reta principal, a curva de um circuito oval, o povo ali atrás na arquibancadas, o alambrado à esquerda, o muro dos boxes e os integrantes das equipes com as placas, a linha de tijolinhos e posso concluir, com quase certeza, que é Indianápolis.

Considerando que seja em Indianápolis, posso ainda ter algumas dúvidas, noto que a foto parece ter Helio Castroneves ali à esquerda, com Vitor Meira logo atrás, isso está claro. Meira correndo na Panther. E tem um carrinho verde ali atrás que posso garantir ser Tony Kanaan. Na Andretti. Posso assentir que a foto é de 2008 ou 2009, e imagino que são tempos difíceis, estes, para se buscar uma imagem ligeiramente mais recente da corrida.

Entendo que a prefeitura deste douto prefeito no qual não votei precise angariar cada vez mais dinheiro, até porque já criou muitas proibições com as quais tenta lucrar, mas, puxa vida, cobrar-me IPTU de Indianápolis talvez seja um exagero. É bem verdade que estive três vezes lá, mas não julgo que seja motivo para me sobretaxar do uso do hotel e das dependências do famoso autódromo localizado em town of Speedway, Indiana, USA.

Se insistirem, talvez eu considere propaganda enganosa o que eles tentam me vender no carnê e tome a terrível medida de ir ao Reclame Aqui.

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Fazendo o quê?

SÃO PAULO | Randy Bernard, presidente da Indy, está no Brasil, como disse no Twitter, para uma “reunião rápida”. Não tende a ser muito rápida, mas a duração do encontro é irrelevante.

Bernard está em São Paulo. E nesta manhã esteve reunido com gente da organização da corrida que acontece no sambódromo do Anhembi — Bandeirantes e prefeitura.

Na pauta, dois assuntos principais: o primeiro, dinheiro, claro. Uma relação a se analisar: o patrocínio principal e direito de nome é da Itaipava, que passou por mudanças diretivas, por assim dizer, e está freando o investimento em automobilismo.

O outro: uma possível mudança da data da prova. De início, a proposta era fixar a etapa paulistana no primeiro domingo de maio, antes da Indy 500. Aí, no ano que vem, marcaram… para o último fim de semana de abril.

Abril ou maio, a data tem sido cobiçada por algumas cidades americanas. E o calendário está enxuto sem Texas e Vegas.

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Brasilândia, 12

INTERLAGOS | A imprensa foi chamada há pouco para uma coletiva na próxima terça-feira, na sede dos coirmãos isentos de impostos lá no Parque São Jorge, em que Barrichello vai apresentar um “novo evento automobilístico”.

Um evento de rali, na verdade, e que vai misturar as características do Desafio de Kart organizado por Massa, em que rolam convites a astros do automobilismo mundial e celebridades — foram chamados Tony Kanaan e Luciano Huck, dentre outros —, com as do Rali de Monza, em seu formato.

A competição está marcada para os dias 17 e 18 de dezembro e vai acontecer no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde será montada uma pista.

Uma grande montadora de carros classe A está por trás do projeto, três letrinhas, com seu carro míni. Paboen, mepabá.

A foto acima é de Carsten Horst e o palhaço lá atrás é Rafael Honório.

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O outro lado da corrida

SÃO PAULO | De um amigo, durante um fim de semana:

“Cara, hoje o trânsito estava um caos inacreditável por causa da maquiagem que a prefeitura esta fazendo. Tinha uns 5 caminhões cortando as plantas dos canteiros, passando cal nas guias, retocando uns muros. Isso só acontece uma vez por ano. As infinitas pichações, buracos nas vias, os sinais (des)inteligentes ninguém arruma. Ah, e os caras tão de brincadeira de cobrar 20 conto pra levar de busão do SP Market até a caixa d’água! Isso com busão público!”

Esse é o outro lado do GP do Brasil.

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Para o vinagre

SÃO PAULO | O Brasil vai sediar, mesmo, uma única corrida da Indy, como tem acontecido desde 2010. Apesar de as tratativas terem avançado para que o martelo fosse batido e se discutisse apenas a data de realização, os últimos dias indicaram uma reviravolta na prova que aconteceria em Porto Alegre e, no pé em que está hoje, o evento só será realizado a partir de 2013.

Os governos do estado do Rio Grande do Sul e da prefeitura da capital gaúcha tinham um prazo para se posicionarem, bem na base do pegar ou largar. Mas como já havia acontecido com Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Salvador, há um entrave forte e decisivo para se realizar um evento deste porte: dinheiro. Muito dinheiro.

O que se diz é que não houve um esforço comparável com o feito pela prefeitura de São Paulo — sem bairrismo ou politicagem — para que se levantasse a grana suficiente para bancar a prova, mesmo com todo interesse que a própria Indy demonstrou em fazer o tal GP Mercosul numa data distante da corrida no Anhembi. A data seria em setembro.

O impasse na realização da etapa é um dos motivos da demora da Indy em soltar seu calendário do ano que vem, prometido para o meio deste mês. Outro deles é a corrida da China — esta, sim, praticamente garantida.

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F1 nem tão rocks

SÃO PAULO | Já estão definidas as duas principais atrações do F1 Rocks em São Paulo.

Pois não é tão rocks assim.

Macy Gray é cantora, e das boas, de R&B e tem como grandes sucessos ‘I Try’ e ‘Sexual Revolution’, entoados com sua voz levemente rouca. Agora a gloriosa Jessie J, 23 anos, é inglesa e tida como revelação do pop e tal e é autora de ‘Price Tag’.

O evento vai acontecer no Via Funchal em 24 de novembro, quinta-feira antes do GP do Brasil.

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Anhembindy, 14

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ANHEMBI
| O fim de semana de cinco dias chegou ao fim, e este não é propriamente um último post direto do Anhembi, mas ainda estou próximo à região e me permito esta licença poético-geográfica. Jornalisticamente falando, cobrir um evento como este da Indy é exaustivo pelas demandas inerentes, ainda mais para um site, que lida com notícias contra o tempo. Mas não tem nada do papo furado da validade da credencial que foi escrito em uma página supostamente famosa lá fora, feita em português, por um “profissional” supostamente cansado por natureza. O resultado que fica é sempre de um trabalho digno. A Indy permite isso. Daí, principalmente, eu gostar bem mais dela do que da F1.

Nos mais amplos sentidos, a Indy dá a todos uma aproximação maior. É claro que não é bem uma festa do povo, como apregoou em determinado momento a TV Bandeirantes, copromotora do evento, e ainda falta muito para ser um “belíssimo espetáculo”, como se fosse uma ópera com um grid de 26 tenores. Mas se a referência é a F1, a Indy, a prefeitura, a emissora e todos aqueles que estiveram na organização do evento realmente ganham um ponto a favor. E meus caros colegas não podem reclamar da liberdade que tiveram para entrevistas e conversas com quem quer que fosse. Pilotos e dirigentes estavam disponíveis. É muito mais fácil falar com um Dario Franchitti ou um Will Power do que com um Timo Glock, e as respostas rendem boas histórias e manchetes, sem a pasteurização paunocuzística da categoria-mor.

Assim, legal demais que se tenha uma corrida de Indy por aqui. Que venha uma segunda, em Porto Alegre, uma terceira na praia de Boa Viagem, etc.

Mas vou me pegar no ponto do belíssimo espetáculo, dito por Fred Nogueira, vice-presidente da Bandeirantes, ontem na coletiva de imprensa pós-adiamento da prova. Entendo por belíssimo espetáculo algo impecável em absolutamente todos os sentidos. Por impecável, entendo que não haja ressalva alguma. E em muitos pontos há falhas graves.

Primeiro que a sala de imprensa não pode ficar desprotegida às quintas-feiras. São dois anos de episódios de roubos. Nenhum profissional é obrigado a ter receio de deixar seu equipamento no lugar demarcado para ir ali ao pavilhão para falar com James Jakes, à lanchonete comprar uma esfiha de calabresa de 4 dinheiros ou mesmo ao banheiro — apesar de jornalista não ter selo de moralidade; tem nego pra tudo, e levar as coisas alheias não é de todo estranho. Mas que se evite, de modo geral. Sexta-feira colocaram lá as catracas, e o problema estava resolvido. Só não poderia ter repetido o erro do ano passado. Na minha terra, isso se chamaria burrice.

O fato de a corrida ser em São Paulo é um problemaço. O prefeito Gilberto Kassab esqueceu há muito tempo que administra uma megalópole próxima de um colapso para se concentrar na criação de seu partido e costurar alianças com gente que não sabe se é direita ou esquerda na vida. Normal, então, que estivesse meio perdido em relação a pontos interessantes, como gastos e obras feitas, mas devidamente afiado para rasgar seda e saponáceo para debater os pontos falhos. Mais normal que não tivesse pensado que a corrida poderia acontecer numa segunda-feira. Mas como a Indy é um evento que, segundo os números oficiais mirabolantes, é altamente lucrativo, tem de se fazer e pronto.

Para não ferrar a vida do cidadão em dia útil, faz-se tudo em dois dias. A programação piora por ser inflada pelo GT Brasil, evento transmitido pela mesma emissora. Juntam-se dois eventos automobilísticos, que vão de 7h30 até o começo da noite, no caso do sábado. Fica puxado para todo mundo, inclusive para o público. E aí, qualquer fato que tire algo da linha vira uma hecatombe em duas vias. A tempestade dominical acabou por ferrar a vida de todos. Há de se repensar nisso: se são dois dias, mesmo, que se deixe tudo para a Indy. Apesar de o povo ter um apreço e conhecimento muito maior pela F1, a categoria se sustenta por si.

Um aparte: havia, mesmo, 41 mil e tantas pessoas nas arquibancadas no domingo? Os espaços em branco não representavam só 5 mil gentes. É apenas uma leve desconfiança. Mas nada que pese. Gabar-se por mais ou menos cabeças sentadas no concreto ou tratadas a acepipes nos camarotes não é da nossa alçada.

Um segundo aparte: Luan Santana. Era batata que entre o brado retumbante ouvido às margens plácidas do Ipiranga, salve, salve, o povo encaixasse um viado às margens do Tietê. É claro que a organização não tem controle, e não tem de ter, para o que o populacho grita durante um hino, mas, enquanto belíssimo espetáculo, havia opções muitíssimo melhores.

O asfalto. Bom, primeiro que foi feito semanas antes da corrida. Não houve tempo para que curasse devidamente, pois. Falaram que usaram a mistura que deu um jeito em Interlagos há alguns anos. Depois do que aconteceu domingo, com poças imensas e uma atração curiosa para concentrar água em si, é muito mais além do que uma leve desconfiança. Gostaria de ver algum relatório ou especialista — tá na moda, tem especialista para tudo hoje — que me prove que houve realmente um plano e um cálculo sobre o pixe e que apresente um tópico especial para escoamento.  Fosse o asfalto padrão Interlagos, a corrida teria acontecido no domingo no período em que a chuva era constante porém propícia à prática esportiva.  

Uma pista de rua com menos ondulações, nota-se, não é tudo. E dois anos com o mesmíssimo problema, disse acima, é burrice. Sobre o concreto do sambódromo, nenhuma queixa foi registrada. Só uma poeirazinha, mas é de menos. OK.

Por fim, a cobertura do evento. Primeiro que me incomoda o laço oportunista que é feito entre órgão público e emissora. O automobilismo brasileiro, aquele que está até a boca de coisas erradas, está diretamente atrelado ao meio de comunicação que o exibe. Acontece isso com a Globo e a F1 e a Stock Car. Acontece o mesmo com a Bandeirantes e a Indy e a Truck. Não são registradas críticas, e por mais que cada categoria tenha sua exigência e labuta, todas têm resultados vistos só no mundo de poliana. Nas condições de organizadoras, as TVs mandam a isenção e imparcialidade às favas. Corridas de carros acabam tratadas como o Carnaval do Rio ou de São Paulo ou o Band Folia e o Festival de Parintins, transformando os pilotos em mestres-salas e bois-bumbás. A única coisa em que são diferentes está no trato com os patrocinadores: uma omite, outra se rende. E no caso da Indy, em vez de notícias ou informações nos caracteres, surgem personalidades da casa ou famosos da vez para dar contribuição zero. Em vez de Ryan Briscoe, Bryan Riscoe, e James Hinchcliffe vira Jimmy Cliff, e não se sabe se Simona ou Simone tem sobrenome De Silvestro ou De Silvestre, e tem o Hi Hunter e o Sébastien Bordê, e Takuma Sato é o único japonês do automobilismo e não é conhecido no Brasil, e por aí vai.

Em suma: as TVs não olham para os pontos que os pilotos ganham na prova que estão disputando, mas para os que o ibope apresenta. E quanto mais altos, mais desfocam os olhos de seus diretores e permitem que só eles vejam que houve um belíssimo espetáculo. Uma prova que aconteceu mais de 60% em bandeira amarela, sendo que cinco voltas foram apenas para verificar se dava para haver disputa ou não, não é um espetáculo belíssimo. E não se pode colocar sob as asas da intempérie ou da sacanagem desse São Pedro danadinho que não deve curtir a Indy.

E aí a gente tem de dar ouvidos para a palavra final da TV americana, que encerrou a longa transmissão do domingo, meio enfadada, classificando aquilo como fiasco.

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Anhembindy, 8

ANHEMBI | Chega a dar pena a sova que Will Power dá em seus rivais na Indy. Sério. Todo mundo vai lá, tira o máximo de si, imagina ter aquela vã esperança de conquistar a pole, quase sempre os mesmos: Dario Franchitti, Ryan Hunter-Reay, Scott Dixon, Ryan Briscoe. E o australiano, na maior calma do mundo, espera e encaixa uma volta que faz pensar que o carro da Penske tem um eterno push-to-pass ou algo do tipo.

Quarta pole do ano para Power, 0s4 sobre o segundo colocado, invencibilidade mantida na temporada, mais um ponto para o bolso e dinheiro.

Hunter-Reay é quem terá a honra de ser o melhor da rapa. Dixon e Briscoe definiram a segunda fila e Rahal e o líder Franchitti partem na terceira.

O primeiro grupo do Q1 viu cair seu favorito. Sua, no caso. Simona de Silvestro não repetiu o excelente desempenho do treino livre 2, em que ficou a menos de um décimo de Power, e foi a primeira a ficar de fora — em sétimo lugar, portanto. Junto com ela ficou Tony Kanaan, que começou liderando a sessão e acabou logo atrás da pilota da HVM. Na loucura da intercalação dos tempos, De Silvestro vai sair na prova deste domingo em 13º no grid e Kanaan, em 15º. Raphael Matos fez companhia aos desclassificados, bem como Sebastián Saavedra, Michael Andretti e as outras duas mulheres, Danica Patrick e Bia Figueiredo. A brasileira, aliás, teve um sábado para se esquecer, ficando invariavelmente em penúltimo ou último.

Falando, então, de quem passou, Graham Rahal apareceu na frente, com 1min23s128, pouca coisa na frente de Helio Castroneves. Ryan Hunter-Reay — que na TV ganhou vários outros nomes —, Sébastien Bourdais, James Hinchcliffe e Takuma Sato, este sem bater, rodar, escapar ou triscar o muro, ganharam o direito de ir à fase 2.

Mais forte, a segunda divisão mostrou a força de Will Power, que virou 1min22s282. Seu companheiro Ryan Briscoe foi meio segundo mais lento, mas garantiu-se entre os seis primeiros para passar ao Q2, bem como as Ganassi de Scott Dixon e do campeão Dario Franchitti, da Andretti de Mike Conway e da Dreyer & Reinbold de Justin Wilson. Vitor Meira acabou sendo a Simona da vez, terminando na bica e com um 14º posto no grid. Ernesto Viso, saco de pancadas da KV-Lotus, mal treinou depois da batida no treino livre 2. Nada de incidentes foram registrados.

O Q2 veio com Hunter-Reay abrindo os trabalhos na frente, sendo superado pelo xará Briscoe na metade dos 10 minutos a que todos tinham direito. Na sequência dos atos, Franchitti cravou 1min22s651, Rahal o superou por um único milésimo e Power jantou todos. Aí o ciclo foi reiniciado, curiosamente: Hunter-Reay marcou 1min22s337, Briscoe reapareceu na frente e Franchitti o passou. Rahal não cumpriu sua parte, mas Power sim: 1min22s067.

Os cinco citados foram para a superpole mais Scott Dixon, meio que como coadjuvante. Castroneves repetiu o desempenho de suas últimas provas, sendo pior que seus companheiros. Sem passaporte à fase final, vai largar em sétimo. Ironia do destino, Wilson — aquele cujo carro tinha a ‘lista de acertados por Helio’ hoje de manhã —, larga bem a seu lado, em oitavo.

Na superpole, lá foi Hunter-Reay ser o primeiro a ir à pista, lá foi Rahal, lá foi Dixon. E Power lá, ainda nos boxes, tranquilo, esperando alguns minutinhos. Faltando 4 para o fim, o neozelandês da Ganassi marcou 1min22s556 para ficar com o melhor tempo. Hunter-Reay, coitado, esperançoso, 1min22s297. Aí Power foi deselegante: 1min21s895, quase 6 segundos melhor que a pole do ano passado.

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Indy com cerveja

SÃO PAULO | Salvação do automobilismo brasileiro, a Itaipava será a patrocinadora principal da corrida da Indy no Anhembi, nesta megalópole estafante e esgotada. O contrato já foi assinado, pelo que me afiançou uma fonte que bebe bastante cerveja. O ‘naming right’ será Itaipava Indy 300.

A corrida acontece em 1º de maio.

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Brasileirinhas, 14

INTERLAGOS | Pelo menos dois torcedores foram impedidos de entrar em Interlagos para acompanhar o treino livre e a classificação deste sábado (6) simplesmente por estarem trajados com camisas de clube de futebol. A informação partiu de outros torcedores que presenciaram a cena, ocorrida no setor G, da reta oposta, do autódromo.

A Polícia Militar de São Paulo barrou o ingresso dos torcedores. Um vestia uma camisa do São Paulo. O outro, a do Santo André. Questionados, os policiais teriam dito que estavam seguindo recomendações baseadas no Estatuto do Torcedor — o mesmo que levou o promotor Paulo Castilho a dizer que poderia prender Felipe Massa caso permitisse passagem a Fernando Alonso durante a prova de amanhã.

Avisada, a assessoria do GP do Brasil entrou em contato com a base militar operada no próprio autódromo. O tenente-coronel Leonardo Torres Ribeiro, comandante do CPA/M-10, informou que nenhuma ordem foi dada aos membros de sua corporação para que houvesse o veto, mas admitiu que há uma orientação, principalmente para o domingo, para que se evite trajar camisas que remetam aos times de futebol.

Com todo respeito: quem é que vai brigar com um cara que traja a camisa do Santo André?

Vai se lascar.

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Palmeirinha bar and rally

SÃO PAULO | Pois o Paulo Nobre, vulgo Palmeirinha — e que deve ser amplamente respeitado por suas conquistas no rali e, mais ainda, pelo time que torce — agora ataca no crepúsculo paulistano. Junto com a navegora Patrícia Romanatti, o palestrino abriu o Pé no Porão Rally Bar.

É só ir ali até a Clodomiro Amazonas, 1041, na Vila Olímpia, para encher o pandu e beber, além de ver um ambiente que lembra as competições de Palmeirinha e de Patrícia. É um novo point, como sempre solta o descolado João Paulo Borgonove, para o happy hour. E tem DJ das 19h às 22h.

Acho que palmeirenses deveriam ter pelo menos 50% de desconto…

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Qual é o ano?

SÃO PAULO | Estive lá naquele encontro anual que a Bandeirantes faz em Indianápolis um dia antes das 500 Milhas, e Marcelo Meira, o vice da emissora, anunciou empolgado a extensão do acordo da Indy com São Paulo. O tio de Vitor Meira informou que, na noite anterior, havia sido batido o martelo para que a prova, que iria previamente até 2014, fosse esticada até 2019, portanto mais cinco anos.

Hoje, a prefeitura de São Paulo mandou um comunicado, por volta das 14h30, em que confirmava a informação dada pelo diretor bandeirantino. Mas as notícias começaram a se difundir confusas em sites e blogs. Alguns apontaram que a prova só vai até 2018; outros mantiveram a informação contida na nota da prefeitura.

Acontece que houve confusão na própria prefeitura e do prefeito Gilberto Kassab. Uma neo-ave de curto veraneio informou ao Blog Victal que houve duas coletivas hoje que contaram com a presença do alcaíde. Na primeira delas, que se referia à Festa de São João, Kassab mencionou a corrida da Indy, e que ela seria esticada por mais quatro anos além de 2014. Na coletiva da Indy, falou que seriam cinco.

Funcionários da prefeitura, então, acionaram a SPTuris, que afirmaram que o contrato da Indy vale até janeiro de 2019. Ou seja, se vale até o primeiro mês de 2019, a corrida, por enquanto, só vai até 2018. Daí a prefeitura mandou um novo comunicado, com a data corrigida. E a Bandeirantes, por enquanto, mantém 2019.

Coesão só há sobre a data da corrida em 2011: 1º de maio, como já havia sido falado. E não haverá festa, comício, showmício ou micareta dos trabalhadores ali no Campo de Marte nesta data.

PS: Carlo Gancia esteve neste fim de semana em Ribeirão Preto, acompanhando a Stock Car. RP era a favorita para receber a Indy, como os caríssimos devem se lembrar. A prefeita Dárcy Vera, que dizem ser a menina dos olhos do presidenciável José Serra, se empenhou muito, mas não conseguiu a verba necessária. Já rola um papo que o Brasil pode ter duas etapas.

PS2: A assessoria da emissora, às 20h19, mandou um comunicado. Título: “Grupo Bandeirantes e Prefeitura estendem Indy em São Paulo até 2019″. E na rádio Sul América, do mesmo grupo, informa que é 2018. Aí não dá.

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I am (in) Indy, 10

INDIANÁPOLIS _ O almoço da TV Bandeirantes que aconteceu no Indiana Museum State pouco tempo atrás trouxe, além de uma coxa de frango com uma posta de arroz com pitacos com gorgonzola por cima, duas informações a respeito da corrida brasileira da Indy.

Segundo Marcelo Meira, vice-diretor da emissora, uma reunião ontem com a direção da IRL esticou o acordo da corrida no Anhembi por mais cinco anos. A prova fronteiriça à Marginal do Tietê e que usa o sambódromo como reta principal acontece, portanto, até 2019.

E no ano que vem, a etapa paulistana não vai abrir o calendário, medida que vejo como paliativo para evitar a correria de tempo para prepará-la depois do Carnaval e, principalmente, por conta da chuva. Em 2011, a SP Indy 300, como é batizada, está marcada para 1º de maio. Será, então a prova que antecede as 500 Milhas de Indianápolis.

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Um lugar a Indicar, o evento em SP

SÃO PAULO | Sobe som. De análise.

A corrida da Indy em São Paulo é o exemplo mais próximo e recente de como as pessoas, de um modo geral, esperam acontecer algo de ruim para tomar uma providência, sem perceber ou ter em mente que tomar medidas que combatessem os problemas desde o início seriam mais do que suficientes. Isso vai desde a questão da reta do sambódromo, afeita inicialmente a um mundial de patinação ou ao curling, estivesse São Paulo num inverno suprarigoroso, até o furto do laptop do excelente fotógrafo Miguel Costa Jr..

Na quinta-feira em que aconteceu o sumiço do notebook do Miguel, o Anhembi estava exposto a quem quisesse, não só aos jornalistas. Não era necessário credenciamento. Os seguranças estavam longe da sala de imprensa. O resultado, com a presença de delegados, não era de se surpreender. “Ah, isso só acontece no Brasil”, teve quem falasse. Não, não acontece só no Brasil. Acontece em qualquer lugar porque tem gente com espírito de porco em todo lugar. Em Jerez, Marcelo Ferronato teve seu protetor de ouvido levado. “Ah, mas é um protetor de ouvido. Foda-se. Não é o valor do aparato. É o fato. Mas aqui no Brasil, as coisas tendem a seguir o velho laissez-faire francês, o deixar fazer, para então arregaçar as mangas e evitar posteriores contratempos. Na sexta-feira, já eram dois ou três os seguranças na porta do espaço da mídia. Então não houve mais quem se queixasse de que desapareceu alguma coisa simplesmente do nada.

Quando Tony Kanaan chegou levemente emputecido a tal sala de imprensa no sábado após o primeiro treino livre, a saraivada de críticas veio em cima de Tony Cotman, o mentor e projetista da pista, isentando o restante da organização, a saber a TV Bandeirantes e a prefeitura de São Paulo. Se foram levados todos no bico, Bandeirantes, prefeitura e a IRL em si também devem ser responsabilizadas. Porque não houve um ser destes três níveis que chegou a contestar Cotman se era imprescindível jogar um piche naquele piso do sambódromo — raspar as linhas demarcatórias do carnaval foi um paliativo de quem tratou a pista em si em segundo plano. Precisou que os carros sambassem naqueles tantos metros de passarela, sem quase acelerar a metade do que são capazes, e outros encontrando o muro em quarta ou quinta marcha, tipo Ryan Briscoe, Bia Figueiredo ou Milka Duno — se bem que ela encontra o muro em qualquer superfície— para que providências rápidas fossem tomadas. À noite, lixaram todo o sambódromo e, voilà, puseram Davey Hamilton, o piloto, digamos, reserva da Indy para então avaliar com o carro de dois lugares se a solução era eficaz.

Então veio o domingo, e houve corrida. E a grande maioria com quem conversei saiu com uma boa impressão, porque, além de nestes casos ser a última impressão aquela que fica, não havia como esperar algo pior do que havia se passado no dia anterior. E foi uma baita corrida, também por várias coisas: por o GP do Bahrein na F1 de horas antes ter sido lastimável, porque a pista de rua, seja qual for, proporciona momentos mais emocionantes e porque veio a chuva. E foi ótimo ela ter vindo de forma torrencial. Porque mostrou, num evento esportivo para tantos e múltiplos países, os problemas que São Paulo vive. Uma chuva forte de 20 minutos alagou o trecho da Marginal e parte da reta do sambódromo. E a prefeitura e também o governo, não só da dupla Kassab-Serra, mas os anteriores também, agem sempre depois que a catástrofe se instala. Como Kassab e Serra não podiam construir piscinões ontem, restou aos fiscais a tarefa de escoar para onde pudessem aquele aguaceiro com seus rodos rápidos.

Uma frase, a de Kanaan, é simbólica: “Só aqui querem fazer uma corrida em quatro meses”. Uma segunda, que ouvi na transmissão da TV, também: “É o maior evento esportivo do ano”. Agora a Bandeirantes e a prefeitura vão ter um ano para pegar tudo que (não) foi feito para este ano, sentar, planejar, conversar e ouvir, e fazer certinho para 2011, para que seja um evento impecável, para que os americanos não fiquem na transmissão zombando e caracterizando o modus operandi do brasileiro como o terceiro mundo que não existe mais na geopolítica. E que a TV e a prefeitura possam, então, falar com propriedade que se trata de um ótimo evento esportivo — não o maior, afinal, ao que me conste, em 2010 há uma Copa do Mundo, e a F1 tem mais valor —, sem que se vomite descaradamente inverdades e se mascare todos estes problemas em rede nacional a pessoas minimamente inteligentes.

Ótimo que se tenha a Indy em São Paulo e ótimo que permaneça. A Indy é uma ótima categoria, e o público gostou. Como eu gosto, tanto quanto a F1, e torço por ela. Mas que as pessoas que dela cuidam não enganem e não se enganem novamente.

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A vitória de Power

ANHEMBI | O conturbado fim de semana da Indy em São Paulo só poderia ter uma corrida agitada. Mas não pelas ondulações ou pelo piso do sambódromo. A chuva resolveu dar as caras e, de tão intensa, chegou a paralisá-la. E depois de duas horas de corrida, Will Power conseguiu a vitória no Anhembi, superando Ryan Hunter-Reay nos minutos finais.

Vitor Meira foi o melhor brasileiro, superando Raphael Matos no fim da prova.

Na largada, o pole Dario Franchitti seguiu em primeiro, com Alex Tagliani e Hunter-Reay na sequência. Aí veio o S do Samba. Propício para confusões.

Takuma Sato rodou, enchendo a lateral de Helio Castroneves, que levou de lambuja Scott Dixon e Justin Wilson. Segundos depois, Marco Andretti e Mario Moraes se abalroaram, com o carro do americano servindo de catapulta para o do brasileiro, que caiu sobre a Andretti. Mario nem se preocupou com o fato de a roda traseira direita estar sobre a cabeça de Marco — resultado, ainda, da rixa entre os dois pilotos nascida após o acidente da primeira volta nas 500 Milhas de Indianápolis no ano passado.

“Tinha muita poeira na minha frente, e os carros estavam parando, 500 metros antes”, declarou Moraes, que mal completou 1 km na corrida. “Eu não vi nada, não consegui segurar”, completou. E nada aconteceu, e Andretti saiu de seu bólido sozinho. Além deles, Sato abandonou.

Kanaan subiu para quarto, precedendo Raphael Matos. Pilotos que largaram lá atrás aproveitaram para galgar o pelotão. Hideki Mutoh subiu para sexto e Vitor Meira aparecia em sétimo, trazendo Dan Wheldon, Simona de Silvestro e Ernesto Viso.

Depois de 22 minutos, veio a bandeira verde.

Mas só houve propriamente um momento de emoção entre os primeiros na volta 18, quando Hunter-Reay superou Tagliani no cotovelo que leva ao sambódromo. E três voltas depois apareceu a segunda bandeira amarela. Ela: Milka Duno. Parada. Pela enésima vez no fim de semana. Serviu, ao menos, para levar os pilotos aos pits.

E foi lá que Kanaan ganhou a posição de Tagliani nos pits. E nesta nova configuração da corrida, surgia na ponta Simona, que estava em janela de paradas diferenciada.

De volta à verde, Hunter-Reay partiu para cima de Franchitti e levou o segundo lugar no cotovelo. Metros à frente, já embutia em Simona para ganhar a ponta. E segundos depois, a chuva voltava.

Aí Wheldon, sexto colocado, perdeu o controle do carro na freada da Olavo Fontoura, acertando Tagliani, que vinha à sua frente. O canadense foi parar o muro, ricocheteou e levou Kanaan, que foi parar na área de escape.

Os problemas aumentaram com o dilúvio que se formou. Hideki Mutoh bateu na reta da Marginal e gerou nova aparição da bandeira amarela. A pista ficou alagada. A frente fria prevista pela meteorologia se fazia presente. A direção de prova, então, interrompeu a corrida.

Idas e vindas nos pits naquela situação, Franchitti conseguiu retomar o primeiro lugar, com o ressurgente Dixon atrás e Conway. Castroneves vinha como brasileiro mais bem posicionado, em quinto. Todos mantinham os pneus de chuva enquanto Hunter-Reay partia para os slicks. Matos e Briscoe seguiram a tática do norte-americano.

Foram 35 minutos de paralisação até que voltassem as atividades, sob sol forte e boa parte da pista incrivelmente já seca. E assim, aqueles que resolveram optar pelos pneus lisos começaram a andar melhor. Tanto é que voltas depois, quem estava com os ‘biscoitos’ tiveram de voltar aos pits. Hunter-Reay voltava à liderança no giro 41, e Briscoe superava Matos para assumir o segundo posto.

O ritmo de Briscoe passou a ser muito mais intenso, e em sete voltas descontou uma diferença de 6 segundos para brigar com Hunter-Reay pela liderança. No cotovelo, o Ryan da Penske superou o da Andretti, mas Hunter-Reay conseguiu pegar o vácuo e retomar a posição na freada do S do Samba. No giro seguinte, Briscoe repetiu a manobra na entrada do sambódromo, sem permitir reação do oponente.

Mas Briscoe jogaria tudo no lixo na 53. Pressionado por Hunter-Reay, errou na entrada da Marginal e foi parar na barreira de pneus. No Twitter, sua mulher, Nicole, expressava a tristeza: “Oh my God”.

Faltando seis minutos, a bandeira verde voltou. Meira superou Matos para ficar com o terceiro lugar e o posto de melhor brasileiro. E Power partiu para cima e superou Hunter-Reay restando três minutos para o fim.

Castroneves acabou apenas num módico nono lugar, logo à frente de Kanaan. Bia Figuiredo chegou a estar em oitavo e concluiu sua meta na estreia: terminar a prova. Ficou em 13º, a melhor pilota na corrida. Mario Romancini abandonou na volta 47, depois de tocar no muro da entrada da reta da Marginal, danificando a roda traseira esquerda.

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