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A ação da TV

SÃO PAULO | Duas informações que ouvi ali e acolá, que não vão mudar o rumo do mundo, mas que só entram a título de curiosidade e envolvem a TV Bandeirantes.

1) Tão logo viu que Barrichello se animou com seu primeiro teste na Indy, os executivos da emissora paulista chamaram o piloto para uma reunião a fim de convencê-lo a correr na Indy. Tiveram papel salutar, pois, na decisão do brasileiro, que se tornou o xodó da TV.

2) Sim, a Bandeirantes só transmitiu a corrida de São Petersburgo até o fim porque era Castroneves quem estava na liderança — apesar de a área de vídeos do site da emissora apontar que a vitória foi de Kanaan. A ordem é a seguinte, quando conflitar com o futebol: só passar se brasileiro estiver na ponta. Ou seja…

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O que será que será

SÃO PAULO | Anúncio divulgado nos grandes jornais hoje.

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Não me deixem só

SÃO PAULO | Depois do fim da coletiva de hoje, por coincidência, Barrichello estava livre para falar, ao vivo, com a Globo. Entrou no Globo Esporte aqui de SP e falou durante quase 4 minutos sobre sua nova vida na Indy. Entrevistado por Bruno Laurence, comentou como fez para dobrar a mulher Silvana e, no fim, deixou um recado ao apresentador Tiago Leifert. ”Não me deixa, não. Me mostra de vez em quando”, com olhar de comiseração e risos.

Enquanto dono da casa, Leifert fez a honraria e respondeu o óbvio a Rubens, que não o deixaria só, mas lembrou, a Barrichello e a todos, que “não temos os direitos de transmissão”.

Agora há pouco, no JN, a abertura do último bloco, de esportes, foi reservada ao contrato de Barrichello. Patrícia Poeta leu em 12 segundos que Barrichello vai correr na Indy, na mesma equipe de Kanaan.

Obter 4 minutos e pouco na grade de programação do jornalismo da Globo aponta o quanto Barrichello é importante no cenário do esporte nacional. Pode-se discordar se é o melhor ou não, mas Rubens é o mais valoroso piloto destas bandas desde a morte de Senna. Só que, enquanto novo membro da Bandeirantes, Barrichello vai ser tratado como todos os outros — como qualquer um. E tem de saber que a sua aliada das últimas duas décadas só vai voltar a mencioná-lo no caso de acidente ou de vitória.

E olhe lá.

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O caminho a seguir

SÃO PAULO | Habemus anuncium, e lá no WTC de São Paulo, a fumaça indicou o que todo mundo já sabia: Barrichello se torna o novo astro da Indy e a maior aquisição da categoria em 19 anos — curiosamente o espaço de tempo que ele ficou na F1 —, tal como a menina dos olhos da TV Bandeirantes.

E se faz válido analisar estas três peças.

Barrichello primeiro, claro. É um bem danado a Rubens no âmbito esportivo. É curioso ver que ele será um estreante no ano em que completa 40. Mais ainda, que ele será o mais velho de todos — Davey Hamilton e Paul Tracy não devem fazer a temporada toda. Um novato decano. Coisas da vida. Enfim, Barrichello tem tanto sua mente e seu físico voltados às corridas que seria impossível vê-lo tirar um ano sabático, que certamente o deixaria cômodo demais para que tentasse uma volta em 2013. Sua irmandade com Kanaan o levou a topar o desafio de guiar o carro. Sua qualidade o fez mandar bem nos testes. Seu peso chamou patrocínio. Sua obstinação dobrou o veto e o muxoxo da mulher Silvana. Com tudo conspirando a favor, não havia como não chegar a um acordo com Jimmy Vasser, que veio ao Brasil para participar da coletiva.

Curiosamente, Barrichello acaba por apagar sua saída sombria da F1 sem aquela despedida digna que (se) merecia. Porque ele justamente vai para a Indy como o grande nome, em substituição a Danica Patrick. Rubens vem também no momento mais propício possível, em que a Indy abandona suas carcaças velhas da Dallara para pegar chassis novinhos em folha, numa KV crescente com motores confiáveis da Chevrolet — que volta pelas mãos da Ilmor, preparadora dos antigos Honda — e com apoio irrestrito, esportivo e técnico, de Kanaan. Assim, não é viajar muito pensar que Barrichello alcance o mesmo êxito de Mansell em 1993. Cai no clichê do difícil, mas não impossível.

À Indy, nada melhor. Para quem quis transformar Wheldon em um super astro numa prova e o viu sair dela morto, a presença de Barrichello é uma ressurreição ideal. Mesmo de longe, observa-se entre os americanos uma certa euforia. É como se a série que havia rachado depois de 1995, cambaleado até 2008 com a fusão com a Champ Car e ainda não se achado apropriadamente até então, com mudanças em seu comando e decisões dúbias durante as corridas, tivesse enfim um valor. Os planetas parecem devidamente alinhados numa temporada mais curta do que o convencional. Se for válida, excelente.

E tem a Bandeirantes. O grupo de comunicação omitiu de seu público, em todas as suas mídias, a informação que já tinha há algum tempo, completa — a que todos já sabem. Tem quem não veja problema nisso. Pena. Se um dos pilares do jornalismo é o furo, a emissora do Morumbi preferiu embalar a notícia de Barrichello em um mega evento, com transmissão ao vivo por rádio e TV, nos moldes que a Globo fez na F1 com Senna e a Williams. Aliás, as TVs no Brasil geralmente são parceiras de eventos esportivos, e como um membro da Bandeirantes disse em off, não conseguem achar uma forma de coexistir com uma independência editorial. Daí a ausência de críticas. É por isso que, enquanto aliada de prefeitura paulistana e governo paulista, a Band se presta a até deturpar a realidade nos vários defeitos e problemas apresentados nas corridas realizadas no Anhembi. “Espaço para bom jornalismo mesmo é cada vez menor e, pior, cada vez mais controlado e dirigido. Somos ilhas nesse mundo”, sintetizou o mesmo funcionário da casa.

Resumidamente, o interesse comercial atropela o jornalismo. Assim, ter Barrichello no ‘elenco’ é uma dádiva. A Bandeirantes agora sabe que detém na mão um grande produto de audiência. Rubens, mal ou bem, é centro das atenções. Não à toa que a emissora deixou de prontidão todas as suas equipes e deu um tom até de que foi grande auxiliar no acordo do piloto com a KV. Teve até um “parabéns em nome de todo grupo Bandeirantes de comunicação” ao vivo no meio da coletiva. Isso já denota o que devem ser as transmissões neste ano: Barrichello belo e divino, o melhor brasileiro de todos os tempos do automobilismo, o mais perfeito, o mais bem sucedido, o mais carismático, o mais mais.

E aí, Barrichello vai ser tão bem tratado, por assim dizer, quanto era em seus tempos de Globo. Se era alvo do ‘Casseta’ lá, vai se tornar astro do ‘CQC’ e do ‘Pânico’ — só que será blindado de início até porque a Bandeirantes deve determinar que não ousem falar mal dele. Se havia um desejo e uma esperança em não ver aquele Rubinho do Brasil-sil-sil manipulado e reclamão, há controvérsias. E se Rubens tirou uma lição do que passou na F1, seria de bom grado que não mergulhasse nos mimos e regalos que a Band vai ofertá-lo.

Seria bom que Rubens, neste renascer da carreira, já caminhasse por si só.

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Apoiando Barrichello

GRAVATAÍ | Tempo atrás escrevi aqui que a BMC, que apoiaria Barrichello na F1 até por sua ligação com a Coreia — é uma representante da Hyundai no Brasil — não teria intenções iniciais de fazer o mesmo com o brasileiro na Indy por sua pouca influência na América.

Pois tal posição foi revista. Os diretores da empresa “estão tão fascinados com as corridas”, segundo uma fonte, que este ponto acabou sendo descartado. Ou seja, é a BMC quem vai aparecer na KV de Barrichello. E até se comenta que pode ser no carro todo.

A BMC, Brasil Máquinas, vende escavadeiras e empilhadeiras, e entrou de vez no automobilismo no ano passado, com uma equipe na Stock Car e patrocinando o Desafio das Estrelas.

No Twitter, Barrichello prometeu um anúncio de seu futuro — certo e já sabido — para o começo da semana que vem. Neste fim de semana, Rubens testa em Sonoma. Aguardemos, pois.

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Águas de março

GRAVATAÍ | Ao site GPUpdate.net, Barrichello não disse nada de novo em relação aos sentimentos e desejos que tem para 2012, resumidos ao antigo slogan ‘I am Indy’, voltou a exaltar o apoio que tem tido do povo no Twitter, o carro, o ambiente e a vida diferente da categoria, mas ali pôs uma data para o anúncio de sua decisão: o início de março.

Fevereiro é um mês curto, Carnaval tá aí, ninguém tá pensando muito em anunciar alguma coisa porque é festa e Momo precisa ganhar as ruas. O acordo com o time de Jimmy Vasser não havia sido assinado até ontem, mas, assim que feito, não há de demorar mais do que um ou dois dias para alguém saber da assinatura no papel e divulgá-la, aqui ou lá.

Barrichello não vai levar tanto tempo assim para fechar com a KV justamente porque está tudo certo. O tempo, aliás, é o que menos importa: o brasileiro vai correr a temporada toda, ovais devidamente inclusos. A próxima discussão é: será Rubens o novo Mansell da Indy?

E tal resposta pode vir nos testes da semana que vem em Sonoma. Se a primeira impressão é a que fica, Barrichello pode deixar o bigode crescer e pedir à KV que lhe dê o carro 5, com o número em vermelho.

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Tempo e dinheiro

SÃO PAULO | Tempo é dinheiro, diria a poetisa Evelyn Guimarães ao verter um mojito, e esta relação é perfeitamente aplicável a Barrichello para que a transição para a Indy seja realizada. Neste período de uma semana depois do teste em Sebring, o brasileiro iniciou uma série de reuniões para levantar o montante que precisa para levar à KV e saber como é o relacionamento de bastidores da categoria em território local.

A pouco mais de um mês e meio do início da temporada, Barrichello ouviu da KV de que precisa de 3 milhões de obamas para correr — situação semelhante à vivida por Kanaan no ano passado, no afã da quebra do acordo com a equipe de Gil de Ferran; aliás, Tony ainda precisa fechar seu orçamento, com cerca de metade das cifras antes mencionadas. Tão logo terminou de experimentar o DW12 na Flórida, Rubens veio para o Brasil engajado nesta meta porque quer a Indy para sua vida — como confirmou ontem no programa ‘Jogo Aberto’, da Bandeirantes.

Na emissora paulista, aliás, foi conversar com a cúpula e os diretores responsáveis pela parte esportiva para entender como se dá a divulgação e o que pode oferecer nas empresas com as quais conversa para convencê-las a apoiá-lo.

Fosse na F1, Barrichello teria o apoio da BMC (Brasil Máquinas), representante da Hyundai. Não é o caso na Indy. A empresa não tem interesse no mercado americano e havia crescido os olhos no principal campeonato do mundo principalmente por causa do GP da Coreia. Mas Rubens tem lá seus contatos bem feitos com Nestlé e Itaipava — que copatrocinaram a etapa do Anhembi no ano passado — e a Locaweb, que o apoiou nas últimas provas que fez pela Williams.

Se a conta fechar, Barrichello liga, manda um telegrama ou uma carta de amor para Jimmy Vasser apresentando-se como novo membro do time, e aí todo um procedimento começa a ser (re)feito: o de avisar à Dallara para que um novo chassi seja construído, tal como a Chevrolet para encomenda de um novo motor, algo que deve consumir uns 20 dias. Como a KV já tinha três carros no ano passado, a tarefa de formar um novo grupo de mecânicos e engenheiros não é das mais complicadas.

Grande responsável pela guinada na carreira de Rubens, Kanaan só não vai abrir mão de uma coisa para o amigo: o número do carro. Já estava definido há algum tempo que Tony vai voltar usar o 11, coincidentemente o de sorte de Barrichello, que vai correr com o número 8 se as coisas derem certo.

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O que fez o teste de Barrichello

SÃO PAULO | Uma história de bastidor ali na KV. Ernesto Viso não é lá um dos mais bem vistos ali na garagem do time de Jimmy Vasser, também porque o rapaz pouco traz em termos de acerto e bate à beça. Os mecânicos deviam até pensar em pedir para ganhar por hora-extra para consertar os chassis. Coitados. Enfim, no ano passado, conseguiu barganhar um desconto para fechar a temporada toda. Neste ano, Vasser bateu o pé e exigiu que o rapaz levasse o dinheiro necessário de tabela pela vaga.

Eis que Viso tentou fazer o mesmo que em 2011 e achou que testaria o carro novo da Dallara pela KV em Sebring belo e pimpão. Daí o venezuelano foi surpreendido com a chegada de Barrichello, e se num primeiro momento a equipe dividiria o carro 11 entre Rubens e Kanaan, jogou o brasileiro oriundo da F1 no carro 5.

Viso sentiu o golpe, ainda mais com o resultado que Barrichello obteve – realmente impressionante para todos (demais pilotos, KV, Chevrolet, a mulher Silvana). Ameaçado, correu para assinar o contrato, no preço que Vasser queria. Por isso que na quarta-feira retomou o comando do carro 5, fazendo com que os brasileiros compartilhassem o outro bólido.

Assim que os testes terminaram, Barrichello voltou ao Brasil para conversas com patrocinadores. Está empolgado demais para correr e precisa avisar rapidamente de seus planos para que a Dallara prepare mais um chassi para a KV. Kanaan sorri de orelha a orelha com isso porque finalmente vai ter alguém em quem confiar para trabalhar no acerto do carro, o que faz Vasser também sonhar mais alto.

A única pessoa que não achou o melhor dos mundos o ótimo teste e continua relutante é Silvana. Podem até convencê-la a dar o aval, mas ainda vai ver Barrichello sentar num carro da Indy meio que a contragosto.

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Alguém duvida?

SÃO PAULO | Primeiro dia dos testes em Sebring, e vamos a alguns pontos:

1) Barrichello disse ao Speed Channel que o carro não é estranho e que não lhe é familiar e que o treino de hoje representou uma “mudança interessante”.

2) Jimmy Vasser, dono da KV, falou que “já vemos que vamos aprender muito com ele no acerto e tudo mais”.

3) O brasileiro conversou com Nestlé e BMC, entre outras empresas, para tentar se garantir na F1. Se não conseguiu lá, o dinheiro é suficiente para bancar um carro a temporada toda na equipe da Indy.

4) O esforço do ‘irmão’ Kanaan é claro e notório e deve se estender também aos trabalhos financeiros.

5) Barrichello tem residência fixa nos Estados Unidos.

6) A temporada tem mais pistas em circuitos mistos que ovais.

7) O carro é novo, então todo mundo começa praticamente do zero.

Alguém duvida que Barrichello vai pra Indy para ser o novo grande astro da categoria?

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Barrichello, 1993-2011

SÃO PAULO | A Williams, pela segunda vez nos últimos anos, deixou vazar algo em seu site oficial antes de fazer o anúncio propriamente dito, e Senna está lá, confirmado como o outro piloto da equipe em 2012. Barrichello, que soube hoje pela manhã da decisão, agora fica sem correr na F1. Será que tenta uma brecha para fazer uma prova de despedida ou acaba de vez com esse negócio e vai procurar outra categoria?

É válido ressaltar que a carreira de Barrichello foi diretamente marcada pela morte de Ayrton e de como Rubens teve de carregar o fardo de ser um novo representante máster do Brasil na F1 impulsionado pela TV Globo — e seus princípios editoriais. Da mesma forma, é bem verdade que Barrichello, ao assumir este desafio, acabou consumido e se deixou levar. Sem carro para tal, o brasileiro tentou se fazer líder e, se aos domingos falhava, às terças era achincalhado pelo ‘Casseta & Planeta’, programa da própria emissora. E ao não conseguir os êxitos que pretendia, passou a dar explicações com ar choroso e queixante, criando contra si uma fama que começou a dividi-lo entre quem o ama e quem o odeia — tanto que é difícil encontrar alguém que tenha por ele um sentimento intermediário.

Na dubiedade de ser segundo piloto da Ferrari, e por tantos anos na batalha, Barrichello provocou na grande maioria, de quem o amava e o odiava, a maior emoção que seus pares tiveram nas pistas ao vencer o GP da Alemanha de 2000. É complicado, inclusive, não olhar para seu currículo na F1 agora e não definir este como seu maior momento. É diferente de dizer que foi o mais marcante — no caso Áustria 2002, no episódio de dar passagem a Schumacher na linha de chegada. Aqui foi, de fato, o marco de sua carreira naquele maniqueísmo dos sentimentos e o norte de como seria definitivamente observado.

Mesmo contrariado com sua posição na equipe italiana, admitindo que só poderia vencer se a cúpula deixasse, Rubens alegou que não tinha para onde ir e ficou até 2005. Pulou para a Honda, onde ficou apagado e ofuscado por três temporadas e parecia encerrar sua passagem na F1 melancolicamente, para deleite de seus detratores. Até que Ross Brawn, um de seus chefes na Ferrari, tratou de resgatá-lo e mantê-lo na equipe que levou o nome do engenheiro. Na maior oportunidade que teve na carreira de ser campeão, perdeu para o companheiro Button, mas voltou a ser protagonista no meio. Chegou a ser procurado pela McLaren, mas logo depois que já havia assinado pela Williams. Que tratou de acabar com tudo sem que Barrichello pudesse ao menos encerrar dignamente a carreira — e nisto está sua parcela de culpa. Rubens deveria ter sabido parar.

É claro que haverá quem concorde muito e quem discorde visceralmente com estas linhas, justamente porque cada um tem esta imagem extremista de Barrichello. Seja lá como for, mais uma vez se faz válido dizer que é inegável o valor de seu nome na história da categoria, e isso não se deve pelo recorde de longevidade contínua. Dizer que foi um dos pilotos que mais merecia um título pelo conjunto da obra pode suscitar sua aura de ‘segundão’, o que não é verdade. Só que este estigma que ele mesmo aceitou jogou contra. Barrichello teve em si essa coisa tão grande de vencer martelando, sabendo que não teria como, que o impediu de tal.

Mas tudo na vida tem um ponto final, e Rubens tem de saber colocá-lo devidamente. Indy, Stock Car, curtir a vida nos EUA com os filhos, que vá ser feliz. Para quem apenas observa de fora, vale a afirmação muito bem colocada do amigo pulha João Paulo Borgonove, com uma leve adaptação: Rubens Barrichello vai fazer falta à F1. O Rubinho do Brasil-sil-sil, não.

Adendo 1: assim que Senna foi anunciado em seu lugar, Barrichello deu uma entrevista ao Estadão dizendo que não correria na Indy porque havia feito uma promessa à mulher, fato sabido do grande público. Numa segunda entrevista ao mesmo jornal amigo, Nota-se que mudou de ideia, afinal já admite correr lá. Tudo bem, isso é o de menos, ainda que, sei lá, desfazer promessas não seja dos melhores fatos. Mas o que se tira de suas declarações é que sua postura, infelizmente, segue a mesma.

Rubens, numa questionável pergunta sobre mágoas e afins, afirma que não as tem, mas se põe visceralmente contra ‘pseudo-jornalistas’ de internet, que cometeram ‘crimes’ e que vai ajudar a ‘coibi-los’ de alguma forma. Isso é porque não tem mágoas. E se as tem, seria bom expor de vez. Para não ser tão dúbio tão claramente.

Perto dos 40, Barrichello continua o mesmo de tantos anos atrás, tratando por jornalistas quem o bajula e de pseudo quem não segue da sua cartilha. Pena.

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Volta real

SÃO PAULO | Querem conhecer o novíssimo kartódromo do Beto Carrero World? Só acompanhar o vídeo aí, de carona com Barrichello.

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Barrichello à caça

SÃO PAULO | Que Barrichello tem demostrado vontade hercúlea para permanecer na F1, não há discussão. Se vai conseguir, são outros quinhentos, mil, milhões de dilmas e dinheiros europeus. As chances dele, todos sabem, estão na Williams e na Lotus.

Barrichello recebeu de Massa novamente o conselho para abandonar a carreira e fazer uma festa em Interlagos nos próximos dias. Felipe explicou que não vê Rubens indo atrás de patrocínio para aumentar suas possibilidades.

Mas Barrichello não deu muito ouvido ao amigo Massa, não. Tanto que esteve ontem de manhã na sede da Nestlé aqui em São Paulo para conversas orçamentárias.

A briga em que Barrichello se meteu é forte. Giedo van der Garde, por exemplo, tem 8 milhões de tutus do velho continente a dar. Sutil também vem forte. E Senna já mostrou que também não está para brincadeira.

 

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Brasil, 40

SÃO PAULO | Sabe quando o Oscar dá o prêmio para o artista pelo conjunto da obra? Camarada passou uma vida toda dedicada ao cinema, chegou até a concorrer pelo prêmio várias vezes, mas nunca a Academia deu-lhe a glória. Se a situação pudesse ser adaptada para as pistas, Barrichello deveria receber uma vitória no GP do Brasil pelo tanto que esteve perto e nunca conseguiu. Ô, zica do pântano.

Mas a maior delas aconteceu em 2003. A corrida era dele, não tinha o que tirar. Na verdade, tinha: a Ferrari, que mal calculou a quantidade de gasolina no tanque, e Rubens parou lá, incrédulo, insosso, inerte. Aliás, este GP ainda vai voltar a esta seção.

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Cama feita

SÃO PAULO | A principal TV da Finlândia, a MTV3 — que nada tem a ver com o conglomerado musical —, cravou hoje que os dias de Rubens Barrichello na Williams já têm hora para acabar oficialmente: o anúncio da chegada de Kimi Raikkonen vai acontecer no fim de semana que a F1 finca território em Abu Dhabi.

O pedido de respeito por parte do brasileiro acabou sendo o sinal mais evidente de que seu curto tempo em Grove havia se encerrado. O desrespeito da Williams provavelmente vinha de seu silêncio, enquanto Barrichello inicialmente desdenhava dos rumores para então começar a se preocupar realmente. Por lá, nunca houve uma negativa do assunto e, quando incitados a dizer sobre Raikkonen, permitiam-se dizer que a ideia era boa e que o campeão de 2007 traria energia à equipe, muito provavelmente com a vitalidade e emoção tão latentes e venais que se viu ao longo de todos estes anos.

Ao que se nota, e confiando na info da MTV3, a cama estava toda preparada. Frank Williams viajou na miúda ao Catar, alegadamente sua “segunda casa”, para negociar diretamente com os representantes do banco nacional local. Com uma bela grana — falam em 30 milhões de dinheiros europeus, metade para o bolso de Kimi —, pediu para que seu pessoal se contivesse em dizer algo justamente para fazer a revelação no mundo árabe, onde representantes da instituição catariana devem estar presentes com seus alvos turbantes e seus bigodes dos anos 70, pimpos e catitos. Rubens não estará assim certamente.

As perguntas que ficam nesta história intrigante: Barrichello realmente não foi avisado de tudo isso? Além de desrespeito, é sacanagem? O que fez a Williams agir assim com um piloto que tanto quis há dois anos? O que Rubens fez, ou não fez, à Williams? Barrichello, enquanto prestador de serviços, não cumpriu metas?

E como consequência de tudo isso, a questão final: a carreira de Barrichello na F1 acabou? A resposta a esta parece estar mais fácil. Beirando os 40 anos, dos quais metade serviu à categoria, e em tempos que ser só piloto não basta, é preciso contribuir — e alcançar os níveis de Bruno Senna e Adrian Sutil, por exemplo —, tudo caminha para um irrefutável sim.

Adendo 1: Barrichello falou ao site Totalrace que está tranquilo e quer continuar, mas já deu a entender, até por comentários que fez com ex-pilotos, que a chance de aposentadoria existe. E que pretende dar uma festa.

Aí, sim. Barrichello, se realmente entender que a carreira na F1 está próxima do encerramento ou consumada, vai dar a ela um fim justo, e não acabar, assim, do nada. Gostem ou não de Rubens, duvidem ou não de sua capacidade, sua importância e peso para a categoria e os feitos que alcançou na categoria são legítimos. Que comemore e tenha esse reconhecimento mais do que honesto.

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O futuro em tweets

SÃO PAULO | O Thiago Alves, comentarista do Speed e, nas muitas horas vagas, tocador de corneta na banda da esquina, chamou atenção para um fato que é deveras interessante: o Twitter da Williams não menciona ao que acontece com Barrichello tanto quanto destaca Maldonado, quase um xodó pelos lados de Grove.

Nos últimos dias, então, isso se acentuou: dos últimos 20 tweets — entre a corrida de domingo e o meio-dia de hoje —, o brasileiro foi mencionado três vezes — só uma delas sozinho — contra 12 do companheiro, direta ou indiretamente, retuitando o que o venezuelano posta em seu Twitter ou não.

À distância, é possível notar que a vida de Barrichello, que parecia estar definida pelo menos para 2012 há um mês — GP da Alemanha —, caminha mais para ou uma mudança que não lhe fará avançar no grid ou um fim de carreira na F1. Seja lá quanto, Rubens custa à Williams, e tudo o que a equipe não pode nem deve no momento é ter na folha de pagamento alguém caro, de forma justa, diga-se, como o piloto. Daí, é compreensível que Barrichello jogue na imprensa alertas e alarmes como os que saiu hoje, de que seria o início da cavação da cova da Williams colocar alguém que jovem e endinheirado ao lado de Maldonado e que conversa aqui e ali como plano B, na tentativa de dobrar o chefe Frank e persuadi-lo a mais um ano de casa.

À situação: Red Bull, Ferrari, Mercedes e Sauber não vão mudar para o ano que vem. A McLaren ainda tem de exercer direito sobre os serviços de Button, mas creio que não haja dúvida alguma de que Jenson siga formando dupla com Hamilton. A Force India tem uma bucha já com três pilotos: Sutil, Di Resta e Hülkenberg — não vai, pois, colocar um quarto piloto na sua lista. A Toro Rosso, com ou sem capital árabe, ainda vai continuar com boa parte da Red Bull e deve manter a filosofia de preparar pilotos para a equipe principal. Então só sobra a Lotus Renault, outra que está no mesmo patamar da Williams: quem tiver mais tutu leva, mas uma vaga é de Kubica se voltar bem.

A não ser o polonês não volte a ser o que era e a equipe faça questão sine qua non de ter um líder experiente — isto é, o que Heidfeld não foi —, restaria este lugar a Barrichello, e só. Porque agora Senna também chega, e forte, na disputa — inclusive por um lugar na própria Williams — com o apoio eikebatistano e afins.

Se é para ser um outro Trulli e ficar na F1 por ficar, Barrichello nem deveria pensar em Lotus, Virgin e Hispania — e se é que alguma delas pensa em Rubens, na contramão. Assim, o negócio é claro: se Barrichello não conseguir nada na Williams, é difícil que a gente o veja como titular andando num time meramente mediano em 2012.

E diante de alguns fatos e detalhes, como o Twitter, a fase da hipótese, essa do ‘se’, já está caindo claramente por terra para dar ares muito mais reais.

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