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O segredo nos pits

SÃO PAULO | Notem que trabalho preciso, detalhado e bem feito da Red Bull. Por isso ela tem sido a campeã nos pit-stops e… OH WAIT!…

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Mais do mesmo

SÃO PAULO | Três carros lançados — Sauber, Red Bull e Toro Rosso —, as mesmas três características: o tal bico ornitorrinco.

Que segue a tendência de Caterham, Force India, Ferrari e Lotus. Só a McLaren, por enquanto, não adotou a ideia.

Seria isso que eles chamaram de ousado?…

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Aquarela da F1, 2

SÃO PAULO | E começam a aparecer os artistas. O Aldo Gomes também já havia feito algumas novidades em termos de pinturas de carros. O Flickr dele está aqui, e abaixo estão a Williams com a pintura retrô de 1992 e a Red Bull num tom dourado.

 

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Troca de touros

SÃO PAULO | E num dia que está bem fácil, mas bem ao contrário, a Toro Rosso me resolve anunciar a demissão de Alguersuari & Buemi para colocar suas duas novas promessas do programa de pilotos da Red Bull: Ricciardo e Vergne. Uau.

Havia esse boato um tempo atrás, sim, mas diante do que Alguersuari, principalmente, fez nesta temporada, era quase impossível imaginar que os taurinos não dessem mais um ano de chance para o espanhol. É um pecado. Buemi não merecia tanto, não. O Di Maria do automobilismo entra para a lista dos dispensados que já continha Klien, Speed, Liuzzi e Bourdais.

A situação aponta dois cenários claros: Alguersuari passa a concorrer pela segunda vaga da HRT para formar uma equipe totalmente espanhola ao lado de Pedro de la Rosa — ou, num lado mais sentimental, a Red Bull, enquanto fornecedora do KERS da Caterham, imponha Alguersuari ali ao lado de Kovalainen, destronando Trulli. Numa visão além, de 2013, a Red Bull indica com essa decisão que não vê Alguersuari nem Buemi como fortes o bastante para alinhar com Vettel, considerando que Webber deva picar a mula depois do GP do Brasil.

É a cultura da Red Bull, explica a Toro Rosso. Luis XIV, francês, ri à beça do lado de lá com o ato inquisitório de lhe fazer ciúme e a colocação de um igual seu ali, o terceiro na temporada.

PS: E que virada da França sobre o Brasil…

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Brasilândia, 4

INTERLAGOS | Os dois astros do Santos virão ao autódromo nos próximos dias para compromissos promocionais. Sim, Neymar Jr. e Paulo Henrique Ganso.

O rapaz do moicano vai aparecer nos boxes da Red Bull para conhecer a equipe, Vettel e Webber. A empresa energética é sua patrocinadora.

Já Ganso, que tem consigo o apoio da Gillette, estará na garagem da Lotus Renault com Senna, amanhã, 11h. Acho que vai fazer a barba…

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Passe livre

SÃO PAULO | Nem o próprio Kubica deve ter certeza se vai voltar a competir dignamente em um carro de F1, mas seu nome e seu passe continuam em ebulição quente e borbulhante no mercado. Se não estiver pronto para o ano que vem — como parece — e devidamente livre das amarras da Lotus, duas equipes já se manifestaram muito favoráveis à sua chegada em 2013, é o que diz a revista Autosport: Ferrari e Red Bull.

A publicação inglesa diz que Daniele Morelli, empresário do piloto, já foi chamado para conversas mais avançadas. No fim da temporada que vem, os contratos dos iguais Massa e Webber chegam a um ponto final, e pelo que tem sido feito por ambos até agora, a chance de que permaneçam onde estão é como a do Corinthians ganhar a Libertadores — frase cunhada por Felipe Giacomelli. Mas é uma nova amostra, como a dada por Eric Boullier, do estado em que estas equipes se encontram para ter um piloto que seja forte — no caso dos cavalos e dos touros, que haja um companheiro forte aos seus primeiros pilotos.

Se a McLaren acertar na sintonia fina de seu novo modelo, que vem sendo tratado como MP4-27A (híbrido? o MP4-27 já era? hum!…) nos testes em Abu Dhabi, e com a dupla que tem, com Hamilton refeito de seu mal necessário, há de vir forte para pelo menos ser campeã de Construtores — um cenário perfeitamente plausível.

E sem a pressão de ter de se recuperar, sabendo que 2012 está perdido, Kubica terá um tempão para sentar num carro novamente durante a temporada do ano que vem, ver se seu incrível talento não se foi naquele malogrado acidente de rali e analisar as propostas. Seu retorno, que seja fora da F1, pela HRT ou num time top, já será uma vitória e tanto.

Aí o Diogo Kotscho, viajante e palpiteiro de plantão, lançou uma pergunta, que adapto aqui: que vale mais, o Kubica de 2010 ou o Massa de 2008?

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Cidade-estado

SÃO PAULO | Como o tempo urge e texto na internet tem de ser rápido, pincelo a isso o que foi o dia em Cingapura:

Aí me vem Webber, quinto colocado, reclamar, como sempre. Num guento o Webber.

Hamilton falou que a Red Bull disputa um campeonato à parte. Foi bonzinho com Webber.

Alonso já declarou que não dá para para alcançar Vettel em Cingapura.

Vettel faz aquele discurso polido e acha que a Ferrari vem forte. Só acha.

Isso já diz tudo.

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Aponta estudo da F1

SÃO PAULO | Agora que 2/3 do campeonato já se foram, usarei de alguns números para falar da F1 2011.

_ Vettel, 284 pontos, tem 28 a mais do que a temporada passada inteira. São 87,4% dos pontos possíveis. Nesta média, vai chegar a inimagináveis 415 até o GP do Brasil.

_ Vettel pode ser campeão em Cingapura se abrir uma diferença de 125 pontos para qualquer adversário. Tem 112 de vantagem para Alonso e 117 para Button e Webber. A média acima indica que Vettel faz por corrida 21,8 pontos/corrida. Alonso, 13,2. Ou seja, abrindo 8,6 por prova para o espanhol, o alemão não alcança os 13 do qual precisa para o bicampeonato. Assim, a tendência é que o título venha no Japão.

_ Vettel pontuou em todas as corridas até agora. A única vez em que isso aconteceu em toda a história da F1 foi em 2002, com Schumacher na Ferrari.

_ A Red Bull ainda é um carro inquebrável, mas só teve um único abandono na temporada: justamente ontem em Monza, com Webber sem asa dando com o carro na Parabólica.

_ Comparativo entre os companheiros de equipe em relação à pontuação que conseguiram para suas respectivas equipes:
1) Red Bull: VET 62,3% × 37,7% WEB
2) McLaren: BUT 51,4% × 48,6% HAM
3) Ferrari: ALO 67,7% × 32,3% MAS
4) Mercedes: ROS 50,9% × 49,1% MSC

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Itálico, 5

SÃO PAULO | A corrida seria interessante sob um principal ponto de vista: o momento de ativação da asa móvel. Normalmente, dar-se-ia, com mesóclise e tudo, entre as voltas 2 e 3, não fosse o curling em gramado que Liuzzi vez com sua vassoura hispânica. O cenário imaginado era Vettel na ponta com as McLaren, mais velozes em reta, atrás. Mas Alonso fez seu belo brilhareco e apareceu ali na frente do alemão assim que o safety-car se pôs no seu lugar nos boxes.

Como a Ferrari vinha em média 0s7 mais lenta que a Red Bull, não tardou a Vettel jantá-lo e comê-lo com farofa. A McLaren via-se em problemas: Hamilton não conseguia passar Schumacher, terceiro, e Button teve um problema na largada. Cai o pano, fim de corrida, vencedor definido.

Vettel é um piloto estupendo, e me causa certa espécie e espanto ver alguns comentários, aqui e ali, que o desmerecem e carregam o mimimi de que ele é assim só por causa do carro que tem. Porque Fangio, Senna, Schumacher e Prost, puxa vida!, foram campeões com carros medianos, muito inferiores aos demais. Eram simplesmente interplanetários. Comparações? Vamos a elas. Está melhor que Hamilton e Alonso, indubitavelmente. É melhor que Hamilton? Sim, tem já alguma margem à frente. É melhor que Alonso? Sinceramente, é, é melhor que Alonso. Pode ser melhor que Schumacher e Senna? Vão muitos degraus ainda. Mas está no caminho. Não é pecado se igualar ou passar gentes que a patuleia põe como mitos inalcançáveis, na maioria das vezes por patriotismo latente.

Aí Button foi se recuperando, naquele tipo de corrida que ele parece gostar. Enquanto Schumacher era exímio em segurar Hamilton, Jenson colou em ambos. Na rádio — sim, estou metido hoje, comentei na Globo —, eu disse ao Oscar Ulisses que não demoraria para que passasse os dois. O Oscar brincou, em tom de desafio. E lá foi Button, lorde e estelar, para as cabeças brigar com Alonso pelo segundo lugar, como acabou acontecendo depois da segunda parada. Pilotaço, como é bom sempre destacar, Button. Se Vettel é hors-concours no campeonato, o título deveria ser de Jenson.

Uma hora não ia dar, e Schumacher se viu ultrapassado por Hamilton. Mas foi a atração da corrida. Que depois disso passou a não ter mais graça, afinal as posições já estavam bem definidas, na ordem Vettel, Button, Alonso, Hamilton e Schumacher. Se a corrida tivesse mais algumas voltas, Hamilton roubaria o lugar do espanhol no pódio, mas azar de Lewis, mais um, se não teve habilidade e/ou competência para não ver a vida além de uma Mercedes. Vai mal, mesmo, Luisão.

Massa hoje tem a desculpa de ter sido abalroado por Webber, esse fraco, que proporcionou à Red Bull seu primeiro abandono no ano. Mas não iria além do sexto lugar, as always. Alguersuari chegou em sétimo e faz por merecer sua permanência na F1 já há algum tempo. Tem mandado muito bem, o eletrônico Jaimito. Di Resta carimbou mais uns pontinhos para a Force India, e aí veio Senna.

Um bom nono lugar, óbvio, mas que poderia, sei lá, ser sétimo — afinal largou à frente de Alguersuari —, mas se viu envolto indiretamente no enrosco da primeira volta, ao ter de desviar do strike liuzziano. Não pontuaria, em condições normais: Webber e Rosberg ocupariam seus postos não tivessem abandonado e ainda tinha Pérez andando bem na zona de pontos. Mas tudo é hipótese, e Senna foi lá buscar seu lugarzinho. Foi um fim de semana importante, sem erros, e eles se sobrepõem aos arroubos que não existiram. O que vale a Bruno é pegar experiência nestas corridas, aprender e ser exigido e, com maestria, evitar toda a patacoada nacionalista e blazê que colocam sobre si a cada ultrapassagem ou ação. Por ora, vai bem. E para o torcedor aflito, ó, Senna há de ser o nome do país na F1.

Vettel já tem mais de uma centena de pontos sobre a rapa e pode ser campeão em Cingapura. Não vai porque a combinação é meio complicadinha, mas do Japão não escapa. Se eu fosse a Red Bull, o jogava de volta para a Toro Rosso e fazia Alguersuari e Buemi andar na equipe principal algumas corridas, só para dar e fazer graça.

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Itálico, 2

SÃO PAULO | Palpite arriscado, daqueles de, se estivesse na Inglaterra, chegar na casa de apostas, escrever no papelzinho e entregar pro tiozinho com um sorriso no rosto: a Red Bull vai entrar para a história fazendo todas as poles da temporada 2011. Porra, era lá na Itália que a McLaren e suas coirmãs que usam Mercedes no motor tinham a maior chance de quebrar a sequência dos taurinos, estava na cara isso. Monza não tem segredo: é um L cortado por três variantes, e é só acelerar e zás. Aí me vai Vettel e enfia 0s5 na goela de Hamilton e Button, e eles ficam com a expressão de luto tal como a cor de seus macacões, bem bonitos, por sinal.

É bem verdade, também, que Vettel fez a volta da vida, na casa de 1min22s2, marca que jamais foi atingida no fim de semana todo. A cara dos três depois na coletiva de imprensa era de surpresa plena. Button até tentou resmungar que a pole não é importante, mas, filhão, não adianta: é Vettel amanhã acertar a largada — o que será difícil, visto que o ponto falho de seu carro é justamente o momento da partida, já que o Kers não é lá grande coisa — e abrir 1s nas duas primeiras voltas para evitar que a dupla mclariana e, eventualmente, Alonso, não possam abrir a asa móvel para tentar ultrapassagem. Mantendo a distância, Vettel fará um primeiro trecho de corrida tranquilo, se assim for.

Webber. O camarada vai e me fala aquilo tudo de Barrichello, que ele não fez oposição a Button em 2009, que depois das férias da F1 seria adversário ferrenho de Vettel e me resolve nem mesmo tentar lutar pela pole e, em nome da estratégia, usar apenas um set de pneus no Q3. Apaputaquepariu, diria alguém aí. Fracasso puro. Merece o cadafalso.

Alonso e Massa não têm muito o que fazer, não. Ferrari ligeiramente atrás da McLaren, e só com muita estratégia, sorte e reza brava dos tifosi para ver alguém (Fernando) no pódio na corrida. Isso se a Mercedes não enchouriçar (ô palavrinha feia) a vida dos vermelhos. Até que Rosberg e Schumacher vêm bem demais, fruto do motorzão. E Nico foi o único dos nove que treinaram que usou pneus médios, o que aponta um jogo de macios a mais para a corrida.

Nove porque Senna não treinou. Aliás, o que mais gosto, digamos assim na transmissão é quando Galvão está passando a ordem dos pilotos e começa a falar o sobrenome de todos e antes de Senna coloca, impreterivelmente, Bruno. Parece Britto Jr. usando sempre o aposto Bruna Surfistinha para Raquel Pacheco n’’A Fazenda’. Que seja. Nunca vi um décimo lugar tão comemorado. Sinceramente não sou muito partidário dessa libertinagem da F1 em permitir que um piloto não vá à pista e marque tempo. Se Petrov foi sétimo, Bruno poderia ter conseguido lá uma quarta fila. Preferiu poupar seus pneus para amanhã também. E as Renault se puseram à frente das Force India, o que é notável. Bruno tem ido bem no fim de semana. A questão é não se precipitar novamente na largada amanhã, com um carro pesado. Não acharia de todo estranho que, cauteloso, Senna até freie bem antes e perca algumas posições para não voltar a achar alguém, no caso na Variante del Rettifilo.

A prova não deve durar mais que 80 minutos e será complicada pelo calor excessivo. Se por um lado os pneus não desgastam muito pela pista em si, os 30ºC estão judiando os PZero, seja lá qual cor. A tendência é de que ultrapassagens aconteçam a torto e a direito, e é disso que o povo gosta. E eu… estarei nos comentários lá da Rádio Globo, ao lado de Oscar Ulisses e Alex Dias Ribeiro. Todos ouve.

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Os não campeões

SÃO PAULO | O Grande Prêmio vai fazer uma matéria mais aprofundada a respeito, mas os números  e os resultados acabam desmentindo por completo a declaração dada por Webber a respeito da vida de companheiro em uma equipe dominante, alfinetando e diminuindo a presença de Barrichello na Brawn em 2009. O australiano afirmou que se esforça, mas não consegue ainda ser campeão na Red Bull justamente por ter Vettel do outro lado da garagem e usou o exemplo do título de Button, em que “não teve competição” com o brasileiro há dois anos. A declaração foi dada ao jornal ‘The National’, dos Emirados Ãrabes, aqui.

Ainda que Barrichello e Webber não tenham, de fato, sido concorrentes à altura de seus companheiros, Markola acabou usando uma comparação infeliz: nas 12 primeiras provas de 2009, com a pontuação atual, Button somou 182,5 pontos contra 140 de Barrichello. Diferença, pois, de 42,5 pontos. A vantagem que Vettel leva para Webber com o mesmo número de corridas nesta temporada é mais do que o dobro, 92.

Webber fez mais pontos — conseguiu em todas as etapas de 2011, sendo que Barrichello abandonou duas vezes nas 12 corridas —, mas até agora não venceu. Em igual período, Rubens já havia subido no primeiro lugar do pódio em Valência, justamente a 12ª etapa. Até o fim da temporada 2009, Barrichello venceu mais uma vez, mas terminou em terceiro na classificação geral.

E aí eu pergunto aos caros leitores: numa comparação direta, quem é melhor: Webber ou Barrichello?

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O dobro do céu

SÃO PAULO | A Sky, uma das patrocinadoras da Red Bull na Stock Car, já avisou a Cacá Bueno e Daniel Serra: em caso de vitória amanhã na Corrida do Milhão, haverá um bônus.

Mas que tipo de bônus?, há de se perguntar o leitor.

O dobrão.

O quêêê?

Sim, o dobro. Se a vitória ficar em casa, equipe/piloto levam 2 milhões de dinheiros nacionais.

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Buda da peste, 2

SÃO PAULO | Parecia que o reinado da Red Bull nas classificações desmoronaria hoje. A força de Ferrari e McLaren era grande. Mas uma equipe que tem Sebastian Vettel tem muito. Com uma volta que muitos definiriam com o clichê de que foi tirada da cartola, o alemão obteve a oitava pole da temporada e manteve a sequência da Red Bull que vem desde o GP de Abu Dhabi do ano passado.

E se na semana passada, Lewis Hamilton era só alegria com o segundo lugar no grid, desta vez a sensação é de decepção. Foi o inglês que acabou alijado do primeiro lugar, por 0s163. E é bem provável que logo mais reclame porque vai largar do lado sujíssimo da pista magiar.

Melhor para o companheiro Jenson Button, que parte na terceira posição, ao lado de Felipe Massa. Sim, o brasileiro conseguiu, enfim, bater Fernando Alonso — mas tem justamente o mesmo problema de Hamilton. O espanhol e Mark Webber dividem a terceira fila.

Primeiro, um registro do tempo: todo mundo esperava temperaturas acima dos 30ºC na Hungria, leste europeu, auge do verão. Nem perto disso: tempo nublado, vento soprando forte, termômetros na casa dos 22ºC. Um refresco para os pneus, macios e supermacios, e para os pilotos e as equipes.

Ao treino. A turma da ralé se apressou a ir para a pista, devidamente com os pneus supermacios, face a ameaça instigante de ficarem fora do grid — vá lá, ainda que a regra às vezes seja esquecida, há os tais 107%. Primeiro foram as Hispania, virando na casa de 1min27s alto. As Marussia Virgin, coitadas, viraram décimos melhor. Curioso foi observar logo depois as Red Bull fazendo tempo, coisa acima de 5 segundos melhor, e logo na sequência as outras grandes vindo com força e retirando os nomes de Ricciardo, Liuzzi e D’Ambrosio da tela — significando que as marcas haviam extrapolado o limite da zona da ruindade. Hamilton cravou 1min21s636 e tratou de fazer com que as miseráveis melhorassem. Mais para frente, Alonso baixou para 1min21s578. E para contento geral, ninguém mais se preocupou em andar rápido lá na frente.

Então as pequenas fizeram lá o que se pode considerar de máximo esforço. No começo, Liuzzi escapava da degola por 0s030. Na sua última tentativa, achou uma volta tão boa que lhe pôs à frente de D’Ambrosio. O companheiro Ricciardo fez o mesmo. A Bélgica, país sem governo, deve lamentar ter um piloto sem muito talento. Como prêmio extra, as duas Hispania vão ganhar mais uma posição no grid porque Sébastien Buemi, 18º no Q1, está perdendo cinco lugares como punição ao acidente provocado no GP da Alemanha da semana passada, quando arremessou Nick Heidfeld para o alto e fora da corrida.

Não valia para nada, mas como constatação as Red Bull não terminaram bem. Vettel foi terceiro e Webber, sexto. Entre eles, Button e Massa.

Veio o Q2. Vettel tratou de marcar 1min21s095 para tentar mostrar a força rubrotaurina. Webber confirmou com 1min20s890. Só que logo Button baixou o melhor tempo do australiano em 0s3 e em seguida Alonso impôs mais 0s3 em cima, 1min20s262. Massa e Hamilton só completaram o seleto grupo do top-6 da F1. Sobrou a briga pelos quatro outros postos para a disputa da superpole.

Natural que a quarta equipe absoluta estivesse lá, ainda que Schumacher venha fazendo questão de tornar a tarefa sofrida. Adrian Sutil, que voltou a viver grande fase, colocou lá sua Force India em nono e Paul di Resta acompanharia o companheiro não fosse Pérez, o Ligeirinho, estragar seus planos. De contrato renovado com a Sauber, o mexicano tem posto tempo em cima do mítico Kamui Kobayashi, que larga só em 13º.

Kobayashi sai entre as decepcionantes Lotus Renault, com Vitaly Petrov menos ruim que Nick Heidfeld — que deve em breve deixar os pesadelos do chefe Eric Boullier. As Williams, então, é gastar vela com mau defunto. “O carro não tem melhorado aquilo que a gente esperaâ€, definiu Rubens Barrichello, que acredita que “coisa positiva†para a corrida por ter salvado um set de pneus saindo em 16º. O parceiro Pastor Maldonado sequer treinou, sabedor de que seria inútil tentar algo.

Na parte final, aquele Hamilton que havia ficado à sombra nas fases anteriores deu sinal de vida. Na primeira das duas saídas para volta rápida, o inglês apareceu na frente com 1min19s978, pouquíssima coisa melhor que Vettel e Alonso. Na segunda, foi a vez do alemão brilhar, tirando o doce de Hamilton: 1min19s813.

Hamilton e Alonso não melhoraram seus tempos, bem como Webber. Só Button e Massa escalaram a tabela. A vantagem de Felipe sobre o parceiro foi de 0s015. No resto ali atrás, Schumacher conseguiu ser mais lento que Sutil. Não chega a ser uma proeza e tanto, mas… é, sei lá, uma proeza e tanto a Force India se meter no meio das Mercedes. Rosberg, claro, é sétimo. Pérez larga em décimo.

O GP da Hungria tem início marcado para as 9h (de Brasília) de domingo. Se as estatísticas prevalecerem, o vitorioso deve sair entre Vettel, Hamilton e Button. Mas a previsão é de que os pilotos façam no mínimo três paradas sob as mesmas condições climáticas de hoje. Se esquentar, pode ser até que tentem cinco. O que faria dos boxes uma corrida paralela.

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O lamento da CBA

SÃO PAULO | Um dia depois das notas emitidas por Vicar e Red Bull, foi a vez da CBA se manifestar. E, indiretamente, a entidade admite que houve um erro por seus comissários terem punido Cacá Bueno e Daniel Serra na corrida da Stock Car em Campo Grande, apesar de ressaltar que sua decisão — o drive-through para ambos — foi baseada nos dados da cronometragem, que segue afirmando que não houve problemas em seu equipamento. O comunicado na íntegra é esse, “desculpe a nossa falha”, e deixo os comentários aos caríssimos internautas:

Com relação aos fatos ocorridos durante a quinta etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car V8, disputada dia 5 de junho no Autódromo Internacional de Campo Grande (MS), a Confederação Brasileira de Automobilismo esclarece que:

1) A empresa provedora de serviços de cronometragem reitera que duas aferições realizadas no equipamento utilizado em Campo Grande comprovaram que o mesmo funcionava dentro da normalidade. Em 812 passagens durante a prova ocorreram distorções de medição na ordem de 0,246%.

2) Cabe ao serviço de cronometragem informar aos comissários desportivos o numeral dos veículos que excedem o limite de velocidade na área dos boxes. De posse da informação os comissários desportivos aplicam o parágrafo I do artigo 82 do Regulamento Desportivo da categoria, documento disponível no site da CBA. O procedimento descrito nesse parágrafo foi cumprido de acordo com o estipulado.

3) A escalação dos comissários técnicos e desportivos para atuar em provas de campeonatos brasileiros demanda a presença desses oficiais em seminários e cursos de formação e aprimoramento. Nos últimos dois anos a CBA realizou três seminários dedicados a isso, ministrados por instrutores indicados pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) e mantém encontros pontuais para efetuar um treinamento constante desses oficiais.

4) Após o evento em questão foi solicitado à empresa mantenedora dos motores uma análise do sistema de aquisição de dados “onboard” nos dois carros penalizados. O exame mostrou que os pilotos não excederam o limite de velocidade para o local.

5) A empresa provedora de serviços de cronometragem continua investigando possíveis interferências eletro-eletrônicas no local onde o equipamento estava instalado e que poderiam ter afetado aleatoriamente a medição de velocidade.

6) Diante dos fatos já conhecidos é possível entender que as discrepâncias de dados tem origem técnica e não contaram com a interferência dos pilotos. Lamentamos profundamente que o ocorrido tenha causado prejuízos desportivos aos dois competidores envolvidos na situação acima descrita.

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O luto da Red Bull

SÃO PAULO | A resposta da Red Bull da Stock Car veio agora há pouco, também por nota. Com o título “Estamos de luto”, eis a mensagem da equipe.

Há nove temporadas, a Red Bull acredita e investe no automobilismo brasileiro, com um único objetivo: brigar por vitórias. Desde seu nascimento, no Brasil e no mundo, a Red Bull tem o esporte a motor como uma paixão que beira o vício.

Infelizmente, uma série de episódios acontecidos nos últimos anos – culminando com a punição dupla por excesso de velocidade em Campo Grande – nos dão a convicção de que a gestão desportiva fora das pistas, realizada pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), não está à altura do alto nível de profissionalismo dos pilotos e equipes que participam das competições no Brasil.

Para que isso finalmente aconteça, acreditamos que seja necessária a implementação, com urgência, de importantes mudanças:

1) Profissionalismo dos Comissários Desportivos:
Em qualquer corrida, as decisões dos Comissários têm o poder de consagrar ou jogar por água abaixo o trabalho dos profissionais que arriscam suas vidas dentro da pista. Trata-se de uma responsabilidade imensa, e que portanto deve ser exercida por indivíduos altamente capacitados e com ampla experiência, não por afiliados políticos de Federações estaduais. Como exemplifica a Fórmula 1 atual, o recrutamento de grandes ex-pilotos é uma das melhores soluções possíveis nessa situação;

2) Consistência e coerência nas punições:
A consequência maior de não possuir Comissários profissionalizados é a repetição frequente de casos de “dois pesos, duas medidasâ€, em que infrações idênticas são sancionadas de formas diferentes – já que, a cada corrida, diferentes membros de uma respectiva Federação estadual são convocados a atuar como comissários, sem necessariamente ter acompanhado os critérios anteriores utilizados em etapas do mesmo campeonato acontecidas em outros estados. Sem consistência nessas decisões, o espírito esportivo dos resultados fica comprometido;

3) Regulamentos mais claros:
A melhor maneira de evitar “zonas cinzas†nos regulamentos técnicos e desportivos é fazendo uma redação completa e coerente dos mesmos. Textos redigidos da maneira atual, deixando decisões sobre diversos pontos “a critério dos Comissáriosâ€, inevitavelmente causarão inconsistências;

4) Transparência nas decisões:
Quando pilotos ou equipes são injustamente punidos por erros que não os seus, o que se espera em um campeonato transparente é que esses erros sejam tornados públicos, de modo a preservar a imagem das partes prejudicadas.  

Estamos pedindo demais? Acreditamos que não, e que todas as pessoas que realmente gostam e vivem de corridas em nosso país também adorariam ver esses quatro pedidos atendidos. O automobilismo brasileiro merece – e precisa, para continuar a crescer – ser elevado a um novo patamar de profissionalismo fora das pistas.

Afinal de contas, corrida é na pista.

Abaixo, a pintura ‘fúnebre’ para este fim de semana da Stock Car em Jacarepaguá. Significa.

E pegando carona na rápida conversa que tive com o amigo Diogo Kotscho há pouco, pergunto a vocês: é uma atitude exagerada, um mimimi, ou se faz necessária uma posição deste tipo?

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