Arquivo da tag: McLaren

Mais do mesmo

SÃO PAULO | Três carros lançados — Sauber, Red Bull e Toro Rosso —, as mesmas três características: o tal bico ornitorrinco.

Que segue a tendência de Caterham, Force India, Ferrari e Lotus. Só a McLaren, por enquanto, não adotou a ideia.

Seria isso que eles chamaram de ousado?…

Tags: , , , , , | 32 comentários

A nova McLaren

SÃO PAULO | Foi ontem ou anteontem que gentes da McLaren vieram a público vociferar e bradar por novidades e saramaleques no carro de 2012 — porque, de fato, a McLaren é a equipe que sempre se debruça mais na ousadia e alegria. Só que aí surgiram as primeiras fotos, e nem aqueles sobressaltos no bico tem. Ficou aquele gostinho de fel, como diria Fernando Silva, depois de bater uma feijuca.

Aí o F1grid fez uma montagem comparando os últimos dois carros da equipe, pela ordem cronológica da esquerda para a direita, e dá para notar uma coisa: o MP4-27 segue a ninhagem do MP4-25.

Tags: , , , | 54 comentários

Aquarela da F1

SÃO PAULO | Tem algumas coisas que não mudam na F1, e o desenho dos carros parece ser um tópico cada vez mais presente nesta tábua de cláusulas pétreas. Anos atrás, vi alguns artistas da internet mudarem a cor dos modelos da Red Bull, ficando bem mais atraentes que a insossa base azul escura com traços taurinos.

Às vésperas da apresentação do novo carro da McLaren, vi na internet a arte de Jenzen em seu Flickr, com versões do modelo MP4-27 tanto em branco quanto em preto. As peças em resolução maior podem ser vistas neste bom espaço do Jenzen.

Por aí tem alguém que faça este tipo de arte? Alguma imagem ou mesmo link na internet para obras assim? É sempre legal ver este tipo de coisa. Quem sabe os engessados caras da F1 se toquem e se inspirem mais para trabalhar algumas mudanças visuais.

Tags: , , , | 14 comentários

Button segue

SÃO PAULO | O óbvio e esperado aconteceu, e a McLaren confirmou hoje de manhã que Button fica no time. Não deu detalhes da duração do acordo, como é de seu costume, mas soltou que é “a longo prazo”. Assim, o boato plantado de que Jenson seria o próximo na escala da Ferrari para substituir Massa em 2013 morre.

É uma vitória mútua. Button é hoje o líder da equipe e está numa fase estelar, tão boa quanto a que viveu no início de 2009. A diferença é que há dois anos, seu carro e seu desempenho eram equivalentes ao que são a Red Bull e Vettel hoje. Reitero: não fosse a impecabilidade deste conjunto, Button caminharia com méritos para seu segundo título na categoria. Guia o fino.

Além disso, a McLaren mantém seu clima intramuros ameno e com equilíbrio de gênios. O outro fiel da balança, Hamilton, está num ano para esquecer. Um pouco de descanso após essa temporada vai fazer bem ao rapaz. Com a dupla mais forte do grid e um passo à frente, o time de Woking tende a ser o grande rival da Red Bull.

Tags: , , , , | 34 comentários

Itálico, 5

SÃO PAULO | A corrida seria interessante sob um principal ponto de vista: o momento de ativação da asa móvel. Normalmente, dar-se-ia, com mesóclise e tudo, entre as voltas 2 e 3, não fosse o curling em gramado que Liuzzi vez com sua vassoura hispânica. O cenário imaginado era Vettel na ponta com as McLaren, mais velozes em reta, atrás. Mas Alonso fez seu belo brilhareco e apareceu ali na frente do alemão assim que o safety-car se pôs no seu lugar nos boxes.

Como a Ferrari vinha em média 0s7 mais lenta que a Red Bull, não tardou a Vettel jantá-lo e comê-lo com farofa. A McLaren via-se em problemas: Hamilton não conseguia passar Schumacher, terceiro, e Button teve um problema na largada. Cai o pano, fim de corrida, vencedor definido.

Vettel é um piloto estupendo, e me causa certa espécie e espanto ver alguns comentários, aqui e ali, que o desmerecem e carregam o mimimi de que ele é assim só por causa do carro que tem. Porque Fangio, Senna, Schumacher e Prost, puxa vida!, foram campeões com carros medianos, muito inferiores aos demais. Eram simplesmente interplanetários. Comparações? Vamos a elas. Está melhor que Hamilton e Alonso, indubitavelmente. É melhor que Hamilton? Sim, tem já alguma margem à frente. É melhor que Alonso? Sinceramente, é, é melhor que Alonso. Pode ser melhor que Schumacher e Senna? Vão muitos degraus ainda. Mas está no caminho. Não é pecado se igualar ou passar gentes que a patuleia põe como mitos inalcançáveis, na maioria das vezes por patriotismo latente.

Aí Button foi se recuperando, naquele tipo de corrida que ele parece gostar. Enquanto Schumacher era exímio em segurar Hamilton, Jenson colou em ambos. Na rádio — sim, estou metido hoje, comentei na Globo —, eu disse ao Oscar Ulisses que não demoraria para que passasse os dois. O Oscar brincou, em tom de desafio. E lá foi Button, lorde e estelar, para as cabeças brigar com Alonso pelo segundo lugar, como acabou acontecendo depois da segunda parada. Pilotaço, como é bom sempre destacar, Button. Se Vettel é hors-concours no campeonato, o título deveria ser de Jenson.

Uma hora não ia dar, e Schumacher se viu ultrapassado por Hamilton. Mas foi a atração da corrida. Que depois disso passou a não ter mais graça, afinal as posições já estavam bem definidas, na ordem Vettel, Button, Alonso, Hamilton e Schumacher. Se a corrida tivesse mais algumas voltas, Hamilton roubaria o lugar do espanhol no pódio, mas azar de Lewis, mais um, se não teve habilidade e/ou competência para não ver a vida além de uma Mercedes. Vai mal, mesmo, Luisão.

Massa hoje tem a desculpa de ter sido abalroado por Webber, esse fraco, que proporcionou à Red Bull seu primeiro abandono no ano. Mas não iria além do sexto lugar, as always. Alguersuari chegou em sétimo e faz por merecer sua permanência na F1 já há algum tempo. Tem mandado muito bem, o eletrônico Jaimito. Di Resta carimbou mais uns pontinhos para a Force India, e aí veio Senna.

Um bom nono lugar, óbvio, mas que poderia, sei lá, ser sétimo — afinal largou à frente de Alguersuari —, mas se viu envolto indiretamente no enrosco da primeira volta, ao ter de desviar do strike liuzziano. Não pontuaria, em condições normais: Webber e Rosberg ocupariam seus postos não tivessem abandonado e ainda tinha Pérez andando bem na zona de pontos. Mas tudo é hipótese, e Senna foi lá buscar seu lugarzinho. Foi um fim de semana importante, sem erros, e eles se sobrepõem aos arroubos que não existiram. O que vale a Bruno é pegar experiência nestas corridas, aprender e ser exigido e, com maestria, evitar toda a patacoada nacionalista e blazê que colocam sobre si a cada ultrapassagem ou ação. Por ora, vai bem. E para o torcedor aflito, ó, Senna há de ser o nome do país na F1.

Vettel já tem mais de uma centena de pontos sobre a rapa e pode ser campeão em Cingapura. Não vai porque a combinação é meio complicadinha, mas do Japão não escapa. Se eu fosse a Red Bull, o jogava de volta para a Toro Rosso e fazia Alguersuari e Buemi andar na equipe principal algumas corridas, só para dar e fazer graça.

Tags: , , , , , , , , , , , | 68 comentários

Buda da peste

SÃO PAULO | Duplamente hamiltoniana, a sexta-feira em Hungaroring. Não muito crível. Até mesmo pelo resultado em si — a não ser que Hamilton esteja passando por aulas intensas de artes cênicas nesta F1 que não permite testes e atue muito bem ao dizer que essa McLaren aí não vai andar no ritmo das grandes na pista magiar. Teve um momento em que alguém, pensei que tivesse sido Glock, mas não achei lá, que se queixou no Twitter: “Cadê o tempo bom, gente?” Porque 20, 21ºC, em pleno verão lá, é pífio e patético, como diria Mauro Cézar Pereira. A preocupação do povo era avaliar o quanto durariam os macios e supermacios da Pirelli. Vai ficar pra amanhã de manhã.

Sobre Senna, ninguém poderia esperar muito dele no TL1. Tomou 0s8 de Petrov, que guia o carro da Renault há dez provas e alguns contos de réis. Talvez a diferença tenha sido demasiada, mas Bruno, como o próprio disse, não faria milagre. O bom foi não ter comprometido. E como o pessoal lá da equipe esteve em terras brasileiras tempo atrás buscando patrocinadores, os passos começam a ser alinhados para que Senna participe de algum outro treino ou até mesmo corrida neste ano, possivelmente o Brasil.

Button, após um fim de semana fraco na Alemanha, voltou a andar no ritmo, e os cinco primeiros foram os de sempre. Massa ficou mais para o desempenho das Mercedes, sempre ali em sétimo e oitavo. O papel de quinta força vai cabendo mais à Force India do que à Lotus Renault, que, apesar de achar melhor o escapamento traseiro, está andando com o dianteiro. É um método lusitano de ver as coisas. Vai que dá certo. A Sauber, com Mito-san e Ligeirinho Pérez, vem na sequência. Depois a Williams. Parágrafo especial.

Williams. A gente bem sabe que a Williams tem contrato com a PDVSA até 2015, então Maldonado está com a vida e obra garantidas até lá. O negócio com Barrichello começa a preocupar, o piloto e seus fãs, claro. Porque uma renovação que parecia natural e óbvia começa a apresentar alguns percalços. Rubens disse que as conversas não evoluíram na Alemanha e tem quem fale, como o Speed Channel, que uma troca de piloto já é discutida abertamente na Williams. Beirando os 40 e disposto, o brasileiro vive uma dicotomia: se ainda é peça bem útil nesta F1 com necessidade de experiência, gente jovem e capaz e com grande poder financeiro brota às pencas. Com os lugares intactos nas equipes grandes, o único cenário, muito duvidoso, que surgiria a ele seria ocupar um lugar nesta Lotus Renault se e somente se Kubica não conseguir voltar. Qualquer outro passo seria um descenso na carreira, desnecessário a esta altura da vida.

Mas o negócio que pegou fogo lá na Hungria foi o acordo de TV na Inglaterra que vai tirar da BBC, aberta, metade das corridas da próxima temporada. 2012 vai passar por completo na Sky Sports. As equipes estão putitas por conta da exposição dos patrocinadores e querem mais explicações. Numa comparação direta, é como se a Globo só passasse dez provas ao vivo aqui, mostrasse as outras dez em um compacto e o SporTV ou a ESPN — que seria o melhor exemplo; a Sky Sports não é do mesmo grupo da BBC — passasse a ter todos os direitos de transmissão. A Globo já faz algo semelhante na Stock Car — passa cinco de 12 corridas, trecho ao vivo daquelas que não exibe e nem se preocupa em transmitir um resumo destas. Será que daria certo e seria interessante um esquema destes aqui?

A palavra da salvação, que é apenas uma resposta analítica, começa com N.

Tags: , , , , , , , , , , | 13 comentários

De novo na berlinda

SÃO PAULO | A bola é sempre levantada aqui e ali, e o passar dos dias acaba desmentindo. Vários veículos de comunicação tratam de pôr o lugar de Massa ameaçado na Ferrari. Começou com Kubica, passou por Vettel, chegou a Rosberg, suscitaram até Webber e, agora, o ‘Marca’ vem com a história de que falam em Button pelos lados de Maranello.

Amparada por tais rumores, a McLaren, então, está por apresentar ao inglês um novo contrato, exercendo dentro do prazo seu direito de opção pelos serviços do vencedor do GP do Canadá.

O desempenho de Massa desde que voltou à F1 após seu grave acidente na Hungria (claro que não é Holanda!) tem apresentado mais maus momentos do que bons, creio que não seja ponto de discussão. O fato de ter contrato assinado até o fim do ano que vem também não quer dizer muita coisa, afinal a Ferrari tem em seu histórico recente uma quebra de contrato, a de Raikkonen. Mas é realmente interessante averiguar como Felipe vira o alvo da vez e se aponta para todos os lados para se achar seu substituto.

No caso de Button, é uma coisa simples: a troco do quê Jenson vai deixar a McLaren, estando em alta e de bem com o time, numa fase em que Hamilton é tido como vilão — e dá mostras de que não está lá muito contente com a equipe que o criou —, e mudar para uma casa onde do outro lado há um Alonso que é destruidor de parceiros?

Massa, pelo jeito, pode seguir tranquilo. Os rumores continuam errados. Por enquanto.

Tags: , , , , | 19 comentários

Troca de lugares

SÃO PAULO | A troca de lugares entre Lewis Hamilton e Tony Stewart, promovida pela Mobil, mereceu atenção até do Speed Channel nos EUA, que transmitiu o evento. Vejam só o rotundo norte-americano, campeão da Indy em 1997, no MP4-23, lá no histórico circuito de Watkins Glen.

Tags: , , , , , | 21 comentários

Bordos, 3

SÃO PAULO | E tem gente que acha Button ruim.

Porque Button nunca foi um piloto de dar espetáculo. O que Button conseguiu na carreira até agora foi pelo seu fino trato, e com um carro que por metade de uma temporada era excepcional, a Brawn, soube destruir seu companheiro e ganhar um título. A conquista lhe valeu o passaporte para a McLaren e uma batalha contra um piloto que era seu avesso e devidamente mimado por mais de uma década por aquela casa. Button não mudou de 2010 pra cá, e embora tivesse andado na maioria das vezes atrás de Hamilton, os resultados em si não eram tão diferentes no cômputo geral. Mas porque Hamilton é mais agressivo, Button, seu oposto, só podia ser passivo. Button, pois, é ruim, é a relação que muitos fizeram e ainda hão de fazer, não muito convencidos pelo que fez hoje.

Bom. Button, hoje, deu espetáculo. “É possivelmente minha melhor corrida”, declarou. Dispense o “possivelmente”. Certeza que foi a melhor corrida. Não porque Button foi Hamilton. Porque Button foi melhor que Hamilton. Button soube dar um show hoje ainda sendo Button. Ao ser tocado por, oh!, Hamilton no começo da prova do Canadá, Button se fez por segundos insano, se refez e depois soube deglutir uma punição — por ter superado a velocidade limite em período de safety-car que liderou as primeiras voltas. E Button caiu pro fim e foi se superando, até encontrar Alonso e sofrer novo toque. Pneu furado, Button recomeçou de novo.

Veio a chuva, o vaivém das condições, novas trocas de pneus, mais safety-cars, e o fim, 4 horas depois, todo mundo viu, com o erro de Vettel na última volta, pressionado por over-Button. Button venceu, comemorou e, ainda que não tivesse culpa — a F1 anda numa viadagem imensa, mas foi um mero incidente de corrida —, pediu desculpas pelo toque com Hamilton. Muitos já viram isso como a confissão de seu erro. Erro é achar Button ruim.

Lembre aí um erro que Button tenha cometido. Nem precisa ser desses, crasso. Compare se a ficha corrida dele tem metade da extensão do que Hamilton tem, com mais da metade do tempo que Lewis tem de F1. “Ah, mas Button não comete erros porque não é agressivo como Hamilton”. Caímos num círculo. E lá está Button, em segundo no campeonato, consagrado, enquanto Hamilton é posto sob dúvidas. Assim é a vida e seu microcosmo do automobilismo.

À corrida: corridaça, né? Como foram as outras todas. Mas vão algumas críticas. Principalmente a esta direção de prova cafona e conservadora. Bastou pingar, eles pensam em safety-car pra largada. Não tem essa de que era a primeira vez que tinha pista úmida. Qualquer chuvinha, bota o Maylander e seu Mercedes lá na frente. Não contentes, ficam rodando, rodando, rodando, gastando volta na pista totalmente praticável. Puta saco. Depois da paralisação foi a mesma coisa.

Aliás, a quem quis comparar as situações: Montreal, depois da chuva: 42 minutos e corrida; Anhembi, depois da chuva: 3 horas e adiamento.

Enquanto isso, Vettel via de novo outra prova, enquanto as trocas mais atrás aconteciam. Kobayashi subia e chegava pouco a pouco perto do alemão, pelo menos em termos de posição. Ficou mais de 2 horas em segundo, o que é um recorde para um japonês na F1. Só ele. Um mito, claro. Schumacher tomou 7 injeções de adrenalina enquanto a pista estava molhada. Aí secou, e o alemão e o japonês foram caindo. Michael vendeu caro sua posição no pódio. Não havia como segurar Webber, apesar de seus vários cortes de chicanes, e Button show-man. Kobayashi só chegou em sétimo, perdendo posição para Massa na linha de chegada.

Massa, Massa. Teve um dia de Hamilton. E ter um dia de Hamilton não anda sendo lá essas coisas. Seguiu Alonso, passou-o nos pits, mas ficou encaixotado atrás de Kobayashi uma semana e meia, e só o ultrapassou quando Kamui errou — naquele momento do duplo passão de Schumacher. Aí Massa foi pros pits, saiu, andou alguns km e andou fora do trilho seco. Escorregou e bateu. Ainda se recuperou. Mas arrisco dizer que hoje dava pra Massa conseguir algo muito melhor. Não sei se vitória, mas dava pra ir pras cabeças com Vettel.

E Vettel cometeu seu primeiro erro em corridas ao subestimar este Button. Acossado, errou na última volta. É uma experiência para Vettel, que nunca mais há de levar seu ritmo no ritmo dos demais — no caso, Webber e Schumacher — para ir administrando. A corrida era dele se tivesse aberto uma distância suficiente, e tinha carro para tal. Mas que seja: cinco vitórias e dois segundos lugares na temporada dão o tom de seu domínio.

Petrov beliscou um quinto lugar. Numa toada à Button, até que o russo não tem feito feio esse ano. Tem se livrado da pecha de piloto pagante. Alguersuari, enfim, pontuou, Barrichello foi nono e Buemi fechou a zona de pontos.

A prova de hoje, a mais longa de todos os tempos, entra para a história. Aliás, a fase é ótima. Indy 500 e o GP do Canadá foram memoráveis, por exemplo. O povo não tem do que reclamar. O automobilismo, pelo menos na fora, está vencendo.

Tags: , , , , , , , | 35 comentários

Bordos

SÃO PAULO | Por muito tempo olhou-se para Mônaco como a exceção do campeonato. Entenda-se por exceção a corrida em que os resultados mais absurdos tinham maior probabilidade de acontecer, vide as vitórias de Panis em 1996 e Trulli em 2004, motivadas pelas exigências provocadas pelas características daquele circuito urbano. Mas os tempos são outros. E como os carros são praticamente impossíveis de apresentar quebras mecânicas e com mais recursos à disposição dos pilotos que tornaram a pilotagem mais fácil, as provas de Monte Carlo já não têm trazido tais aberrações. Se alguém procura uma situação atípica na F1 hoje, é bem mais possível de encontrá-la no Canadá.

Fosse construída nos tempos modernos, o circuito de Montreal seria visto como mais uma obra de Tilke, com uma reta longa e curvas predominantemente de baixa velocidade. Os pontos que as diferenciam dos tilkódromos seriam os muros e as árvores em volta, distintos das infindáveis áreas de escape ou das britas, e o fato de a pista ser usada duas ou três vezes por ano por ser urbana. Ou seja: os pilotos têm de andar no limite numa pista que começa extremamente suja, provoca desgastes e se desgasta, com limites definidos por paredes. Um erro se torna fácil, e a chance de encontrar o fim das atividades é grande. 

Soma-se a este o cenário a ausência de vantagem que o carro da Red Bull leva sobre os demais. Um dos segredos da equipe está nas curvas de alta, com suas asa dianteira e sua tendência a vergar — em mais uma ideia mirabolante de Adrian Newey, agindo em conformidade com o regulamento —, melhorando o fluxo de ar e gerando maior velocidade. Assim, as outras grandes enchem o peito: Ferrari promete fazer desta prova o ponto de virada no campeonato, McLaren se apoia no retrospecto e na evolução para garantir que vai muito bem, Mercedes vê que as características do carro se adequam totalmente à pista e Renault aposta na força do motor para brigar pelos primeiros lugares.  

Isto posto, pega-se os resultados do primeiro treino: Mercedes e Ferrari, que vinham como terceira e quarta forças em ritmo de classificação, aparecem na frente de Red Bull e McLaren. Não há surpresa interna: Rosberg vem à frente de Schumacher e Alonso, de Massa. Os prateados tomaram 1s de Nico, terminando em quinto e sexto. Os rubrotaurinos nem entre os dez primeiros ficaram — também porque Vettel bateu, como fizera na sexta-feira da Turquia. Bateu, pelo menos, num lugar que lhe é afeito, o Muro dos Campeões. Webber terminou em 12º e tomou tempo das duas Force India (Di Resta e Hülkenberg), de apenas uma Renault (a de Heidfeld), de uma Sauber (de Pérez) e até da Williams (a de Barrichello), que traz novidades para a etapa — e não podiam trazer resultado pior do que a equipe vinha mostrando. 

Evidente que se tratava apenas de um treino inicial e que Vettel, pelo menos, havia de vir pras cabeças no apronto seguinte. E com o alemão na pista, ainda que o treino tivesse sido atrapalhado pelas barbeiragens de Sutil e D’Ambrosio e pelo movimento das placas tectônicas de Quebec que jogaram Kobayashi no muro, o primeiro lugar de Alonso e o terceiro de Massa no TL2 são alentos para a Ferrari, principalmente, pensar que pode tirar a zica do pântano.

Por melhor que a Mercedes esteja, os pneus que desgastam como a sola dos tênis de Felipe Giacomelli lhe são o calcanhar de Aquiles. E com estes compostos macios à beça numa pista que consome demais, a tendência é que Rosberg e Schumacher tenham poucas voltas úteis durante as 70 voltas da corrida e necessitem de uma estratégia diferenciada dos demais, aproveitando que os boxes são curtos em Montreal, para tentar brigar por algo interessante — não estranharia uma tática de quatro ou cinco paradas. No segundo treino, visivelmente a equipe se preocupou com o acerto para domingo. E Rosberg já admitiu que não tem carro (pneu) para vencer.

Sem a Mercedes, pois, e andando da forma que indicou nesta sessão de abertura, Alonso pode sonhar alto. Da mesma forma que Massa, que só tiraria a má impressão que voltou a lhe pousar sobre o ombro com um pódio e uma performance mais do que convincente.

E ainda há, segundo a previsão atualizada, possibilidade até de tempestades durante o fim de semana. Numa fase em que a F1 tem apresentado provas bastante atrativas, o Canadá deve se tornar o crème-de-la-crème.

Tags: , , , , , , , , , | 5 comentários

Xi Na, 2

SÃO PAULO | Farei, primeiro, uma análise mais abrangente. Estava meio sonolento na hora ‘real’ do GP da China, mas me despertou atenção que os pilotos estivessem virando no primeiro trecho da corrida voltas na casa de 1min44s, o que seria cerca de 11s mais lento do que Vettel andou na classificação. Em outras palavras, os ponteiros eram muito mais lentos que a Hispania em ritmo de Q3, e talvez isso expresse o fato de forma mais gritante — é um assombro. Claro que o tanque estava cheio e tal, mas em tempos de Bridgestone, isso não acontecia. Não estou julgando que a situação é ruim, mas por aí se nota o quanto os pneus da Pirelli que se desmancham como costela no bafo têm papel fundamental na estratégia e se sobrepõem aos efeitos do KERS e do DRS — não gosto muito desta sigla, mas fazê-o-quê?

Aí fui comparar os melhores tempos de volta da classificação e da corrida também nas duas etapas anteriores, todas com poles de Vettel. Massa girou 5s418 mais lento na Austrália, Webber foi 5s701 pior na Malásia e o australiano marcou giro 5s208 acima na prova deste domingo. Que sejam 5s em média, vá lá. Com os Bridgestone em 2010, este ‘gap’ era variável, entre até menos de 1s e próximo a 3s5.

A corrida na Austrália não teve lá tanta mudança de posição — não foi boa para quem viu —, diferente de Malásia e China. Sepang e Xangai são dois tilkódromos. Assim, independente do circuito, já se tem ideia do limite que a situação de corrida atinge em termos de desempenho dos pneus.

De tudo isso, tiro que as melhores estratégias são de quem vai para o último trecho com os moles, que são, em média, 1s mais eficientes que os duros e podem extrair do carro quase sem combustível voltas mais rápidas. Foi o que aconteceu com Webber ontem. Caso não tivesse largado tão atrás e perdido tempo com Sauber, Toro Rosso e Williams, é bem provável que pudesse brigar pela vitória — isso se a Red Bull não lhe desse uma tática de duas paradas, como fez com Vettel. 

Red Bull e McLaren têm carros muito melhores que os demais. Portanto, as duas teriam de partir para táticas mais conservadoras e que lhe tragam maior eficiência, evidentemente. E estas três primeiras corridas me deixam bem claro que o ideal é parar três vezes. Aí se encontra uma parte da razão da derrota de Vettel. Via de regra, estas equipes sempre largam entre os 10 primeiros, ou seja, vão para o Q1 e têm, portanto, de ir para a corrida com o mesmo pneu de classificação — mole, já que disputam entre si os postos das duas primeiras filas. Aí é imprescindível a opção da primeira parada, que acontece cedo pela vida útil limitada dos PZero: os duros, caso tiverem aberto uma distância suficiente dos carros do segundo escalão para que não voltem atrás, empaquem e percam tempo, ou novamente moles, em caso de pista livre. Na segunda parada, então, coloca-se pneus diferentes da anterior e na terceira, obrigatoriamente os macios.

Uma alternativa para Ferrari, Mercedes e Lotus Renault estaria em sacrificar a classificação, usando duros, para que iniciem com estes a prova e eliminem a obrigação de sua reposição, correndo sempre com moles — novamente o caso de Webber ontem. Para tal, então, também teriam de ir aos pits três vezes, mas em tese teriam um primeiro trecho mais longo. Com duas paradas, um dos trechos acaba sendo capenga — novamente pegando ontem como molde, a parte final de Massa e Alonso.

Para as demais, tipo Sauber, Toro Rosso e Force India, um bom negócio é ser diferente. É assim que elas vêm beliscando seus pontinhos, sobretudo Kobayashi, o mito. De Williams para cima, nem uma tática de uma, tampouco de dez paradas, resolve. 

Um outro ponto: as novidades que a F1 instituiu, que foram criticadas por seu teor absurdo, até que funcionam e proporcionam o que a categoria sempre desejou, as ultrapassagens e as agitos até o fim da corrida. ”Ah, mas é fake”. Mimimi. Tá lá na balada uma mulher maquiada e toda emperequetada e outra que prefere sua beleza natural e pouco se cuida. De qual delas o homem tende a se aproximar e terminar bem a noite? O dia seguinte, quando se vê bem, é outra história. Malásia e China foram bem melhores do que grande parte da temporada do ano passado. Ou eu estou errado?, como perguntaria Datena. 

Talvez ninguém tivesse essa meta, mas a F1 atual apresenta uma redenção das pistas assinadas por Hermann Tilke,  com longas retas e freadas. É bem capaz que haja uma inversão a partir de agora: Turquia, Coreia e, se voltar, Bahrein terem disputas extraordinárias e pomposas. Outros circuitos, sem retas muito grandes, terem o mesmo sabor da Austrália.  A F1 é, mesmo, fascinante, como diria o outro, que não é o Datena.

Tags: , , , , , , , , , | 16 comentários

Mal Azia, 4

SÃO PAULO | Vamos com calma, que são muitas coisas a se pontuar. A primeira é que a corrida na Malásia foi de boa pra cima. Até mesmo o fim, que costuma ser descartável em sua maioria, rendeu. Num circuito largo e de longas retas como o de Sepang, a combinação KERS + DRS + UGH (pneus da Pirelli que vão se jorrando pedaço e transformando a pista numa caca emborrachada) funcionou bem. E pôs alguns pingos nos is nesta temporada.

Primeiro que a disparidade de Vettel para Webber é colossal. Um largou atrás do outro, em posição física. O primeiro completou a volta inicial na posição da pole, e o outro foi parar em décimo. Nas duas ou três vezes que tentou passar Kobayashi, tomou de volta do mito. Preso e sem avançar, a Red Bull se viu obrigada a alterar a estratégia, chamando o trambolho australiano mais cedo para os pits. Com pneus que não duravam mais do que 15 ou 16 voltas, ali se via que a tática do segundo piloto era parar quatro vezes. Ou seja: se os outros pensavam em poupar, a corrida de Webber era andar rápido para todo e sempre.

Ao resto, o comum numa prova sem chuva — de quem da meteorologia cobro por ter apontado 90%, tempestade e não sei o quê?; apamerda —, seriam as três paradas, como acabou acontecendo aos três primeiros. Vettel não foi acharcado em nenhum momento principalmente por causa das primeiras voltas, em que Heidfeld surgiu numa largada estupenda, pulando para segundo e minando por completo qualquer chance de Hamilton. O alemão certamente não sai de Sepang com a mesma impressão da corrida dos outros: passeou sem ver o agito de quem tentava persegui-lo.

O vaivém dos boxes meio que camufla e esconde quem está realmente bem ou mal. Num primeiro momento, Webber parecia fadado ao cadafalso e só não pegou pódio porque fraquejou no fim diante do ótimo Heidfeld. Button parecia ficar de canto, perdendo terreno até para a Ferrari, e no fim das contas apareceu em segundo, melhor que Hamilton. Hamilton, que pensava em chegar em Vettel, perdeu rendimento de vez quando foi tocado por Alonso, de quem pouco se esperava na corrida, até por ter ficado bom tempo atrás de Massa — sem atacá-lo, note-se. Na bandeirada, então, VET, BUT, HEI, WEB, MAS, ALO e HAM. Só PET das quatro grandes não completou. Seria oitavo, fácil.

Aí depois puniram ALO e HAM, só para darem trabalho para corrigirmos tabelas de classificação e de resultado. Os comissários disseram que o primeiro provocou uma colisão e que o segundo mudou a trajetória mais de uma vez para se defender.  Poderiam ter escrito embaixo, no documento, no francês da FIA: pute frescurité. Então acrescentem do inglês antes um KOB.

E Massa fez um corridão hoje. Sei não se um pódio não era possível caso não tivesse ocorrido aquela pequena demora na primeira parada, pela roda dianteira esquerda mal colocada. Não se intimidou com Alonso, de novo o superou na largada, e nas idas e vindas da corrida, acabou bem na frente do espanhol. Que deve estar putito e cheio de mimimi pra fazer por isso e pela, hã, afobação ao tentar passar Hamilton. Ainda teve de dar explicações na sala de chá e café dos comissários. Como diria o narrador, tudo isso é bom pra Massa.

Por outro lado, ficou claro que a Mercedes e a Williams são fiascos independente das paradas nos pits. Schumacher ainda fez muito em somar dois pontinhos depois de tomar quatro ultrapassagens de Kobayashi, o supremo (aliás, a Red Bull bem que podia soltar um comunicado destes de pegar meio mundo de surpresa, mesmo quem está ‘in loco’, com uma demissão de Webber e KOB em seu lugar; seria fascinante, eu diria). Voltando. Rosberg certamente fez sua pior prova na casa prateada. Mal chegou a andar entre os dez primeiros. Sofreu na mão de Toro Rosso e Force India. A Petronas nem apareceu na TV. Vai ter um crack na bolsa malaia amanhã. Enfim, se na Austrália o carro havia sido mal acertado, agora se chega à conclusão de que o carro é mal feito, isso sim. A Mercedes vai levar uma sova da Renault, até de Petrov, com seu Lotus Sputnik com direção ejetável. E a Williams, também, votecontá, o carrinho quebra que é uma beleza e não parece ser melhor que o do ano passado, como tem indicado Barrichello. Ser pouca coisa melhor que a Lotus é para derrubar as ações da equipe na bolsa de Frankfurt.

E falando em bolsa, Vettel já leva 50 pontos na sua. A China é o fim da primeira perna do Mundial, na semana que vem. Os carros que todo mundo viu hoje irão para Xangai sem modificações, portanto. Não há nenhuma razão para se pensar em outra coisa que não seja a tripleta de Vettel. É cedo, tal, mas vamos e venhamos: não tá com uma cara de que Sebastian vai enfiar todo mundo no mesmo saco logo, logo? Agora já são 24 pontos de vantagem para Button. E olha que os taurinos não têm muito bem definido como usar direito o sistema de energia cinética. Quando se acertarem bem com a pilha AA, vão parecer aquele coelhinho que batucava muito mais do que os outros.

Tags: , , , , , , , , | 47 comentários

Mal Azia, 3

SÃO PAULO | Posso dizer, sem problema, que queimei a língua. Ou as mãos, no caso. Jamais esperava que esta McLaren se recuperasse de tal forma daquela malfadada pré-temporada a ponto de fazer a Red Bull suar mais do que o calor da Malásia já  na segunda prova do campeonato. A McLaren, sublinhe-se, é a equipe que melhor trabalha na F1 para se refazer de um erro ou problema, mas muito, muito à frente da Ferrari, que merece linhas à parte.

Cabra bom, esse Vettel. Perguntei ao meu amigo alemão, o Dirk, como é que se diz ’cabra bom’ lá na terra dele, e ele veio com um ‘ziege guter’. Acho que ele me enganou, mas enfim. Arrancou a pole de Hamilton com maestria e com o KERS.  Vettel é um piloto quase imbatível em volta rápida — e só Hülkenberg o bateu, na secagem de Interlagos, desde o GP da Coreia do ano passado. Já são 17 vezes na primeira posição em toda carreira, meteórico para um moleque que não tem nem quatro anos completos na F1. Dos últimos campeões, de 2006 pra cá, Sebastian é aquele que melhor vem honrando o número 1 que carrega no carro e no peito.

Essa McLaren é realmente surpreendente. É mais rápida em reta, o motor da Mercedes é melhor que o da Renault. Hamilton cravou tempo no TL3 de manhã, foi melhor no Q2 e foi por 0s1 que não tirou a zica que perdura desde Canadá-2010. Button também vem no embalo. E nas condições abafadas e secas ou na chuva, haverão de importunar Vettel. E Webber, vá lá, não é de todo um descarte. A Red Bull, pelo que analisam, pode ter quatro ou cinco voltas a mais na economia dos pneus. Serão três ou quatro paradas. A ver.

Aí vem um calabouço e de lá se ouve um eco, tipo a voz robotizada do rádio de hoje. Numa análise que a Ferrari deve ter visto dos setores, o Fiat 150-3 vem no embalo no primeiro, perde meio segundo no trecho 2 e toma mais 0s3 no fim. É de pôr Alonso sentado, sozinho, de fronte a uma tela dos tempos, tipo vendo a banda passar, sem muitos gestos de amor. E foram bonitos os gestos de apoio pachequístico do ‘tio’ a Massa — o 2 a 0 da sexta-feira, o 3 que ficou no quase que só ocorreu por um ”errinho” na volta final do TL3, a melhor volta no Q1 e tal —, mas Felipe acabou levando 0s4 do espanhol e falhou ao formar uma terceira fila vermelha. Ali intrometeu-se Heidfeld, provavelmente como pelo menos faria Kubica.

Abre parêntese. Tirando o HD, a TV teve lá seus destaques, como de costume. Para três pessoas, a Red Bull fez a pole — situação inédita na história da emissora; só para um que foi a RBR, e assim será para todo e sempre ou até que seu patrocínio da empresa que contém um energético exista. Jornabilidade, como diria o outro. E voou uma peça da Toro Rosso. Segundos depois, a peça era da STR.  E não foi uma teteia ouvir o encanto do abrir da asa, “tal como uma libélula jovem em busca da mãe natureza”, como definiu Fábio Seixas por SMS? Fecha.

Foi Kobayashi, o mito, que desfez a ordem das cinco melhores equipes. Pôs-se no lugar de Schumacher, que ainda não se achou muito bem. Vale quanto pesa, a idade. É bom também ver o que o japa pode fazer. Evidente que não será nada para pensar entre um top-5, mas a Sauber mandou bem demais na estratégia de pneus na Austrália.

E a Williams não há meio de fazer um carro decente. O 15º lugar de Barrichello facilmente seria pior nas mãos d’outro piloto. Tanto que Maldonado nivelou-se com as Lotus — ótimas, tire-se o chapéu. “É performance, não tem outra explicação”, falou o piloto à RGT. O negócio vai ser sofrer com a Force India ali atrás. Nem a Toro Rosso nesse ritmo dá para alcançar. A Williams não ganha patavina desde 1997, com Villeneuve — que hoje chega aos 40. Provável que, quando completar 60, ainda apareça como o último campeão feito pela equipe.

E ora, ora, a Hispania passou com louvor pelo crivo dos 107%. Liuzzi estava todo pimpão e catito no paddock e agradeceu ao Vaticano, Karthikeyan virou para Nova Délhi e curvou-se sete vezes. Vão largar, já é um passo à frente. De formiga, mas é.

Ao fim e ao cabo, mantenho a aposta que fiz no BRV e vou de Vettel. Mas se na quinta eu cravava como barbada, a corrida pelo jeito não é fava contada, não.

Tags: , , , , , | 13 comentários

Mal azia

SÃO PAULO | Até poderia dar um pouquinho de dó. Porque essa gente se esmera em projetos, passa a vida a estudar, a compreender computadores e túneis de vento, a debruçar-se em números e dados, a encontrar soluções que façam aqueles carros beirarem a perfeição e completarem as voltas que a vida da F1 traz no menor tempo possível. Essa gente se enche de esperança quando inclina um retrovisor a 57º pro ar passar melhor, quando bota um escapamento perto do fluxo aquecido no dobro da temperatura ambiente, quando coloca o formato da entrada de ar numa letra cirílica, quando descobre que pode fazer uma suspensão que reúna os principais elementos alcalinos terrosos da tabela periódica. Aí essa gente se infla quando vê a obra completa e indo para a pista, quando vê um caminho bem trilhado e que pode sonhar grande. E, então, essa gente vê a Red Bull e murcha.

Até daria dó porque é abissal a diferença. E é partindo de Webber, o ‘nada mal para um segundo piloto’, para o primeiro resto, a McLaren, e o restão, que começa com Mercedes, passa por Williams e Force India antes de chegar à Ferrari, e por aí vai até chegar na catota da Hispania.1s6 para Hamilton, 2s1 para Schumacher, quase 3s para a Ferrari. Aí a Ferrari me vem com a desfaçatez no Twitter: “Não, porque há muitos fatores a serem analisados, principalmente no pneu, na nuvem cumulus-nimbus, nos pedaços de suspensões das Lotus Renault e nas 49 pessoas presentes nas arquibancadas”. Não que Flavio Briatore se aproxime de ser um paladino da verdade, mas essa gente em Maranello já podia pensar no ano que vem, mesmo. Ou torcer para que o apocalipse seja antecipado em um ano para que esconda o mal concebido Fiat 150º.

Falando no único carro decente, parece que acharam um problema no carro de Webber na Austrália — de fato não se explica que tenha andado tão mal lá —, e agora parece estar tinindo. Claro que a diferença para Vettel não existe, essa de 3s976. Mais fácil que Vettel lidere daqui pra frente, com pequena margem sobre o australopiteco. E, de novo, é só, meu povo. Não vai dar a mínima graça. Se querem ver uma corrida minimamente interessante, que façam que nem as outras equipes: peçam encarecidamente para que o clima tropical honre suas características e ponha abaixo um temporal que mexa com os touros.

Massa ficou à frente de Alonso, Barrichello tomou tempo de Maldonado, as coisas não estão lá muito normais neste sentido. E a Hispania saindo dos boxes fumando, hein? E de novo ficando acima dos 107%, não dá um pouquinho de dó, não?

Näo, nem um pouco.

Tags: , , , , , , , , , | 4 comentários

Austral, 2

SÃO PAULO | Depois de um leve sono, eis a análise do treino livre 2, da dobradinha da McLaren, e muitos hão de comemorar que ô!, a McLaren voltou. De fato, não é aquela McLaren que assustou por seus erros e problemas durante toda a pré-temporada na Espanha. Mas é necessário ver o resultado em Melbourne com certa cautela. A chuva e o ‘modo de corrida’ — mais uma das coisas ridículas da F1 — impediram que Red Bull, Ferrari e Mercedes melhorassem seus tempos na parte final. A McLaren não têm o melhor carro.

De interessante, mesmo, o tempo de Button, 1min25s854. Primeiro que já me ferrei no bolão — achei que a pole ficaria na casa de 26 baixo. Os Pirelli são tão eficientes em volta rápida quanto os Bridgestone, tanto que estão virando na mesma toada de 2010. Mas estragam com uma facilidade imensa. Vi o nasal Fábio Seixas tuitar que a Ferrari prevê que serão 72 paradas — não, Alonso e Massa não farão 36 trocas de pneus, é na corrida toda. Em 58 voltas, os pits estarão no fervo. Equipe que prevê no mínimo quatro paradas. Por isso que as estratégias vão ser muito mais valiosas que carros bem feitos, ou seja, a Renault pode sonhar com uma vitória se fizer a tática perfeita.

Aliás, informa a Pirelli que a maioria dos times usou os pneus brancos (duros) na primeira sessão e os amarelos (macios) para a segunda. Agradeço, porque não consegui identificar a palheta de cores. Ainda completa a fornecedora que a diferença de rigidez entre os tipos de pneus é de 145%. Uau.

Enfim, se a McLaren já vier como segunda força da F1, por ora, é um lucro estrondoso diante das agruras do início do ano. É inegável a força que essa equipe tem, por isso não convém descartá-la ao longo do campeonato. Mas a Red Bull parece inatingível nas mesmas condições e sem esta patacoada de determinar durante um treino quando se pode abrir a tal asa traseira. Repito: a F1 está muito ‘fake’ com essa coisa de zona de ultrapassagem, diferença de um segundo para o adversário da frente, botões que deixam qualquer um perdido e trololó.

Massa, de novo, penou para acertar a Ferrari. Barrichello, de novo, ocupou o top-10. E de novo, as Virgin by Marussia levaram tempo do tempo de 107% e a Hispania só teve tempo para dar uma volta, a 3 minutos do fim, com Vitantonio Liuzzi. O grid vai ter 20 carros, e é melhor que tenha, mesmo. Como diria o glorioso José Eduardo Teixeira, lá de Caracas, não dá.

Tags: , , , , , , | 5 comentários