O dono da bola
É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está no Grande Prêmio, isso há quase 9 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para “Folha de S.Paulo”, “Lance!” e “Quatro Rodas”, foi repórter da edição brasileira da “F1 Racing”, cobriu F1, Stock Car, a Indy e três edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Conheceu cidades como São Luís e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou o caminho certo. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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@gianoddi pódeixá. vai tarde, mas vai. tô enroladíssimo. 28 minutes ago
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@Mahanibs sim, manda. 59 minutes ago
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Como não gostar da dupla da Sauber, a melhor da história? #F1 2 hours ago
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Otro mito. RT @fagnermorais: E o @SChecoPerez me ganhou como fã. Melhor capacete de todos os tempos da história da F1: http://t.co/vs9FKmCr 2 hours ago
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Lindona! RT @RONEIRECH: @flaviogomes69 Bela foto nao? http://t.co/PXhLJtw9 2 hours ago
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Fantasiar. É diferente. E ela é maluca. Não duvide. RT @maria_fro: Acho que abuso sexual é muito grave pra inventar... 4 hours ago
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@maria_fro Eu acho essa moça maluca. Não dá para levar muito a sério o que diz. 4 hours ago
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Essa moça é biruta. RT @rcarrapatoso: Disse ! Foi o padeiro, o peixeiro, o amigo do pai, o vizinho, etc ......... 4 hours ago
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E a Xuxa disse quem, afinal, abusou dela? 4 hours ago
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Arquivo da tag: Massa
Brasilândia, 6
INTERLAGOS | Ontem no fim da tarde, início da noite, Massa deixou o autódromo e, ao passar a catraca de entrada/saída do paddock, deparou-se com quatro torcedores.
Um deles, levemente acima do peso, vestia uma camiseta da McLaren e pediu para que o ferrarista tirasse uma foto com ele. Massa fez um sinal que não, meio que às pressas, e foi-se.
Nisso, o fã não perdeu a pose e soltou, também fazendo com as mãos ao peito: “O Hamilton mandou um abraço…”
Passe livre
SÃO PAULO | Nem o próprio Kubica deve ter certeza se vai voltar a competir dignamente em um carro de F1, mas seu nome e seu passe continuam em ebulição quente e borbulhante no mercado. Se não estiver pronto para o ano que vem — como parece — e devidamente livre das amarras da Lotus, duas equipes já se manifestaram muito favoráveis à sua chegada em 2013, é o que diz a revista Autosport: Ferrari e Red Bull.
A publicação inglesa diz que Daniele Morelli, empresário do piloto, já foi chamado para conversas mais avançadas. No fim da temporada que vem, os contratos dos iguais Massa e Webber chegam a um ponto final, e pelo que tem sido feito por ambos até agora, a chance de que permaneçam onde estão é como a do Corinthians ganhar a Libertadores — frase cunhada por Felipe Giacomelli. Mas é uma nova amostra, como a dada por Eric Boullier, do estado em que estas equipes se encontram para ter um piloto que seja forte — no caso dos cavalos e dos touros, que haja um companheiro forte aos seus primeiros pilotos.
Se a McLaren acertar na sintonia fina de seu novo modelo, que vem sendo tratado como MP4-27A (híbrido? o MP4-27 já era? hum!…) nos testes em Abu Dhabi, e com a dupla que tem, com Hamilton refeito de seu mal necessário, há de vir forte para pelo menos ser campeã de Construtores — um cenário perfeitamente plausível.
E sem a pressão de ter de se recuperar, sabendo que 2012 está perdido, Kubica terá um tempão para sentar num carro novamente durante a temporada do ano que vem, ver se seu incrível talento não se foi naquele malogrado acidente de rali e analisar as propostas. Seu retorno, que seja fora da F1, pela HRT ou num time top, já será uma vitória e tanto.
Aí o Diogo Kotscho, viajante e palpiteiro de plantão, lançou uma pergunta, que adapto aqui: que vale mais, o Kubica de 2010 ou o Massa de 2008?
Taste of India, 2
SÃO PAULO | O cara não dá nem graça. Não que seja de Vettel a responsabilidade para tal, mas aí ele vai, contorna a primeira curva, à direita, na frente, abre mais de 1 segundo em duas voltas para evitar que quem venha atrás use a asa móvel e dispara e deixa tudo entre o segundo e o quinto, quiçá sexto. Curioso é atestar que o alemão, que vem pulverizando recordes e mudando o rumo das estatísticas, tenha só conseguido hoje seu primeiro grand chelem – pole, vitória de ponta a ponta e melhor volta. E agora passa a ser o mais novo piloto da história a ser grandchelenizado. É muito transão, como diria o amigo Helmuth Rogano.
A corrida em si foi meio broxante, até pelo que se aguardava deste bom e sujo circuito de Buddh. “Buddh que pariu”, gritou uma hora Roman Atkinson, sem segurar seu Teddy. Foi a melhor cena fora da prova, depois de mais um round entre Massa e Hamilton, desta vez com culpa do brasileiro, que se arremessou sobre o inglês. Viram sob o macacão de Luisão uma camiseta com dizeres “why always me?”, mas a info não foi confirmada.
Sei dizer que essa coisinha entre os dois já meio que passou os limites. O nasal Fábio Seixas chegou a dizer no Twitter que seria de bom grado a FIA dar uma puniçãozinha mais válida a ambos, talvez uma corrida de suspensão. Talvez Fábio tenha razão, o que é bem difícil. A verdade é que a fase dos dois é péssima. E vale dizer que Felipe fazia grande prova, comparando seu desempenho ao de Alonso. Mas aí veio a punição e uma outra zebra salsicha na sua vida. 24 pilotos, e só Massa quebra a suspensão lá, duas vezes. A culpa, creio, não é bem de quem colocou a saliência ali.
Button passou Alonso e Webber na primeira volta e se manteve em segundo o tempo inteiro, segundo melhor piloto da temporada que é. Alonso, terceiro, superou o frívolo australiano na parte final. É absurdo que Markola não chegue ao pódio com um carro desses. É ridículo que não tenha brigado pela vitória em nenhuma das 17 etapas. Quando o consultor Helmut Marko vem a público para achincalhá-lo, no fundo tem razão. E a Red Bull, essa máquina também do marketing, bem que podia colocar Alguersuari, que faz uma segunda metade de temporada excepcional, para correr lá em Abu Dhabi e no Brasil. Um choque de cultura seria bom para o australiano rever a carreira e o que não fez em 2011.
Schumacher à Schumacher de antes, quinto largando de longe, chegou à frente de Rosberg. A Mercedes, quarta força, tem a dupla mais equilibrada da temporada. Nico começou o ano bem, mas é Michael quem vem melhor agora. Seria interessante um carrinho melhor no ano que vem. Para dar uma apimentada na F1 que voltou a ser monótona, já falo disso. Jaimito foi oitavo com esta Toro Rosso que só dá alegria, seguido pela Force India boa de Sutil e este Pérez que tem colocado Kobayashi no nabo incandescente japonês.
Senna fez boa corrida, convenhamos, e se não tivesse de parar para colocar os pneus duros no fim, estaria com algum pontinho no fim. A Renault está na mão inversa da Toro Rosso. Barrichello foi 15º, atrás de Kovalainen e após um toque com o companheiro Maldonado na largada. Este provável fim de carreira na Williams atordoa Rubens, que tem menos de um mês para saber o que vai ser de sua vida.
A F1 começou excelente em 2011 em termos de ultrapassagem e movimentação com as novidades, o DRS e os pneus que desgastam. Apesar de um teor artificial, as primeiras provas foram empolgantes. Ultimamente, as corridas tornaram a ser como as do ano passado. Todo mundo pegou a mão da coisa? Pode ser. As estratégias não têm variado muito. A culpa não está também nas pistas – a de hoje na Índia parecia convidativa a emoções. E Vettel também contribui para tal na medida em que não dá chance para o resto, e ver uma briga pelas posições posteriores realmente não é um alento. O campeonato vai em ritmo de fim de festa. Que nunca é muito animado.
As ondas do rádio e o naufrágio
SÃO PAULO | A comunicação via rádio no automobilismo foi criada essencialmente para que piloto e equipe pudessem trocar informações a respeito da funcionalidade do carro e andamento da corrida, respectivamente, além de ser um meio mais fácil do que as placas postas na reta dos boxes — meramente parte do show e úteis em caso de dificuldade na transmissão. Com o tempo, e com o aperfeiçoamento dos detalhes e dos equipamentos, o rádio se tornou parte imprescindível para o resultado de uma prova, acionado precisamente para definição das estratégias. E num mundo de espetacularização, a revelação das conversas, ainda que em trechos, trouxe um componente interessantíssimo para o público da TV.
Neste cenário, Massa tornou-se protagonista na F1. E numa temporada cujo fim virtual se dará neste próximo fim de semana, a grande chama veio na revelação feita pela própria categoria dos melhores momentos do GP de Cingapura, em que o engenheiro Rob Smedley (“Fernando is faster than you”) pede para que Felipe “destrua a corrida” de Hamilton, seguida de uma frase de incentivo, “vamos lá, meu garoto”.
Vamos lá, meu garoto. O objetivo da Ferrari foi alcançado. Ainda que Hamilton tivesse habilidade e capacidade para recuperar-se na prova, não conseguiu chegar em Alonso para tirar do espanhol o quarto lugar, ou ainda brigar com o espanhol durante parte da corrida. Também, por mais que a ordem tenha sido dada, não foi Massa quem a executou: Hamilton afobou-se e, castigo dos deuses, destruiu a corrida de Massa. O pedido em si, quase uma declaração beligerante dentro da esfera esportiva (esportiva?), não ameniza nem tira do inglês a culpa. E por mais que esteja numa fase de cair vaca e boi na cabeça, é exagero que peçam a sua durante as próximas reuniões de pilotos antes das etapas.
Ao garoto Massa. Bom garoto, já disse aqui, um rapaz de personalidade, íntegro e que não se deixou levar pelo ufanismo e pela fuzarca nacionalista. Bom piloto também, mas não mais que isso, se analisada sua carreira como um todo. Defenestrado da Sauber de início, por se opor a ordens de equipes, encontrou na Ferrari sua redenção, treinou, voltou à Sauber e foi preparado pelo time italiano para ser seu primeiro pupilo lá desenvolvido. Substituiu Barrichello e não foi a pedra no sapato que havia sido o compatriota, sendo tratado como irmão por Schumacher. Pegou Raikkonen como companheiro. Com um ano de casa, e em tempos que a Red Bull ainda não era grande, foi o único dos grandes a não disputar o título em 2007. No ano seguinte, Kimi enfraqueceu-se, e Massa foi o homem da Ferrari a brigar com Hamilton pela taça. Não vinha mal em 2009 até sofrer o acidente na Hungria. Em 2010 e até agora, tem sido um esboço de piloto.
Então, Massa só foi competitivo, de verdade, em 2008. Merecia aquele título, olhando por um prisma holístico. Não foi, caprichos da vida e, especificamente, daquela corrida memorável em Interlagos, toca-se o barco.
Mas o rádio, de todas aquelas funções, revela um Massa dominado pela Ferrari, que deve se submeter aos pedidos de quaisquer natureza, desde abrir passagem para o companheiro em tempos que teoricamente as ordens de equipe estão proibidas até mesmo acabar com a corrida de um rival. No ano passado, Felipe não fez só um mal danado à F1 e ao esporte ao se deixar levar pela voz que insistia orelhas adentro, mas ao não vencer na Alemanha, num momento particular difícil, fez da sua vida enquanto esportista algo mais difícil ainda. A frase de Smedley, em inglês ou em português, virou chacota mundial e de tempos em tempos rotula o brasileiro. Sem se impor, Massa virou o boneco de ventríloquo da Ferrari.
A nova conversa via rádio infelizmente corrobora. Massa, com menos de metade dos pontos de todos os seus concorrentes diretos, passou a ser visto como um secretário do mês em prol de um companheiro quase que sempre mais rápido em classificação e sempre melhor em corrida. A Ferrari faz lá sua tática para Alonso, e Massa que se vire para ajudá-lo. Alguns terão alguma dificuldade para entender, vão achar que estou dizendo que é igual, mas lá vai: é claro que não se espera de Felipe que vá jogar Hamilton no muro e que o “destrua” seja mais forte do que possa significar, mas a grita que o próprio Massa fez há três anos por causa de Nelsinho e… Alonso… na armação em Cingapura se torna vazia e inócua diante do que ele poderia fazer na corrida. Massa é o que Nelsinho foi, um mero suporte para o brilho do parceiro de garagem, e se chegou a se ponto, se achou ridículo a atitude e o comportamento do compatriota, deveria se inserir no contexto para ver qual é o tipo de papel que está desempenho na prática.
As ondas do rádio estão ajudando a revelar que não só corridas podem ser destruídas, assim, a torto e a direito. Carreiras, também.
Kubica e a Ferrari
SÃO PAULO | Há dois anos, a Ferrari se via na seguinte situação: o carro não era bom o suficiente para brigar com Brawn e Red Bull e só uma vitória na temporada é o que a equipe apresentava de melhor. Ainda, a equipe ainda sentia os efeitos da saída abrupta de Massa por seu acidente na classificação na Hungria e não conseguia colocar ninguém à altura para substituí-lo — a ausência de testes e a impossibilidade de adaptação ao carro acabaram com as carreiras de Badoer e Fisichella.
Na frieza da análise, 2011 parece bem semelhante. A Ferrari é a terceira força e belisca aqui e ali o pódio quando um piloto da Red Bull e a McLaren falham — neste caso, geralmente Hamilton. Uma só vitória no Mundial, a de Alonso em Silverstone, e Massa num papel parecido com o de Fisichella: bem distante do desempenho do companheiro.
Em 2009, havia o temor de que Massa poderia não voltar, mas a presença de Raikkonen no ano seguinte era posta em xeque. O segundo ano seguido apagado do finlandês pesava na equipe que só tinha um piloto na prática. Os rumores se transformaram em realidade, e mesmo com um ano de contrato por vir, Kimi teve seu contrato rescindido e Alonso chegou.
A continuação de Felipe na equipe vermelha sempre foi colocada em dúvida, mas Luca di Montezemolo e outros dirigentes da equipe se apressaram em desmenti-los, e o tempo veio lhes dando razão. Mas como Raikkonen, Massa está completando duas temporadas extremamente ruins, da mesma forma com uma temporada no papel.
Paralelo a isso, há a história de Kubica. Se voltar como antes, o polonês é piloto para andar na frente. É um dos melhores. A Renault, sua equipe, deu a ele e ao empresário um mês de prazo para que informem se Robert reúne condições para sentar em seu carro de 2012. Para quem saiu da sala de cirurgia pela última vez não tem muito tempo, e pela gravidade do acidente, um mês é até pouco para que se tenha pleno conhecimento de seu estado físico e se garanta 100% seu retorno triunfal.
Como a Renault está sendo irredutível em seu prazo, e ela não está errada, já há quem aponte aqui e ali que há uma porta se abrindo na Ferrari caso Kubica não esteja pronto para dar uma resposta até o fim de outubro. Seria interessante para a Ferrari esperar até o fim do ano, por exemplo? Como não há treinos pós-temporada, talvez não faria tanta diferença — afinal o carro do ano que vem já está no forno, ao gosto de Alonso.
Assim, a decisão que Kubica for tomar em relação à Renault deve ser acompanhada com atenção por Massa. Que ele se cubra. Com o histórico recente que a Ferrari apresenta e pelo descrito acima, é bem capaz que a equipe aposte num polonês remendado do que um brasileiro teoricamente inteiro.
Cidade-estado, 3
SÃO PAULO | A melhor coisa destas duas horas do GP de Cingapura foi ver Tony Fernandes reclamando de Jaime Alguersuari o tempo todo no Twitter por ter acertado seu piloto Jarno Trulli, sem nunca acertar o nome do espanhol. Como diria minha bisavó, não chamando de ‘filho da puta’, está bom, embora o endinheirado malaio tenha pensado nisso. Mas a corrida em si foi aquilo desta temporada: Vettel larga, faz a primeira curva na frente e se vai, e como um satélite desgovernado, ninguém mais vê.
Com cinco voltas, Vettel já tinha aberto uma distância de 7 segundos para Button, segundo facilmente depois que Webber largou mal pela 76ª vez no ano e derrubou Hamilton consigo. Não há Roberto Shinyashiki no mundo que motive um piloto a tentar algo. O negócio era ver se depois da longa corrida, Vettel comemoraria o título. Em nenhum momento, a combinação de resultados apontou para tal porque Button cantou o refrão preferido do colega alemão, o “daqui não saio, daqui ninguém me tira” também.
Aliás, pecado, mesmo, Button estar guiando o fino e não ser campeão. Pena.
Alonso também jantou Webber na largada e só perdeu o terceiro lugar porque os pneus da Ferrari dissolvem tão rápido quanto os da Mercedes. Assim, o espanhol, tal como Massa, foi obrigado a parar antes que os demais. Ainda que depois das paradas volte na frente dos rivais, o ciclo do desgaste impede que a defesa da posição dure. E olha que Webber só retomou o lugar no pódio depois de uma cochilada de Fernandito na relargada pós-safety-car, acionado com a piaba que Schumacher deu em Ligeirinho Pérez. Assim ficou entre os quatro primeiros.
Hamilton e Massa, que deveriam completar o grupo dos seis primeiros, na verdade completaram a manobra de choque que foi ensaiada ontem no Q3. O inglês quis porque quis passar o brasileiro na fase final da classificação, aos que não se recordam, e hoje deu um toque evitável em Felipe ao tentar ultrapassá-lo ainda no começo da prova. O pneu de Felipe e a paciência foram para o espaço. Bastardo!, gritou Massa, no que pôde ir para o ar na transmissão da TV. Os dois foram para os pits, Hamilton para trocar a asa dianteira e, posteriormente para pagar a punição, e acabaram partindo juntos para uma recuperação. Digamos que Hamilton tenha conseguido e foi passando todo mundo para chegar em quinto. Massa penou para superar Pérez e ser nono. E depois da prova, digamos que Massa foi atrás de Hamilton pra tirar satisfação, em cena que quem acompanhou descreveu como patética. Chamaram o Ratinho, e tudo foi resolvido.
Hamilton e Massa não precisam apenas tirar a zica, digamos assim. Também ouvi por aí que o primeiro precisava de um psiquiatra. Mas na verdade, um pouco mais de pilotagem, e cabeça, cairia muitíssimo bem.
Di Resta foi o nome da prova. A Force India, cônscia de que sairia pelo menos com nono e décimo lugares, variou na estratégia e pôs o escocês para um primeiro trecho de corrida mais longo, numa clara tentativa de fazê-lo parar uma vez menos — já que o tempo perdido nos pits de Cingapura é deveras exagerado. Sem Massa e Hamilton, o companheiro e as Mercedes já com uma parada no bolso, lá estava Paul em quinto. Aí veio o safety-car, tal, as coisas realinharam, e ainda assim ele se manteve impassível e só passado por Hamilton, que voava com pneus novos no fim. É um cara ótimo, de fato, e não à toa é o único garantido no time em 2012. Sutil foi oitavo, atrás de Rosberg e seu fixo sétimo lugar.
Barrichello chegou a beliscar a zona de pontos, mas teve de amargurar com o 12º posto. Agora a Lotus Renault foi uma piada. Andou no ritmo da xará verde, tanto que Kovalainen terminou a prova à frente de Petrov. Senna teve problemas, parou uma vez mais para trocar o bico, e ficou à frente de ambos. Essa só entra para a conta de Bruno como a virada sobre o parceiro, num comparativo direto. E que a vida não é tão fácil assim no time em que Petrov paga a conta e ele leva patrocinadores, pelo que andei ouvindo por aí.
Basta a Vettel pontuar no Japão, isso se Button, agora segundo na classificação, vencer. Pura teta de nega, e vai ser em Suzuka a grande decisão. Um palco muito mais valoroso para que Sebastian chegue ao seu pujante título e, certamente, com uma corrida muito mais interessante que a de hoje.
S & F, 2
SÃO PAULO | A movimentação em Spa & Francorchamps começou logo de manhã, quando parte da negada quis mudar a regra do jogo na caruda e foi pedir a quem de direito que pudessem mudar a cambagem e trocar os pneus usados no Q3 de ontem alegando bolhas. O quem de direito vetou, recomendou que passasse uma água boricada e cobrisse com band-aid, e assim Vettel foi, meio inconformado, para o grid seco. Mas foi na iminência do apagar das luzes que grande parte das atenções deixaram a frente para se concentrar ali na quarta-fila. Em Senna. Primeiros metros, largada mediana — Alonso já o havia superado —, passar Webber foi fácil, meteu o carro ali por dentro e não foi freando, não foi freando, não foi freando na La Source, e pobre Alguersuari, que vivia talvez seu melhor fim de semana na F1, acabando assim, destrozado con el corazón partío, como bem definiu Fernando Silva.
Torcedores atiraram a almofada na parede. O tio velho e bigodudo e o moleque dele desligaram a TV, bem como muitos tantos no Brasil-sil-sil todo. A corrida de Senna acabou ali também. Naquele circuito de 7 km, dar uma volta lenta até chegar aos pits para conserto dos eventuais reparos foi fatal. Botou pneus novos para não mais sair lá do fim do pelotão. Nem mesmo a entrada do safety-car no acidente de Hamilton lhe foi favorável, até porque, inexplicável e burramente, a Lotus Renault não o chamou para nova troca dos Pirelli. Mas é bem provável que nem uma mudança radical no tempo, que baixasse a temperatura uns tantos graus centígrados, e não Celsius, e levasse Irene dos EUA para a Bélgica levaria Bruno de volta à frente. Falta bagagem para tal ainda. Uma sexta mediana, um sábado excelente e um domingo ruim: este é o saldo do primeiro fim de semana efetivo de Senna na F1. O primeiro e o terceiro dia foram marcados pela afobação; o do meio, pela qualidade inerente à família em pista molhada. 13º lugar, e uma bela experiência adquirida, sobretudo, para evitar tais erros. E que tome cuidado na largada igualmente problemática de Monza, daqui duas semanas. Acelerar, Bruno sabe. Mas que tenha em mente quando pressionar no momento devido o pedal da esquerda.
Rosberg, que parecia ser Nico, e não o pai, fez a largada da vida e pulou na ponta para atrapalhar Vettel em duas voltas e nada mais. E Massa para uma corrida quase que toda. O atestado de que o alemão e o brasileiro passaram boa parte da temporada disputando posição é uma metáfora para o fraquíssimo desempenho que Felipe vem tendo. Daqui a pouco sigo nisso. Mas Vettel foi lá para as cabeças, Massa ficou preso, Alonso chegou, fez-se um mise-en-scène para segurar o companheiro, o óbvio e de sempre aconteceu, passou, Hamilton passou, todos passaram Rosberg, menos Massa, e o negócio era ali entre os três.
Os caras que mais reclamaram do estado de seus pneus pararam primeiro — as Red Bull e Hamilton —, e Alonso acabou tendo uma tática fora da janela dos ponteiros, independente do composto que colocassem. Nas idas e vindas, era o espanhol quem parecia vir com mais força. Parêntese: quando Alonso voltou à pista, encontrou Webber, que fez uma ultrapassagem por fora na entrada da Eau Rouge que ouso classificar como uma das cinco maiores que já vi — a primeira, claro, 1996, Cart, Zanardi sobre Herta no Saca-rolha em Laguna Seca. Tirando a largada pífia, Webber estava com a chimpanzé no fim de semana, nem macaca era. Acho que tomou muito Camberra Milk. Fecha parêntese. Aí veio outra de Hamilton: o toque com Kobayashi, o que é imperdoável, a explosão do patrocínio da Allianz em isopor, o apagão momentâneo no carro, o berro pela insensibilidade do cara do GC em tirar da transmissão a faixa da TV que mostrava os tempos, o safety-car e a sacada da Red Bull em chamar Vettel de novo nos pits para recomeçar a prova ainda ali na frente e com mais vigor. Não tardou muito, pois, para que o campeão/bicampeão jantasse Webber e Alonso tão logo a prova foi retomada, e lá estava ele na frente para não mais sair dali. Finito.
Se na frente o negócio era favas contadas, atrás vinha Button. É pecado mortal e eterno dizer que é o piloto do ano? O cara é sublime, pelamor: sai em 13º, vai passando todo mundo e mesmo com o desgaste que provocam as disputas, lá estão os pneus prontos e inteiros para virar até mais rápido do que os ponteiros. E olha que Button foi atrapalhado no entrevero entre Senna e Alguersuari, do contrário perderia menos tempo para passar a rapa toda. Aí apareceu em oitavo, passou Schumacher e Sutil, chegou em Massa-Rosberg, deu uma dica para o brasileiro de que ele podia ser bem sucedido sem precisar entrar juntinho na La Source para contornar a Eau Rouge pertinho e usar o DRS para tentar a manobra na reta e tal, mas preferiu não jogar o tempo ao léu. Button trocou o pneu e foi lá buscar Alonso. Foi como a terceira vitória no ano, o terceiro lugar.
A turma de trás também estava levemente empolgada. Kobayashi, indestrutível, teve de ficar vendo a turma do bololô, Maldonado, Barrichello, Di Resta, Petrov e o companheiro Pérez, que acertou Buemi e forçou a Toro Rosso a testar uma asa com cambagem. Não deu muito certo, e Buemi abandonou e fez cara feia, sem muito esforço. O Ligeirinho também acabou abandonando, e coube a Maldonado um mísero e primeiro pontinho no ano. Barrichello, que até parecia perto da zona de pontos, teve um toque com… Kobayashi! E um toque no mito, já sabe: qualquer um sai na pior. Some-se a isso a fase ruim de Rubens, e o resultado é terminar a prova atrás das duas Lotus verdes. É pior que fricassê de jiló.
Schumacher. Lembrou os velhos tempos. Saiu em último, já era 14º na primeira volta, e foi ali cozinhando o galináceo até dar os botes na hora certa e chegar em Rosberg, que não mais tinha Massa em seus retrovisores por conta de seu furo no pneu. A Mercedes abriu a disputa, e o alemão mais velho, com pneus mais novos, passou. Um quinto posto do qual Michael deve se orgulhar em seu convescote de 20 anos de F1.
Sobre Massa, sei lá, é o que tem sendo dito e visto e a tecla é a mesma, sempre tocada nas desculpas da transmissão. Hoje foi a tração. Problema de tração. Felipe tem tido problema de tração há uma temporada e meia. Vai um relato: antes da corrida, na BBC, Vettel dava uma entrevista e falava deste período pós-férias, teoricamente mais difícil para a Red Bull. Não anotei a declaração, exatamente, mas ele disse algo do tipo ‘ah, porque agora eu, Mark, Fernando, Jenson e Lewis vamos brigar pelas vitórias e…’, o que mostra exatamente que até os pilotos não mais acreditam em Massa brigando por vitórias. A defesa que sempre é apresentada é tipo a ameaça que as federações estaduais de futebol estão fazendo às torcidas organizadas para não protestarem contra Ricardo Teixeira neste domingo: funciona ao contrário. Aí Massa acaba sendo visto como o oposto, como ruim, o que, de fato, não é. Só que um cara que tem um canhão vermelho na mão não pode passar uma prova toda, ou uma temporada toda, atrás de um estilingue prateado. Aí a Ferrari se vê obrigada a elogiar o piloto alheio. “He (Jenson) is very ambitious”, enquanto, até ironicamente, a equipe escreve um “Felipe passed Maldonado”. Massa tem bem menos da metade dos pontos de Alonso com 2/3 de campeonato. Para um piloto de nível de ponta, não dá.
Ao torcedor brasileiro, sua vida tem sido muito difícil. Isso em qualquer escala. Mesmo centígrada.
Buda da peste, 3
SÃO PAULO | O negócio é assim na F1 atual: choveu, deu Jenson Button. A capacidade que o piloto mais sublime e consciente da categoria tem em correr na pista molhada voltou a ficar latente neste domingo (31) na Hungria, e mesmo não sendo o mais rápido, aproveitou-se das condições e dos erros alheios — inclusive da McLaren em cima de Lewis Hamilton — para chegar à segunda vitória na temporada, justamente no fim de semana em que celebra 200 corridas.
Hamilton, que tendia caminhar para um segundo triunfo consecutivo assim que assumiu a liderança na volta 5, ao se livrar de Sebastian Vettel, viu-se traído justamente pela chuva que tornou ao circuito de Hungaroring. Foi uma rodada que passou em sua vida e resultou num bate-cabeça da equipe e num drive-through que o alijou da disputa. Restou-lhe um acre quarto lugar.
Sem nunca lutar pelo primeiro, Vettel fez aquela corrida de quem pensa no campeonato. Foi segundo. Fernando Alonso foi novamente ao pódio, mas teve uma atuação deveras oscilante, com escapadas e rodadas.
Com uma F1 de três equipes grandes e seis pilotos na frente, portanto, Felipe Massa terminou em último desta patota. O brasileiro foi outro que sofreu com o asfalto úmido, também rodou e se viu obrigado a lidar com a tarefa de fazer corrida de recuperação. Rubens Barrichello acabou em 13º e nada mais.
A largada na faixa suja ficou ainda pior com a pista úmida, sobretudo para Massa e Webber, que perderam posições para quem estava do outro lado e para as Mercedes. Rosberg, aliás, saltou para quarto e Schumacher conseguiu por instantes ser quinto. Alonso recuperou uma posição na abertura da segunda volta e o brasileiro, na quarta. O espanhol empolgou-se, também passou Rosberg, mas se perdeu na curva 3 e viu-se novamente atrás de Nico.
Na frente, era nítido e notório que Hamilton vinha com mais ação que Vettel, e a ultrapassagem acabou vindo justamente na curva 3, na volta 5. Foi só passar que o inglês deu tchau para o resto.
Mais atrás, eram as Ferrari quem chamavam atenção. Alonso escapava aqui e ali, mas ainda se mostrava eficiente. Chegou até a perder posição para Massa, mas é piada pensar que permaneceria atrás do companheiro. O espanhol voltou a acossar Rosberg, enquanto que Massa, ao tentar acompanhar, perdeu-se na referida curva, rodou e destruiu parte da peça traseira. Na volta 8, então, Felipe despencava.
O risco de partir para os slicks veio incrivelmente de quem estava lá pelas primeiras posições. Foi Webber e o próprio Massa quem mostraram que a pista já estava apta a tal. A aposta valeu a pena, e Webber, até então relegado ao oitavo posto, subiu para quinto depois das paradas e foi brigar, com sucesso, pelo quarto com Alonso. Button passou Vettel para pôr as McLaren em primeiro e segundo. A vida no seco deu uma apaziguada na turma, e as posições se mantiveram intactas, com Hamilton abrindo distância.
De interessante, mesmo, a corrida voltou a mostrar algo só na volta 25, quando Heidfeld — num sombrio 18º lugar — parou nos pits pela segunda vez e viu seu carro já sair dos boxes pegando fogo. O alemão parou o carro ali do lado da faixa de saída e deu um salto para sair que faria inveja aos twists carpados de Daiane dos Santos. Mais interessante, ainda, foi a direção de prova acompanhar os comissários tentando apagar as chamas e o reboque tirando a Lotus Renault mais preta do que de costume sem acionar o safety-car.
Aí o negócio foi ver a estratégia das três grandes. As Red Bull e Button pararam pela terceira vez e colocaram os pneus macios pensando em ir até o fim sem precisar ir de novo aos pits. Hamilton e Alonso iam de supermacios, com vida curta. Mesmo assim, Button começou a tirar diferença e se aproximar. E aí a chuva voltou à cena, de leve. Na volta 47, Lewis rodou ao beliscar a chicane e perdeu a liderança — e na tentativa de evitar a perda da posição, no meio da pista, simplesmente esqueceu que havia uma corrida rolando e voltou perigosamente a ponto de jogar Paul di Resta para a grama.
Mesmo com a pista molhada, os pilotos mantiveram os slicks e Hamilton foi lá buscar a liderança de novo. No giro 50, Button escapou na curva 3, e Lewis tornava ao primeiro lugar. Na reta principal, Button devolveu. Logo depois, Lewis reultrapassou. Grande momento da corrida, e a disputa entre os dois infelizmente encerrava ali porque a McLaren chamou Hamilton para que colocasse os intermediários.
Péssima tática. Quatro voltas depois, lá ia o inglês para sua quinta parada, voltando aos pneus de pista seca. E na passagem seguinte, Hamilton passou pela sexta vez nos boxes. Era o drive-through aplicado pela direção de prova por aquela manobra. Button agradeceu à beça.
O máximo que Hamilton alcançou foi Webber. Uma quarta colocação que certamente trouxe um gosto bem diferente ao que sentiu durante a prova toda.
Vettel e Alonso fizeram uma parte final de corrida mais sossegada, apesar de o espanhol ter lidado com um contratempo final, uma rodada. No fim das contas, segundo e terceiro lugares ficaram de ótimo tamanho a eles, e o bonde da F1 seguiu seu rumo nos mesmos trilhos de antes, com o alemão longe dos outros na classificação geral.
Massa só pôde lutar pelo que podia, mesmo. Muito mais rápido que Mercedes e demais equipes, não tardou muito em ultrapassar todos para chegar em sexto. Para se ter uma ideia da diferença, o brasileiro deu uma volta no sétimo, o ótimo Paul di Resta da evoluída Force India.
Digna de aplausos foi a aparição de Sébastien Buemi. Penúltimo no grid por conta da punição decorrente do acidente com Nick Heidfeld na Alemanha, o suíço já era 12º depois de cinco voltas. Foi oitavo na bandeirada. Rosberg acabou num pífio nono posto, à frente do companheiro de Buemi, Jaime Alguersuari — que tem tomado gosto por esta coisa de pontuar. Todos logo à frente de Kamui Kobayashi, que se arrastou no fim porque a Sauber partiu para mais uma daquelas estratégias loucas, com apenas duas paradas.
Aí a gente faz um rápido levantamento das vezes que Button ganhou na McLaren. Foram quatro, contando com Austrália e China no ano passado e a do Canadá neste ano. Choveu em todas. Abençoado pelos céus, literalmente, este Jenson.
Buda da peste, 2
SÃO PAULO | Parecia que o reinado da Red Bull nas classificações desmoronaria hoje. A força de Ferrari e McLaren era grande. Mas uma equipe que tem Sebastian Vettel tem muito. Com uma volta que muitos definiriam com o clichê de que foi tirada da cartola, o alemão obteve a oitava pole da temporada e manteve a sequência da Red Bull que vem desde o GP de Abu Dhabi do ano passado.
E se na semana passada, Lewis Hamilton era só alegria com o segundo lugar no grid, desta vez a sensação é de decepção. Foi o inglês que acabou alijado do primeiro lugar, por 0s163. E é bem provável que logo mais reclame porque vai largar do lado sujíssimo da pista magiar.
Melhor para o companheiro Jenson Button, que parte na terceira posição, ao lado de Felipe Massa. Sim, o brasileiro conseguiu, enfim, bater Fernando Alonso — mas tem justamente o mesmo problema de Hamilton. O espanhol e Mark Webber dividem a terceira fila.
Primeiro, um registro do tempo: todo mundo esperava temperaturas acima dos 30ºC na Hungria, leste europeu, auge do verão. Nem perto disso: tempo nublado, vento soprando forte, termômetros na casa dos 22ºC. Um refresco para os pneus, macios e supermacios, e para os pilotos e as equipes.
Ao treino. A turma da ralé se apressou a ir para a pista, devidamente com os pneus supermacios, face a ameaça instigante de ficarem fora do grid — vá lá, ainda que a regra às vezes seja esquecida, há os tais 107%. Primeiro foram as Hispania, virando na casa de 1min27s alto. As Marussia Virgin, coitadas, viraram décimos melhor. Curioso foi observar logo depois as Red Bull fazendo tempo, coisa acima de 5 segundos melhor, e logo na sequência as outras grandes vindo com força e retirando os nomes de Ricciardo, Liuzzi e D’Ambrosio da tela — significando que as marcas haviam extrapolado o limite da zona da ruindade. Hamilton cravou 1min21s636 e tratou de fazer com que as miseráveis melhorassem. Mais para frente, Alonso baixou para 1min21s578. E para contento geral, ninguém mais se preocupou em andar rápido lá na frente.
Então as pequenas fizeram lá o que se pode considerar de máximo esforço. No começo, Liuzzi escapava da degola por 0s030. Na sua última tentativa, achou uma volta tão boa que lhe pôs à frente de D’Ambrosio. O companheiro Ricciardo fez o mesmo. A Bélgica, país sem governo, deve lamentar ter um piloto sem muito talento. Como prêmio extra, as duas Hispania vão ganhar mais uma posição no grid porque Sébastien Buemi, 18º no Q1, está perdendo cinco lugares como punição ao acidente provocado no GP da Alemanha da semana passada, quando arremessou Nick Heidfeld para o alto e fora da corrida.
Não valia para nada, mas como constatação as Red Bull não terminaram bem. Vettel foi terceiro e Webber, sexto. Entre eles, Button e Massa.
Veio o Q2. Vettel tratou de marcar 1min21s095 para tentar mostrar a força rubrotaurina. Webber confirmou com 1min20s890. Só que logo Button baixou o melhor tempo do australiano em 0s3 e em seguida Alonso impôs mais 0s3 em cima, 1min20s262. Massa e Hamilton só completaram o seleto grupo do top-6 da F1. Sobrou a briga pelos quatro outros postos para a disputa da superpole.
Natural que a quarta equipe absoluta estivesse lá, ainda que Schumacher venha fazendo questão de tornar a tarefa sofrida. Adrian Sutil, que voltou a viver grande fase, colocou lá sua Force India em nono e Paul di Resta acompanharia o companheiro não fosse Pérez, o Ligeirinho, estragar seus planos. De contrato renovado com a Sauber, o mexicano tem posto tempo em cima do mítico Kamui Kobayashi, que larga só em 13º.
Kobayashi sai entre as decepcionantes Lotus Renault, com Vitaly Petrov menos ruim que Nick Heidfeld — que deve em breve deixar os pesadelos do chefe Eric Boullier. As Williams, então, é gastar vela com mau defunto. “O carro não tem melhorado aquilo que a gente espera”, definiu Rubens Barrichello, que acredita que “coisa positiva” para a corrida por ter salvado um set de pneus saindo em 16º. O parceiro Pastor Maldonado sequer treinou, sabedor de que seria inútil tentar algo.
Na parte final, aquele Hamilton que havia ficado à sombra nas fases anteriores deu sinal de vida. Na primeira das duas saídas para volta rápida, o inglês apareceu na frente com 1min19s978, pouquíssima coisa melhor que Vettel e Alonso. Na segunda, foi a vez do alemão brilhar, tirando o doce de Hamilton: 1min19s813.
Hamilton e Alonso não melhoraram seus tempos, bem como Webber. Só Button e Massa escalaram a tabela. A vantagem de Felipe sobre o parceiro foi de 0s015. No resto ali atrás, Schumacher conseguiu ser mais lento que Sutil. Não chega a ser uma proeza e tanto, mas… é, sei lá, uma proeza e tanto a Force India se meter no meio das Mercedes. Rosberg, claro, é sétimo. Pérez larga em décimo.
O GP da Hungria tem início marcado para as 9h (de Brasília) de domingo. Se as estatísticas prevalecerem, o vitorioso deve sair entre Vettel, Hamilton e Button. Mas a previsão é de que os pilotos façam no mínimo três paradas sob as mesmas condições climáticas de hoje. Se esquentar, pode ser até que tentem cinco. O que faria dos boxes uma corrida paralela.
Team GB
SÃO PAULO | Choveu à la Inglaterra em Silverstone hoje, e pilotos e equipes ficaram meio acabrunhados e temerosos de andarem a pleno durante os dois treinos livres. Bastou uma melhoradinha, e todo mundo se lançou à pista. No primeiro treino, lá esteve Webber na frente e no segundo, deu Massa, no ciclo das voltas rápidas em sequência com o trilho formado. O australiano acabou o dia como o mais rápido. Mas uma sexta-feira nestas condições adversas pouco vale.
A previsão é sempre imprevisível lá, diria Felipe Paranhos, então é sempre complicado avaliar se as práticas de hoje tiveram, de fato, efeito para o fim de semana. Alguns institutos apontam que a pista deve estar molhada amanhã, mas menos que esta sexta; outros pendem para a melhoria das condições. Num sentido, a chuva vai acabar atrapalhando a análise geral de como os carros vão se comportar sem o difusor aquecido, se realmente a Red Bull vai ser afetada ou se a ordem da F1 tende a dar uma chacoalhada. Por outro lado, aproxima mais quem tem um equipamento mais limitado em mãos, casos da Mercedes e de Kobayashi, o Mito, segundo e terceiro, respectivamente. Schumacher veio bem, tal como fizera no Canadá em condições similares. Vettel fez o basicão. Aí chega amanhã, e todos sabem o que acontece.
Fato é que Silverstone é do tipo de circuitos que dá gosto de ver corrida. Circuito, em sua essência, seja lá qual for a condição climática. E agora com suas novas instalações, mudaram a reta de largada/chegada. Meio estranho ver os pilotos contornando a Woodcote e não completando a volta ou a Copse sem abri-la. Nada que vá mudar o rumo da vida, mas imaginem a reta oposta de Interlagos passando a ser a principal. É como mexer com nossos mitos.
La Comunitad, 3
SÃO PAULO | Tem alguém perto que está ouvindo a rádio Iguatemi até o talo, e lá passa um programa só com músicas do Roberto Carlos. “Eu tenho tanto pra lhe falar”. Verdade. Tem muita coisa.
Primeiro que Valência não dá. Difícil que haja uma corrida tão ruim até o fim do ano. Nem com todo o blush, rímel e batom que a F1 aplicou para dar uma chacoalhada no espetáculo foi possível assistir sem pensar na hora e meia perdida e nos braços do Morfeu. Porque justamente Valência foi criada de forma maquiada: ser uma nova Mônaco para que os ricões atraquem seus iates luxuosos numa corrida de rua que teoricamente permite ultrapassagens, 60 e tantos por cento de aceleração plena, áreas de escape, blé. Em quatro edições, Valência já criou a tradição de ser um puta saco. Ninguém abandonou. Uau, recorde histórico. Sabe aquele ditado de que não se deve confiar em gente que não bebe? Não acredite em corrida em que ninguém abandona. Ainda, não acredite numa corrida em que o mito Kobayashi não termina nos pontos e não vai bem.
E não acredite, também, em tudo que se ouve. Coisas como Massa perdeu a vitória hoje. Todo santo domingo de corrida tem sido um editorial de explicações de uma defesa desnecessária, que elimina qualquer caráter jornalístico e racional e considera meramente o patriotismo e as relações pessoais hiperbólicas. E como a Ferrari não tem feito o seu trabalho dos boxes, fica muito fácil entregar o filho nas mãos de um mecânico que se atrapalha na troca de um pneu. Foram 5 segundos nos boxes. Felipe terminou 51 atrás de Vettel. Tomou 40 de Alonso. Massa só fez bem a largada. A partir de então, só andou para trás — até se imaginou que partiria para uma tática diferenciada de paradas; nada; mesma coisa. É um feito e tanto Alonso terminar entre as Red Bull. Ô se é. E já que se explica tanto por que Massa está sempre de quarto para cima, seria de bom grado explanar por que Massa não alcança tais feitos. Como a verdade dói, ela é omitida.
Alonso é melhor que Massa. Qualquer outra lavagem cerebral é lobotomia.
Como Vettel é melhor que Webber. Que mal tem nisso? E, sim, as comparações têm de ser feitas em esportes e competições. Um tem de ser melhor que outro. A diferença entre Vettel e Webber é similar à de Alonso e Massa. Há três meses, escrevi isso numa parte da análise da temporada 2011: “(…) o australiano Webber e o brasileiro Massa, de países continentais com histórico notável na F1, Brabham e Jones para um lado, Fittipaldi, Piquet e Senna para o outro, um sem ser campeão há três décadas, outro há duas. Quando Webber estreou em 2002 pela Minardi, lá estava Massa, também em sua primeira corrida, com uma Sauber. Os dois passaram muito perto do título: Webber o perdeu no ano passado na última prova e Massa, em 2008, na última curva. Acidentes marcaram as carreiras: a clavícula quebrada de Webber depois de cair de bicicleta foi decisiva para sua derrota em 2010; a mola que atingiu a cabeça na classificação do GP da Hungria tirou Massa de combate durante o resto da temporada de 2009. Inegavelmente bons, nem Webber nem Massa têm arroubos de pilotos fora-de-série, contudo, e diante de Vettel e Alonso, respectivamente, são vistos na maioria como segundões.”
É isso. Nem Massa nem Webber são maus pilotos. Só não têm condições de acompanhar seus companheiros. Há algum pecado em ser pior do que o cara com quem se divide garagem? A Ferrari e a Red Bull não ouvem Cássia Eller e ficam a cantarolar, em Maranello ou Milton Keynes: “Eu vou sabotar / você vai se amarrar”. Ninguém gasta milhões em salário para ferrar com a vida alheia.
Salvo engano, Webber e Massa não usaram a asa móvel hoje — só na reta em que estava liberada independente da distância para o carro da frente. Quer coisa mais abissal que essa? Quando foi liberada pela direção de prova, o australiano já estava mais de 1 segundo atrás do companheiro, tal como Massa. Aí em nenhum outro momento da corrida diminuíram a diferença para ninguém à frente — e Webber, pior, nem mesmo quando foi ultrapassado em pista por Alonso. Convenhamos que, nestes tempos de F1 com possibilidade de ultrapassagem, ainda que seja em Valência, esse horror, alguém que queira ganhar posição ou vencer uma corrida em que ninguém abandona tem de usar o DRS.
Assim, cai por terra a tese de que Massa perdeu a chance de vitória por seus 5 segundos perdidos nos pits, por exemplo.
Sobre Vettel, não há muito o que dizer. Tão logo foi informado de que o parceiro-barreira fora superado por Alonso, impediu sua aproximação. Simples. Apertou o da direita, e aí, o espanhol não tinha o que dar mais à sua torcida a não ser o segundo lugar. E acabou. Acabou o campeonato. Para o próprio Alonso, que tinha de chegar à frente do futuro bicampeão para sonhar o sonho impossível, mas que já deve estar com os pés no intransponível chão de que não há mais o que fazer. A Ferrari — e também a McLaren — deveriam usar 2011 apenas como forma de desenvolvimento das peças dos modelos de 2012.
Na McLaren, Hamilton, de forma mais evidente, e Button ficaram putitos porque não tiveram em nenhum instante como acompanhar a Ferrari, que dirá a Red Bull. A cúpula alega que foi o superaquecimento dos pneus que os tirou de combate e que voltarão com força na Inglaterra. Mas nenhum dos dois pilotos foi bem hoje, Button principalmente.
A Mercedes é simplesmente uma piada em corrida, e não cola mais o papo de que ainda sofrem as consequências do esforço hercúleo do título de 2009 quando ainda era a Brawn. A Lotus Renault caiu demais, e Heidfeld e Petrov não ameaçam sequer a Mercedes e começam a brigar com Sauber, Force India e Toro Rosso — que novamente pôs Alguersuari num oitavo lugar, novamente recuperando-se de uma péssima classificação, utilizando-se de uma estratégia diferenciada. É a sobrevida, o respiro do mediano piloto espanhol no segundo time energético. Sutil fez sua melhor corrida no ano e foi nono, mas nada que deva fazê-lo ficar no grupo dalit.
A próxima corrida é Silverstone, onde o ritmo das provas anteriores, com alguma emoção, deve ser retomado. Do segundo lugar em diante, obviamente. Qualquer coisa diferente disso se torna uma exceção nesta temporada que já tem dono.
De novo na berlinda
SÃO PAULO | A bola é sempre levantada aqui e ali, e o passar dos dias acaba desmentindo. Vários veículos de comunicação tratam de pôr o lugar de Massa ameaçado na Ferrari. Começou com Kubica, passou por Vettel, chegou a Rosberg, suscitaram até Webber e, agora, o ‘Marca’ vem com a história de que falam em Button pelos lados de Maranello.
Amparada por tais rumores, a McLaren, então, está por apresentar ao inglês um novo contrato, exercendo dentro do prazo seu direito de opção pelos serviços do vencedor do GP do Canadá.
O desempenho de Massa desde que voltou à F1 após seu grave acidente na Hungria (claro que não é Holanda!) tem apresentado mais maus momentos do que bons, creio que não seja ponto de discussão. O fato de ter contrato assinado até o fim do ano que vem também não quer dizer muita coisa, afinal a Ferrari tem em seu histórico recente uma quebra de contrato, a de Raikkonen. Mas é realmente interessante averiguar como Felipe vira o alvo da vez e se aponta para todos os lados para se achar seu substituto.
No caso de Button, é uma coisa simples: a troco do quê Jenson vai deixar a McLaren, estando em alta e de bem com o time, numa fase em que Hamilton é tido como vilão — e dá mostras de que não está lá muito contente com a equipe que o criou —, e mudar para uma casa onde do outro lado há um Alonso que é destruidor de parceiros?
Massa, pelo jeito, pode seguir tranquilo. Os rumores continuam errados. Por enquanto.




Daí as coisas se voltam para Vettel, como sempre em 2011. “Não estou desapontado”, disse logo após a classificação. Nem tem por quê. Vê-lo largando em terceiro é pelo menos uma oportunidade de entender o que é capaz de fazer nesta rara adversidade, ainda que ínfima. O único fator que poderia atrapalhá-lo é uma suposta pressão aí do lado, ó, da foto. Vencer em frente à sua torcida. Mexe com qualquer um.
Toda Cancha