Arquivo da tag: GP da Alemanha

Pale Ale, 3

SÃO PAULO | O desempenho nos treinos livres jamais permitiria a Lewis Hamilton sonhar com um lugar no pódio no GP da Alemanha, em condições normais, se considerasse que as Red Bull e as Ferrari vinham muito à frente da McLaren. O segundo lugar na classificação com uma volta mais-que-perfeita começou a lhe dar alguma esperança. E eis que, sem chuva, Hamilton foi lá e conquistou uma vitória até que tranquila em Nürburgring neste domingo (24).

Fernando Alonso e Mark Webber até que foram rivais duros, mas só na primeira parte da corrida. Uma vez que Hamilton — líder desde a primeira curva, mas que perdeu a ponta na primeira parada nos pits — retomou a posição de destaque da corrida na Alemanha, não mais a perdeu.

Sebastian Vettel fez sua aparição mais pobre na temporada. Não andou
em nenhum momento no ritmo dos líderes, chegou a rodar e teve de suar para conseguir um quarto lugar — foi sua primeira prova fora do pódio desde o GP da Coreia de 2010, quando abandonou; considerando as provas em que chegou até o fim, é a primeira que não levanta um troféu nem estoura a champanhe desde o GP da Itália, em setembro do ano passado.

Na verdade, Vettel teve de contar mais com o erro da Ferrari na última volta. Foi nos boxes que o alemão da Red Bull superou Felipe Massa.

Siga o Grande Prêmio
Entre na página do Grande Prêmio no Facebook

Saiba como foi o GP da Alemanha de F1, em Nürburgring

Novamente pole, Webber se viu sem o primeiro lugar depois de uns 200 metros. O australiano assentiu que era impossível brigar na freada e se posicionou diretamente atrás de Hamilton, garantindo que o pessoal da segunda fila não o atacasse. Na curva 1, Alonso emparelhou com Vettel e conseguiu superá-lo. Massa, que tentava um bote por fora para ganhar a posição de ambos, acabou na verdade perdendo um posto, para Rosberg. Mais atrás, Barrichello pulava para 11º, três posições à frente de seu posto de largada.

O que Alonso havia obtido nos momentos iniciais perdeu logo na segunda volta: uma escapada na curva 3 abriu passagem para que Vettel retomasse a terceira colocação. No entanto, o espanhol se manteve nos retrovisores do atual líder da temporada, e na abertura do giro 8, houve nova inversão de lugares.

O sinal de que Vettel não estava em seu fim de semana aconteceu instantes depois: na curva Michelin, tangenciou para fazer a curva à esquerda e pôs o pneu além da linha, onde estava molhado. Rodou, mas voltou ainda à frente de Rosberg, que sofria para segurar Massa.

O primeiro acidente da corrida aconteceu na volta 10: andando lá atrás após um incidente com Paul di Resta, Nick Heidfeld buscava recuperação a seu modo, bem lentamente. O mesmo acontecia com Sébastien Buemi, que largou em último por ter sido desclassificado devido a uma irregularidade. Os dois se acharam na chicane. Na verdade, Buemi jogou o carro sobre Heidfeld, que deu uma decolada e foi parar ali na área de escape, um tanto quanto furioso.

O choque no pelotão intermediário foi o pavio para acender a corrida, que nem no chove-não-molha estava. Webber, que vinha comboiando Hamilton, chegou a passá-lo na entrada da reta principal, mas Lewis, com mais ação, devolveu ainda no fim da reta. Alonso colou de vez na dupla da frente. Ensanduichado, o australiano passou a gastar excessivamente seus pneus. Não à toa, abdicou da briga ao ir para os pits, na passagem 15.

O fim da volta 16 e o começo da 17 foi assim, ó: Massa passou Vettel na chicane e Webber se aproveitou para fazer o mesmo. Hamilton e Alonso foram juntos aos pits. Chegou lá no final da reta, os carros que saíam dos pits trombavam os que estavam na pista. O brasileiro assumia a liderança e segurava os três logo atrás, com muito mais ação. Assim foi por uma volta, afinal Massa teve de parar. A Ferrari trabalhou bem e o pôs de volta à frente de um incrivelmente lento Vettel.

Barrichello, neste ínterim, abandonava com sua Williams sem Kers para pesar menos. Disse a Williams que foi um vazamento de óleo que mereceu intensa investigação. Disse Rubens que a equipe ficou pedindo por voltas e voltas pelo rádio para que parasse e evitasse uma quebra de motor. Triste calvário conjunto.

A coisa toda deu uma esfriada na frente depois dos pits, com Webber mantendo certa distância para Hamilton e Alonso. De legal, mesmo, teve Schumacher tentando dar um duplo bote quando ele e seu companheiro alcançaram Vitaly Petrov. Sem êxito, o alemão mais velho partiu para cima de Rosberg. Mas acabou cometendo o mesmo erro de Vettel na volta 22: pneu além da pista e rodada. A Mercedes respirava aliviada enquanto o público se queixava. Ao menos, serviu para que o mítico Kobayashi colasse em Schumacher para resgatar uma disputa que seu às pencas nesta temporada.

A Red Bull chamou Webber para sua segunda parada na 31. A McLaren o fez com Hamilton na 32. Mais rápida, a equipe prateada devolveu seu piloto à frente. Com mais ação, os dois se encontraram na saída dos pits. Chegou a haver um toque na curva seguinte, mas Lewis se manteve à frente. A perda de tempo de ambos seria fundamental para Alonso, que foi aos boxes na 33. O espanhol chegou a voltar como líder, com Hamilton em ação similar à de Webber na volta anterior. Só que o inglês teve competência e arrojo para superar o antigo companheiro, e por fora assumiu a ponta da prova.

Aí a corrida voltou a dar uma caída. Button disputou ali um sexto lugar com Rosberg, passou, e na volta seguinte a McLaren lhe tirou o doce: problema eletrônico, e o pobre Jenson levava o carro para os boxes para marcar no campeonato seu segundo abandono seguido. Lá na frente, Hamilton abria mais de 3 segundos para Alonso, que se livrava de Webber. Vettel partia para cima de Massa para tentar um quarto lugar.

A última rodada de paradas aconteceu na volta 52, a oito do fim, pois. Hamilton foi o primeiro a pôr os pneus duros. A Ferrari preferiu esperar para averiguar se, mesmo com os velhos pneus macios seu piloto seria mais rápido. Não. Então fez seu papel, e Alonso voltou naturalmente atrás. A ida de Webber aos boxes pouco importou.

De resto a se observar foi só a disputa pelo quarto lugar. Vettel tinha muito mais ação, mas não conseguia a ultrapassagem sobre Massa. Curiosamente, ambos foram para os pits na última volta para pôr, por regulamento, os pneus duros. E aí, para motivar a queixa generalizada à Ferrari, eis que a equipe italiana trabalhou cerca de 1s5 mais lenta que a Red Bull, perdendo uma porca, e permitiu que o alemão ganhasse a posição nos pits.

Na volta aos boxes, a Ferrari pediu encarecidamente para que Alonso parasse seu carro na pista. O espanhol acabou voltando de carona no carro de Webber, em cena que lembrou os tempos de Nigel Mansell e Ayrton Senna.

Solitário em grande parte da corrida, Adrian Sutil fez por merecer um glorioso sexto lugar com sua oscilante e boa Force India. Rosberg e Schumacher, tão oscilantes quanto, foram sétimo e oitavo, respectivamente. Kobayashi ficou em nono com a Sauber e Petrov terminou em décimo com a Renault, que passou a prova inteira fazendo aliterações — frases iniciadas com a mesma letra — pelo Twitter. Sinal de como a corrida em Nürburgring não foi lá essa coisa toda.

De fato foi a primeira derrota em pista da Red Bull — e talvez a maior chance que Webber tinha de vencer enquanto dava. Na metade da temporada. A reação se fez tarde, e a inês está enterrada.

Tags: , , , , , , | 10 comentários

Pale Ale, 2

SÃO PAULO | Ora, ora, e não é que acordaram Webber? Desde Silverstone, Markola voltou a ser aquele leão de treinos que o marcou nos tempos de Jaguar. É um piloto de altos e baixos, Webber, mais baixos do que altos. Muitas vezes passa a impressão de que só faz um esforço extremo quando é realmente necessário – tipo uma renovação de contrato, por exemplo. Fato é que deu uma acordada em Vettel, que ficou ali relegado a uma segunda fila que não via havia pelo menos 14 corridas e alguns contos de réis.

Duro para Webber são os prognósticos e o vamovê. Na Inglaterra, largou mal no seco, e sua corrida já era, ainda mais com a pista mezza molhada. Amanhã a chuva em Nürburgring é tão certa como beata em missa. O australopiteco não é nenhuma Brastemp nestas condições. Explica-se então Hamilton rindo à toa, como se estivesse ouvindo Falamansa, banda preferida de Felipe Giacomelli. Sabe quando falam em volta perfeita? A de Luis foi mais, ainda mais com essa sub-McLaren. Sonhar com a vitória é claramente possível. Problema é a afobação que lhe tem sido inerente neste ano.

The locals were very pleased to see him...Daí as coisas se voltam para Vettel, como sempre em 2011. “Não estou desapontadoâ€, disse logo após a classificação. Nem tem por quê. Vê-lo largando em terceiro é pelo menos uma oportunidade de entender o que é capaz de fazer nesta rara adversidade, ainda que ínfima. O único fator que poderia atrapalhá-lo é uma suposta pressão aí do lado, ó, da foto. Vencer em frente à sua torcida. Mexe com qualquer um.

Em quarto, Alonso é o ‘free-agent’ da turma, ‘yo soy la garantía’. Bom demais no molhado e com um carro enfim bom, fecha a quadra que deve brigar pela vitória — com uma forcinha, dá para colocar Button, que guia o fino sob chuva, e c’est fini. Com os pormenores e deslizes dos três anteriores, o español até parte com certa banca e favoritismo para o triunfo germânico.

Kobayashi em 18º só pode ser um chiste de mau gosto. Um acinte. Um descalabro. Há de passar 17 amanhã e se tornar mais mito do que já é. Mas digamos que esteja perdendo lá um pouco de sua gleba para Pérez. O primo de Carla é bom, mesmo. Duro é essa Sauber que não sabe se sai da moita. Em Silverstone, chegou a brigar com a Mercedes. Agora em Nürburgring, é com Williams e Toro Rosso e olhe lá. Dá um carro bom na mão destes dois aí que é só alegria. Nóis agradece.

Quanto a Massa e Barrichello, nada além do que se esperava deles. Felipe larga em quinto, sempre com uma distância em cronômetro relevante para Alonso, e nada faz crer que amanhã andará no ritmo dos ponteiros e, pois, para a vitória. Rubens apegou-se ao 14º lugar no fim de semana. Mas o interessante da história é que a Williams descobriu que o carro está acima do peso. Votecontá, que cazzo andam fazendo lá em Grove que demoraram meia temporada para ver isso? E em vez de mandar o FW33 para o ‘The Biggest Loser’, tiraram o Kers do carro de Barrichello para melhor avaliá-lo. Santa paciência, Batman. Rubens deve estar passando pelo tratamento de choque do filme e repetindo ‘gusfraba’ como se fosse um mantra e se perguntando: “Que mal que eu fiz?â€

Pai Zulu baixou aqui e falou que virão 2 safety-cars como tempero na corrida de amanhã. E como se fosse a chamada da TV, disse que a promessa é de uma grande corrida amanhã e altas disputas com esta galerinha do barulho num circuito daqueles que valem mais do que uma pena.

Tags: , , , , , , , , , | 9 comentários

Pale Ale

SÃO PAULO | Alonso e Webber, Webber e Alonso. Chega no domingo, sobra quem para tentar a vitória, faça chuva ou faça sol? Desnecessário dizer. Fato é que, se no começo do ano era a McLaren a grande concorrente da Red Bull, a Ferrari quem ocupa a pleno este posto. E a McLaren atual é muito abaixo da Ferrari das primeiras corridas. Não há endplate, flap, new wing ou whatever que dê jeito nos carros prateados. Vez ou outra, acabam atrás até da Mercedes. Como hoje. Hamilton foi sétimo, e mal dá para dizer que se trata de estratégia de combustível ou acerto para a chuva, que são os pneus, que estão escondendo o jogo. A McLaren simplesmente regrediu. Jenson Button foi só o 11º. Muitíssimo pouco para quem, até outro dia, era vice-líder do Mundial. A McLaren de hoje é a McLaren da pré-temporada, aquela que fazia feio.

Vettel ficou ali em terceiro, só na espreita, tomando 0s3 dos líderes nas duas sessões. Não se pode dizer que não tenha sido constante, pelo menos. Mas, como sempre, nada que deva preocupá-lo. Amanhã ele estará na briga pela pole, de certo, com os dois primeiros de hoje. A Ferrari — que tem uma interessante abertura na cobertura do motor, funcionando como escapamento; parece que a peça está mal encaixada e amarrada com ‘cadarços’ — de Massa tem de ser melhor alimentada com um feijãozinho para pensar em largar na primeira fila.

Ali atrás, a Williams continua pastando para tentar acompanhar Toro Rosso e Sauber e tem sido pouca coisa mais eficiente que a Lotus. A Virgin e a Hispania seguem sendo dois esboços do comboio do horror. HRT, aliás, eles vão reforçar a sigla, agora com novos donos. Nenhum dos pilotos andou abaixo do tempo dos 107%. Aí chega amanhã, acontece o mesmo, e a dona FIA, toda pimpa e descarada, permite que corram, enquanto seus representantes analisam se o logo da entidade está pintado e bordado de forma correta no macacão alheio. A CBA realmente tem a quem puxar, mesmo.

Verdade seja dita, como sempre… esses treinos de sexta, votecontá, viu… alguém tinha de dar um jeito de valer alguma coisa. A Evelyn Guimarães, beberrona, define-os como pior que porre de Chalise. Para as equipes, foi um alento não ter chovido. Para quem vê (e ouve alguns petardos), é dureza.

Tags: , , , , , , , , | 10 comentários

Sobre ética e marketing

SÃO PAULO | O sr. Lars Osterlind, a quem desde já reputo todo meu respeito e admiração por seu trabalho de investigação, foi indicado pela própria FIA para minuciar toda a epopeia antagonizada pela Ferrari que o mundo viu naquele 25 de julho na Alemanha. O sr. Osterlind entregou um relatório nas mãos dos indigníssimos representantes do Conselho Mundial em que evidenciava o jogo de equipe para permitir que Alonso vencesse em detrimento de Massa, contrariando a defesa dos italianos de que nenhuma mensagem determinando a troca foi passada aos pilotos.

Como a inteligência de Osterlind não faz parte de um novo brinquedo do Playcenter ou do parque mais próximo aí de sua cidade, ali naquele documento ele concluiu que alguns elementos codificados, expressos em seu ápice no “Fernando is faster than youâ€, eram a deixa para que a Ferrari executasse seu plano. A Ferrari rebateu dizendo que só fez aquilo para que o brasileiro fosse motivado e que a decisão de deixar passar partiu do mesmo.

Osterlind foi além e derrubou esta piadinha de gosto duvidoso, eufemismo para hipocrisia, da Ferrari revelando que o time havia pedido para seus pilotos baixarem as rotações do motor, como costumeiramente faz nas partes finais das corridas. Alonso acatou e depois, à revelia de Massa, aumentou os giros. Fernando passou a ser mais rápido que Massa, pois.

Assim, Osterlind, munido de uma postura ética, pediu que a Ferrari fosse punida, perdendo seus pontos na corrida, bem como a vitória fosse devolvida a Massa numa aplicação simples de 5 segundos ao tempo final de prova de Alonso, suficiente para que a inversão de posições acontecesse. À sua indicação, Osterlind anexou a declaração pessoal de que “o automobilismo deve ser imprevisível†e que “parte do elemento de competição é dar tratamento igual a todos os competidoresâ€.

Pois a FIA chegou à mesma conclusão que Osterlind, textual e oficialmente, hoje, no rescaldo detalhado de suas ações em sua sede em Paris. Só não fez mais nada em relação à punição que havia sido dada pelos comissários da corrida, os tais US$ 100 mil. E prometeu rever a regra porque, talvez, esteja mal escrita, puxa vida.

Não posso conceber que um artigo de regulamento que diga que “ordens de equipe estão proibidas†esteja mal escrito. Mais claro que isso, só dois disso. Não posso conceber que, diante da admissão de que houve um jogo de equipe, que a punição seja quantificada em valor financeiro. US$ 100 mil é o que a Ferrari gasta com o chá da tarde na estação de esqui em Madonna di Campiglio no começo do ano. E também não posso conceber com este argumento geral de que é difícil fiscalizar quando há ordem de equipe ou não.

Ao que me parece e consta, estamos em 2010, um mundo dominado pela comunicação rápida, quase em ritmo de fast food. São câmeras em HD e supercâmeras para identificar sinalizações das mais exageradas e contidas em placas e gestos, captação de todas as conversas de rádio, telemetria avançada que pode mostrar alterações no ritmo de corrida de cada piloto e, principalmente, bom senso e inteligência. Em suma, quando se bem quer, entende-se que há um jogo de equipe e pronto.

Diante disso, vamos a uma análise. Qual a diferença do que foi feito pela Ferrari na Alemanha e o que aconteceu em Cingapura em 2008? Esqueça que o caso da Renault foi muito mais deplorável esportivamente. A questão envolve o plano e o resultado. A única diferença que há é que não houve uma troca de posições. A Renault contava com o fator de risco. Era basicamente uma aposta.

Porque nos dois casos houve uma armação e um jogo de equipe, que colocava o piloto 2 em prejuízo por causa do piloto 1 — a Renault precisou tirar o 2 da prova; a Ferrari, não —, com objetivos bem claros. A Ferrari queria manter seu piloto 1 na disputa pelo título e a Renault pretendia manter os patrocínios para o próximo ano. Coincidentemente (ou não), o piloto 1 é o mesmo nos dois casos. Hão de dizer alguns que no caso da Renault o destino da corrida foi modificado e tal. Dane-se. A questão está nos atos e não nas consequências.

Em 2002, a Ferrari saiu com uma multa de US$ 1 milhão no episódio de Barrichello e Schumacher na Ãustria. Em 2009, ano do julgamento, houve toda uma história de delação premiada e banimento de Flavio Briatore e Pat Symonds, sendo que a Renault foi posta em observação por ter sido ré confessa. Em 2010, a Ferrari saiu com uma multa 90% mais barata que a de oito anos atrás sem que Stefano Domenicali fosse questionado ou ameaçado de punição. Difícil julgar na condição da hipótese, mas provavelmente uma presidência de Max Mosley na FIA nos tempos atuais traria um resultado muito mais moral, digamos assim. Com Jean Todt, arquiteto de resultados manipulados no comando, era de fato impossível cobrar uma posição mais firme.

Falei hoje com uma fonte que todos hão de saber quem na semana que vem. A declaração, para se compreender bem o que se passa numa reunião do Conselho, foi esta: “É um negócio tenso demais. É uma experiência e tanto estar naquele prédio (…). Eles ficam lá dentro falando, e aí todo mundo decide alguma coisa, eles vão lá fora e gritam para os jornalistas que foi tal coisa, soltam um ‘press release’ e ficam 500 mil pessoas gritando para saber o que aconteceu. Essas decisões da FIA são meio assim: vamos decidir todos juntos, somos uma família, não somos só a FIA, somos Ferrari e outras equipes, e vamos tomar uma decisão que não atrapalhe o esporte.â€

O problema não recai simplesmente sobre quem tem ou não tem caráter e postura e se volta contra o sistema. É como o cara que joga lixo na rua ou que sai dirigindo um carro bêbado pondo em risco a vida dos outros. Enquanto não se pune um camarada destes, o erro persiste. Infelizmente o ser humano é assim: só aprende dando com a cara na parede. Aí ele vai aprender na marra a saber de valores. Coloquem alguém minimamente digno no comando, FIA e F1, que toda esta patacoada deprimente acaba. Os cordeirinhos vão obedecer depois que as sanções forem aplicadas.

Repito: considero incompreensível colocar um campeonato de Construtores mais valioso que o de Pilotos. Se assim for, que se coloquem robôs nos cockpits, e aí as disputas das marcas se tornam atração principal. Ou que os interesses da equipe valham mais que o do competidor. O jogo de equipe só é aceitável quando um de seus pilotos deixa de concorrer ao seu ideal — aí, então, que trabalhe pelo ideal do outro. Se quiserem mexer na regra, que coloquem este adendo. O resto vira perfumaria e se vira contra a própria F1.

Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, disse essa semana que a F1 precisava trabalhar o marketing. Brilhante. Diante dos recentes ocorridos, Bernie Ecclestone deveria investir sua ampla fortuna num papa da propaganda para o bem de sua família.

Tags: , , , , , , , | 14 comentários

Absurdo em Paris

SÃO PAULO | Simplesmente patética e ridícula a decisão do Conselho Mundial em não aplicar nenhuma outra punição além daquela que foi dada pelos comissários do GP da Alemanha, os tais US$ 100 mil, pela ordem de equipe escancarada da Ferrari.

Os correligionários do esquema sequer aumentaram a multa. Na Ãustria há oito anos foi de US$ 1 milhão. É a crise do mundo moderno, que proporciona a deflação da economia mundial em cascata. Cascata…

A FIA referenda, com isso, que todas as suas categorias sob sua parca chancela permitam que os times façam o que bem queiram com seus pilotos, agora marionetes oficiais com habilidades automotivas, formados e lapidados com esforço para que se tornem escravos do sistema e coadjuvantes de um campeonato de marcas.

O que não me entra na cabeça é fazer com o que um piloto se acostume desde criança com a ideia de que ele pode não ser campeão porque seu empregador terá respaldo para barrá-lo. Nenhum moleque de 7 ou 8 anos sonha em ganhar o título de equipes para a Ferrari ou qualquer equipe. O pobre coitado vai ter de pensar diferente. Que siga outro esporte, pois. Ou melhor: que siga um esporte.

Demoraram para sair as declarações oficiais da patifaria da Praça da Concórdia. E tudo vai ser explicado amanhã.

Nem precisa. Todos entenderam.

Tags: , , , , , | 61 comentários

A evidência da armação

SÃO PAULO | Em dias de fechamento de revista, tu-do é mais rá-pi-do que…

Bom, imagino que a maioria dos caros internautas já deva ter lido que o site da F1 divulgou o vídeo do GP da Alemanha. E não camuflou ou escondeu a verdade. Mais: trouxe à tona mais conversas de rádio que comprovam o jogo de equipe da Ferrari, a situação previamente planejada e a desilusão de Massa no fim da prova.

Quem quiser assistir ao vídeo pode clicar aqui — a gloriosa F1 não gera seus links incorporados; uma bocó, em suma. E já começo a ter novamente a opinião de que a Ferrari pode não escapar com uma simples multinha.

De início, acreditava em punição pesada, mas diante do dia do julgamento e de tantas evidências e discursos de apoio ao mequetrefe ato dos italianos, previa o ato do lava-mãos. Agora já começo a crer que pelo menos a exclusão dos dois carros da corrida em Hockenheim pode acontecer — que seria a punição mínima para o caso.

Supondo que aconteça isso, Vettel passa a ser o vencedor daquela prova e leva mais dez pontos. Iria a 161. Hamilton vira segundo e sobe para 163. Button herda o terceiro lugar e salta para 152. E Webber, quarto, chega a 165. Alonso cai para 116. Mas até o julgamento de 8 de setembro tem o GP da Bélgica. Que fica deveras interessante para o campeonato.

Tags: , , , , | 54 comentários

Para refletir

SÃO PAULO | Estava ontem à tarde preparando um material para a próxima Revista Warm Up e entrevistando um psicólogo a respeito do episódio de 25 de julho, do GP da Alemanha.

Uma frase me chamou atenção: “A F1 não tem sido um parâmetro saudável e não tem agregado um fator positivo na formação psicológica, afetiva e social de um garoto. Eu não recomendo a F1 porque ultimamente tem sido um anti-exemplo de desportividade, de ética e de cidadania.”

Gostaria da opinião dos nobres internautas a respeito. Porque é algo que realmente tendo a concordar. E não só na F1.

Tags: , , , | 112 comentários

Duvide-o-dó

SÃO PAULO | Schumacher, maior vencedor da história da F1, amplamente beneficiado por táticas de equipes, sobre o episódio: “Só deve ser feito de um jeito legal e não tão óbvio”.

Ecclestone, do baixo de sua experiência: “O que as pessoas fazem quando estão dentro da equipe e como eles gerem o time são coisas que dizem respeito apenas a eles mesmos”.

Briatore, futuro braço-direito de Ecclestone: “Apostar no piloto com melhores chances de vencer o título é uma decisão lógica”.

Presidente da FIA é Todt, autor da ordem na Ãustria 2002.

E virão mais e mais comentários defendendo a atitude de algo que será julgado em 10 de setembro, primeiro dia de treinos para o GP… da Itália.

Se a negada do Conselho Mundial fizer alguma coisa além de uma multinha, será muito. Se vier uma exclusão — de corridas ou até do campeonato de Pilotos — , merecem troféus em praça pública entregue por moças desnudas e insinuantes.  Mas como diria minha tia Edith, levemente mais experiente e muitíssimo mais pobre que Ecclestone, “duvide-o-dó”.

Pelo menos a tia Edith ainda está lúcida.

Tags: , , , , , , | 43 comentários

A involução do homem

SÃO PAULO | A maior decepção não é nem com o episódio em si. Porque seria otimista demais pensar que qualquer equipe, ainda mais a Ferrari, se furtasse de fazer suas combinações ou manifestasse suas preferências, intramuros ou ao vivo para todo mundo ouvir e ver. Armações — e talvez o termo seja meio forte para definir, mas nenhum deixaria de remeter ao que é, uma armação, uma manipulação — fazem parte de todas as estratégias. Ninguém passa horas num briefing decidindo a obviedade de uma corrida com uma parada nos boxes ou analisando dados de telemetria. Nas reuniões se decidem rumos e são colocadas hipóteses que precisam ter soluções. Evidente que aquela situação de Massa à frente, bem plausível, foi debatida por Domenicali e sua curriola. Só que a italianada de hoje não era esperta como antes. Que seja.

É com Massa, a questão. É essa coisa de pensar que se esperava um pouco mais — ou muito mais, no caso — de alguém por sua conduta ao longo destes anos, também porque tem no currículo o item da negativa a compactuar com uma troca de posições, quando corria pela Sauber, há oito temporadas — ainda que, provas depois, na mesma Hockenheim, tenha aceitado. É aquilo de se olhar para o perfil e concluir, até com orgulho, que o esportista, o piloto e o homem Massa não carregava o gene da subserviência total e irrestrita ao seu empregador que está presente em Barrichello e Nelsinho.

Se Massa se recusasse a dar a vitória para Alonso — que deve ter sido criado pela avó em um condomínio fechado em Oviedo, cheio de mimos e dono de todas as bolas e os carrinhos —, provavelmente não ia mudar nada. A Ferrari não iria sabotá-lo. Já que Alonso seria, ou é, o homem escolhido para seguir o caminho do título, não faria sentido colocar um lastro de 257,5 kg ao lado do motor ou comprar uma Hispania e pintá-la de vermelho e dar na mão do brasileiro. Um Massa andando na frente é muito mais útil. E a Ferrari, com a experiência que teve no ano passado, jamais cogitaria promover um reserva. Fisichella, Gené e Badoer juntos fariam pior. Se Felipe fizesse corpo mole, aí são outros quinhentos. Mas acho, já não coloco nem uma unha no fogo, que não faria isso.

Mais: Massa acabou de renovar um contrato. Ainda que a Ferrari tenha um histórico recente de uma quebra, Raikkonen não fez levantou um copo de vodca para manter o acordo. Se quisesse, mesmo, era Kimi quem estaria sentado ali no carro 8. Portanto, seria mais digno para o esporte, para a F1 e para o homem Massa ganhar a corrida em Hockenheim. Para o público, que é quem no fundo da vida a esta patacoada toda. A balança pesaria bem mais para o lado bom. Alonso que reclamasse, chorasse, pedisse o tetê e fizesse mimimi na cama quente.

E mesmo assim, se a Ferrari fosse uma desalmada, boba e cara-de-mamão e rasgasse o papel com a assinatura de Massa, que ele soubesse que há vida fora da Ferrari, como ele já teve oportunidade de viver e dispensou, talvez achando que na McLaren fosse ocupar o papel oficial de segundo piloto que ele vinha escondendo e assumiu ontem, da pior forma possível.

Porque Massa fez parte de um esquema que brincou com a inteligência do mundo. A Ferrari viu lá que a hipótese 3 ou 4 de seu plano de prova acontecia, mais pela falta de inteligência de Vettel do que por virtude de seus pilotos ou excelência de sua estratégia, e para promover o combinado, soltou via rádio o código da troca de posição, silabado, que fez até quem não entende inglês inteligente, justamente na corrida em que todas as transmissões de rádio estavam abertas. Pior é a desfaçatez de negar no vazio de desculpas sem sentido e as divagações das respostas das perguntas incisivas dos jornalistas.

Sendo que tudo estava ali, ridiculamente, na nossa cara, no “sorryâ€, na comemoração chocha de Alonso, na cara de choro de Massa, no “não preciso dizer nada†que disse na coletiva. E quando disse, não deveria ter dito que partiu dele e que agiu pela famiglia di Maranello. Se Massa quisesse fazer uma benfeitoria para a equipe, não teria disputado posição lado a lado no único momento em que Alonso tentou ultrapassá-lo. Daria a posição da forma que Schumacher indicou, do alto de sua larga experiência em benefícios neste cenário, “legal e não óbvioâ€. Se não pensou em uma benfeitoria para o esporte e para a F1, que fizesse a si, no seu aniversário e em homenagem ao tio morto. Felipe acatou a ordem, vinda no momento errado, e como vimos há oito anos na Ãustria, diminuiu o ritmo e abriu para o primeiro piloto. E nós-en-ten-de-mos a men-sa-gem: Felipe age sob uma “cláusula Barrichelloâ€. No seu primeiro ano, o mundo acompanhava Felipe dar seu primeiro e maior passo, meio que seguindo o que Webber fez há poucos dias. Caiu. Ra-pi-di-nho.

Massa nasceu, cresceu, renasceu e poderia crescer muito mais. Cometeu suicídio.

Tags: , , , , , | 485 comentários

Pastor alemão, 7

SÃO PAULO | A F1 viveu hoje na Alemanha uma nova versão do que havia visto na Ãustria em 2002. Um ano depois do renascimento de Felipe Massa, a Ferrari matou a corrida impecável que o brasileiro vinha fazendo para dar a vitória a Fernando Alonso. Uma mensagem em forma de eufemismo veio dos boxes na volta 47 para que Massa, líder da corrida, abrisse para o espanhol, nos moldes do que havia feito com Rubens Barrichello e Michael Schumacher há oito anos. “Fernando é mais rápidoâ€, disse o engenheiro de Felipe.

E a troca de posições se deu logo depois.

O resto vira realmente resto diante disso. Mas, vá lá, o pole Sebastian Vettel terminou em terceiro, as McLaren vieram depois com Lewis Hamilton e Jenson Button, Mark Webber terminou em sexto e depois, na ordem, Robert Kubica, Nico Rosberg, Schumacher e Vitaly Petrov, numa prova bem monótona pela expectativa que foi criada pela disparidade dos compostos dos pneus.

A prova em si: tudo que Massa precisou fazer foi largar. Porque Vettel se encarregou de largar mal e se preocupou em jogar o carro para cima de Alonso, que ficou espremido. Com pista livre, Felipe contornou a primeira curva bem à frente, enquanto o espanhol sobressaia diante do alemão. Pouco atrás, Hamilton passou Webber para ficar com o quarto lugar. Barrichello, que vinha de uma sequência de boas largadas, desta vez caiu três posições, indo parar em 11º.

Mais atrás, a Toro Rosso viveu um ‘pastelone’. Jaime Alguersuari se empolgou e, ao chegar no grampo, errou a freada. Tinha um mundo de carros para acertar. Optou pelo companheiro Sébastien Buemi, que se viu sem a traseira e sem mais o que fazer na corrida. As Force India sofreram as conseqüências: passaram nos estilhaços dos destroços, levando Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi aos pits na primeira volta.

Mas a Force India trataram de tacar curry para temperar a cena. Porque na parada, colocaram os pneus de Sutil no carro de Liuzzi e vice-versa. Os comissários ficaram de olho. E os indianos, sem dançar, confirmaram a patacoada. Como é proibido pelo regulamento, lá foram os dois para os boxes de novo.

A corrida se seguiu sem mudanças até as primeiras paradas, iniciadas com Vettel na volta 13. Alonso parou na seguinte e Massa, na 15. Mas com pneus duros, o brasileiro passou a ter a vida mais complicada, levando por vezes sufoco do companheiro. Tanto que o espanhol, que adora dar piti via rádio, reclamou com a equipe por estar atrás do companheiro: “Isso é ridículoâ€.

Ridículo ou não, a partir daí Massa começou a andar bem melhor em uma sequência de voltas mais rápidas, abrindo quase 3s5 até a volta 27. Alonso penou para reduzir a distância, cerca de 15 ou 20 giros, enquanto o resto do pelotão não fazia nada digno de revelância. Vettel, vez ou outra, ameaçava se aproximar, mas em média passou a ficar 5 segundos atrás das Ferrari. As McLaren, longe, estabeleceram-se em quarto e quinto e Webber, ainda mais distante, em sexto. Assim ficaria a corrida se…

…Se na volta 47 não viesse uma mensagem clara, pausada, silabada de Rob Smedley, o engenheiro de Massa, dizendo: “Fernando está mais rápido que você. Você confirma que ouviu a mensagem?â€. Não houve resposta de Massa.

E na 49, depois da saída do grampo, Massa desacelerou claramente para Alonso passar. Em seguida, a voz voltava do rádio de Felipe: “Desculpe…â€

Há muitos registros de que todos que estavam vendo, em qualquer lugar do mundo, disseram em suas línguas: “Isso é ridículoâ€.

Viveu-se na Alemanha, assim, uma nova versão do que aconteceu há oito anos na Ãustria, quando Barrichello abriu para Michael Schumacher passar na linha de chegada. A posição oficial da Ferrari foi de que Massa não deixou passar. E isso, sim, é ridículo, porque cai diante do pedido de desculpas do engenheiro de Massa.

De resto, Barrichello terminou em 12º em atuação apagada e Bruno Senna foi 19º. Na corrida que voltou a coroar a falta de desportividade da Ferrari, sob vaias de muitos.

No pódio, um Massa com cara de choro. Na coletiva logo após, a resposta para o ocorrido: “Eu não preciso dizer nada sobre isso”.

Ninguém precisa dizer. Todo mundo entendeu. Infelizmente.

O dia 25 de julho para Massa é bem ruim. E um ano depois de ter renascido, Felipe morreu para muita gente.

E sobre punição, eu excluiria os dois da corrida. E ainda tiraria a Ferrari dos próximos dois GPs. Para aprender e dar uma lição. Não seria bom?

Tags: , , , , , , | 225 comentários

Pastor alemão, 6

SÃO PAULO | Já vai fazer um ano que Felipe Massa praticamente renasceu. Foi em 25 de julho do ano passado que o brasileiro foi acertado na cabeça por uma mola que se desprendeu do carro de Rubens Barrichello no treino classificatório do GP da Hungria. Em agradecimento ao tratamento recebido nos dez dias em que ficou internado, Massa vai voltar ao hospital AEK.

“Foi um momento difícil para mim”, declarou Felipe hoje em Hockenheim, após o terceiro lugar obtido no treino classificatório do GP da Alemanha. “Alguém estava dizendo que eu precisava estar aqui, então aqui estou, muito feliz, trabalhando, ainda fazendo o que eu gosto, e vamos voltar à Hungria e tentar alcançar um bom resultado”, disse.

Massa deve ir para Budapeste já no começo da semana que vem e prometeu que vai visitar os médicos e enfermeiros. “Será importante num lado pessoal”, afirmou. “Eles cuidaram de mim e eu quero dizer um olá para todos e conversar com eles.”

O piloto da Ferrari “se isso soa emocionante, é, porque o que aconteceu para mim no ano passado foi um momento signficante da minha vida, uma coisa grande e muito especial de um ponto de vista humano”, completou.

Massa chegou, segundo os médicos, a correr risco de morte pelo forte impacto da mola na região acima de seu olho esquerdo. Felipe acabou afastado do resto da temporada de 2009 e não teve sequelas cerebrais nem na vista.

Tags: , , , , , | 6 comentários

Pastor alemão, 5

SÃO PAULO | Dados e estatísticas, para quem gosta delas e as usa da forma que convier:

_ A Red Bull é a primeira equipe desde a Ferrari a conquistar 10 ou mais poles durante uma temporada. Os italianos conseguiram isso pela última vez em 2004, 12 no total.

_ Toda vez que um alemão largou na pole em casa, venceu. Aconteceu com Schumacher duas vezes já, em 2002 e 2004.

_ A Ferrari estima que Alonso perdeu sua pole de 0s002 por 15 cm.

Tags: , , , , | 5 comentários

Pastor alemão, 4

SÃO PAULO | O negócio parecia ser tão favorável a Fernando Alonso na classificação deste sábado (24) que muitos até presumiam um domínio inesperado da Ferrari sobre a Red Bull em Hockenheim. Alonso sobrou nas duas primeiras partes do treino e sobrava no terceiro. Mas até a conquista e a celebração da primeira pole no ano e na equipe italiana havia um cruel, muito cruel Sebastian Vettel no meio do caminho.

A última volta de Vettel foi cercada de expectativa e tensão no autódromo alemão. E os 0s002 registrados na linha de chegada levaram à explosão do grupo taurino nos boxes e dos milhares de torcedores nas arquibancadas, ouvidos a pleno da sala de imprensa.

Assim, Vettel chega à quinta pole no ano e deixa a Ferrari zerada. Felipe Massa larga em terceiro, à frente de Mark Webber.

Com 5 minutos e meio de treino, Liuzzi entrou na reta principal e foi além da zebra. O carro escorregou voltou para a pista e a atravessou, batendo violentamente no muro interno — em um acidente que lembrou o de Timo Glock há dois anos na corrida, quando o alemão corria pela Toyota. A roda dianteira esquerda desprendeu-se e voou na direção contrária, quase atingindo a Virgin de.. Glock!, que teve de desviar para não ser atingido. A bandeira vermelha foi acionada para que o carro e os destroços da Force India fossem recolhidos.

Aí foi aquela coisa que Hockenheim viu nos treinos livres: Red Bull e Ferrari brigando ferozmente pela primeira posição: Webber num primeiro momento, Vettel depois e, então, Alonso, com 1min14s808, liderando o Q1. Massa conseguiu a terceira colocação, pondo-se antes do australiano. Lá na zona do estrangulamento precoce, o de sempre: as três novatas mais o acidentado Liuzzi. O único fato interessante e notável foi Bruno Senna colocar a Hispania pertíssimo da Lotus de Heikki Kovalainen e Glock, coisa de 0s2 e/ou 0s3.

Senna parte na 21ª posição, ao passo que Di Grassi vai se ver com o último colchete de largada do grid. Lucas mal treinou. Problemas de câmbio em sua Virgin.

O Q2 foi quase um bis. Webber foi o primeiro a aparecer na frente, mas logo Alonso tratou de mostrar quem é que está reinando no fim de semana. Massa apelou para os pneus moles e logo desbancou os dois, que passaram a usar do mesmo recurso nas saídas seguintes. O espanhol marcou 1min14s081. Vettel, no fim, se meteu em segundo. Webber e Massa vieram na sequência. E de resto, só o sofrimento para a Mercedes — que sonhava ser a terceira força — passar ao Q2. Rosberg até conseguiu. Já Schumacher…

Schumacher também, vai. Mas na verdade, a última volta do alemão havia lhe dado provisoriamente o nono lugar. Rosberg o jogou para a ‘bolha’. E Hülkenberg acabou sendo o autor da eliminação do multicampeão.

Na parte da superpole, o começo se desenhou igual. Webber, Alonso, 1min13s927, a expectativa, Alonso… 1min13s793, a volta de Vettel, a segunda intermediária, +0s043 acima do tempo do espanhol, a entrada na reta principal, e o 1min13s791. O ‘estádio’ veio abaixo. Vettel gritou como sempre no rádio. A conquista em casa também tem sabor de vingança, até porque seu maior adversário num cômputo geral, Webber, não tem sido páreo no fim de semana.

A McLaren conseguiu quinto e sexto, com Jenson Button à frente de Lewis Hamilton. Mas pelo que tem apresentado, não parece ter equipamento para brigar com as rivais. Robert Kubica e Rubens Barrichello dividem a quarta fila dos melhores pilotos fora do G4 e Rosberg e Hülkenberg fecham a quinta.

O GP da Alemanha promete, como diria o poeta limitado, tipo Felipe Paranhos. Mas tem alguns dados e intuições que apontam que Hockenheim vai ficar em ritmo de festa neste domingo com seu Sebastião.

Tags: , , , | 2 comentários

Pastor alemão, 3

SÃO PAULO | Rapidinho, porque o tempo urge: o Marcelo Ferronato estava lá em Hockenheim almoçando com a Vanessa Ruiz no motorhome da Ferrari quando entrou o ‘Tiago Leifert’.

Na República Tcheca, o jornalista é conhecido como Jirí Uhlír, onde costuma ser surpreendido novamente.

Tags: , , , , , | Deixar um comentário

Pastor alemão, 3

SÃO PAULO | Se o terceiro treino livre for apenas um aperitivo do que está por vir na classificação, o torcedor que está em Hockenheim e todos os demais que acompanhavam pela TV já podem esfregar as mãos para um espetáculo dos mais animadores. Porque a briga que se viu ontem entre Red Bull e Ferrari repetiu-se na manhã deste sábado (24). Mas com muito mais ação e intensidade. Os quatro pilotos foram se misturando nas posições de destaque até que a bandeira quadriculada desse fim à sessão e declarasse Sebastian Vettel como o vencedor da batalha.

Vettel precisou do ‘tempo extra’ da volta final após o encerramento oficial para tirar o companheiro Mark Webber da primeira colocação, trazendo Fernando Alonso, que vinha na sequência, para o segundo lugar. Felipe Massa acabou ficando com o quarto tempo, mas nada distante do grupo.

Mercedes e McLaren acabaram como subforças, ainda que não se possa em definitivo descartá-las da briga. Nico Rosberg ficou com o quinto lugar, precedendo Lewis Hamilton e um finalmente combativo Michael Schumacher. Só Jenson Button que não seguiu o comboio — ficou num distante 13º lugar.

Primeiro que os serviços de meteorologia precisam rever seus conceitos. Enquanto todos apontavam pimpões que a chuva não afetaria o treino, eis que a cinco minutos de seu começo os vários torcedores apaixonados em Hockenheim abriram seus guarda-chuvas e ajeitavam suas capas pela água da densa nuvem plúmbea sobre o circuito. Enfadados, os mecânicos ajustavam os carros para a nova condição, ao passo que os pilotos faziam cara feia por não poderem apropriadamente andar em condições de piso seco.

As primeiras voltas surgiram na casa de 1min29s, no caso com Vettel, ao passo que a chuva dava uma trégua. Encorajados, os pilotos começaram a vir em bando. Assim, não demorou muito para que um trilho fosse formado, permitindo que todos já viessem de slicks faltando 20 minutos para o fim das atividades.

E o revezamento na ponta que se viu ontem repetiu-se, com os quatro pilotos de Ferrari e Red Bull participando. Ora era Massa, que logo era superado por Webber, que via Vettel ultrapassá-lo, que tomava de Alonso, que então perdia terreno para a Red Bull… até depois da bandeirada os quatro iam evoluindo, até que Vettel acabou com a brincadeira estabelecendo 1min15s103, colocando 0s605 no companheiro Webber, que aparecia em primeiro. Segundos depois, Alonso tomava do australiano o segundo posto.

Rubens Barrichello tornou a aparecer bem, terminando em oitavo, a 0s008 de Schumacher. Robert Kubica colocou a Renault, que não vem tão forte assim, em nono. E Nico Hülkenberg começa a dar sinais de evolução ao andar no ritmo de Barrichello e colocar a segunda Williams no décimo lugar.

A classificação está marcada para 9h. Diz a tal da meteorologia que vem chuva, o que pode ser um sinal claro de que tudo pode acontecer com pista seca. De qualquer forma, até os institutos afirmam que o espetáculo será dos melhores. A aposta de hoje será difícil. Mas como no BRV eu fui em Vettel, sigo com ele.

Tags: , , , | Deixar um comentário