O dono da bola
É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está no Grande Prêmio, isso há quase 9 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para “Folha de S.Paulo”, “Lance!” e “Quatro Rodas”, foi repórter da edição brasileira da “F1 Racing”, cobriu F1, Stock Car, a Indy e três edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Conheceu cidades como São Luís e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou o caminho certo. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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Como não gostar da dupla da Sauber, a melhor da história? #F1 1 hour ago
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Otro mito. RT @fagnermorais: E o @SChecoPerez me ganhou como fã. Melhor capacete de todos os tempos da história da F1: http://t.co/vs9FKmCr 1 hour ago
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@maria_fro Eu acho essa moça maluca. Não dá para levar muito a sério o que diz. 4 hours ago
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Essa moça é biruta. RT @rcarrapatoso: Disse ! Foi o padeiro, o peixeiro, o amigo do pai, o vizinho, etc ......... 4 hours ago
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E a Xuxa disse quem, afinal, abusou dela? 4 hours ago
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Bahrein desnecessário

SÃO PAULO | A foto é da TV Al Jazeera e representa o quanto continua perigoso para que a F1 saia da China para ir ao Bahrein na semana seguinte. Os organizadores do GP mantém a corrida firme, tal como FIA e FOM. Ninguém se manifesta contra publicamente, nenhuma viv’alma com personalidade suficiente para expor seus colhões e dizer que não vai àquelas terras para compactuar com sistemas políticos ou pôr em risco vidas. O The Guardian confirma que pelo menos uma equipe não quer participar da corrida e que aguarda um posicionamento — cancelamento — da federação-máter, agora a menos de duas semanas da data estipulada.
Enquanto isso, as equipes preferem trabalhar no anonimato e emitir dois tipos de passagens, uma para a Europa e outra para Manama, segundo o The Times. Se a princípio a tendência era que o GP voltasse a ser rifado do campeonato, a confirmação de uma etapa do campeonato de kart no Bahrein demonstra um sincero dar de ombros dos dirigentes. Numa linguagem clara, a FIA e a F1 estão pagando pra ver — e não é o dinheiro que o reinado barenita despeja na conta de Bernie Ecclestone.
A F1 não precisa do Bahrein. Nem em termos de competição nem por esta maldita grana sobre a qual adora se debruçar. A indiferença com que trata o episódio, e pela segunda vez, há de lhe doer. E ao que parece, num futuro bem próximo, com consequências que podem deixar manchas eternas nestas gentes que se cegam por cifras.
Aliás, vale ler no Esporte Fino a razão do conflito antimonárquico, ligeiramente diferente da onda árabe que levou à queda de ditadores e ainda provoca embates beligerantes naquela região do planeta, em explicação retumbante de Zé Antonio Lima.
PS: Será que Bernie e seus asseclas vão acionar legalmente o manifestante que fez do logo da F1 uma arte?
Ruim para Bruno
SÃO PAULO | Hoje a FIA anunciou que Gerhard Berger vai ser o novo presidente da Comissão de Monopostos da entidade, o que deve colocar um ponto final nas pretensões da Lotus em ter o austríaco como novo chefe de equipe a partir do ano que vem.
O que significa dizer, em outras palavras, que a situação de Senna na F1 volta a ficar delicada. Berger seria uma aposta, pelos laços antigos, de que seu nome estaria destacado na lista da antiga Renault para ser o companheiro de Raikkonen.
Aliás, Grosjean voltou a pintar com força por aqueles lados, ainda que seja aquele que menos dinheiro tenha a levar. Petrov e Sutil ainda peleiam.
Pale Ale
SÃO PAULO | Alonso e Webber, Webber e Alonso. Chega no domingo, sobra quem para tentar a vitória, faça chuva ou faça sol? Desnecessário dizer. Fato é que, se no começo do ano era a McLaren a grande concorrente da Red Bull, a Ferrari quem ocupa a pleno este posto. E a McLaren atual é muito abaixo da Ferrari das primeiras corridas. Não há endplate, flap, new wing ou whatever que dê jeito nos carros prateados. Vez ou outra, acabam atrás até da Mercedes. Como hoje. Hamilton foi sétimo, e mal dá para dizer que se trata de estratégia de combustível ou acerto para a chuva, que são os pneus, que estão escondendo o jogo. A McLaren simplesmente regrediu. Jenson Button foi só o 11º. Muitíssimo pouco para quem, até outro dia, era vice-líder do Mundial. A McLaren de hoje é a McLaren da pré-temporada, aquela que fazia feio.
Vettel ficou ali em terceiro, só na espreita, tomando 0s3 dos líderes nas duas sessões. Não se pode dizer que não tenha sido constante, pelo menos. Mas, como sempre, nada que deva preocupá-lo. Amanhã ele estará na briga pela pole, de certo, com os dois primeiros de hoje. A Ferrari — que tem uma interessante abertura na cobertura do motor, funcionando como escapamento; parece que a peça está mal encaixada e amarrada com ‘cadarços’ — de Massa tem de ser melhor alimentada com um feijãozinho para pensar em largar na primeira fila.
Ali atrás, a Williams continua pastando para tentar acompanhar Toro Rosso e Sauber e tem sido pouca coisa mais eficiente que a Lotus. A Virgin e a Hispania seguem sendo dois esboços do comboio do horror. HRT, aliás, eles vão reforçar a sigla, agora com novos donos. Nenhum dos pilotos andou abaixo do tempo dos 107%. Aí chega amanhã, acontece o mesmo, e a dona FIA, toda pimpa e descarada, permite que corram, enquanto seus representantes analisam se o logo da entidade está pintado e bordado de forma correta no macacão alheio. A CBA realmente tem a quem puxar, mesmo.
Verdade seja dita, como sempre… esses treinos de sexta, votecontá, viu… alguém tinha de dar um jeito de valer alguma coisa. A Evelyn Guimarães, beberrona, define-os como pior que porre de Chalise. Para as equipes, foi um alento não ter chovido. Para quem vê (e ouve alguns petardos), é dureza.
Vrunzinho, vrunzinho
SÃO PAULO | A FIA decidiu há pouco aquilo que já vinha sido dito e tal: em 2014, os motores em V perdem mais dois cilindros, caindo para 6, e a capacidade também cai, para 1,6 L. E decidiu rápido: quatro linhas de explicação, e nada mais. Daqui uns 10 anos, a F1 vai chegar a 1.0, e a Ford vai se sentir interessada em entrar para alinhar no grid com um Ka.
Mas o ponto que mais se esperava debater permanece uma incógnita: não houve menção ao número máximo de giros. Atualmente são 18 mil. Queriam reduzir para 12 mil. Os donos de circuitos chiaram: “Aí, não, dragão!”. O Fernando Silva falou com Castilho de Andrade, assessor do GP do Brasil, que confirmou que Tamas Rohonyi, promotor/organizador da prova em Interlagos, está na Europa para participar das reuniões que discutem as rpm. É, sim, uma preocupação deles que não sejam drasticamente reduzidas para que o ronco não afaste público.
A decisão sobre o assunto deve sair até sexta. Vamovê.
La Comunitad, 2
SÃO PAULO | A esta hora, na casa de veraneio da galera da FIA em Nice, o tiozão do churrasco está virando a costela e o baby-beef, de olho na taça de vinho de Jean Todt, que não para de girar nas mãos do presidente. Ele pensa: “Não deu certo”, e tira uma listinha do bolso e risca lá a opção “cartographie moteur”. Ali abaixo, Todt tenta escrever com sua Montblanc, abaixo do item “Adrian Newey” um outro nome, mas logo risca para que ninguém veja. “Daria muito na cara”, e verte o vinho, que desce mais seco que sua natureza.Vettel e Red Bull. Não há regra que os pare.
No fim, fica feio para a própria FIA tentar mudar a regra do jogo em seu andamento. E se acham brechas no regulamento, que aprendam a redigi-lo para o ano seguinte — e não, achar brechas não é sair fora (sic) do regulamento. A coisa já é restrita ao extremo em termos técnicos para dar um ar de competitividade maquiado, e limitar a capacidade de Adrian Newey e sua turma e o talento exuberante de Vettel prova ser uma inutilidade.
Não há McLaren, nem Ferrari, nem mesmo Webber que consiga equilibrar um fato: Vettel é intangível.
E nenhum piloto pensa no churrasco de Nice nem na aposentadoria quando está guiando. Nem mesmo Trulli, que a cada fim de semana demonstra estar em sua última temporada, faz isso. Webber, pois, simplesmente não anda no passo do companheiro porque não é tão bom quanto. “Mas no ano passado ele não era ótimo e tal?” Aos poucos, vai se percebendo que Webber andava em 2010 no ritmo limitado e imaturo de Vettel. Uma vez campeão, Sebastian subiu sete degraus e mostrou as fronteiras que Markola não consegue ultrapassar.
O lugar de Webber tem de ser este, mesmo, o segundo. Arrumou no fim a volta que lhe deu a primeira fila, jogando as McLaren e Ferrari intercaladas na segunda e terceira. Na quarta, a quarta força, a Mercedes. Na quinta, os que sabiam que não sairiam dela, Renault (Heidfeld) e Sutil (Force India), que mal treinaram. O que é ridículo. Os caras, pensando na corrida, pouparam pneus. Não é ridículo poupar pneus. Em vez de promover a caça ao touro, a FIA tinha de pensar em mudar algo na classificação para que a parte que deveria ser o filé mignon não represente um acém para os mais pobres.
Barrichello se perdeu na parte final de sua volta final na sessão, mas não conseguiria passar para o Q3, como ele mesmo disse à TV. No começo foi na linha de que o carro era o problema, mas deixou para o fim a confissão de seu “errinho”. Quebrou, ao menos, a sequência de largadas atrás de Maldonado, auxiliado pelo problema que o venezuelano teve. Verdade seja dita, o venezuelano tem se saído melhor do que o previsto. Incomoda.
Valência não é um primor de GP. Pelo contrário, é artificial como casamento de coelhinha da Playboy. Sem eufemismos, sempre foi um porre de vinho que Todt não toma. Mas se a corrida em Mônaco foi excelente por conta das variáveis (DRS, Kers e pneus que desgastam), há uma possibilidade que as coisas sejam diferentes amanhã. Alonso, Hamilton, Button e Massa não devem fazer da vida dos carros taurinos tão fácil assim. Os prateados, principalmente, pela adaptação às regras deste ano, tendem a brigar por um lugar no pódio. Do contrário, a Red Bull e Vettel vão mostrar mais uma vez o mapeamento da mina, enquanto o tio do churrasco ri da carne nobre que entala na garganta alheia.
Visão de(s)gracia
SÃO PAULO | À la Wikileaks, vazou o relatório feito pelo emissário da FIA ao Bahrein, que fez a entidade encaixar o GP ainda nesta temporada, daqui pouco menos de cinco meses. Se a CBA ler, vai pendurar na parede na sede lá no Rio. O negócio beira o absurdo.
O escolhido pela entidade foi o presidente da Federação Espanhola, Carlos Gracia. Seu relato de sete páginas detalha seus passos por Manama e região. Além de parecer um diário adolescente, fica evidente que a avaliação do dirigente tomou principalmente como base as garantias dadas justamente por governantes, e suas opiniões acabam não refletindo o que o mundo tem acompanhado da situação quase beligerante do país.
Gracia foi recepcionado no Bahrein por Abdulla bin Isa Al-Khalifa, presidente da Federação de Automobilismo local, curiosamente pertencente à família monárquica. Junto ao Ministro da Cultura, que também é um Al-Khalifa, chegou-se à conclusão que, culturamente, “nada mudou”, tanto que seguem os preparativos para um festival de verão no mês que vem, além de o turismo ter aumentado. Na reunião, um representante da Unesco disse que as reportagens feitas pela mídia são “inapropriadas” e que o Bahrein não pode ser comparado a Egito, Líbia e Síria.
Aí Gracia falou com outro ministro, do Interior, outro Al-Khalifa. Que admitiu que houve protestos violentos, mas que depois de cinco dias a paz foi retomada. Depois, negaram ao emissário que 25% dos funcionários do circuito do Bahrein estavam presos por conta de tais protestos. Danadinho, Gracia quis conversar com alguns dos empregados — lembrando: do circuito que pertence ao governo. Todos foram só flores.
Para encerrar, Gracia foi ao shopping. Lá encontrou um grupo que organizava uma petição para que a corrida fosse realizada. Mais: “Muitas pessoas faziam suas compras sem sinais de estarem preocupadas com os acontecimentos recentes. A vida seguia normalmente”. A conclusão foi de que “não houve indicação de qualquer problema ou razão para que o GP do Bahrein não retornasse ao calendário de 2011” porque, dentre outras, “a atmosfera é de total calma e estabilidade”.
Vai falar isso para dois jogadores de futebol da seleção barenita, que estão presos. Juntos com atletas de handebol e basquete. Um dos futebolistas, o atacante Alaa Hubail, pediu encarecidamente, em entrevista à CNN, que “todos os pilotos, jornalistas e demais profissionais sejam solidários e não compareçam à etapa” porque “este será considerado o esporte do regime opressor”. Mas a FIA preferiu se basear no relato sem “gracia” de seu representante.
Sim, a sarna já foi arrumada. Logo há de coçar. E não vai sair de “gracia”, não.
Mais briga
SÃO PAULO | A sanha da F1 (Bernie Ecclestone) em lucrar é tamanha que a FIA confirmou o retorno do Bahrein ao calendário de 2011, encaixado em 30 de outubro. A Índia vai para dezembro, depois do Brasil, que novamente perde o direito de ser o encerramento da temporada.
Andei meio alienado de alguns fatos nesta minha ida a Indianápolis, mas me lembro bem de ter visto aqui e ali notícias efervescentes sobre os conflitos que continuam acontecendo em Manama e regiões. Já são mais de três meses de conflitos, meio abafados do mesmo modo que a Líbia de Gaddafi — virou corriqueiro; não rende mais manchete até que haja um extermínio ou algo novo.
Não há a menor razão a não ser político-econômica para levar um evento automobilístico para um país cuja maioria do povo tem a única preocupação de mudar o sistema governamental dos Al-Khalifa e, se a rebelião se arrastar até outubro, provavelmente usaria Sakhir como palco para seus protestos. Além disso, o circuito de Greater Noida, da Índia, não está pronto — e não querem passar pelo mesmo perrengue que o da Coreia do Sul no ano passado. Para a F1/FIA, a situação, portanto, convém.
Mas para quem é parte do negócio, não. A Red Bull já se manifestou dizendo que vai debater o assunto com as demais equipes. As outras devem se pronunciar na mesma linha ou até criticando a decisão. E a situação é curiosa: se antes a Fota queria mais dinheiro e ameaçou romper com a F1, agora o grupo dos times quer simplesmente que a F1 deixe de pensar na grana e pense meramente numa questão de segurança e prudência.
Agora é hora de ver o quanto a Fota apita. A briga, mais pacífica que o que vem acontecendo no Bahrein, deve ser boa nos próximos dias.
O início da investigação
SÃO PAULO | A comissão que foi criada para investigar o acidente de Gustavo Sondermann vai se reunir amanhã aqui no autódromo de Interlagos, é o que garantiu a mim agora há pouco o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro.
Pinteiro está em Pernambuco e não vai fazer parte deste processo. ”Eu não quero me envolver para deixá-los bem à vontade para que eles digam exatamente o que tem de ser”, explicou.
O comandante da confederação também disse que a FIA “está aguardando o envio do nosso material, que espero que saia pelo menos parcialmente na semana que vem”. A comissão tem como membros Ingo Hoffmann e Paulo Gomes, além de Nestor Valduga (CTDN), Felippe Zeraik (advogado da CBA) e Márcio Pimental (presidente da Comissão Nacional de Autódromos).
Pinteiro, a inspeção e o paliativo
SÃO PAULO | A morte de Gustavo Sondermann ontem em Interlagos mexeu com Cleyton Pinteiro e o fez se mexer. “Estou arrasado ainda. Estou um traste”, declarou o presidente da CBA ao Grande Prêmio na tarde de hoje. Como primeiro ato depois da terceira fatalidade em pouco mais de três anos em Interlagos, o dirigente mandou lá de Recife um e-mail para Paris, sede da FIA, solicitando a presença de um membro da entidade para realizar mudanças na Curva do Café.
“Eu pedi hoje à tarde à FIA que ela me enviasse um inspetor para que olhe as obras do autódromo”, disse Pinteiro, que se mostrou de mãos atadas para alterações imediatas. “Como o autódromo é homologado pela FIA, só quem pode mexer é ela ou com sua autorização. Eu quero mostrar que as obras que foram feitas não foram suficientes para evitar uma catástrofe destas.”
O presidente revelou que, quatro meses depois de sua entrada na CBA, conversou com a SPTuris, que administra Interlagos. “No dia 8 de julho de 2009, eu fiz um pedido para que incluíssem uma chicane naquele local. E não foi feito”, comentou. “Eles me responderam que a FIA mandou colocar aquele material lá [o soft-wall], mas você viu que não funciona. Quando vier o vistoriador da FIA, eu quero estar junto com a comissão. E quero mostrar que, para a F1, aquilo é uma reta. Para turismo ou fórmulas nacionais, é uma curva”, completou.
Ouvindo opiniões de pilotos como Cacá Bueno e Luciano Burti, Pinteiro só vê uma alternativa para a curva que leva à principal reta da pista paulista. “Na minha opinião, a solução é afastar aquela arquibancada para criar uma grande área de escape. Ou então fazer uma chicane antes, mas aí você acabaria com a graça do automobilismo, que é a competitividade. Eu tenho que ver competitividade com segurança, e acho que a área de escape pode resolver.”
Enquanto a FIA não aparece com seu inspetor, Pinteiro vai fazer “um paliativo”. Para a prova do GT Brasil e das categorias que o compõem, no próximo fim de semana, a ideia já está tomada. “Falei com o (Antonio) Hermann e comuniquei que, no domingo, vai ter uma bandeira amarela naquele setor. Se no meio da prova acontecer de espalharem os carros, aí não haveria necessidade de mantê-la. Se houver chuva, vai ficar com amarela o tempo inteiro”, completou.
No Hospital São Luiz, onde Sondermann ainda está ligado por aparelhos, a família permitiu a doação dos órgãos do piloto de 29 anos, desde que feita na hora, isto é, imediatamente repassada para os corpos dos receptores. Gustavo já teve declarada sua morte cerebral. A CBA decretou luto de sete dias.
É uma zona
SÃO PAULO | Aí alguma mente que se julga brilhante sem trabalho em Paris, numa sala com uma bela máquina de café, tem uma ideia: já que pode mover, é preciso estabelecer um critério para seu uso. Daí a alma iluminada conta para um igual seu, que sorri, e este passa a proposta pra frente, todo orgulhoso, e todos aqueles da mesma saca adoram. A ideia vira mote e bandeira da entidade.
Sumariamente, a FIA já propôs às equipes que se tenha uma zona de ultrapassagem na F1, um trecho compreendido de 600 metros no fim da reta principal, para que o uso da flexão da asa traseira não seja banalizado. Vai que o piloto, dentre suas tarefas, fique lá apertando o botão a torto e a direito achando que é uma campainha. E para ter o direito de mover a asa, o dileto competidor teria de estar a menos de 1s do carro à frente para tentar efetuar a ultrapassagem. Para ajudar nesta tarefa, tal zona e a diferença de 1s seriam pintadas na pista. Ai, ai, ai.
Ou seja, além de estar preocupado com o botão da asa traseira e todos os outros trocentos no volante, além de um rádio no ouvido e a tarefa de pilotar a 300 km/h, o pobre piloto teria, se aprovada esta zona, de passar a observar linhas na pista para saber quando e onde pode ultrapassar.
Como é que o piloto, a equipe e quem mesmo vê a corrida teria a certeza de que na curva anterior ele está exatamente dentro da margem de 1s? Se estiver a 1s1, por exemplo, isso vai vai ser verificado como? O piloto teria, por exemplo, como parar a corrida e pedir um desafio, tipo no tênis, e ver no telão se passou com o carro todinho dentro da linha? E essa regra acabaria criando uma consequente zona de conforto para os pilotos da frente — até porque tem circuitos em que outras retas são maiores que as principais.
A FIA é especialista em zonas, Mosley que o diga, apto a uma da luz vermelha. Mas essa é a maior cretinice que se poderia imaginar alguém pensar em aplicar com um mínimo de seriedade numa categoria como a F1, e Todt responde por isso. É tão ridículo que é de se duvidar da seriedade e da procedência da informação. Em outras palavras, apaputaquepariu.
Essa zona da FIA bem gozadinha. A ideia vai virar chacota histórica para a entidade.
Sobre ética e marketing
SÃO PAULO | O sr. Lars Osterlind, a quem desde já reputo todo meu respeito e admiração por seu trabalho de investigação, foi indicado pela própria FIA para minuciar toda a epopeia antagonizada pela Ferrari que o mundo viu naquele 25 de julho na Alemanha. O sr. Osterlind entregou um relatório nas mãos dos indigníssimos representantes do Conselho Mundial em que evidenciava o jogo de equipe para permitir que Alonso vencesse em detrimento de Massa, contrariando a defesa dos italianos de que nenhuma mensagem determinando a troca foi passada aos pilotos.
Como a inteligência de Osterlind não faz parte de um novo brinquedo do Playcenter ou do parque mais próximo aí de sua cidade, ali naquele documento ele concluiu que alguns elementos codificados, expressos em seu ápice no “Fernando is faster than you”, eram a deixa para que a Ferrari executasse seu plano. A Ferrari rebateu dizendo que só fez aquilo para que o brasileiro fosse motivado e que a decisão de deixar passar partiu do mesmo.
Osterlind foi além e derrubou esta piadinha de gosto duvidoso, eufemismo para hipocrisia, da Ferrari revelando que o time havia pedido para seus pilotos baixarem as rotações do motor, como costumeiramente faz nas partes finais das corridas. Alonso acatou e depois, à revelia de Massa, aumentou os giros. Fernando passou a ser mais rápido que Massa, pois.
Assim, Osterlind, munido de uma postura ética, pediu que a Ferrari fosse punida, perdendo seus pontos na corrida, bem como a vitória fosse devolvida a Massa numa aplicação simples de 5 segundos ao tempo final de prova de Alonso, suficiente para que a inversão de posições acontecesse. À sua indicação, Osterlind anexou a declaração pessoal de que “o automobilismo deve ser imprevisível” e que “parte do elemento de competição é dar tratamento igual a todos os competidores”.
Pois a FIA chegou à mesma conclusão que Osterlind, textual e oficialmente, hoje, no rescaldo detalhado de suas ações em sua sede em Paris. Só não fez mais nada em relação à punição que havia sido dada pelos comissários da corrida, os tais US$ 100 mil. E prometeu rever a regra porque, talvez, esteja mal escrita, puxa vida.
Não posso conceber que um artigo de regulamento que diga que “ordens de equipe estão proibidas” esteja mal escrito. Mais claro que isso, só dois disso. Não posso conceber que, diante da admissão de que houve um jogo de equipe, que a punição seja quantificada em valor financeiro. US$ 100 mil é o que a Ferrari gasta com o chá da tarde na estação de esqui em Madonna di Campiglio no começo do ano. E também não posso conceber com este argumento geral de que é difícil fiscalizar quando há ordem de equipe ou não.
Ao que me parece e consta, estamos em 2010, um mundo dominado pela comunicação rápida, quase em ritmo de fast food. São câmeras em HD e supercâmeras para identificar sinalizações das mais exageradas e contidas em placas e gestos, captação de todas as conversas de rádio, telemetria avançada que pode mostrar alterações no ritmo de corrida de cada piloto e, principalmente, bom senso e inteligência. Em suma, quando se bem quer, entende-se que há um jogo de equipe e pronto.
Diante disso, vamos a uma análise. Qual a diferença do que foi feito pela Ferrari na Alemanha e o que aconteceu em Cingapura em 2008? Esqueça que o caso da Renault foi muito mais deplorável esportivamente. A questão envolve o plano e o resultado. A única diferença que há é que não houve uma troca de posições. A Renault contava com o fator de risco. Era basicamente uma aposta.
Porque nos dois casos houve uma armação e um jogo de equipe, que colocava o piloto 2 em prejuízo por causa do piloto 1 — a Renault precisou tirar o 2 da prova; a Ferrari, não —, com objetivos bem claros. A Ferrari queria manter seu piloto 1 na disputa pelo título e a Renault pretendia manter os patrocínios para o próximo ano. Coincidentemente (ou não), o piloto 1 é o mesmo nos dois casos. Hão de dizer alguns que no caso da Renault o destino da corrida foi modificado e tal. Dane-se. A questão está nos atos e não nas consequências.
Em 2002, a Ferrari saiu com uma multa de US$ 1 milhão no episódio de Barrichello e Schumacher na Áustria. Em 2009, ano do julgamento, houve toda uma história de delação premiada e banimento de Flavio Briatore e Pat Symonds, sendo que a Renault foi posta em observação por ter sido ré confessa. Em 2010, a Ferrari saiu com uma multa 90% mais barata que a de oito anos atrás sem que Stefano Domenicali fosse questionado ou ameaçado de punição. Difícil julgar na condição da hipótese, mas provavelmente uma presidência de Max Mosley na FIA nos tempos atuais traria um resultado muito mais moral, digamos assim. Com Jean Todt, arquiteto de resultados manipulados no comando, era de fato impossível cobrar uma posição mais firme.
Falei hoje com uma fonte que todos hão de saber quem na semana que vem. A declaração, para se compreender bem o que se passa numa reunião do Conselho, foi esta: “É um negócio tenso demais. É uma experiência e tanto estar naquele prédio (…). Eles ficam lá dentro falando, e aí todo mundo decide alguma coisa, eles vão lá fora e gritam para os jornalistas que foi tal coisa, soltam um ‘press release’ e ficam 500 mil pessoas gritando para saber o que aconteceu. Essas decisões da FIA são meio assim: vamos decidir todos juntos, somos uma família, não somos só a FIA, somos Ferrari e outras equipes, e vamos tomar uma decisão que não atrapalhe o esporte.”
O problema não recai simplesmente sobre quem tem ou não tem caráter e postura e se volta contra o sistema. É como o cara que joga lixo na rua ou que sai dirigindo um carro bêbado pondo em risco a vida dos outros. Enquanto não se pune um camarada destes, o erro persiste. Infelizmente o ser humano é assim: só aprende dando com a cara na parede. Aí ele vai aprender na marra a saber de valores. Coloquem alguém minimamente digno no comando, FIA e F1, que toda esta patacoada deprimente acaba. Os cordeirinhos vão obedecer depois que as sanções forem aplicadas.
Repito: considero incompreensível colocar um campeonato de Construtores mais valioso que o de Pilotos. Se assim for, que se coloquem robôs nos cockpits, e aí as disputas das marcas se tornam atração principal. Ou que os interesses da equipe valham mais que o do competidor. O jogo de equipe só é aceitável quando um de seus pilotos deixa de concorrer ao seu ideal — aí, então, que trabalhe pelo ideal do outro. Se quiserem mexer na regra, que coloquem este adendo. O resto vira perfumaria e se vira contra a própria F1.
Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, disse essa semana que a F1 precisava trabalhar o marketing. Brilhante. Diante dos recentes ocorridos, Bernie Ecclestone deveria investir sua ampla fortuna num papa da propaganda para o bem de sua família.
Absurdo em Paris
SÃO PAULO | Simplesmente patética e ridícula a decisão do Conselho Mundial em não aplicar nenhuma outra punição além daquela que foi dada pelos comissários do GP da Alemanha, os tais US$ 100 mil, pela ordem de equipe escancarada da Ferrari.
Os correligionários do esquema sequer aumentaram a multa. Na Áustria há oito anos foi de US$ 1 milhão. É a crise do mundo moderno, que proporciona a deflação da economia mundial em cascata. Cascata…
A FIA referenda, com isso, que todas as suas categorias sob sua parca chancela permitam que os times façam o que bem queiram com seus pilotos, agora marionetes oficiais com habilidades automotivas, formados e lapidados com esforço para que se tornem escravos do sistema e coadjuvantes de um campeonato de marcas.
O que não me entra na cabeça é fazer com o que um piloto se acostume desde criança com a ideia de que ele pode não ser campeão porque seu empregador terá respaldo para barrá-lo. Nenhum moleque de 7 ou 8 anos sonha em ganhar o título de equipes para a Ferrari ou qualquer equipe. O pobre coitado vai ter de pensar diferente. Que siga outro esporte, pois. Ou melhor: que siga um esporte.
Demoraram para sair as declarações oficiais da patifaria da Praça da Concórdia. E tudo vai ser explicado amanhã.
Nem precisa. Todos entenderam.
A morte de quem não nasceu
SÃO PAULO | A FIA acaba de informar que a USF1 morreu. Na verdade, a equipe mal nasceu. Mas pela brincadeira de ganhar uma chance na F1 e não aproveitá-la, a entidade, via Conselho Mundial — e sem a presença de Jean Todt —, foi severa.
Na reunião de ontem em Genebra, o Conselho julgou o pecado-mor da dupla Peter Windsor/Ken Anderson, que enganaram Bernie Ecclestone, José María López, o cofundador do YouTube e mais meio mundo. Assim, receberá uma multa de € 309 mil (aproximadamente R$ 682 mil) e um banimento ad aeternum da equipe em qualquer campeonato que estiver sob sua chancela. Ou seja, nem mesmo comprando uma equipe a USF1 reaparece.
Ainda que não veio, vai tarde.
Blame Canada, 6
SÃO PAULO | A FIA acaba de anunciar uma punição a Hamilton, apenas financeira. O piloto foi multado em US$ 10 mil por não ter completado a volta de retorno aos boxes após a classificação no tempo estipulado. Na verdade, o inglês não completou a McLaren, numa artimanha da equipe que vai abrir mais um precedente na confusa F1.
O regulamento confuso e mocorongo da F1 estabelece que o piloto não pode exceder em 30% o tempo normal de volta a passagem de retorno aos pits nos treinos e na corrida. Então, se a volta no Canadá é completada na casa de 1min15s, não se pode demorar mais do que 1min40s ou 1min41s a volta em que o glorioso competidor se encaminha para os boxes. O regulamento técnico, em seu artigo 6.6.2, afirma que sempre deve haver 1 L de combustível no tanque ao final de todas as sessões.
Hamilton não teria esta quantidade de gasolina até chegar os pits. Aí a McLaren deliberadamente pediu via rádio que desligasse o motor e parasse. Assim, Lewis não completou a tal volta no tempo solicitado.
Com uma simples advertência e uma multinha, a FIA abre uma brecha para que todas as equipes passem a colocar uma volta menos de combustível durante a classificação para que os carros fiquem mais leves e, portanto, mais rápidos, afinal não se corre o risco de perder a posição conquistada na sessão. Definitivamente, a FIA não sabe fazer regulamentos.
O vírus da F1
SÃO PAULO | Estes tempos de fechamento de revista são dureza, e nem Dreher ajuda. Mal tive tempo de acompanhar o noticiário, mas essa coisa de acordo entre a FIA e Flavio Briatore mostra o quanto a F1 às vezes é patética e ridícula.
Seja lá o que tenham as partes tenham assentido para que Briatore volte em 2013, o exemplo da punição de afastar um manipulador de resultados foi retirado. E no fundo, a lição que se tira de tudo isso é que toda a culpa do crime ficou em cima dos Piquet. Mas como Nelsinho está feliz, pimpão e contente na América, toda esta patacoada deve ter dado a ele um lado bom e uma vida nova.
Porque a F1, ao que se nota, gosta de ser infestada por vírus letais.
PS: O post foi feito ontem à noite. Esqueci de publicar. Fraco.



Toda Cancha