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Terra do songkok, 4

SÃO PAULO | Tenho visto a grita que muitas gentes que torcem (e distorcem) para uma F1 mais humana, digna e confiável a respeito da grandiosa marmelada praticada pelas irmãs Ferrari e Sauber na corrida de hoje na Malásia. Um jogo de equipes, na visão deste povo, tão acostumado a crer nas teorias conspiratórias nos últimos anos que acreditam em qualquer coisa que lhes pareça minimamente uma manipulação mascarada.

Pérez voava para conseguir a vitória hoje. Aí o boçal do engenheiro veio no rádio para pedir “cuidado” porque “precisamos desta posição”, o então segundo lugar, pouco antes de ver seu estupendo piloto colar em Alonso e então errar. Parte do populacho viu como uma mensagem cifrada, afinal a Sauber é cliente da Ferrari e, por tal, está impedida de vencer uma corrida caso um piloto que vista vermelho esteja à sua frente.

Imagino quantos rádios clandestinos devam haver entre Ferrari e Sauber para que a comunicação seja feita entre elas. “Afaste este Chespirito daí”, manda Stefano Domenicali para Peter Sauber, que na sua face serena e lívida, apenas responde. “Sim, meu amo e senhor, e prometo disfarçar tudo depois com algumas lágrimas tipicamente helvéticas”.

Vamos a algumas verdades sobre o assunto. A Toro Rosso era cliente da Ferrari em 2008. Aí teve aquela corrida de Monza, Itália, casa da Ferrari, Ferrari disputando o título e tal. Chove, e me vem aquele fedelho, Vettel, faz a pole. Como pode? Que absurdo. E, meudeusdocéu, como teve ele o peito de liderar toda a corrida diante dos tifosi sem ao menos permitir que Raikkonen ou Massa lhe ultrapassassem? Pobre Vettel, punido pelo resto da vida, não é mesmo? Pobre Toro Rosso, nunca mais usou motores Ferrari, né?

McLaren e Mercedes, parceiras antigas. Aí a Mercedes comprou a Brawn e, ainda assim, tinha parte acionária na McLaren. Mais unidas, impossível. Como é que pode a McLaren vencer corridas neste período todo? Como é que Hamilton e Button podem ousar superar Rosberg e Schumacher? É um acinte.

Sobre a mensagem de rádio em si, pensemos o contrário: quando vem o engenheiro para falar o “push, push, push”, pedindo para que o cabra acelere, significa que o piloto não está acelerando forte? Significa, mesmo, que tem algo por trás disso? O malfadado engenheiro sauberiano somente solicitou ao seu impetuoso Pérez que não pusesse tudo a perder. Para uma equipe que nunca foi segunda colocada numa corrida, é melhor prevenir. Pérez queria, e muito, remediar. Não à toa, o cabra errou e foi tentar caçar Alonso em seguida — ou alguém também crê piamente que Pérez ia jogar a corrida fora na brita? Tem realmente quem acredite nisso? Jamais que Pérez, também, pensaria num eventual contrato com a Ferrari, para agora ou o ano que vem, e tirou o pé. Negada, o cara tá lá para vencer. Segunda prova do ano, e querem adivinhar o que o moleque tá pensando — e não é na temporada que acabou de começar, mas, sim, na de 2013, porque a gente mal sabe se vai estar vivo amanhã, quanto mais 2013.

Num português bem claro, o cara devia tá tão de pau duro e louco pra vencer que mal deve ter ouvido direito o que o engenheiro falou — embora possa ter distraído o cara. E para aqueles que sempre veem um outro lado em tudo, é bem capaz que a Ferrari tirasse Pérez já da Sauber para ocupar o lugar do inerte Massa se visse que o Ligeirinho conseguiu vencer o ‘mágico’ Alonso. Era o passaporte da alegria do Playcenter (#RIP).

Compreensível que se pense no passado nebuloso e inescrupuloso do mundo de Maranello. Mas se acalmem. Tomem um remedinho, uma Maracugina, um chá de camomila — e não de cogumelo. Sem loucuras ou insanidades, então, gente. Menos. Menos.

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Para salvar o ‘match point’

SÃO PAULO | Como a vida anda fácil, só que não, mal deu tempo ontem de postar aqui minha coluna de estreia — quem diria — no Grande Prêmio. Agora aguenta, toda semana tô  lá. O primeiro assunto é a pressa que a Ferrari tem em ver qual é o problema: o carro ou Massa. E já na segunda corrida do ano, Felipe vai se ver naquela situação do tênis ou do vôlei, de ter de marcar o ponto para se salvar da derrota.

A íntegra da coluna Superpole está aqui, ó.

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Boa

SÃO PAULO | Dois dias de testes em Jerez, e Massa solta o seguinte:

“Ainda tem muito trabalho. É um carro novo e não é o carro que tivemos no ano passado – mesmo no começo. É um carro que precisa de muito mais trabalho e muitas coisas para testar também”. Aí foi perguntado se houve alguma surpresa desagradável, e respondeu que “com um novo carro você sempre tem. Às vezes você não vê o resultado que esperava”, e ressaltou que, “com certeza” a Ferrari vai ter “muito trabalho”.

Já vi gente falando nas redes sociais que é desculpa, que é discurso de fim de carreira e que precisam ver o que Alonso vai falar depois de testar o carro.

Prefiro dizer que, mesmo a cabeça a risco e com tudo que o mundo tem achado dele, Massa teve personalidade pra vir dizer que o carro não é lá essas coisas, por enquanto. E é uma das coisas de se aplaudir nele.

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Investimento pesado

SÃO PAULO | Apesar de ter tirado o pé em terras brasileiras, o Grupo Petrópolis vai continuar seu investimento no automobilismo lá fora. E forte.

A principal marca de cerveja, Itaipava, e o energético TNT já estão fechados por mais uma temporada com Kanaan. A companhia está em negociação com Barrichello. Para completar o assunto Indy, o que é certo é que não haverá acordo com Castroneves, de comum acordo.

E o grupo chega à F1 de vez para tentar bater de frente com a Red Bull. Já está assinado um acordo, polpudo, com a Ferrari para que a marca TNT seja exposta entre os membros da equipe italiana, com destaque para os squeezes, as garrafas utilizadas pelos pilotos.

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A era dos ornitorrincos

SÃO PAULO | Houve ano em que a mudança no regulamento gerou uma série de asas dianteiras diferenciadas, e os bicos começaram a ganhar nomes. O mais simbólico foi aquele Batmóvel da Williams de 2004, alto, com duas hastes quase formando um arco.

Agora a F1 vai viver uma era de bico de ornitorrinco. O degrau do novo carro da Ferrari, a F2012, mostra claramente isso, uma tendência que a Caterham já tinha apresentado e que a McLaren, por enquanto, não seguiu.

Ainda bem. Porque é uma das coisas mais horrendas, esteticamente, que já se viu.

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Pressão, capítulo X

SÃO PAULO | A de hoje foi a terceira ou quarta entrevista recente em que a Ferrari bateu na tecla de que 2012 é crucial e imprescindível para a vida de Massa. Mas hoje lá em Madonna di Campiglio, no evento anual Wroom, Stefano Domenicali, chefe da escuderia italiana, acrescentou que Felipe “quando está sob pressão, é melhor”.

Até entendo que haja gente, e não é pouca, que produza mais quando o calo lhe aperta. Mas esse tipo de declaração/revelação do chefe sobre seu funcionário, que vai botando mais peso sobre as costas de Massa, acaba sendo até meio que vexatória para o brasileiro. É como se o dirigente abrisse ao mundo que um piloto que dirige o carro da equipe de maior história da F1 só funciona sob uma condição específica. Aos olhares mais críticos, é mais um motivo grande para atacar: alguém que guia aquele modelo vermelho tem sempre de ir bem em qualquer situação, cáspita.

E Massa não vai nada bem há dois anos, e por isso chegou a este ponto.

Ser o pior dentre os melhores nas temporadas que se seguiram a seu acidente vai deixar marcas muito grandes na carreira de Massa. A Ferrari, que não ganha um título desde Raikkonen — num ano em que não esperava ser campeã —, tem feito uma série de contratações de peso e desfalcando as outras equipes, menos a Red Bull, para ajudar sua dupla. É claro que se espera de Alonso que vá para as cabeças brigar com Vettel e a McLaren. Incentivado a fórceps, Felipe vai ter de fazer o mesmo.

E mesmo que engate uma sequência de boas corridas nesta longa temporada de 20 corridas, uma ou outra não vai sair a seu gosto — e ao gosto da cúpula. É aí que o negócio vai apertar. Luca di Montezemolo e seus comandados devem ter lá sua meta especial para Massa. Se passar um número X de atuações abaixo da crítica, o presida não vai tardar em pegar o telefone para ligar para números que já tem anotados ali em sua agenda. Primeiro o de Kubica. Depois, Rosberg.

 

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Passe livre

SÃO PAULO | Nem o próprio Kubica deve ter certeza se vai voltar a competir dignamente em um carro de F1, mas seu nome e seu passe continuam em ebulição quente e borbulhante no mercado. Se não estiver pronto para o ano que vem — como parece — e devidamente livre das amarras da Lotus, duas equipes já se manifestaram muito favoráveis à sua chegada em 2013, é o que diz a revista Autosport: Ferrari e Red Bull.

A publicação inglesa diz que Daniele Morelli, empresário do piloto, já foi chamado para conversas mais avançadas. No fim da temporada que vem, os contratos dos iguais Massa e Webber chegam a um ponto final, e pelo que tem sido feito por ambos até agora, a chance de que permaneçam onde estão é como a do Corinthians ganhar a Libertadores — frase cunhada por Felipe Giacomelli. Mas é uma nova amostra, como a dada por Eric Boullier, do estado em que estas equipes se encontram para ter um piloto que seja forte — no caso dos cavalos e dos touros, que haja um companheiro forte aos seus primeiros pilotos.

Se a McLaren acertar na sintonia fina de seu novo modelo, que vem sendo tratado como MP4-27A (híbrido? o MP4-27 já era? hum!…) nos testes em Abu Dhabi, e com a dupla que tem, com Hamilton refeito de seu mal necessário, há de vir forte para pelo menos ser campeã de Construtores — um cenário perfeitamente plausível.

E sem a pressão de ter de se recuperar, sabendo que 2012 está perdido, Kubica terá um tempão para sentar num carro novamente durante a temporada do ano que vem, ver se seu incrível talento não se foi naquele malogrado acidente de rali e analisar as propostas. Seu retorno, que seja fora da F1, pela HRT ou num time top, já será uma vitória e tanto.

Aí o Diogo Kotscho, viajante e palpiteiro de plantão, lançou uma pergunta, que adapto aqui: que vale mais, o Kubica de 2010 ou o Massa de 2008?

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Pequenos sensores

SÃO PAULO | Aí a Ferrari, além de testar Bianchi, colocou em alguns momentos do treino de hoje em Abu Dhabi alguns sensores para avaliar melhor o comportamento aerodinâmico do carro, “principalmente a nova asa dianteira”. Os sensores não são muito visíveis a olho nu, mas ao contrário…

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Massa fica

SÃO PAULO | Stefano Domenicali tratou de encerrar os rumores que mais uma vez ameaçavam o lugar de Felipe Massa e o garantiu na Ferrari por mais uma temporada. Usando as palavras do presidente Luca di Montezemolo, o chefe da equipe disse que “isso deve fazê-lo entender o quanto nós temos fé nele”.

Domenicali também falou que Massa faz parte da “família” e atribuiu os problemas de Massa à adaptação aos pneus Pirelli. “Mas sua vaga não está em risco”, reiterou. Sobre a ida de Nico Rosberg à sede da Ferrari, alegaram “motivos particulares”.

Como disse no post anterior, então que Massa, devidamente familiarizado aos PZero, honre a fé ferrarista e faça a melhor temporada possível no ano que vem, para que possa usá-la como exemplo do que pode fazer na F1, dentro ou fora dos muros de Maranello.

 

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Três anos

SÃO PAULO | Felipe Massa completou ontem, no Dia de Finados, três anos sem vitórias e poles na F1. É certamente uma das maiores lacunas da história de alguém que tem um carro de ponta na mão e que vinha se familiarizando com o primeiro lugar e disputou um título.

Daquela conquista em Interlagos em 2008 com sabor dúbio, foram 46 corridas e seis pódios. Houve um acidente sério no meio do caminho, mas se Felipe insistentemente garante que não existem sequelas, não deve ser um ponto de discussão. Poderia ter havido uma vitória, aquela da Alemanha. De resto, o brasileiro nunca esteve em condições de brigar por tal.

A temporada ruim do ano passado apontou como razão o mau aquecimento dos pneus Bridgestone por parte dos carros da Ferrari. Mas numa comparação direta, Alonso terminou cinco vezes em primeiro lugar e angariou 252 pontos, 108 a mais que Massa. Em 2011, com pneus Pirelli e duas provas por vir, o espanhol tem mais do que o dobro de pontos do brasileiro, 129 à frente, bem como os outros quatro pilotos de ponta — Vettel, Button, Webber e Hamilton. O que de válido Felipe conseguiu foram quatro quintos lugares e seis incidentes com Lewis.

Considerando que Massa é o mesmo de antes do acidente na Hungria, é importante ponderar em cima deste hiato a própria temporada de 2008, que foi, por assim dizer, a atípica em sua carreira de piloto top. A McLaren vinha reorganizando a casa depois de um período turbulentíssimo entre Hamilton e Alonso, e na Ferrari a situação era inversa à do ano anterior. Massa é quem dava as cartas. Mas será que ali a Ferrari não tinha um equipamento muitíssimo superior ao da McLaren e, aliado ao fato de que Raikkonen vinha absurdamente desmotivado depois da conquista do título, isso levou o mundo a pensar que Felipe havia se estabelecido como protagonista na F1? Será que as condições não acabaram superestimando Felipe, daí a decepção com que ele vem apresentando?

Em 2012, a F1 terá um conjunto técnico praticamente igual ao que está sendo usado, de modo que nenhuma equipe deve achar 0s5 ou 1s no meio do caminho, e o cenário tende a ser similar. Há dois anos, Massa é só um complemento na Ferrari. A equipe aguentou este tempo Raikkonen até quebrar seu contrato e mandá-lo caçar sapo e beber vodca. Na Alemanha, algumas publicações, umas sérias e outras sensacionalistas, já começam a soltar que Nico Rosberg conversa com a Ferrari, que se incomoda, sim, em saber que seu segundo piloto não tem o mesmo valor e peso de Webber e Hamilton, hoje coadjuvantes em seus times respectivos.

Se a Ferrari realmente honrar o compromisso, Massa tem de primeiro agradecer por permanecer mais um ano, o último na equipe. Só um título ou uma temporada dos sonhos seria suficiente para persuadir Luca di Montezemolo e seu grupo a um fico. Ou então, cônscio de suas capacidades e situação, fazer o melhor campeonato possível para barganhar numa equipe de médio porte sua permanência na F1 em 2013.

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Várzea de Rodas, 2

SÃO PAULO | Vamos numerar, mas todos sabem que este não é o segundo capítulo. Vejam a inteligência dos dirigentes: marcaram para este fim de semana, concomitante à Stock Car em Londrina, mais uma etapa do Brasileiro de Endurance, a terceira do ano, supostamente. Em Curitiba. Para quem é bom de geografia, nota que o Paraná tem dois eventos. Joia.

Bom, daí que a dupla Chico Serra/Chico Longo ficou meio assim de ir, achando que não teria tanta gente no grid. As cabeças pensantes persuadiram, “não, vem que a Ferrari de vocês vai atrair gente, as inscrições vão bombar”, etc. e tal.

Chegando lá hoje, nos treinos, os Franciscos viram apenas cinco carros no grid, contando com a máquina vermelha. Três deles são Gol. Resultado: treinaram e estão voltando para São Paulo. E há quem diga que Longo cansou da brincadeira…

Este foi mais um capítulo de ‘Várzea de Rodas’.

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Kubica e a Ferrari

SÃO PAULO | Há dois anos, a Ferrari se via na seguinte situação: o carro não era bom o suficiente para brigar com Brawn e Red Bull e só uma vitória na temporada é o que a equipe apresentava de melhor. Ainda, a equipe ainda sentia os efeitos da saída abrupta de Massa por seu acidente na classificação na Hungria e não conseguia colocar ninguém à altura para substituí-lo — a ausência de testes e a impossibilidade de adaptação ao carro acabaram com as carreiras de Badoer e Fisichella.

Na frieza da análise, 2011 parece bem semelhante. A Ferrari é a terceira força e belisca aqui e ali o pódio quando um piloto da Red Bull e a McLaren falham — neste caso, geralmente Hamilton. Uma só vitória no Mundial, a de Alonso em Silverstone, e Massa num papel parecido com o de Fisichella: bem distante do desempenho do companheiro.

Em 2009, havia o temor de que Massa poderia não voltar, mas a presença de Raikkonen no ano seguinte era posta em xeque. O segundo ano seguido apagado do finlandês pesava na equipe que só tinha um piloto na prática. Os rumores se transformaram em realidade, e mesmo com um ano de contrato por vir, Kimi teve seu contrato rescindido e Alonso chegou.

A continuação de Felipe na equipe vermelha sempre foi colocada em dúvida, mas Luca di Montezemolo e outros dirigentes da equipe se apressaram em desmenti-los, e o tempo veio lhes dando razão. Mas como Raikkonen, Massa está completando duas temporadas extremamente ruins, da mesma forma com uma temporada no papel.

Paralelo a isso, há a história de Kubica. Se voltar como antes, o polonês é piloto para andar na frente. É um dos melhores. A Renault, sua equipe, deu a ele e ao empresário um mês de prazo para que informem se Robert reúne condições para sentar em seu carro de 2012. Para quem saiu da sala de cirurgia pela última vez não tem muito tempo, e pela gravidade do acidente, um mês é até pouco para que se tenha pleno conhecimento de seu estado físico e se garanta 100% seu retorno triunfal.

Como a Renault está sendo irredutível em seu prazo, e ela não está errada, já há quem aponte aqui e ali que há uma porta se abrindo na Ferrari caso Kubica não esteja pronto para dar uma resposta até o fim de outubro. Seria interessante para a Ferrari esperar até o fim do ano, por exemplo? Como não há treinos pós-temporada, talvez não faria tanta diferença — afinal o carro do ano que vem já está no forno, ao gosto de Alonso.

Assim, a decisão que Kubica for tomar em relação à Renault deve ser acompanhada com atenção por Massa. Que ele se cubra. Com o histórico recente que a Ferrari apresenta e pelo descrito acima, é bem capaz que a equipe aposte num polonês remendado do que um brasileiro teoricamente inteiro.

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De novo na berlinda

SÃO PAULO | A bola é sempre levantada aqui e ali, e o passar dos dias acaba desmentindo. Vários veículos de comunicação tratam de pôr o lugar de Massa ameaçado na Ferrari. Começou com Kubica, passou por Vettel, chegou a Rosberg, suscitaram até Webber e, agora, o ‘Marca’ vem com a história de que falam em Button pelos lados de Maranello.

Amparada por tais rumores, a McLaren, então, está por apresentar ao inglês um novo contrato, exercendo dentro do prazo seu direito de opção pelos serviços do vencedor do GP do Canadá.

O desempenho de Massa desde que voltou à F1 após seu grave acidente na Hungria (claro que não é Holanda!) tem apresentado mais maus momentos do que bons, creio que não seja ponto de discussão. O fato de ter contrato assinado até o fim do ano que vem também não quer dizer muita coisa, afinal a Ferrari tem em seu histórico recente uma quebra de contrato, a de Raikkonen. Mas é realmente interessante averiguar como Felipe vira o alvo da vez e se aponta para todos os lados para se achar seu substituto.

No caso de Button, é uma coisa simples: a troco do quê Jenson vai deixar a McLaren, estando em alta e de bem com o time, numa fase em que Hamilton é tido como vilão — e dá mostras de que não está lá muito contente com a equipe que o criou —, e mudar para uma casa onde do outro lado há um Alonso que é destruidor de parceiros?

Massa, pelo jeito, pode seguir tranquilo. Os rumores continuam errados. Por enquanto.

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Bordos, 2

SÃO PAULO | O Fernando Silva vai me permitir usar uma frase que cunhou há poucos dias, com muita propriedade: “Vettel vai além do céu porque não tem limite”. Ele até tenta dar aquele gostinho, mas é pérfido o bastante para ver os adversários salivando frustração, procurando aqui e ali a razão por seus décimos perdidos nos trechos da pista. Era no Canadá a chance da Ferrari sonhar com uma polezinha e proporcionar aos jornalistas a benesse das manchetes que indicavam um rescaldo de mudança na F1. Nada. Sebastian foi lá e créu!, para chegar ao paladino das estatísticas como um dos dez maiores de todos os tempos.

Vettel tem a precisão de Senna para uma volta rápida. Portanto, já supera Alonso neste quesito. Tem mais cabeça e habilidade que Hamilton. Apresenta traços de Button no trato com o carro. Sabe dominar como fazia Schumacher em seus tempos da brilhantina. É um piloto completo — consequências que dão um título. E sabe se desculpar com a equipe quando comete um erro. Foi assim na Turquia, e depois do acidente de ontem em Montreal, carregava em si a incumbência de devolver para a equipe no sorriso e na alegria o prejuízo material.

Tudo muito bem, mas a corrida para Vettel deve ser bem difícil. Mesmo que seja em pista seca, a Ferrari apresenta um bom ritmo de corrida. E com estes pneus e as várias estratégias, a vantagem que o conjunto Red Bull-Vettel inexiste. Além disso, a Ferrari tem largado bem — embora a reta em Montreal seja muito curta, e Vettel precisaria de um desatre no Kers para perder posição para os carros vermelhos.

Massa e Alonso estão na briga. E, por enquanto, em igualdade de condições. Foram só 0s018 de diferença a favor do espanhol, na bacia das almas. Seria até mais interessante para ambos que não chovesse, provavelmente. Mas como Massa foi no banco da frente no carro que os encaminhou para a coletiva, isso significa alguma coisa. Certeza absoluta. Não para alguns, mas é.

Webber, coitado, mais meio segundo na lomba. Webber está sendo o Massa do ano passado. E a Red Bull talvez não tenha a política, para não dizer paciência, necessária para manter um piloto que não consegue ao menos formar uma dobradinha no grid ou na corrida. É outro que precisa de uma aparição à la China — e, votecontá, uma boa corrida em seis ano é um atestado de afastamento.

Mercedes e McLaren vêm numa mesma balada, com Hamilton ligeiramente melhor que Button. Mas isso já é sabido. Na corrida, Button vem na sua toada, concentrado e gentil, e os prateados são bons de estratégia. A Mercedes, no fim das contas, acaba brigando entre si pelo sétimo lugar. A Renault é firmemente a quinta força e só.

D’Ambrosio, que já virou Ambrósio na TV, não deveria largar, mas os comissários liberaram. Pra que existe a regra dos 107%, cazzo? A Virgin é ruim demais, mas o cabra também é meio limítrofe. Dizem que a equipe vai lançar um pacote novo na Inglaterra e depois pensa em 2012. Sei lá, poderia pensar em ir pra a GP2, GP3, pra bem longe. A Williams deu um leve passo à frente, mas nada que a fizesse ir para o Q3. Maldonado tem sido mais rápido que Barrichello desde o GP da Espanha. É algo que começa a ser significativo. De la Rosa fez lá seu papel na Sauber, às pressas, e Kobayashi deu seu showzinho com um carro desequilibrado. Amanhã o mito vem.

Para não arriscar o óbvio, hã, vou de Alonso amanhã. Numa corrida com 2 safety-cars. Sob chuva. De qualquer forma, certamente bastante interessante.

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Bordos

SÃO PAULO | Por muito tempo olhou-se para Mônaco como a exceção do campeonato. Entenda-se por exceção a corrida em que os resultados mais absurdos tinham maior probabilidade de acontecer, vide as vitórias de Panis em 1996 e Trulli em 2004, motivadas pelas exigências provocadas pelas características daquele circuito urbano. Mas os tempos são outros. E como os carros são praticamente impossíveis de apresentar quebras mecânicas e com mais recursos à disposição dos pilotos que tornaram a pilotagem mais fácil, as provas de Monte Carlo já não têm trazido tais aberrações. Se alguém procura uma situação atípica na F1 hoje, é bem mais possível de encontrá-la no Canadá.

Fosse construída nos tempos modernos, o circuito de Montreal seria visto como mais uma obra de Tilke, com uma reta longa e curvas predominantemente de baixa velocidade. Os pontos que as diferenciam dos tilkódromos seriam os muros e as árvores em volta, distintos das infindáveis áreas de escape ou das britas, e o fato de a pista ser usada duas ou três vezes por ano por ser urbana. Ou seja: os pilotos têm de andar no limite numa pista que começa extremamente suja, provoca desgastes e se desgasta, com limites definidos por paredes. Um erro se torna fácil, e a chance de encontrar o fim das atividades é grande. 

Soma-se a este o cenário a ausência de vantagem que o carro da Red Bull leva sobre os demais. Um dos segredos da equipe está nas curvas de alta, com suas asa dianteira e sua tendência a vergar — em mais uma ideia mirabolante de Adrian Newey, agindo em conformidade com o regulamento —, melhorando o fluxo de ar e gerando maior velocidade. Assim, as outras grandes enchem o peito: Ferrari promete fazer desta prova o ponto de virada no campeonato, McLaren se apoia no retrospecto e na evolução para garantir que vai muito bem, Mercedes vê que as características do carro se adequam totalmente à pista e Renault aposta na força do motor para brigar pelos primeiros lugares.  

Isto posto, pega-se os resultados do primeiro treino: Mercedes e Ferrari, que vinham como terceira e quarta forças em ritmo de classificação, aparecem na frente de Red Bull e McLaren. Não há surpresa interna: Rosberg vem à frente de Schumacher e Alonso, de Massa. Os prateados tomaram 1s de Nico, terminando em quinto e sexto. Os rubrotaurinos nem entre os dez primeiros ficaram — também porque Vettel bateu, como fizera na sexta-feira da Turquia. Bateu, pelo menos, num lugar que lhe é afeito, o Muro dos Campeões. Webber terminou em 12º e tomou tempo das duas Force India (Di Resta e Hülkenberg), de apenas uma Renault (a de Heidfeld), de uma Sauber (de Pérez) e até da Williams (a de Barrichello), que traz novidades para a etapa — e não podiam trazer resultado pior do que a equipe vinha mostrando. 

Evidente que se tratava apenas de um treino inicial e que Vettel, pelo menos, havia de vir pras cabeças no apronto seguinte. E com o alemão na pista, ainda que o treino tivesse sido atrapalhado pelas barbeiragens de Sutil e D’Ambrosio e pelo movimento das placas tectônicas de Quebec que jogaram Kobayashi no muro, o primeiro lugar de Alonso e o terceiro de Massa no TL2 são alentos para a Ferrari, principalmente, pensar que pode tirar a zica do pântano.

Por melhor que a Mercedes esteja, os pneus que desgastam como a sola dos tênis de Felipe Giacomelli lhe são o calcanhar de Aquiles. E com estes compostos macios à beça numa pista que consome demais, a tendência é que Rosberg e Schumacher tenham poucas voltas úteis durante as 70 voltas da corrida e necessitem de uma estratégia diferenciada dos demais, aproveitando que os boxes são curtos em Montreal, para tentar brigar por algo interessante — não estranharia uma tática de quatro ou cinco paradas. No segundo treino, visivelmente a equipe se preocupou com o acerto para domingo. E Rosberg já admitiu que não tem carro (pneu) para vencer.

Sem a Mercedes, pois, e andando da forma que indicou nesta sessão de abertura, Alonso pode sonhar alto. Da mesma forma que Massa, que só tiraria a má impressão que voltou a lhe pousar sobre o ombro com um pódio e uma performance mais do que convincente.

E ainda há, segundo a previsão atualizada, possibilidade até de tempestades durante o fim de semana. Numa fase em que a F1 tem apresentado provas bastante atrativas, o Canadá deve se tornar o crème-de-la-crème.

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