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Brincando de rumores

SÃO PAULO | Com um dia de atraso, aqui ponho a Superpole da semana, que fala do exercício que tem sido mais comum nesta temporada da F1: prever o que será de Massa num futuro próximo. O negócio vai de dar lugar a Webber na Ferrari até a formação de um time brasileiro na Indy, aproveitando o plano de Jimmy Vasser. E vai uma informação interessante: a Telmex negocia para patrocinar a Academia de Pilotos da equipe italiana.

A íntegra da coluna está no Grande Prêmio ou aqui, ó.

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A várzea de rodas, 12

SÃO PAULO | Durou só dois anos a tentativa de Felipe Massa e seus parceiros de dar uma oportunidade aos pilotos oriundos do kart. Longe de alcançar êxito, a F-Futuro acabou. E não alcançou por algumas razões principais, dentre as quais se destacam a relação preço/incentivo (em menor escala) e a não formação de pilotos no kart — onde, claro, entram CBA e CNK.

Lembro bem que na estreia da F-Futuro, da qual a entidade levemente tentou se apropriar, o presidente Cleyton Pinteiro estava em Indianápolis para acompanhar as 500 Milhas. Daí se nota que a categoria nunca teria atenção de ninguém da CBA, como aconteceu neste ínterim. O kart passa por uma fase das piores, e só iniciativas como a do Super Kart Brasil têm algum propósito. Coisas que se nota aqui e ali, como preços e a ausência de atitudes do presidente da CNK, Rubens Gatti — quem é que consegue encontrá-lo? —, denotam que a base do automobilismo não cumpre seu papel.

Não à toa, a F-Futuro nunca encheu um grid de 20 carros, que era sua proposta. A categoria sempre foi deficitária e se sustentava graças aos lucros do Trofeo Linea, hoje Copa Fiat. A organização levou até onde dava e pegou os pilotos de surpresa hoje, e o Brasil volta a ter só a F3 Sul-americana, combalida e enfraquecida, como opção nos monopostos.

A proposta de Massa fracassou, mas ele e seus apoiadores devem ser aplaudidos. Pena que não tenha dado certo. A CBA coleciona mais um fracasso. Nunca faz nada certo.

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Para salvar o ‘match point’

SÃO PAULO | Como a vida anda fácil, só que não, mal deu tempo ontem de postar aqui minha coluna de estreia — quem diria — no Grande Prêmio. Agora aguenta, toda semana tô  lá. O primeiro assunto é a pressa que a Ferrari tem em ver qual é o problema: o carro ou Massa. E já na segunda corrida do ano, Felipe vai se ver naquela situação do tênis ou do vôlei, de ter de marcar o ponto para se salvar da derrota.

A íntegra da coluna Superpole está aqui, ó.

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Boa

SÃO PAULO | Dois dias de testes em Jerez, e Massa solta o seguinte:

“Ainda tem muito trabalho. É um carro novo e não é o carro que tivemos no ano passado – mesmo no começo. É um carro que precisa de muito mais trabalho e muitas coisas para testar também”. Aí foi perguntado se houve alguma surpresa desagradável, e respondeu que “com um novo carro você sempre tem. Às vezes você não vê o resultado que esperava”, e ressaltou que, “com certeza” a Ferrari vai ter “muito trabalho”.

Já vi gente falando nas redes sociais que é desculpa, que é discurso de fim de carreira e que precisam ver o que Alonso vai falar depois de testar o carro.

Prefiro dizer que, mesmo a cabeça a risco e com tudo que o mundo tem achado dele, Massa teve personalidade pra vir dizer que o carro não é lá essas coisas, por enquanto. E é uma das coisas de se aplaudir nele.

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Pressão, capítulo X

SÃO PAULO | A de hoje foi a terceira ou quarta entrevista recente em que a Ferrari bateu na tecla de que 2012 é crucial e imprescindível para a vida de Massa. Mas hoje lá em Madonna di Campiglio, no evento anual Wroom, Stefano Domenicali, chefe da escuderia italiana, acrescentou que Felipe “quando está sob pressão, é melhor”.

Até entendo que haja gente, e não é pouca, que produza mais quando o calo lhe aperta. Mas esse tipo de declaração/revelação do chefe sobre seu funcionário, que vai botando mais peso sobre as costas de Massa, acaba sendo até meio que vexatória para o brasileiro. É como se o dirigente abrisse ao mundo que um piloto que dirige o carro da equipe de maior história da F1 só funciona sob uma condição específica. Aos olhares mais críticos, é mais um motivo grande para atacar: alguém que guia aquele modelo vermelho tem sempre de ir bem em qualquer situação, cáspita.

E Massa não vai nada bem há dois anos, e por isso chegou a este ponto.

Ser o pior dentre os melhores nas temporadas que se seguiram a seu acidente vai deixar marcas muito grandes na carreira de Massa. A Ferrari, que não ganha um título desde Raikkonen — num ano em que não esperava ser campeã —, tem feito uma série de contratações de peso e desfalcando as outras equipes, menos a Red Bull, para ajudar sua dupla. É claro que se espera de Alonso que vá para as cabeças brigar com Vettel e a McLaren. Incentivado a fórceps, Felipe vai ter de fazer o mesmo.

E mesmo que engate uma sequência de boas corridas nesta longa temporada de 20 corridas, uma ou outra não vai sair a seu gosto — e ao gosto da cúpula. É aí que o negócio vai apertar. Luca di Montezemolo e seus comandados devem ter lá sua meta especial para Massa. Se passar um número X de atuações abaixo da crítica, o presida não vai tardar em pegar o telefone para ligar para números que já tem anotados ali em sua agenda. Primeiro o de Kubica. Depois, Rosberg.

 

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Massa fica

SÃO PAULO | Stefano Domenicali tratou de encerrar os rumores que mais uma vez ameaçavam o lugar de Felipe Massa e o garantiu na Ferrari por mais uma temporada. Usando as palavras do presidente Luca di Montezemolo, o chefe da equipe disse que “isso deve fazê-lo entender o quanto nós temos fé nele”.

Domenicali também falou que Massa faz parte da “família” e atribuiu os problemas de Massa à adaptação aos pneus Pirelli. “Mas sua vaga não está em risco”, reiterou. Sobre a ida de Nico Rosberg à sede da Ferrari, alegaram “motivos particulares”.

Como disse no post anterior, então que Massa, devidamente familiarizado aos PZero, honre a fé ferrarista e faça a melhor temporada possível no ano que vem, para que possa usá-la como exemplo do que pode fazer na F1, dentro ou fora dos muros de Maranello.

 

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Três anos

SÃO PAULO | Felipe Massa completou ontem, no Dia de Finados, três anos sem vitórias e poles na F1. É certamente uma das maiores lacunas da história de alguém que tem um carro de ponta na mão e que vinha se familiarizando com o primeiro lugar e disputou um título.

Daquela conquista em Interlagos em 2008 com sabor dúbio, foram 46 corridas e seis pódios. Houve um acidente sério no meio do caminho, mas se Felipe insistentemente garante que não existem sequelas, não deve ser um ponto de discussão. Poderia ter havido uma vitória, aquela da Alemanha. De resto, o brasileiro nunca esteve em condições de brigar por tal.

A temporada ruim do ano passado apontou como razão o mau aquecimento dos pneus Bridgestone por parte dos carros da Ferrari. Mas numa comparação direta, Alonso terminou cinco vezes em primeiro lugar e angariou 252 pontos, 108 a mais que Massa. Em 2011, com pneus Pirelli e duas provas por vir, o espanhol tem mais do que o dobro de pontos do brasileiro, 129 à frente, bem como os outros quatro pilotos de ponta — Vettel, Button, Webber e Hamilton. O que de válido Felipe conseguiu foram quatro quintos lugares e seis incidentes com Lewis.

Considerando que Massa é o mesmo de antes do acidente na Hungria, é importante ponderar em cima deste hiato a própria temporada de 2008, que foi, por assim dizer, a atípica em sua carreira de piloto top. A McLaren vinha reorganizando a casa depois de um período turbulentíssimo entre Hamilton e Alonso, e na Ferrari a situação era inversa à do ano anterior. Massa é quem dava as cartas. Mas será que ali a Ferrari não tinha um equipamento muitíssimo superior ao da McLaren e, aliado ao fato de que Raikkonen vinha absurdamente desmotivado depois da conquista do título, isso levou o mundo a pensar que Felipe havia se estabelecido como protagonista na F1? Será que as condições não acabaram superestimando Felipe, daí a decepção com que ele vem apresentando?

Em 2012, a F1 terá um conjunto técnico praticamente igual ao que está sendo usado, de modo que nenhuma equipe deve achar 0s5 ou 1s no meio do caminho, e o cenário tende a ser similar. Há dois anos, Massa é só um complemento na Ferrari. A equipe aguentou este tempo Raikkonen até quebrar seu contrato e mandá-lo caçar sapo e beber vodca. Na Alemanha, algumas publicações, umas sérias e outras sensacionalistas, já começam a soltar que Nico Rosberg conversa com a Ferrari, que se incomoda, sim, em saber que seu segundo piloto não tem o mesmo valor e peso de Webber e Hamilton, hoje coadjuvantes em seus times respectivos.

Se a Ferrari realmente honrar o compromisso, Massa tem de primeiro agradecer por permanecer mais um ano, o último na equipe. Só um título ou uma temporada dos sonhos seria suficiente para persuadir Luca di Montezemolo e seu grupo a um fico. Ou então, cônscio de suas capacidades e situação, fazer o melhor campeonato possível para barganhar numa equipe de médio porte sua permanência na F1 em 2013.

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Fala, Massa

SÃO PAULO | De Massa, sobre o apoio do torcedor brasileiro na corrida deste fim de semana depois do que aconteceu no GP da Alemanha:

“Eu tenho certeza que a maior parte do público vai torcer, como sempre fez, e acho que isso faz parte das pessoas que gostam e acompanham a F1. Sempre tem um ou outro que vai querer aparecer, mas isso não é problema nenhum pra mim. Eu vou fazer o máximo pra alegrar a torcida pra trazer um bom resultado a eles.”

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O copo meio vazio

SÃO PAULO | A consciência de que 2010 é um ano a ser esquecido foi a marca da curta coletiva que Felipe Massa deu durante um almoço na tarde de hoje em São Paulo. Sem vitórias e 88 pontos atrás de Fernando Alonso na tabela de classificação, o brasileiro usou-se de um eufemismo para avaliar seu desempenho: em vez de negativo, optou por dizer que o balanço do campeonato foi “não positivo”.

“Eu imaginava ter tido um ano melhor do que eu tive, não só pelo problema que eu tive falando de aquecer o pneu, principalmente em classificação — muitas vezes em corrida o carro andou bem, o ritmo era bom. Mas na classificação eu sofri mais para o pneu aquecer e ser do jeito em que eu tava acostumado”, declarou o ferrarista. “Em corrida o ritmo sempre foi melhor, só que a gente sabe o quanto classificação é bom hoje em dia”, falou.

A alegação de que o problema principal estava nos pneus foi acompanhada dos pelos abandonos, quatro no total, e das altercações que encontrou em determinadas corridas. Massa mencionou o Canadá, “onde eu bati na primeira curva”, a China, em que “eu não tive um resultado bom na chuva” e Cingapura, lugar que “eu saí para classificar, quebrou meu carro e eu tive que largar atrás, numa pista como aquela”.

Do G3 da F1, Massa é o único que não chega a Interlagos na briga pelo título, situação semelhante a de 2007. Naquela temporada, a McLaren também via sua dupla na disputa — Lewis Hamilton e Alonso —, enquanto Kimi Raikkonen vinha com chances remotas pela Ferrari. No fim das contas, Felipe observou que acontece. Coisas da vida de piloto. ”Se eu não estou na luta pelo campeonato, é porque eu não consegui fazer aquilo que não imaginava por vários motivos”, repetiu o piloto. “O Alonso teve um ano muito melhor e mais competitivo, e o carro melhorou muito do meio pro final do campeonato. Não é nada do que já não vi.”

Tal qual 2007, o papel atual de Massa é servir de escudeiro — ou garçom. Felipe teve de abrir mão da vitória na pista paulista para que Raikkonen fosse campeão. “No que depender de mim, com certeza”, confirmou quando perguntado se vai ajudar Alonso. “Sou profissional.”

E o profissional Massa é também um administrador de pressões na Ferrari. “Sempre foi grande”, disse. “Desde quando entrei na Ferrari, se dependesse principalmente dos jornalistas, estava saindo a cada ano”, afirmou, referindo-se aos constantes boatos de que pode deixar a equipe italiana — Sebastian Vettel e Robert Kubica foram cotados para seu lugar nos últimos anos. “A pressão sempre existiu. Tem aquelas pessoas que são a favor e torcem e tem muita gente contra. Neste ano, que não foi bom, a pressão está grande. E num ano que estava andando bem, também era. Se eu não ganhar a corrida seguinte, como é que vai fazer?”

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A involução do homem

SÃO PAULO | A maior decepção não é nem com o episódio em si. Porque seria otimista demais pensar que qualquer equipe, ainda mais a Ferrari, se furtasse de fazer suas combinações ou manifestasse suas preferências, intramuros ou ao vivo para todo mundo ouvir e ver. Armações — e talvez o termo seja meio forte para definir, mas nenhum deixaria de remeter ao que é, uma armação, uma manipulação — fazem parte de todas as estratégias. Ninguém passa horas num briefing decidindo a obviedade de uma corrida com uma parada nos boxes ou analisando dados de telemetria. Nas reuniões se decidem rumos e são colocadas hipóteses que precisam ter soluções. Evidente que aquela situação de Massa à frente, bem plausível, foi debatida por Domenicali e sua curriola. Só que a italianada de hoje não era esperta como antes. Que seja.

É com Massa, a questão. É essa coisa de pensar que se esperava um pouco mais — ou muito mais, no caso — de alguém por sua conduta ao longo destes anos, também porque tem no currículo o item da negativa a compactuar com uma troca de posições, quando corria pela Sauber, há oito temporadas — ainda que, provas depois, na mesma Hockenheim, tenha aceitado. É aquilo de se olhar para o perfil e concluir, até com orgulho, que o esportista, o piloto e o homem Massa não carregava o gene da subserviência total e irrestrita ao seu empregador que está presente em Barrichello e Nelsinho.

Se Massa se recusasse a dar a vitória para Alonso — que deve ter sido criado pela avó em um condomínio fechado em Oviedo, cheio de mimos e dono de todas as bolas e os carrinhos —, provavelmente não ia mudar nada. A Ferrari não iria sabotá-lo. Já que Alonso seria, ou é, o homem escolhido para seguir o caminho do título, não faria sentido colocar um lastro de 257,5 kg ao lado do motor ou comprar uma Hispania e pintá-la de vermelho e dar na mão do brasileiro. Um Massa andando na frente é muito mais útil. E a Ferrari, com a experiência que teve no ano passado, jamais cogitaria promover um reserva. Fisichella, Gené e Badoer juntos fariam pior. Se Felipe fizesse corpo mole, aí são outros quinhentos. Mas acho, já não coloco nem uma unha no fogo, que não faria isso.

Mais: Massa acabou de renovar um contrato. Ainda que a Ferrari tenha um histórico recente de uma quebra, Raikkonen não fez levantou um copo de vodca para manter o acordo. Se quisesse, mesmo, era Kimi quem estaria sentado ali no carro 8. Portanto, seria mais digno para o esporte, para a F1 e para o homem Massa ganhar a corrida em Hockenheim. Para o público, que é quem no fundo da vida a esta patacoada toda. A balança pesaria bem mais para o lado bom. Alonso que reclamasse, chorasse, pedisse o tetê e fizesse mimimi na cama quente.

E mesmo assim, se a Ferrari fosse uma desalmada, boba e cara-de-mamão e rasgasse o papel com a assinatura de Massa, que ele soubesse que há vida fora da Ferrari, como ele já teve oportunidade de viver e dispensou, talvez achando que na McLaren fosse ocupar o papel oficial de segundo piloto que ele vinha escondendo e assumiu ontem, da pior forma possível.

Porque Massa fez parte de um esquema que brincou com a inteligência do mundo. A Ferrari viu lá que a hipótese 3 ou 4 de seu plano de prova acontecia, mais pela falta de inteligência de Vettel do que por virtude de seus pilotos ou excelência de sua estratégia, e para promover o combinado, soltou via rádio o código da troca de posição, silabado, que fez até quem não entende inglês inteligente, justamente na corrida em que todas as transmissões de rádio estavam abertas. Pior é a desfaçatez de negar no vazio de desculpas sem sentido e as divagações das respostas das perguntas incisivas dos jornalistas.

Sendo que tudo estava ali, ridiculamente, na nossa cara, no “sorry”, na comemoração chocha de Alonso, na cara de choro de Massa, no “não preciso dizer nada” que disse na coletiva. E quando disse, não deveria ter dito que partiu dele e que agiu pela famiglia di Maranello. Se Massa quisesse fazer uma benfeitoria para a equipe, não teria disputado posição lado a lado no único momento em que Alonso tentou ultrapassá-lo. Daria a posição da forma que Schumacher indicou, do alto de sua larga experiência em benefícios neste cenário, “legal e não óbvio”. Se não pensou em uma benfeitoria para o esporte e para a F1, que fizesse a si, no seu aniversário e em homenagem ao tio morto. Felipe acatou a ordem, vinda no momento errado, e como vimos há oito anos na Áustria, diminuiu o ritmo e abriu para o primeiro piloto. E nós-en-ten-de-mos a men-sa-gem: Felipe age sob uma “cláusula Barrichello”. No seu primeiro ano, o mundo acompanhava Felipe dar seu primeiro e maior passo, meio que seguindo o que Webber fez há poucos dias. Caiu. Ra-pi-di-nho.

Massa nasceu, cresceu, renasceu e poderia crescer muito mais. Cometeu suicídio.

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Pastor alemão, 6

SÃO PAULO | Já vai fazer um ano que Felipe Massa praticamente renasceu. Foi em 25 de julho do ano passado que o brasileiro foi acertado na cabeça por uma mola que se desprendeu do carro de Rubens Barrichello no treino classificatório do GP da Hungria. Em agradecimento ao tratamento recebido nos dez dias em que ficou internado, Massa vai voltar ao hospital AEK.

“Foi um momento difícil para mim”, declarou Felipe hoje em Hockenheim, após o terceiro lugar obtido no treino classificatório do GP da Alemanha. “Alguém estava dizendo que eu precisava estar aqui, então aqui estou, muito feliz, trabalhando, ainda fazendo o que eu gosto, e vamos voltar à Hungria e tentar alcançar um bom resultado”, disse.

Massa deve ir para Budapeste já no começo da semana que vem e prometeu que vai visitar os médicos e enfermeiros. “Será importante num lado pessoal”, afirmou. “Eles cuidaram de mim e eu quero dizer um olá para todos e conversar com eles.”

O piloto da Ferrari “se isso soa emocionante, é, porque o que aconteceu para mim no ano passado foi um momento signficante da minha vida, uma coisa grande e muito especial de um ponto de vista humano”, completou.

Massa chegou, segundo os médicos, a correr risco de morte pelo forte impacto da mola na região acima de seu olho esquerdo. Felipe acabou afastado do resto da temporada de 2009 e não teve sequelas cerebrais nem na vista.

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Massa e a McLaren

SÃO PAULO | Creio que não há melhor momento para falar do assunto, ao ler no Grande Prêmio que Nicolas Todt, empresário de Felipe Massa, andou assuntando com outras equipes, por exemplo a Renault.

Renault de Robert Kubica, que dizem já ter contrato assinado com a Ferrari. Mas não tem nada a ver com o angu.

Ouvi uma história interessante na semana passada, mas não pude apurar como deveria pela correria do momento. A fonte é boa, então vou dizer mesmo assim: a McLaren, antes de procurar Rubens Barrichello, foi atrás de Massa para que fosse companheiro de Lewis Hamilton. Já sabiam que iriam dar um pé nos fundilhos gélidos de Heikki Kovalainen. A fonte não soube precisar o tempo, mas diante da outra informação, posso presumir que foi antes de julho: Massa, que declinou do convite, iria renovar contrato com a Ferrari justamente no fim de semana do GP da Hungria.

Acabou não assinando pelo motivo que todos bem sabem qual.

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Polêmica, pneu e agradecimento

SÃO PAULO | Um dia de correria ali, três ou quatro horas de fila, depois uma reunião, o almoço quase na hora do jantar, e o dia acabado. A terça-feira de manhã também foi agitada, e agora vamos lá.

Vi ali que Alonso ficou surpreso e que Massa culpou a imprensa por toda essa picuinha criada entre ele e o espanhol, naquele caso da entrada dos boxes em Xangai. E creio que neste caso o brasileiro tem razão. Não acho que na Alemanha estejam falando que Hamilton seja um canalha, calhorda e mequetrefe por ter feito a mesma coisa com Vettel. Nem que na Inglaterra definam o alemão como sujo, vingativo e desleal por ter dado o troco durante a faixa dos pits após a parada de ambos. É que muita gente já queria acender o pavio, e ficou bem claro quem. Para daqui algumas corridas tirar o seu da reta. Paciência.

A verdade é que, em condições de chuva, Massa é um piloto abaixo dos demais. Não é um Prost, que era uma negação, mas não tem o mesmo nível de Alonso, Vettel e Barrichello, por exemplo, e está longe de Hamilton, que é o melhor neste tipo de condição. E esta fragilidade permitiu que Alonso partisse para cima. Isso só deve servir a Massa para que fique mais esperto, mais ligado, e com um pouquinho de sua latinidade e capacidade, que devolva essa presepada em pista.

A Avon confirmou que está negociando com a FIA para ser a provável concorrente da Michelin na F1 pós-2011. A fornecedora esteve na categoria pela última vez há quase três décadas e nos últimos anos passava seus produtos à natimorta A1GP. É tipo uma novata entrando na categoria. Mesmo com o apoio por debaixo dos panos da Bridgestone, a diferença para os Michelin seria brutal. Não vai ser bom.

E Hamilton elogia os comissários da F1: “São os melhores que já vi”. Hum…

É, o inglês tem carta branca.

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China out box, 4

SÃO PAULO | Primeira coisa que fiz assim que a corrida da China se encaminhava para as voltas finais foi pegar a tabela de apostas do BRV, o glorioso bolão da F1, para verificar quem tinha apostado nele. Não pelo fato de conferir pontuação, mas para dar base ao que imaginava: o quanto nós todos subestimamos Button e achamos intrinsicamente que o título do ano passado foi uma aberração destas que acontece uma vez em cada década. Só dois indicaram sua vitória no BRV, e Alexandre Scaglia e Felipe Schiavo podem até admitir que resolveram arriscar.

Enquanto piloto, Button é um lorde. Trata o carro com um refinamento que é difícil de encontrar tal habilidade com outros pilotos. Soube chegar à vitória com uma condução cerebral, contando com o único erro de Rosberg enquanto o germanesco venha na ponta. Não se intimidou com o crescimento brutal de Hamilton, e quando este era segundo, passou até a virar mais rápido. E não que Button seja mais rápido. É que Button é constante. Hamilton, o melhor piloto em chuva que a F1 tem, dá o show sabendo que ele tem um momento para acabar. Ou porque ele acaba com os pneus ou porque ele vai cometer um erro.

E Hamilton, hoje, não cometeu erros. Mas foi autor de manobras que, fosse outra época ou outro piloto, mereceriam aquele puxão de orelha da FIA. Tipo a do toque em Webber antes da relargada. Até porque Hamilton não podia estar emparelhado com o australiano da Red Bull daquele jeito. E se o que ele fez com Vettel no caminho para os pits é permitido — da mesma forma que Alonso com Massa —, a questão que fica, então, é a função daquela linha que delimita a passagem. Só posso pensar que a ausência de punições se deve à influência dos comissários-pilotos, mais vividos que os homens que a FIA aponta para isso.

Por esse não punido Hamilton endiabrado e porque Button é subestimado que muita gente, como eu, pensou que a aproximação provocada pela entrada daquele safety-car safado e mandrake seria o rito de passagem da vitória de um piloto da McLaren para o outro. Button não foi nem ameaçado por Rosberg. Foi inteligente ao se manter na pista enquanto a maioria dos rivais corria para os boxes com medo da chuva que nunca chegou a cair com força. E com essa cabeça é líder do campeonato num carro em que ainda não se sente 100% bem.

Com um Button imperial e um Hamilton plebeu, a McLaren lidera o Mundial com 19 pontos de vantagem para a Ferrari, à frente de Red Bull e Mercedes. A chuva presente em três das quatro etapas deu uma camuflada na F1 e uma mistura para a entrada da fase europeia bem interessante para a disputa.

Porque a McLaren ainda não tem o melhor carro. O desempenho da Red Bull hoje foi tão irreconhecível quanto o de Schumacher. Não andou no ritmo que se esperava, nem mesmo quando os carros austríacos tinham pista livre. Em condições normais, que é o que os pilotos devem encontrar se conseguirem voltar para a Europa um dia, a corrida das rivais é para segurar Vettel. A Ferrari notadamente é a terceira força. Só a Mercedes está num posto condizente, embora seja uma equipe que sobrevive às custas de Rosberg — quem diria…

‘O que acontece com Schumacher?’ foi a matéria que fiz para a Revista Warm Up — e para quem não a acessou ainda, saibam que, como Irmã Selmã, eu rezo, e acontece —, ouvindo muita gente gabaritada, tirando Flavio Gomes, que aposta que é questão de tempo e que ele não encontrou as melhores condições nas corridas anteriores, também em virtude da chuva e de azares. Hoje Schumacher demonstrou claramente sua ferrugem, que realmente não é e talvez nunca mais será o mesmo. E já ouço de muitos que o Schumacher de hoje já demonstra que o Schumacher de antes era irreal e fabricado, moldado por uma equipe que só sabia pensar nele e auxiliado por rivais que não o incomodavam, o que é besteira. Schumacher foi um piloto primoroso. Hoje Schumacher é de mediano para baixo, um arremedo de piloto, um esboço. Esqueçam aquele piloto heptacampeão, colecionador de títulos, dominante e imponente.  Schumacher, hoje, não é inteligente como Button nem arrojado como Hamilton. E portanto não pode nem ser comparado com estes pilotos.

Alonso plantou a primeira malagueta no quintal de Maranello. Face o esforço da tentativa de criação de polêmica, o dizer que “tá tudo bem”, como Massa falhou ao expressar depois da corrida, bem como os panos quentes que a Ferrari pôs, revelam que o tempo a mais que eles vão passar em Xangai vai servir para uma conversa bem mais acalorada. Se Massa não sabia ou achava que Alonso se encaixaria no livro de regras da equipe, o episódio da entrada dos pits foi o exemplo do cada um por si. E como não tem sangue de barata, haveremos de ver um Massa mais aceso daqui em diante. Bem mais aceso do que foi hoje, com suas claras limitações em pista molhada.

Três pilotos tiveram performances notáveis, mas oscilantes. Sutil, por um momento, poderia se tornar líder se não resolvesse trocar tanto de pneu. Ora entre os primeiros e ora entre os últimos, o 11º lugar foi muitíssimo pouco pelo que fez. Alguersuari tem se mostrado ótimo. Outro que poderia sair de Xangai se a Toro Rosso se concentrasse numa estratégia, e se ele não tivesse quebrado a asa dianteira na traseira de Senna. E Petrov foi excelente. Um errinho ali, tal, mas a recuperação no fim da corrida, em que foi o mais rápido nas voltas finais, aponta que o russo é muito melhor do que se supunha.

Barrichello fez uma má corrida para um piloto de tamanha bagagem em pista molhada. Ainda assim, deu trabalho para Massa nas disputas. Mas estranhamente sua melhor volta foi bem mais lenta que a de Hülkenberg, o piloto mais perdido na corrida. Deve tá dando volta até agora no circuito. Ninguém acha.

All in all, as corridas na Europa devem dar uma murchada na expectativa geral,  principalmente esta primeira em Barcelona, pródiga em nos deixar emburrados e macambúzios. Os comentários vão resgatar os bons tempos do trio Austrália-Malásia-China e a busca por chuva será católica. A F1 entra em sua fase certinha. Pena.

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Santander no Trofeo Linea

SÃO PAULO | O Trofeo Linea, campeonato de turismo que pertence ao grupo de categorias apadrinhado por Felipe Massa que vai estrear em 2010, já tem um patrocinador principal, me disse há pouco uma perua esguia: o Banco Santander.

O Santander Brasil pretende aumentar significativamente seu investimento no automobilismo, aproveitando-se da própria figura de Massa. O banco, considerando sua matriz espanhola, vai estampar sua marca na Ferrari no ano que vem, além de manter seu acordo com a McLaren.

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