Arquivo da tag: Barrichello

Lá é como ali

SÃO PAULO | Só uma notinha de bastidor: a Bandeirantes sabe tudo que vai acontecer amanhã na coletiva de Barrichello, marcada para a hora do almoço em São Paulo. Absolutamente tudo. Sabe que Rubens vai confirmar sua chegada à Indy pelas mãos da KV, com patrocínio da BMC. Mas tem a determinação de não falar nada.

A atitude é semelhante à que a Globo tomou quando Senna assinou com a Williams — foi informada da assinatura e logo mandou equipe para cobertura do anúncio, sem antes noticiar em suas mídias o fato.

Assim caminha o jornalismo brasileiro.

Adendo 1: tanto a Bandeirantes sabe do que se trata que a coletiva de amanhã está sendo tratada como evento de gala. Todas as suas equipes estão preparadas para a cobertura. Rádio e TV vão transmitir até ao vivo.

Tags: , , , | 92 comentários

Investimento pesado

SÃO PAULO | Apesar de ter tirado o pé em terras brasileiras, o Grupo Petrópolis vai continuar seu investimento no automobilismo lá fora. E forte.

A principal marca de cerveja, Itaipava, e o energético TNT já estão fechados por mais uma temporada com Kanaan. A companhia está em negociação com Barrichello. Para completar o assunto Indy, o que é certo é que não haverá acordo com Castroneves, de comum acordo.

E o grupo chega à F1 de vez para tentar bater de frente com a Red Bull. Já está assinado um acordo, polpudo, com a Ferrari para que a marca TNT seja exposta entre os membros da equipe italiana, com destaque para os squeezes, as garrafas utilizadas pelos pilotos.

Tags: , , , , , | 9 comentários

Parlatório

SÃO PAULO | Notoriamente com uma torcida a favor para que dê sequência à carreira na Indy, Barrichello virou o assunto principal do automobilismo em 2012. Assim, é válido saber dos leitores o que pensar de uma eventual primeira temporada do brasileiro, caso se confirme seu contrato com o time de Jimmy Vasser.

Pelo bom desempenho com a KV em Sebring, já dá para vislumbrar que vem forte? Foi apenas jogo de cena? Título é pensar demais? Apenas desempenhos medianos? Mandem ver.

Tags: , , , | 137 comentários

Parlatório

SÃO PAULO | Visto que o assunto tem rendido um debate interessante no blog, coloco direto e reto as questões: Barrichello foi o piloto que mais merecia ter tido um título na F1 dentre aqueles que não o conquistaram? Ainda, podemos adaptar a máxima de que, se Barrichello não foi campeão da F1, azar da F1?

Rubens foi ou não foi tudo isso, afinal? Quem de todos é que devia ter saído campeão? Dissertem.

Tags: , , | 116 comentários

Papo demais

SÃO PAULO | Ainda repercute mundo afora o comentário que Eike Batista fez no Twitter há quatro dias em que garante que Senna, a quem patrocinou na Lotus, será o segundo piloto da Williams. Os torcedores logo iniciaram uma fuzarca catártica como se aquele fosse o anúncio oficial. Menos, gente, menos. Digamos que o ricaço ainda não está muito inteirado do universo da F1.

De posse da grana que for necessária, é explicável que Eike se gabe desta forma abertamente. Só que, se fosse simples assim, e só fosse pela grana que ele tem disponível, a Williams já teria confirmado Bruno antes da virada do ano. Senna voltou a confirmar as negociações, mas ressaltou que não assinou o contrato. Quando o brasileiro se apressa para desmentir a informação do próprio patrocinador, é até válido dar um pouco de crédito pelo histórico de 2009 com o caso da Brawn.

Um terço do mês praticamente se foi, e a Williams ainda não tomou uma decisão entre, principalmente, dois brasileiros e um alemão, remontando o que aconteceu em 2005 — entre Heidfeld e Pizzonia. Como na F1 tudo é tratado com a maior discrição possível, esses arroubos de revelações da ‘língua solta’ de Eike até podem jogar contra Senna entre os muros de Grove. Sutil e Barrichello, que se mantêm caladinhos, agradecem.

 

Tags: , , , , , | 64 comentários

A queda de um império

SÃO PAULO | Era Sutil, certeza, depois o nome de Senna ventilou com força principalmente pelos lados aqui da imprensa brasileira, e agora a mídia inglesa (Andrew Benson, da BBC) informa que Barrichello ainda aparece com chance razoável para ficar — no caso manter — a segunda vaga da Williams para 2012.

Já estamos em 2012, ao que me consta, e se o ano ainda não engatou para muita gente, só o fato de a equipe não ter definido seu elenco principal antes da virada denota o quanto se perderam por lá. Outrora mina da categoria, o time de Frank Williams esgotou todo seu ouro e não consegue desbravar outros lugares porque todas as suas escavações não dão certo — e parou no tempo.

O último esforço que a Williams fez para ser notória aconteceu em 2009, quando nas mãos de Rosberg firmou-se como quinta força e optou pelos serviços de Barrichello no ano seguinte para que a experiência do brasileiro fizesse valer algo. Mas o casamento não deu certo, e com restrições orçamentárias a coisa desandou.

A equipe abriu-se de vez ao capitalismo dos pilotos, e Maldonado tirou o bom Hülkenberg de cena. Ao mesmo tempo, deu um passo ousado financeiro: entrar na Bolsa de Valores. No fim das contas, teve como resultado uma pífia campanha, a maior de sua história recente. Como resultado, viu ir embora um de seus cofundadores, Patrick Head, e um de seus nomes mais importantes na cúpula, Sam Michael, além da queda do patrocinador principal, a americana AT&T. Tentou o golpe de misericórdia ao resgatar Raikkonen à F1, mas os desejos do finlandês — uma parte acionária e um salário de especulados 12 milhões de dinheiros europeus — impediram. Aí, optou por um claro leilão de sua outra vaga.

A Williams se assemelha à HRT na questão da definição de seu outro piloto, ainda que na antiga Hispania a situação até pareça um pouco mais clara: a nacionalidade espanhola parece estar acima de tudo para que se forme um time absolutamente caseiro. O time ainda sonha em ter o banco nacional do Catar como seu apoiador máster enquanto conta as cifras de quem mais tem a dar de grana. Seja Sutil, Senna ou Barrichello, qualquer um dos três há de sofrer para tentar reerguer um império absolutamente ruído.

Tags: , , , , | 38 comentários

O rali de amigo secreto

SÃO PAULO | Neste momento em que escrevo, ainda não acabou o Rally de São Paulo, que tem Barrichello como organizador, mas percebo que o evento, se quiser ter vida longa, vai ter de ser bem repensado. Amanhã, ou depois que o ano virar, o piloto e seus sócios nesta empreitada deveriam sentar e apontar os muitos erros deste desafio de campeões. Pelo Twitter, perguntei o que o povo tinha achado. Algumas respostas:

@PauloTohme: bosta, sério. Pista ruim, carros idem. Tudo em primeira marcha.

@luirmiranda: achei que a pista ficou travada demais… Mas está bem legal de assistir!

@ademir710: Uma farsa.

@joaobljr: acho que concorreu com o Santos, o handebol, o último domingo antes do Natal e a falta de divulgação. até o handebol teve mais público!

@minatelk: parece que ninguém foi ver o evento.

O amigo Anderson Giorge, do Terra, matou uma das questões. “Foi feito de forma muito acelerada e atabalhoada”. O Luis Tucci completou: “Foi feito em cima da hora e não teve a divulgação que merecia. O Bruno Valle, que foi ontem, criticou: “Os horários foram inexistentes. Um desrespeito ao público, desencabei de ir hoje”, e o Wilmor Henrique foi na mesma linha: “Tem que perguntar também se eles queriam que alguém fosse. Talvez a grana do pratocínio e os baba-ovo de sempre bastassem”. Isso porque as arquibancadas estavam absolutamente vazias.

O Pablo Peralta mencionou o preço, e é claro que isso contribuiu: 120 dinheiros nacionais são extremamente salgados para um programa que faz sua estreia. O público só tomou conhecimento do Rally de São Paulo a partir do GP do Brasil, ou seja, foram apenas três semanas para que tudo se aprontasse. Confesso não ter visto nenhuma divulgação ou propaganda. Não tiveram a alma do negócio. O Felipe Mazorca até deu a ideia: “O Luciano Huck deveria ter vendido entrada no site de compra coletiva…”

Até o Luiz Sergio Santos, o popular Zé, que é primo de Barrichello, acredita que deste jeito o negócio não vai e deu duas ideias: trocar por carros 4×4 e fazer em duplas.

Ainda, me informam as repórteres Evelyn Guimarães e Juliana Tesser que não se tinha informação de nada. Ontem à noite, às 10, ninguém sabia que hora terminaria. Nem cronometragem funcionava.

Assim, um evento mal promovido, caro para o público, com carros que não são de rali, numa pista nada apropriada e um formato de competição errado. Some-se a isso ao temporal que transformou tudo num lamaçal. É uma patacoada e um fiasco. Organizar algo deste tipo e ter a iniciativa é louvável, mas requer um estudo profundo, e faz-se completamente necessário pensar nos pormenores. Não é simplesmente fazer às pressas por fazer. Porque ninguém vai ver e ninguém quer ver. Vira só um negócio corporativo para os amigos e astros de calibre duvidoso.

Quase uma brincadeira de fim de ano que faz parte de um Amigo Secreto.

Tags: , | 16 comentários

Barrichello e a Stock Car

SÃO PAULO | A Force India demorou, pôs os dalits para dançar, enrolou mais um pouco, nadou no Ganges e, enfim, anunciou que vai de Di Resta e Hülkenberg no ano que vem, o que configura uma das duplas fortes do grid. Aliás, a F1 vem muito bem no papel, tirando uma ou outra opção.

O anúncio dos indianos deve, enfim, fazer a Williams se preparar para divulgar seu segundo piloto. A equipe pretendia informar sua dupla no fim de semana do GP do Brasil e mudou de ideia depois que a Force India abortou seus planos similares. O que só pode significar que o nó do laço é Sutil.

Dado o enredo, é lógico que a posição dos brasileiros é complicadíssima. Enquanto Senna busca uma vaga de reserva novamente, Barrichello quer ser titular. E já admite a pessoas mais próximas que sua situação é realmente difícil.

Tanto é que Rubens andou conversando com gente da Stock Car já — gente que tem cargo diretivo em equipe. Barrichello acabou recebendo um ‘convite natural’, um incentivo para integrar a categoria. E falou que, se de fato não for continuar na F1, tira um ano sabático e pensa no campeonato de turismo brasileiro em 2013, quando estiver com 41 anos.

Barrichello na Stock Car: o que pensar desta aliança, ainda que seja em médio prazo?

Tags: , , , , , | 47 comentários

O ímã da F1

SÃO PAULO | Pois Bruno Senna, que iria permanecer em silêncio até seu futuro ser definido, acabou falando à Autosport hoje que até pode aceitar o papel de piloto reserva na Lotus.

Quer dizer, você não presta para a empresa, que deixa claro que não quer mais seus serviços, mas ainda pode servi-la, num posto que vinha ocupando antes? Numa comparação direta, será que Barrichello pensa, na pior das hipóteses, em ser piloto de testes da Williams em 2012?

Claro que Senna e Barrichello estão em momentos da carreira e da vida bastante opostos. Bruno, como já dito, deveria usar como espelho Grosjean. É demérito, neste momento, voltar à GP2 e brilhar? Diante da pretensão acima, nada. Mas a atração imantada que a F1 exerce nos pilotos é extremamente curiosa. Faz com que eles ajam bem perto da irracionalidade.

Tags: , , , | 35 comentários

Na casa dos coirmãos

SÃO PAULO | Dias atrás, disse lá em Interlagos que Barrichello iria revelar um novo evento automobilístico, um rali aos moldes do Desafio de Kart feito por Massa, que reúne pilotos e celebridades.

O lugar planejado inicialmente era o Ibirapuera, mas optaram por realizá-lo no Parque São Jorge, o casebre do Corinthians, nos dias 17 e 18 de dezembro. A competição terá os Mini, carros da BMW. O anúncio vai acontecer na sede dos coirmãos logo mais.

Tags: , , , , | 5 comentários

Brasilândia, 12

INTERLAGOS | A imprensa foi chamada há pouco para uma coletiva na próxima terça-feira, na sede dos coirmãos isentos de impostos lá no Parque São Jorge, em que Barrichello vai apresentar um “novo evento automobilístico”.

Um evento de rali, na verdade, e que vai misturar as características do Desafio de Kart organizado por Massa, em que rolam convites a astros do automobilismo mundial e celebridades — foram chamados Tony Kanaan e Luciano Huck, dentre outros —, com as do Rali de Monza, em seu formato.

A competição está marcada para os dias 17 e 18 de dezembro e vai acontecer no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, onde será montada uma pista.

Uma grande montadora de carros classe A está por trás do projeto, três letrinhas, com seu carro míni. Paboen, mepabá.

A foto acima é de Carsten Horst e o palhaço lá atrás é Rafael Honório.

Tags: , , , , | 11 comentários

Brasilândia, 10

INTERLAGOS | Ontem conversava com os amigos e, claro, um dos assuntos foi Barrichello e a sua estranha mania de ter fé na F1, adaptando o verso de Milton Nascimento. E o tema era relacionado às empresas que ele poderia sondar — como fez com a Nestlé na última terça — ou que poderiam fazer um case diretamente destinado a ele, aliando a seu estilo e personalidade.

Chegamos à algumas conclusões. Uma delas foi de que Barrichello poderia assumir que 2012 será seu último ano e apresentar um projeto em que ele fosse mostrando suas últimas corridas em cada país, o fim de semana e o desempenho, uma espécie de BBB de sua vida. E aí encerraria no Brasil, com uma festa grandiosa.

Depois pensamos nas companhias em si. Um amigo falou na Pepsi, que já foi sua patrocinadora, e na ampliação do bordão “pode ser”. Eu fui na linha da Duracell, o piloto que dura mais que os outros, e por aí vai.

E o pessoal aí, teria alguma ideia a respeito?

 

Tags: , , , , | 99 comentários

Brasilândia

INTERLAGOS | Ah, Interlagos, a represa, a chuva, a história, o fim do campeonato. Pela sétima vez, ao vivo e em cores do autódromo paulista, vamos começar a falar algumas groselhas ‘in loco’. No momento, acontece a entrevista coletiva da FIA, com os três brasileiros, Button, Schumacher e Ricciardo — cuja presença me instiga; mas o cara tem jeito de ser gente boa.

Senna e Barrichello, claro, foram devidamente indagados sobre seus devidos futuros. “Espero que tudo seja resolvido o mais rápido possível”, declarou Bruno. Rubens soltou um “I feel good”, e quase cantou na sequência, para então dizer que qualquer resultado em Interlagos “não vai mudar nada sua situação”. Barrichello e Massa fizeram piadas entre si sobre seus cabelos.

Segue a vida.

 

Tags: , , , , | 4 comentários

A briga pelas 4 vagas

SÃO PAULO | Se a F1 não viveu uma temporada das mais fortes em termos de notícias, o fim do ano tem se apresentado muito bem, obrigado. Os casos das duplas de Williams e Lotus aqueceram as manchetes. Nem mesmo os dois pilotos que pareciam pétreos estão garantidos. É como sempre diz Evelyn Guimarães, depois de comer dois pães líquidos: “A certeza da vida é a mudança”.

Maldonado, aparentemente garantido para 2012, já não está tão tranquilo assim, não. O congresso da Venezuela resolveu questionar de vez o contrato com a Williams e quer vê-lo para aprová-lo. Do contrário, la casa cayó. Em Grove, Raikkonen era nome certo e para ser anunciado, mas o finlandês parece ter exigido uma parte acionária da equipe. Barrichello só fica à espreita nessa.

Petrov, contratualmente garantido para 2012, está tranquilíssimo, só que ao contrário. Ainda foi desancar a criticar o carro e sua a falta de desenvolvimento, apontou os erros, disse que, se um belo dia resolverem mandá-lo embora, mandam, e aí chorou, teve de engolir o choro, pediu desculpa e chorou mais de arrependimento. Senna só fica à espreita nessa, mas deve ter dado um sorriso à Monalisa.

Só que hoje, o chefe Eric Boullier deu ao site da F1 o tom de sua dupla: se Kubica não se recuperar a tempo, quem vai ocupar a vaga é Grosjean. Ou seja, o francês será um dos pilotos da Lotus. O lugar remanescente não está só entre Petrov e Senna. No meio da entrevista, o dirigente mostrou uma recente ligação ao empresário de Raikkonen…

Tags: , , , , , , , , | 29 comentários

Xabu Dhabi, 3

SÃO PAULO | Aqueles quem sempre acham que o copo está meio cheio e o pessoal que estava nas arquibancadas em Abu Dhabi de frente para Meca tinham alguma esperança de ver uma briga entre Vettel e Hamilton pela vitória em Abu Dhabi. Mas como a F1 está num clima de fim de feira, foram 14 segundos e duas curvas até o furo do pneu traseiro direito do alemão. As flores não cresceram mais. Até o alecrim murchou. E murcho, Vettel desceu do carro, com uma cara de choro como se tivesse perdido a corrida de sua vida. Precisou até Bernie Ecclestone ir consolá-lo, enquanto tentava acessar o Facebook e o Twitter para colocar uma carinha de tristeza, =(, :( ou =/.

Certeza que Bernie chegou lá, deu um tapinha na bunda de Vettel e disse: “Fui eu que furei”. Fanfarrão.

Vettel teve oportunidade, digamos assim, de acompanhar uma corrida como um todo. Viu como é dura a vida de quem acompanha de fora uma prova tão insalubre como a que acontece em Abu Dhabi. Mas até que o começo foi legal, como tem comumente sido. Alonso pulou para o segundo lugar, jantando o apático Webber e o semielétrico Button, que tentou recuperar a posição. Mas voltas depois, eis que o rumo da corrida estava definido, com a ordem Hamilton – Alonso – Button – Webber – Massa.

O desenrolar mostrou que o problema de Button estava no Kers e que a Red Bull não tinha nenhuma chance de vitória com seu outro piloto. Sem Vettel, a Red Bull é uma Toro Rosso de grife, principalmente porque Webber não ajuda. Ainda, atrapalhou-se nos pits, devolvendo o australopiteco atrás de Massa. Claro que jantou Felipe, com certa dificuldade e até pouca inteligência — usava a asa traseira na primeira reta e permitia que Massa devolvesse a ultrapassagem na segunda –, mas nem assim conseguia se aproximar de Button. Aí a Red Bull me vem com uma estratégia diferente de três paradas.

Ali a Red Bull punha no lombo de Webber, com um ferro de gado, o quinto lugar. E aí Massa, então, poderia, vejam vocês, conquistar seu melhor resultado no ano, um inebriante quarto lugar, uh lá lá, e isso com a asa dianteira antiga, que, em termos de perfomance, é muito pior que a de Alonso, novíssima, e aquela patacoada toda que a patuleia é obrigada a ouvir como lobotomia pacheca.

Massa roda no fim da corrida. E como naquele desenho do Pica-Pau, em que o taxidermista vê voando 100 mil, 100 mil dólares, mansão, iate e mulheres, a quarta posição se vai. A Ferrari, na mesma hora, se manifesta no Twitter. “Spin for Felipe…”, com as reticências, meros três pontinhos, dizendo muito. Felipe chegou 1s7 à frente de Rosberg.

Não vai acontecer, claro, mas um dos muitos fatos que mostra a temporada escabrosa de Massa é que ele ainda pode perder o sexto lugar na classificação geral para o próprio Rosberg. Felipe tem de ser muito família, mesmo, para que Luca di Montezemolo, Stefano Domenicali e os demais o abracem com tanta força para mantê-lo lá — e é bom ressaltar que a mesma coisa acontece entre a Red Bull e Webber. Como o pedreiro João Paulo Borgonove disse, não parece Barrichello o brasileiro que está prestes a sair da F1. É uma pena atestar a cada 15 dias que Massa não representa nada para as ambições da empresa que o emprega, para o espetáculo de uma corrida e por quem quer que torça por ele.

Sobre Barrichello, uma bela corrida. Bela, mesmo. Sair de último, com pneus duros, para beliscar os pontos e chegar em 12º pode não ser muito aos olhos mais críticos, mas pelo menos demonstra que ele, sim, tem motivação para continuar. Depois da declaração do pedido de respeito, Rubens evitou escrachar a Williams, mostrou-se solidário ao time, publicamente, diante do infortúnio de ontem na classificação e foi lá fazer o seu, enquanto Pastor Maldonado se mostrava um daltônico seletivo e se perdia enquanto retardatário. Se essas provas finais representarem algo no futuro, Barrichello garantiu que tem sua lenha ainda. E seria um desrespeito, daqueles bem grandes, se a Williams vier nas próximas horas com o anúncio de Raikkonen como seu piloto.

Senna, então, vai se complicando de vez. Bom, a Renault não ajuda em nada. O carro parou na evolução justamente porque não tem em seus dois pilotos maestros em conhecimento técnico, muito pelo contrário. Mal ou bem, com Heidfeld vinha lá fazendo seus pontinhos. Foram 34 em 11 corridas. Petrov é inconstante. Bruno não consegue se livrar do pelotão do meio. Hoje tomou um drive-through à la Maldonado. Se ele mesmo sabe que precisava impressionar a equipe para garantir seu lugar em 2012, Bruno vê no desespero do time que está longe de tê-lo: a futura Lotus fala abertamente que vai esperar Kubica o tempo que for preciso. Porque sabe que nenhum dos caras que lá puserem a bunda tem metade da capacidade do polonês.

A Force India andou bem demais, sobretudo com Sutil, que perdeu nas voltas finais posição para Schumacher. Sutil, devidamente focado, é piloto de equipe de ponta. Os indianos, aliás, vivem uma situação diametralmente oposta à da Renault: têm três pilotos de ótima qualidade e uma bucha para resolver. Que já foi resolvida, na verdade: vão de Di Resta e Hülkenberg no ano que vem. Sutil é aquele que teoricamente corre muito por fora na Williams, caso essa história de Raikkonen não flua. E cairia bem até na Renault, com sua capacidade nos braços e nos patrocínios — pena que no começo do ano tenha brigado com um diretor do grupo Genii e se queimou lá. E Kobayashi voltou aos pontos. Ô, o Mito voltou, gritaram em Kobe e Fuji, com o som ecoando pelo mundo todo.

A F1 vem ao Brasil logo mais para vender seu último tomate e fazer a festa e a fuzarca. E por tudo, os pilotos brasileiros não vão ter muito o que comemorar.

Tags: , , , , , , | 54 comentários