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Os top-3

SÃO PAULO | Pode ser que este seja o último post de 2011, e desde já faço aqueles votos de sempre: um grande 2012 a todos vocês leitores, assíduos ou perenes, muita paz, saúde, felicidade, sucesso, força e inteligência.

Estive pensando nestes dias nos melhores e piores momentos do esporte a motor neste ano, e resolvi fazer uma listinha pequena, de três cada, com uns breves comentários. Os senhores, pois, tratem de comentar.

Melhores

1) A Indy 500. Essa eu dei uma sorte daquelas. Viver aquilo foi espetacular. Foi uma espécie de continuação do que aconteceu naquele GP do Brasil de 2008, a curva final, a decisão de um título/uma vitória. Lá pela volta 170, lembro que estava preparando a reportagem da corrida totalmente voltado a mais uma conquista de Dario Franchitti. Parágrafos iniciais já estavam escritos, e a exaltação ao escocês estava ali pelo domínio absoluto da prova. As mudanças começaram a vir como efeito-cascata, a ponto de pensarmos que um não muito conhecido Bertrand Baguette venceria pela equipe de Bobby Rahal e David Letterman, apontando um final não muito aprazível ao público para uma prova de comemoração centenária. Aí pintou JR Hildebrand bem na parada, com um desempenho sólido durante a prova inteira e uma equipe que buscava acabar com o estigma de ter sido segunda nas últimas três edições, duas delas com Dan Wheldon.

Naqueles instantes finais, a sala de imprensa em Indianápolis pôs-se de pé tal como as arquibancadas que empurravam o rapaz americano de uma equipe com sede em Indiana e cores da Guarda Nacional. A volta 199 seria meramente um último desfile. Não fosse a última curva.

Numa análise mais distante agora, o grito do povo é que foi o mais marcante em tudo aquilo e durou o tempo que Wheldon levou para ultrapassar Hildebrand e ganhar a corrida. Nesta análise ainda distante, considerando tudo que aconteceu depois, Hildebrand tinha de bater pra Wheldon vencer sua última corrida. “Baby, I love you so much…”

2) O GP do Canadá. Foi o exemplo perfeito do quanto Jenson Button é bom, um acepipe do que ele fez com Rubens Barrichello em 2009 na Brawn, na disputa particular pelo título que nunca esteve próximo do brasileiro. Em 2010, era para Button também ter disputado o título com Alonso, Hamilton, Vettel e Webber no seu jeito constante e garboso. E neste ano só não o fez porque… bem, porque Vettel está em estado de graça.

Voltando à corrida, aquela que teve 4h, Button saiu de último na prática para uma vitória na última passagem, contando com um erro de Vettel, seu primeiro no ano. Se teve uma conquista merecida na F1 neste ano, certamente Montreal foi o palco ideal.

3) A ultrapassagem de Webber sobre Alonso em Spa-Francorchamps. O nível dos dois pilotos este ano foi de um tom maniqueísta. Mas Webber pelo menos demonstrou vida e garra e ser melhor que Alonso naquela disputa anterior à subida da Eau Rouge.

Creio que não haja muito mais a dizer, a não ser que Webber só teve dois ou três momentos de brilhareco como este em 2011, enquanto Alonso se firmou como monarca absoluto na Ferrari.

Piores

Posso resumir tudo em um texto só: as três mortes, de Gustavo Sondermann, Wheldon e Marco Simoncelli.

A primeira é mais revoltante porque se tratou de uma repetição do que havíamos visto em 2007 com Rafael Sperafico, por essa gente que monopoliza o esporte e o trata como um viés meramente financeiro. Quase nove meses depois, nada foi feito na prática para que a situação não volte a acontecer: a tal chicane em Interlagos é só um paliativo. E como hão de matar a Copa Montana no fim do ano que vem, ninguém vai investir uma pataca (uia!) para que o carro mude tecnicamente.

Wheldon foi a mais absurda das fatalidades. A corrida em Vegas foi uma falha em termos promocionais e se viu obrigada a mudar de tática para que, além da decisão, tivesse um outro atrativo. Fez de Wheldon uma roleta de 5 milhões de dinheiros americanos, e se vencesse davam metade para um torcedor na arquibancada. Poucas voltas, um acidente múltiplo, e Dan me bate a cabeça no alambrado depois de decolar e morre instantaneamente. A vida tem dessas…

E uma semana depois do acidente de Wheldon, acontece com Simoncelli, o piloto mais perto do estrelato que a MotoGP vinha formando.

 

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Taste of India, 2

SÃO PAULO | O cara não dá nem graça. Não que seja de Vettel a responsabilidade para tal, mas aí ele vai, contorna a primeira curva, à direita, na frente, abre mais de 1 segundo em duas voltas para evitar que quem venha atrás use a asa móvel e dispara e deixa tudo entre o segundo e o quinto, quiçá sexto. Curioso é atestar que o alemão, que vem pulverizando recordes e mudando o rumo das estatísticas, tenha só conseguido hoje seu primeiro grand chelem – pole, vitória de ponta a ponta e melhor volta. E agora passa a ser o mais novo piloto da história a ser grandchelenizado. É muito transão, como diria o amigo Helmuth Rogano.

A corrida em si foi meio broxante, até pelo que se aguardava deste bom e sujo circuito de Buddh. “Buddh que pariu”, gritou uma hora Roman Atkinson, sem segurar seu Teddy. Foi a melhor cena fora da prova, depois de mais um round entre Massa e Hamilton, desta vez com culpa do brasileiro, que se arremessou sobre o inglês. Viram sob o macacão de Luisão uma camiseta com dizeres “why always me?”, mas a info não foi confirmada.

Sei dizer que essa coisinha entre os dois já meio que passou os limites. O nasal Fábio Seixas chegou a dizer no Twitter que seria de bom grado a FIA dar uma puniçãozinha mais válida a ambos, talvez uma corrida de suspensão. Talvez Fábio tenha razão, o que é bem difícil. A verdade é que a fase dos dois é péssima. E vale dizer que Felipe fazia grande prova, comparando seu desempenho ao de Alonso. Mas aí veio a punição e uma outra zebra salsicha na sua vida. 24 pilotos, e só Massa quebra a suspensão lá, duas vezes. A culpa, creio, não é bem de quem colocou a saliência ali.

Button passou Alonso e Webber na primeira volta e se manteve em segundo o tempo inteiro, segundo melhor piloto da temporada que é. Alonso, terceiro, superou o frívolo australiano na parte final. É absurdo que Markola não chegue ao pódio com um carro desses. É ridículo que não tenha brigado pela vitória em nenhuma das 17 etapas. Quando o consultor Helmut Marko vem a público para achincalhá-lo, no fundo tem razão. E a Red Bull, essa máquina também do marketing, bem que podia colocar Alguersuari, que faz uma segunda metade de temporada excepcional, para correr lá em Abu Dhabi e no Brasil. Um choque de cultura seria bom para o australiano rever a carreira e o que não fez em 2011.

Schumacher à Schumacher de antes, quinto largando de longe, chegou à frente de Rosberg. A Mercedes, quarta força, tem a dupla mais equilibrada da temporada. Nico começou o ano bem, mas é Michael quem vem melhor agora. Seria interessante um carrinho melhor no ano que vem. Para dar uma apimentada na F1 que voltou a ser monótona, já falo disso. Jaimito foi oitavo com esta Toro Rosso que só dá alegria, seguido pela Force India boa de Sutil e este Pérez que tem colocado Kobayashi no nabo incandescente japonês.

Senna fez boa corrida, convenhamos, e se não tivesse de parar para colocar os pneus duros no fim, estaria com algum pontinho no fim. A Renault está na mão inversa da Toro Rosso. Barrichello foi 15º, atrás de Kovalainen e após um toque com o companheiro Maldonado na largada. Este provável fim de carreira na Williams atordoa Rubens, que tem menos de um mês para saber o que vai ser de sua vida.

A F1 começou excelente em 2011 em termos de ultrapassagem e movimentação com as novidades, o DRS e os pneus que desgastam. Apesar de um teor artificial, as primeiras provas foram empolgantes. Ultimamente, as corridas tornaram a ser como as do ano passado. Todo mundo pegou a mão da coisa? Pode ser. As estratégias não têm variado muito. A culpa não está também nas pistas – a de hoje na Índia parecia convidativa a emoções. E Vettel também contribui para tal na medida em que não dá chance para o resto, e ver uma briga pelas posições posteriores realmente não é um alento. O campeonato vai em ritmo de fim de festa. Que nunca é muito animado.

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Kubica e a Ferrari

SÃO PAULO | Há dois anos, a Ferrari se via na seguinte situação: o carro não era bom o suficiente para brigar com Brawn e Red Bull e só uma vitória na temporada é o que a equipe apresentava de melhor. Ainda, a equipe ainda sentia os efeitos da saída abrupta de Massa por seu acidente na classificação na Hungria e não conseguia colocar ninguém à altura para substituí-lo — a ausência de testes e a impossibilidade de adaptação ao carro acabaram com as carreiras de Badoer e Fisichella.

Na frieza da análise, 2011 parece bem semelhante. A Ferrari é a terceira força e belisca aqui e ali o pódio quando um piloto da Red Bull e a McLaren falham — neste caso, geralmente Hamilton. Uma só vitória no Mundial, a de Alonso em Silverstone, e Massa num papel parecido com o de Fisichella: bem distante do desempenho do companheiro.

Em 2009, havia o temor de que Massa poderia não voltar, mas a presença de Raikkonen no ano seguinte era posta em xeque. O segundo ano seguido apagado do finlandês pesava na equipe que só tinha um piloto na prática. Os rumores se transformaram em realidade, e mesmo com um ano de contrato por vir, Kimi teve seu contrato rescindido e Alonso chegou.

A continuação de Felipe na equipe vermelha sempre foi colocada em dúvida, mas Luca di Montezemolo e outros dirigentes da equipe se apressaram em desmenti-los, e o tempo veio lhes dando razão. Mas como Raikkonen, Massa está completando duas temporadas extremamente ruins, da mesma forma com uma temporada no papel.

Paralelo a isso, há a história de Kubica. Se voltar como antes, o polonês é piloto para andar na frente. É um dos melhores. A Renault, sua equipe, deu a ele e ao empresário um mês de prazo para que informem se Robert reúne condições para sentar em seu carro de 2012. Para quem saiu da sala de cirurgia pela última vez não tem muito tempo, e pela gravidade do acidente, um mês é até pouco para que se tenha pleno conhecimento de seu estado físico e se garanta 100% seu retorno triunfal.

Como a Renault está sendo irredutível em seu prazo, e ela não está errada, já há quem aponte aqui e ali que há uma porta se abrindo na Ferrari caso Kubica não esteja pronto para dar uma resposta até o fim de outubro. Seria interessante para a Ferrari esperar até o fim do ano, por exemplo? Como não há treinos pós-temporada, talvez não faria tanta diferença — afinal o carro do ano que vem já está no forno, ao gosto de Alonso.

Assim, a decisão que Kubica for tomar em relação à Renault deve ser acompanhada com atenção por Massa. Que ele se cubra. Com o histórico recente que a Ferrari apresenta e pelo descrito acima, é bem capaz que a equipe aposte num polonês remendado do que um brasileiro teoricamente inteiro.

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Itálico, 5

SÃO PAULO | A corrida seria interessante sob um principal ponto de vista: o momento de ativação da asa móvel. Normalmente, dar-se-ia, com mesóclise e tudo, entre as voltas 2 e 3, não fosse o curling em gramado que Liuzzi vez com sua vassoura hispânica. O cenário imaginado era Vettel na ponta com as McLaren, mais velozes em reta, atrás. Mas Alonso fez seu belo brilhareco e apareceu ali na frente do alemão assim que o safety-car se pôs no seu lugar nos boxes.

Como a Ferrari vinha em média 0s7 mais lenta que a Red Bull, não tardou a Vettel jantá-lo e comê-lo com farofa. A McLaren via-se em problemas: Hamilton não conseguia passar Schumacher, terceiro, e Button teve um problema na largada. Cai o pano, fim de corrida, vencedor definido.

Vettel é um piloto estupendo, e me causa certa espécie e espanto ver alguns comentários, aqui e ali, que o desmerecem e carregam o mimimi de que ele é assim só por causa do carro que tem. Porque Fangio, Senna, Schumacher e Prost, puxa vida!, foram campeões com carros medianos, muito inferiores aos demais. Eram simplesmente interplanetários. Comparações? Vamos a elas. Está melhor que Hamilton e Alonso, indubitavelmente. É melhor que Hamilton? Sim, tem já alguma margem à frente. É melhor que Alonso? Sinceramente, é, é melhor que Alonso. Pode ser melhor que Schumacher e Senna? Vão muitos degraus ainda. Mas está no caminho. Não é pecado se igualar ou passar gentes que a patuleia põe como mitos inalcançáveis, na maioria das vezes por patriotismo latente.

Aí Button foi se recuperando, naquele tipo de corrida que ele parece gostar. Enquanto Schumacher era exímio em segurar Hamilton, Jenson colou em ambos. Na rádio — sim, estou metido hoje, comentei na Globo —, eu disse ao Oscar Ulisses que não demoraria para que passasse os dois. O Oscar brincou, em tom de desafio. E lá foi Button, lorde e estelar, para as cabeças brigar com Alonso pelo segundo lugar, como acabou acontecendo depois da segunda parada. Pilotaço, como é bom sempre destacar, Button. Se Vettel é hors-concours no campeonato, o título deveria ser de Jenson.

Uma hora não ia dar, e Schumacher se viu ultrapassado por Hamilton. Mas foi a atração da corrida. Que depois disso passou a não ter mais graça, afinal as posições já estavam bem definidas, na ordem Vettel, Button, Alonso, Hamilton e Schumacher. Se a corrida tivesse mais algumas voltas, Hamilton roubaria o lugar do espanhol no pódio, mas azar de Lewis, mais um, se não teve habilidade e/ou competência para não ver a vida além de uma Mercedes. Vai mal, mesmo, Luisão.

Massa hoje tem a desculpa de ter sido abalroado por Webber, esse fraco, que proporcionou à Red Bull seu primeiro abandono no ano. Mas não iria além do sexto lugar, as always. Alguersuari chegou em sétimo e faz por merecer sua permanência na F1 já há algum tempo. Tem mandado muito bem, o eletrônico Jaimito. Di Resta carimbou mais uns pontinhos para a Force India, e aí veio Senna.

Um bom nono lugar, óbvio, mas que poderia, sei lá, ser sétimo — afinal largou à frente de Alguersuari —, mas se viu envolto indiretamente no enrosco da primeira volta, ao ter de desviar do strike liuzziano. Não pontuaria, em condições normais: Webber e Rosberg ocupariam seus postos não tivessem abandonado e ainda tinha Pérez andando bem na zona de pontos. Mas tudo é hipótese, e Senna foi lá buscar seu lugarzinho. Foi um fim de semana importante, sem erros, e eles se sobrepõem aos arroubos que não existiram. O que vale a Bruno é pegar experiência nestas corridas, aprender e ser exigido e, com maestria, evitar toda a patacoada nacionalista e blazê que colocam sobre si a cada ultrapassagem ou ação. Por ora, vai bem. E para o torcedor aflito, ó, Senna há de ser o nome do país na F1.

Vettel já tem mais de uma centena de pontos sobre a rapa e pode ser campeão em Cingapura. Não vai porque a combinação é meio complicadinha, mas do Japão não escapa. Se eu fosse a Red Bull, o jogava de volta para a Toro Rosso e fazia Alguersuari e Buemi andar na equipe principal algumas corridas, só para dar e fazer graça.

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Webber wins

SÃO PAULO | Quem achou que não foi nada de mais tem de dar o braço a torcer…

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S & F, 3

SÃO PAULO | A foto anterior à ultrapassagem do ano. Da Getty.

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S & F, 2

SÃO PAULO | A movimentação em Spa & Francorchamps começou logo de manhã, quando parte da negada quis mudar a regra do jogo na caruda e foi pedir a quem de direito que pudessem mudar a cambagem e trocar os pneus usados no Q3 de ontem alegando bolhas. O quem de direito vetou, recomendou que passasse uma água boricada e cobrisse com band-aid, e assim Vettel foi, meio inconformado, para o grid seco. Mas foi na iminência do apagar das luzes que grande parte das atenções deixaram a frente para se concentrar ali na quarta-fila. Em Senna. Primeiros metros, largada mediana — Alonso já o havia superado —, passar Webber foi fácil, meteu o carro ali por dentro e não foi freando, não foi freando, não foi freando na La Source, e pobre Alguersuari, que vivia talvez seu melhor fim de semana na F1, acabando assim, destrozado con el corazón partío, como bem definiu Fernando Silva.

Torcedores atiraram a almofada na parede. O tio velho e bigodudo e o moleque dele desligaram a TV, bem como muitos tantos no Brasil-sil-sil todo. A corrida de Senna acabou ali também. Naquele circuito de 7 km, dar uma volta lenta até chegar aos pits para conserto dos eventuais reparos foi fatal. Botou pneus novos para não mais sair lá do fim do pelotão. Nem mesmo a entrada do safety-car no acidente de Hamilton lhe foi favorável, até porque, inexplicável e burramente, a Lotus Renault não o chamou para nova troca dos Pirelli. Mas é bem provável que nem uma mudança radical no tempo, que baixasse a temperatura uns tantos graus centígrados, e não Celsius, e levasse Irene dos EUA para a Bélgica levaria Bruno de volta à frente. Falta bagagem para tal ainda. Uma sexta mediana, um sábado excelente e um domingo ruim: este é o saldo do primeiro fim de semana efetivo de Senna na F1. O primeiro e o terceiro dia foram marcados pela afobação; o do meio, pela qualidade inerente à família em pista molhada. 13º lugar, e uma bela experiência adquirida, sobretudo, para evitar tais erros. E que tome cuidado na largada igualmente problemática de Monza, daqui duas semanas. Acelerar, Bruno sabe. Mas que tenha em mente quando pressionar no momento devido o pedal da esquerda.

Rosberg, que parecia ser Nico, e não o pai, fez a largada da vida e pulou na ponta para atrapalhar Vettel em duas voltas e nada mais. E Massa para uma corrida quase que toda. O atestado de que o alemão e o brasileiro passaram boa parte da temporada disputando posição é uma metáfora para o fraquíssimo desempenho que Felipe vem tendo. Daqui a pouco sigo nisso. Mas Vettel foi lá para as cabeças, Massa ficou preso, Alonso chegou, fez-se um mise-en-scène para segurar o companheiro, o óbvio e de sempre aconteceu, passou, Hamilton passou, todos passaram Rosberg, menos Massa, e o negócio era ali entre os três.

Os caras que mais reclamaram do estado de seus pneus pararam primeiro — as Red Bull e Hamilton —, e Alonso acabou tendo uma tática fora da janela dos ponteiros, independente do composto que colocassem. Nas idas e vindas, era o espanhol quem parecia vir com mais força. Parêntese: quando Alonso voltou à pista, encontrou Webber, que fez uma ultrapassagem por fora na entrada da Eau Rouge que ouso classificar como uma das cinco maiores que já vi — a primeira, claro, 1996, Cart, Zanardi sobre Herta no Saca-rolha em Laguna Seca. Tirando a largada pífia, Webber estava com a chimpanzé no fim de semana, nem macaca era. Acho que tomou muito Camberra Milk. Fecha parêntese. Aí veio outra de Hamilton: o toque com Kobayashi, o que é imperdoável, a explosão do patrocínio da Allianz em isopor, o apagão momentâneo no carro, o berro pela insensibilidade do cara do GC em tirar da transmissão a faixa da TV que mostrava os tempos, o safety-car e a sacada da Red Bull em chamar Vettel de novo nos pits para recomeçar a prova ainda ali na frente e com mais vigor. Não tardou muito, pois, para que o campeão/bicampeão jantasse Webber e Alonso tão logo a prova foi retomada, e lá estava ele na frente para não mais sair dali. Finito.

Se na frente o negócio era favas contadas, atrás vinha Button. É pecado mortal e eterno dizer que é o piloto do ano? O cara é sublime, pelamor: sai em 13º, vai passando todo mundo e mesmo com o desgaste que provocam as disputas, lá estão os pneus prontos e inteiros para virar até mais rápido do que os ponteiros. E olha que Button foi atrapalhado no entrevero entre Senna e Alguersuari, do contrário perderia menos tempo para passar a rapa toda. Aí apareceu em oitavo, passou Schumacher e Sutil, chegou em Massa-Rosberg, deu uma dica para o brasileiro de que ele podia ser bem sucedido sem precisar entrar juntinho na La Source para contornar a Eau Rouge pertinho e usar o DRS para tentar a manobra na reta e tal, mas preferiu não jogar o tempo ao léu. Button trocou o pneu e foi lá buscar Alonso. Foi como a terceira vitória no ano, o terceiro lugar.

A turma de trás também estava levemente empolgada. Kobayashi, indestrutível, teve de ficar vendo a turma do bololô, Maldonado, Barrichello, Di Resta, Petrov e o companheiro Pérez, que acertou Buemi e forçou a Toro Rosso a testar uma asa com cambagem. Não deu muito certo, e Buemi abandonou e fez cara feia, sem muito esforço. O Ligeirinho também acabou abandonando, e coube a Maldonado um mísero e primeiro pontinho no ano. Barrichello, que até parecia perto da zona de pontos, teve um toque com… Kobayashi! E um toque no mito, já sabe: qualquer um sai na pior. Some-se a isso a fase ruim de Rubens, e o resultado é terminar a prova atrás das duas Lotus verdes. É pior que fricassê de jiló.

Schumacher. Lembrou os velhos tempos. Saiu em último, já era 14º na primeira volta, e foi ali cozinhando o galináceo até dar os botes na hora certa e chegar em Rosberg, que não mais tinha Massa em seus retrovisores por conta de seu furo no pneu. A Mercedes abriu a disputa, e o alemão mais velho, com pneus mais novos, passou. Um quinto posto do qual Michael deve se orgulhar em seu convescote de 20 anos de F1.

Sobre Massa, sei lá, é o que tem sendo dito e visto e a tecla é a mesma, sempre tocada nas desculpas da transmissão. Hoje foi a tração. Problema de tração. Felipe tem tido problema de tração há uma temporada e meia. Vai um relato: antes da corrida, na BBC, Vettel dava uma entrevista e falava deste período pós-férias, teoricamente mais difícil para a Red Bull. Não anotei a declaração, exatamente, mas ele disse algo do tipo ‘ah, porque agora eu, Mark, Fernando, Jenson e Lewis vamos brigar pelas vitórias e…’, o que mostra exatamente que até os pilotos não mais acreditam em Massa brigando por vitórias. A defesa que sempre é apresentada é tipo a ameaça que as federações estaduais de futebol estão fazendo às torcidas organizadas para não protestarem contra Ricardo Teixeira neste domingo: funciona ao contrário. Aí Massa acaba sendo visto como o oposto, como ruim, o que, de fato, não é. Só que um cara que tem um canhão vermelho na mão não pode passar uma prova toda, ou uma temporada toda, atrás de um estilingue prateado. Aí a Ferrari se vê obrigada a elogiar o piloto alheio. “He (Jenson) is very ambitious”, enquanto, até ironicamente, a equipe escreve um “Felipe passed Maldonado”. Massa tem bem menos da metade dos pontos de Alonso com 2/3 de campeonato. Para um piloto de nível de ponta, não dá.

Ao torcedor brasileiro, sua vida tem sido muito difícil. Isso em qualquer escala. Mesmo centígrada.

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S & F

SÃO PAULO | A redenção de Senna à primeira impressão causada ontem foi das melhores — ainda que pareça exacerbada, talvez de forma errada, por todo pão e circo armado pela emissora-máter, num esperado comparativo com o tio na pista que, uh!, separa pilotos de pilotos. Bruno queria e rezava pela manutenção do mau tempo que o fez parar na barreira de pneus, e no pós-descabaço, tratou de andar na frente de Petrov e fazer jus ao discurso oficial da chefia da Lotus Renault. Um sétimo lugar no grid, ao lado de Alonso, é excelente, e o brasileiro tem lá algumas horas para sorrir e comemorar. Depois vem a noite, o sono que vai vir com dificuldade e um domingo que parece que será sem chuva em Spa & Francorchamps.

Bruno, então, terá algumas dificuldades. Porque não teve chance de guiar no seco com um carro que pouco conhece — e isso deve ser ressaltado, face a fase antiteste que vive a F1. Natural, então, que perca posições ao longo da corrida, de modo que, se chegar na zona de pontos, já terá sido um feito e tanto. Sua briga vai ficar ali com as Force India — que terão difícil batalha de recuperação com Sutil, acidentado, e Di Resta, atrapalhado pela equipe — e as ótimas Toro Rosso, sobretudo deste notável Alguersuari que melhora a olhos vistos, como diriam as nossas avós fazendo o bolo de milho para o café da tarde.

Na frente, Vettel tirou a fórceps a pole de Hamilton Pica-Pau de polainas e Webber 3.5. Confesso que achava que dificilmente sairia das mãos do aniversariante do dia a primeira posição, por tudo que vinha fazendo no fim de semana. Foi um átimo do vaivém da chuva que afetou as pretensões do australiano, que tende a vir firme e forte para sua primeira vitória no ano. Acho que já disse isso em algum outro momento neste ano. Claro que me dei mal.

Hamilton deve largar em segundo. Ou em sétimo. Ou sei lá em que posição. Vai depender dos comissários, que estão a ouvi-lo, bem como a El Loco Maldonado. Num primeiro instante, aquele entrevero pós-Q2 parecia totalmente culpa de uma esquizofrenia momentânea do inglês. Depois, até vi que o venezuelano teve lá sua parcela. Que vai sobrar para alguém, vai. Que sobre pros dois, pois.

Massa, pela segunda vez seguida, sai na frente de Alonso. O que é bom, claro. Agora precisa de um desempenho semelhante em corrida, coisa que não aconteceu, consecutivamente ou não, em 2011. Se o foco da Ferrari é brigar pelas vitórias até o fim do ano, que faça seu papel amanhã. Fernando, por sua vez, foi mal e culpou Ligeirinho Pérez. É o rei do mimimi. A Juliana Tesser que gosta dizer que Alonso adora uma cama porque gosta de chorar em lugar quente. Essas meninas, viu, têm cada dito…

Falando em Pérez, quedê Kobayashi?

Em rara atitude, Barrichello isentou Kovalainen de culpa por ter sido atrapalhado no Q2. Não havia muito o que fazer, e Rubens larga em 14º amanhã. Sei não, mas o brasileiro já parece meio conformado com essa Williams que não vai e, acima de tudo, na qual está difícil ficar — a não ser que as pendengas financeiras sejam resolvidas. O grande problema para Barrichello é o tempo que lhe restaria para tentar arrumar um outro lugar decente na F1, visto que as principais vagas já estão devidamente ocupadas. A única hipótese, dificílima, é Barrichello ver como a Renault vai lidar com Kubica — ou, melhor dizendo, como Kubica vai lidar em seu retorno — e, no caso de o polonês abdicar do esporte, Rubens aparecer com seus serviços para ser um novo líder do time. Mas isso é papo pra outra hora.

O que interessa é que o domingo será interessante na pista que dá gosto de acompanhar uma corrida, seja boa ou ruim. Como no BRV apostei que Hamilton ganharia, mudo totalmente de opinião e digo que este Pastor aí é pecador e pior que o Malafaia.

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Buda da peste, 3

SÃO PAULO | O negócio é assim na F1 atual: choveu, deu Jenson Button. A capacidade que o piloto mais sublime e consciente da categoria tem em correr na pista molhada voltou a ficar latente neste domingo (31) na Hungria, e mesmo não sendo o mais rápido, aproveitou-se das condições e dos erros alheios — inclusive da McLaren em cima de Lewis Hamilton — para chegar à segunda vitória na temporada, justamente no fim de semana em que celebra 200 corridas.

Hamilton, que tendia caminhar para um segundo triunfo consecutivo assim que assumiu a liderança na volta 5, ao se livrar de Sebastian Vettel, viu-se traído justamente pela chuva que tornou ao circuito de Hungaroring. Foi uma rodada que passou em sua vida e resultou num bate-cabeça da equipe e num drive-through que o alijou da disputa. Restou-lhe um acre quarto lugar.

Sem nunca lutar pelo primeiro, Vettel fez aquela corrida de quem pensa no campeonato. Foi segundo. Fernando Alonso foi novamente ao pódio, mas teve uma atuação deveras oscilante, com escapadas e rodadas.

Com uma F1 de três equipes grandes e seis pilotos na frente, portanto, Felipe Massa terminou em último desta patota. O brasileiro foi outro que sofreu com o asfalto úmido, também rodou e se viu obrigado a lidar com a tarefa de fazer corrida de recuperação. Rubens Barrichello acabou em 13º e nada mais.

A largada na faixa suja ficou ainda pior com a pista úmida, sobretudo para Massa e Webber, que perderam posições para quem estava do outro lado e para as Mercedes. Rosberg, aliás, saltou para quarto e Schumacher conseguiu por instantes ser quinto. Alonso recuperou uma posição na abertura da segunda volta e o brasileiro, na quarta. O espanhol empolgou-se, também passou Rosberg, mas se perdeu na curva 3 e viu-se novamente atrás de Nico.

Na frente, era nítido e notório que Hamilton vinha com mais ação que Vettel, e a ultrapassagem acabou vindo justamente na curva 3, na volta 5. Foi só passar que o inglês deu tchau para o resto.

Mais atrás, eram as Ferrari quem chamavam atenção. Alonso escapava aqui e ali, mas ainda se mostrava eficiente. Chegou até a perder posição para Massa, mas é piada pensar que permaneceria atrás do companheiro. O espanhol voltou a acossar Rosberg, enquanto que Massa, ao tentar acompanhar, perdeu-se na referida curva, rodou e destruiu parte da peça traseira. Na volta 8, então, Felipe despencava.

O risco de partir para os slicks veio incrivelmente de quem estava lá pelas primeiras posições. Foi Webber e o próprio Massa quem mostraram que a pista já estava apta a tal. A aposta valeu a pena, e Webber, até então relegado ao oitavo posto, subiu para quinto depois das paradas e foi brigar, com sucesso, pelo quarto com Alonso. Button passou Vettel para pôr as McLaren em primeiro e segundo. A vida no seco deu uma apaziguada na turma, e as posições se mantiveram intactas, com Hamilton abrindo distância.

De interessante, mesmo, a corrida voltou a mostrar algo só na volta 25, quando Heidfeld — num sombrio 18º lugar — parou nos pits pela segunda vez e viu seu carro já sair dos boxes pegando fogo. O alemão parou o carro ali do lado da faixa de saída e deu um salto para sair que faria inveja aos twists carpados de Daiane dos Santos. Mais interessante, ainda, foi a direção de prova acompanhar os comissários tentando apagar as chamas e o reboque tirando a Lotus Renault mais preta do que de costume sem acionar o safety-car.

Aí o negócio foi ver a estratégia das três grandes. As Red Bull e Button pararam pela terceira vez e colocaram os pneus macios pensando em ir até o fim sem precisar ir de novo aos pits. Hamilton e Alonso iam de supermacios, com vida curta. Mesmo assim, Button começou a tirar diferença e se aproximar. E aí a chuva voltou à cena, de leve. Na volta 47, Lewis rodou ao beliscar a chicane e perdeu a liderança — e na tentativa de evitar a perda da posição, no meio da pista, simplesmente esqueceu que havia uma corrida rolando e voltou perigosamente a ponto de jogar Paul di Resta para a grama.

Mesmo com a pista molhada, os pilotos mantiveram os slicks e Hamilton foi lá buscar a liderança de novo. No giro 50, Button escapou na curva 3, e Lewis tornava ao primeiro lugar. Na reta principal, Button devolveu. Logo depois, Lewis reultrapassou. Grande momento da corrida, e a disputa entre os dois infelizmente encerrava ali porque a McLaren chamou Hamilton para que colocasse os intermediários.

Péssima tática. Quatro voltas depois, lá ia o inglês para sua quinta parada, voltando aos pneus de pista seca. E na passagem seguinte, Hamilton passou pela sexta vez nos boxes. Era o drive-through aplicado pela direção de prova por aquela manobra. Button agradeceu à beça.

O máximo que Hamilton alcançou foi Webber. Uma quarta colocação que certamente trouxe um gosto bem diferente ao que sentiu durante a prova toda.

Vettel e Alonso fizeram uma parte final de corrida mais sossegada, apesar de o espanhol ter lidado com um contratempo final, uma rodada. No fim das contas, segundo e terceiro lugares ficaram de ótimo tamanho a eles, e o bonde da F1 seguiu seu rumo nos mesmos trilhos de antes, com o alemão longe dos outros na classificação geral.

Massa só pôde lutar pelo que podia, mesmo. Muito mais rápido que Mercedes e demais equipes, não tardou muito em ultrapassar todos para chegar em sexto. Para se ter uma ideia da diferença, o brasileiro deu uma volta no sétimo, o ótimo Paul di Resta da evoluída Force India.

Digna de aplausos foi a aparição de Sébastien Buemi. Penúltimo no grid por conta da punição decorrente do acidente com Nick Heidfeld na Alemanha, o suíço já era 12º depois de cinco voltas. Foi oitavo na bandeirada. Rosberg acabou num pífio nono posto, à frente do companheiro de Buemi, Jaime Alguersuari — que tem tomado gosto por esta coisa de pontuar. Todos logo à frente de Kamui Kobayashi, que se arrastou no fim porque a Sauber partiu para mais uma daquelas estratégias loucas, com apenas duas paradas.

Aí a gente faz um rápido levantamento das vezes que Button ganhou na McLaren. Foram quatro, contando com Austrália e China no ano passado e a do Canadá neste ano. Choveu em todas. Abençoado pelos céus, literalmente, este Jenson.

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Pale Ale, 3

SÃO PAULO | O desempenho nos treinos livres jamais permitiria a Lewis Hamilton sonhar com um lugar no pódio no GP da Alemanha, em condições normais, se considerasse que as Red Bull e as Ferrari vinham muito à frente da McLaren. O segundo lugar na classificação com uma volta mais-que-perfeita começou a lhe dar alguma esperança. E eis que, sem chuva, Hamilton foi lá e conquistou uma vitória até que tranquila em Nürburgring neste domingo (24).

Fernando Alonso e Mark Webber até que foram rivais duros, mas só na primeira parte da corrida. Uma vez que Hamilton — líder desde a primeira curva, mas que perdeu a ponta na primeira parada nos pits — retomou a posição de destaque da corrida na Alemanha, não mais a perdeu.

Sebastian Vettel fez sua aparição mais pobre na temporada. Não andou
em nenhum momento no ritmo dos líderes, chegou a rodar e teve de suar para conseguir um quarto lugar — foi sua primeira prova fora do pódio desde o GP da Coreia de 2010, quando abandonou; considerando as provas em que chegou até o fim, é a primeira que não levanta um troféu nem estoura a champanhe desde o GP da Itália, em setembro do ano passado.

Na verdade, Vettel teve de contar mais com o erro da Ferrari na última volta. Foi nos boxes que o alemão da Red Bull superou Felipe Massa.

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Saiba como foi o GP da Alemanha de F1, em Nürburgring

Novamente pole, Webber se viu sem o primeiro lugar depois de uns 200 metros. O australiano assentiu que era impossível brigar na freada e se posicionou diretamente atrás de Hamilton, garantindo que o pessoal da segunda fila não o atacasse. Na curva 1, Alonso emparelhou com Vettel e conseguiu superá-lo. Massa, que tentava um bote por fora para ganhar a posição de ambos, acabou na verdade perdendo um posto, para Rosberg. Mais atrás, Barrichello pulava para 11º, três posições à frente de seu posto de largada.

O que Alonso havia obtido nos momentos iniciais perdeu logo na segunda volta: uma escapada na curva 3 abriu passagem para que Vettel retomasse a terceira colocação. No entanto, o espanhol se manteve nos retrovisores do atual líder da temporada, e na abertura do giro 8, houve nova inversão de lugares.

O sinal de que Vettel não estava em seu fim de semana aconteceu instantes depois: na curva Michelin, tangenciou para fazer a curva à esquerda e pôs o pneu além da linha, onde estava molhado. Rodou, mas voltou ainda à frente de Rosberg, que sofria para segurar Massa.

O primeiro acidente da corrida aconteceu na volta 10: andando lá atrás após um incidente com Paul di Resta, Nick Heidfeld buscava recuperação a seu modo, bem lentamente. O mesmo acontecia com Sébastien Buemi, que largou em último por ter sido desclassificado devido a uma irregularidade. Os dois se acharam na chicane. Na verdade, Buemi jogou o carro sobre Heidfeld, que deu uma decolada e foi parar ali na área de escape, um tanto quanto furioso.

O choque no pelotão intermediário foi o pavio para acender a corrida, que nem no chove-não-molha estava. Webber, que vinha comboiando Hamilton, chegou a passá-lo na entrada da reta principal, mas Lewis, com mais ação, devolveu ainda no fim da reta. Alonso colou de vez na dupla da frente. Ensanduichado, o australiano passou a gastar excessivamente seus pneus. Não à toa, abdicou da briga ao ir para os pits, na passagem 15.

O fim da volta 16 e o começo da 17 foi assim, ó: Massa passou Vettel na chicane e Webber se aproveitou para fazer o mesmo. Hamilton e Alonso foram juntos aos pits. Chegou lá no final da reta, os carros que saíam dos pits trombavam os que estavam na pista. O brasileiro assumia a liderança e segurava os três logo atrás, com muito mais ação. Assim foi por uma volta, afinal Massa teve de parar. A Ferrari trabalhou bem e o pôs de volta à frente de um incrivelmente lento Vettel.

Barrichello, neste ínterim, abandonava com sua Williams sem Kers para pesar menos. Disse a Williams que foi um vazamento de óleo que mereceu intensa investigação. Disse Rubens que a equipe ficou pedindo por voltas e voltas pelo rádio para que parasse e evitasse uma quebra de motor. Triste calvário conjunto.

A coisa toda deu uma esfriada na frente depois dos pits, com Webber mantendo certa distância para Hamilton e Alonso. De legal, mesmo, teve Schumacher tentando dar um duplo bote quando ele e seu companheiro alcançaram Vitaly Petrov. Sem êxito, o alemão mais velho partiu para cima de Rosberg. Mas acabou cometendo o mesmo erro de Vettel na volta 22: pneu além da pista e rodada. A Mercedes respirava aliviada enquanto o público se queixava. Ao menos, serviu para que o mítico Kobayashi colasse em Schumacher para resgatar uma disputa que seu às pencas nesta temporada.

A Red Bull chamou Webber para sua segunda parada na 31. A McLaren o fez com Hamilton na 32. Mais rápida, a equipe prateada devolveu seu piloto à frente. Com mais ação, os dois se encontraram na saída dos pits. Chegou a haver um toque na curva seguinte, mas Lewis se manteve à frente. A perda de tempo de ambos seria fundamental para Alonso, que foi aos boxes na 33. O espanhol chegou a voltar como líder, com Hamilton em ação similar à de Webber na volta anterior. Só que o inglês teve competência e arrojo para superar o antigo companheiro, e por fora assumiu a ponta da prova.

Aí a corrida voltou a dar uma caída. Button disputou ali um sexto lugar com Rosberg, passou, e na volta seguinte a McLaren lhe tirou o doce: problema eletrônico, e o pobre Jenson levava o carro para os boxes para marcar no campeonato seu segundo abandono seguido. Lá na frente, Hamilton abria mais de 3 segundos para Alonso, que se livrava de Webber. Vettel partia para cima de Massa para tentar um quarto lugar.

A última rodada de paradas aconteceu na volta 52, a oito do fim, pois. Hamilton foi o primeiro a pôr os pneus duros. A Ferrari preferiu esperar para averiguar se, mesmo com os velhos pneus macios seu piloto seria mais rápido. Não. Então fez seu papel, e Alonso voltou naturalmente atrás. A ida de Webber aos boxes pouco importou.

De resto a se observar foi só a disputa pelo quarto lugar. Vettel tinha muito mais ação, mas não conseguia a ultrapassagem sobre Massa. Curiosamente, ambos foram para os pits na última volta para pôr, por regulamento, os pneus duros. E aí, para motivar a queixa generalizada à Ferrari, eis que a equipe italiana trabalhou cerca de 1s5 mais lenta que a Red Bull, perdendo uma porca, e permitiu que o alemão ganhasse a posição nos pits.

Na volta aos boxes, a Ferrari pediu encarecidamente para que Alonso parasse seu carro na pista. O espanhol acabou voltando de carona no carro de Webber, em cena que lembrou os tempos de Nigel Mansell e Ayrton Senna.

Solitário em grande parte da corrida, Adrian Sutil fez por merecer um glorioso sexto lugar com sua oscilante e boa Force India. Rosberg e Schumacher, tão oscilantes quanto, foram sétimo e oitavo, respectivamente. Kobayashi ficou em nono com a Sauber e Petrov terminou em décimo com a Renault, que passou a prova inteira fazendo aliterações — frases iniciadas com a mesma letra — pelo Twitter. Sinal de como a corrida em Nürburgring não foi lá essa coisa toda.

De fato foi a primeira derrota em pista da Red Bull — e talvez a maior chance que Webber tinha de vencer enquanto dava. Na metade da temporada. A reação se fez tarde, e a inês está enterrada.

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Pale Ale, 2

SÃO PAULO | Ora, ora, e não é que acordaram Webber? Desde Silverstone, Markola voltou a ser aquele leão de treinos que o marcou nos tempos de Jaguar. É um piloto de altos e baixos, Webber, mais baixos do que altos. Muitas vezes passa a impressão de que só faz um esforço extremo quando é realmente necessário – tipo uma renovação de contrato, por exemplo. Fato é que deu uma acordada em Vettel, que ficou ali relegado a uma segunda fila que não via havia pelo menos 14 corridas e alguns contos de réis.

Duro para Webber são os prognósticos e o vamovê. Na Inglaterra, largou mal no seco, e sua corrida já era, ainda mais com a pista mezza molhada. Amanhã a chuva em Nürburgring é tão certa como beata em missa. O australopiteco não é nenhuma Brastemp nestas condições. Explica-se então Hamilton rindo à toa, como se estivesse ouvindo Falamansa, banda preferida de Felipe Giacomelli. Sabe quando falam em volta perfeita? A de Luis foi mais, ainda mais com essa sub-McLaren. Sonhar com a vitória é claramente possível. Problema é a afobação que lhe tem sido inerente neste ano.

The locals were very pleased to see him...Daí as coisas se voltam para Vettel, como sempre em 2011. “Não estou desapontado”, disse logo após a classificação. Nem tem por quê. Vê-lo largando em terceiro é pelo menos uma oportunidade de entender o que é capaz de fazer nesta rara adversidade, ainda que ínfima. O único fator que poderia atrapalhá-lo é uma suposta pressão aí do lado, ó, da foto. Vencer em frente à sua torcida. Mexe com qualquer um.

Em quarto, Alonso é o ‘free-agent’ da turma, ‘yo soy la garantía’. Bom demais no molhado e com um carro enfim bom, fecha a quadra que deve brigar pela vitória — com uma forcinha, dá para colocar Button, que guia o fino sob chuva, e c’est fini. Com os pormenores e deslizes dos três anteriores, o español até parte com certa banca e favoritismo para o triunfo germânico.

Kobayashi em 18º só pode ser um chiste de mau gosto. Um acinte. Um descalabro. Há de passar 17 amanhã e se tornar mais mito do que já é. Mas digamos que esteja perdendo lá um pouco de sua gleba para Pérez. O primo de Carla é bom, mesmo. Duro é essa Sauber que não sabe se sai da moita. Em Silverstone, chegou a brigar com a Mercedes. Agora em Nürburgring, é com Williams e Toro Rosso e olhe lá. Dá um carro bom na mão destes dois aí que é só alegria. Nóis agradece.

Quanto a Massa e Barrichello, nada além do que se esperava deles. Felipe larga em quinto, sempre com uma distância em cronômetro relevante para Alonso, e nada faz crer que amanhã andará no ritmo dos ponteiros e, pois, para a vitória. Rubens apegou-se ao 14º lugar no fim de semana. Mas o interessante da história é que a Williams descobriu que o carro está acima do peso. Votecontá, que cazzo andam fazendo lá em Grove que demoraram meia temporada para ver isso? E em vez de mandar o FW33 para o ‘The Biggest Loser’, tiraram o Kers do carro de Barrichello para melhor avaliá-lo. Santa paciência, Batman. Rubens deve estar passando pelo tratamento de choque do filme e repetindo ‘gusfraba’ como se fosse um mantra e se perguntando: “Que mal que eu fiz?”

Pai Zulu baixou aqui e falou que virão 2 safety-cars como tempero na corrida de amanhã. E como se fosse a chamada da TV, disse que a promessa é de uma grande corrida amanhã e altas disputas com esta galerinha do barulho num circuito daqueles que valem mais do que uma pena.

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Pale Ale

SÃO PAULO | Alonso e Webber, Webber e Alonso. Chega no domingo, sobra quem para tentar a vitória, faça chuva ou faça sol? Desnecessário dizer. Fato é que, se no começo do ano era a McLaren a grande concorrente da Red Bull, a Ferrari quem ocupa a pleno este posto. E a McLaren atual é muito abaixo da Ferrari das primeiras corridas. Não há endplate, flap, new wing ou whatever que dê jeito nos carros prateados. Vez ou outra, acabam atrás até da Mercedes. Como hoje. Hamilton foi sétimo, e mal dá para dizer que se trata de estratégia de combustível ou acerto para a chuva, que são os pneus, que estão escondendo o jogo. A McLaren simplesmente regrediu. Jenson Button foi só o 11º. Muitíssimo pouco para quem, até outro dia, era vice-líder do Mundial. A McLaren de hoje é a McLaren da pré-temporada, aquela que fazia feio.

Vettel ficou ali em terceiro, só na espreita, tomando 0s3 dos líderes nas duas sessões. Não se pode dizer que não tenha sido constante, pelo menos. Mas, como sempre, nada que deva preocupá-lo. Amanhã ele estará na briga pela pole, de certo, com os dois primeiros de hoje. A Ferrari — que tem uma interessante abertura na cobertura do motor, funcionando como escapamento; parece que a peça está mal encaixada e amarrada com ‘cadarços’ — de Massa tem de ser melhor alimentada com um feijãozinho para pensar em largar na primeira fila.

Ali atrás, a Williams continua pastando para tentar acompanhar Toro Rosso e Sauber e tem sido pouca coisa mais eficiente que a Lotus. A Virgin e a Hispania seguem sendo dois esboços do comboio do horror. HRT, aliás, eles vão reforçar a sigla, agora com novos donos. Nenhum dos pilotos andou abaixo do tempo dos 107%. Aí chega amanhã, acontece o mesmo, e a dona FIA, toda pimpa e descarada, permite que corram, enquanto seus representantes analisam se o logo da entidade está pintado e bordado de forma correta no macacão alheio. A CBA realmente tem a quem puxar, mesmo.

Verdade seja dita, como sempre… esses treinos de sexta, votecontá, viu… alguém tinha de dar um jeito de valer alguma coisa. A Evelyn Guimarães, beberrona, define-os como pior que porre de Chalise. Para as equipes, foi um alento não ter chovido. Para quem vê (e ouve alguns petardos), é dureza.

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Team GB, 3

SÃO PAULO | No Canadá, Vettel errou na última volta e deu a vitória a Button. Hoje foi a vez da Red Bull — e não foi o único e o maior erro. Volta 27, segunda troca de pneus. Nada mais normal e natural que um problema nos pits acontecesse uma hora. Mas foi uma pena ter visto a troca de posições com Alonso no próprio box. Seria, claro, muito mais válido ver a disputa entre os dois pilotos na pista, que poderia ter dado um outro resultado ao muito bom GP da Inglaterra de hoje.

Uma vez livre das Red Bull, Alonso imprimiu um ritmo tão forte a partir de então que estava claro que não havia como alcançá-lo mais. Sem ter o carro mais rápido, Vettel teve dificuldades para superar um bem mais lento Hamilton na pista, e se o espanhol estivesse atrás do alemão numa disputa real pela briga pela vitória, o negócio seria outro. Mas isso não invalida o quanto Alonso mandou bem hoje. O cara carrega a Ferrari nas costas, é esse o fato, e sua felicidade quase pueril indicou claramente quando uma vitória vale mais do que ela realmente é. É o triunfo que desentala e afasta a pecha da crise.

Curioso que a Ferrari não dava muitos sinais de que chegaria ao pódio no primeiro trecho da prova, quando o carro vermelho sofreu andando com os pneus intermediários e viu Vettel despachar a concorrência, como sempre. Foi jantado por Hamilton e perturbado por Button. A secagem do asfalto provocou uma reviravolta. E, possivelmente, a limitação do uso do difusor com os gases aquecidos tenha sido fatal para as pretensões rubrotaurinas neste domingo.

Pretensões. Vettel e Webber, disputa pelo segundo lugar, voltas finais. E a Red Bull manda que o australiano não ultrapasse o alemão. O chefe Christian Horner alegou minutos depois à BBC que pensou no campeonato, nos pontos que seriam salvos. Tivesse realmente pensado no campeonato, o dirigente veria que a ordem de equipe era absolutamente desnecessária. Nem a maior das hecatombes tira o título de Vettel, e não são três pontos — a diferença entre as posições — que mudariam o destino da competição. É pretensão demais pensar assim. É de se lamentar que o time que mais tem a cara do marketing, da jovialidade e da tentativa de um novo ar esportivo na F1 já seja tão igual que suas rivais mais próximas. E um ano depois, Horner dá total razão a Webber por aquele desabafo feito para o mundo inteiro ouvir após sua vitória em Silverstone, o do ”nada mal para um segundo piloto”. A Red Bull aqui da Stock Car ensinou dias atrás que “corrida é na pista”. Pelo jeito, a empresa não segue a mesma diretriz mundialmente.

Voltando à corrida em si, belíssima disputa entre Massa e Hamilton no fim, decidida na linha de chegada após toques e muita vitalidade. Interessante ver que Felipe, que geralmente tem feito provas apagadas, é sempre protagonista de episódios como este, como já fez com Kubica em Fuji anos atrás e com Kobayashi em Montreal nesta temporada. Desta vez, perdeu. E Massa pode ter lá suas limitações, mas é um piloto íntegro e de personalidade. Não entra no chororô nem no mimimi que se acende. Não há por que punir o inglês, é coisa de corrida, e parte para a próxima.

No mais, corrida excelente de Pérez, sétimo — apesar de ter passado o tempo todo atrás de Rosberg —, um dia escabroso para o mito Kobayashi, um elogio a Button pela sua consciência ao parar o carro vendo que seu pneu estava solt0 e uma menção a Alguersuari, que novamente foi aos pontos. Por hoje, é só.

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La Comunitad, 3

SÃO PAULO | Tem alguém perto que está ouvindo a rádio Iguatemi até o talo, e lá passa um programa só com músicas do Roberto Carlos. “Eu tenho tanto pra lhe falar”. Verdade. Tem muita coisa.

Primeiro que Valência não dá. Difícil que haja uma corrida tão ruim até o fim do ano. Nem com todo o blush, rímel e batom que a F1 aplicou para dar uma chacoalhada no espetáculo foi possível assistir sem pensar na hora e meia perdida e nos braços do Morfeu. Porque justamente Valência foi criada de forma maquiada: ser uma nova Mônaco para que os ricões atraquem seus iates luxuosos numa corrida de rua que teoricamente permite ultrapassagens, 60 e tantos por cento de aceleração plena, áreas de escape, blé. Em quatro edições, Valência já criou a tradição de ser um puta saco. Ninguém abandonou. Uau, recorde histórico. Sabe aquele ditado de que não se deve confiar em gente que não bebe? Não acredite em corrida em que ninguém abandona. Ainda, não acredite numa corrida em que o mito Kobayashi não termina nos pontos e não vai bem.

E não acredite, também, em tudo que se ouve. Coisas como Massa perdeu a vitória hoje. Todo santo domingo de corrida tem sido um editorial de explicações de uma defesa desnecessária, que elimina qualquer caráter jornalístico e racional e considera meramente o patriotismo e as relações pessoais hiperbólicas. E como a Ferrari não tem feito o seu trabalho dos boxes, fica muito fácil entregar o filho nas mãos de um mecânico que se atrapalha na troca de um pneu. Foram 5 segundos nos boxes. Felipe terminou 51 atrás de Vettel. Tomou 40 de Alonso. Massa só fez bem a largada. A partir de então, só andou para trás — até se imaginou que partiria para uma tática diferenciada de paradas; nada; mesma coisa. É um feito e tanto Alonso terminar entre as Red Bull. Ô se é. E já que se explica tanto por que Massa está sempre de quarto para cima, seria de bom grado explanar por que Massa não alcança tais feitos. Como a verdade dói, ela é omitida.

Alonso é melhor que Massa. Qualquer outra lavagem cerebral é lobotomia.

Como Vettel é melhor que Webber. Que mal tem nisso? E, sim, as comparações têm de ser feitas em esportes e competições. Um tem de ser melhor que outro. A diferença entre Vettel e Webber é similar à de Alonso e Massa. Há três meses, escrevi isso numa parte da análise da temporada 2011: “(…) o australiano Webber e o brasileiro Massa, de países continentais com histórico notável na F1, Brabham e Jones para um lado, Fittipaldi, Piquet e Senna para o outro, um sem ser campeão há três décadas, outro há duas. Quando Webber estreou em 2002 pela Minardi, lá estava Massa, também em sua primeira corrida, com uma Sauber. Os dois passaram muito perto do título: Webber o perdeu no ano passado na última prova e Massa, em 2008, na última curva. Acidentes marcaram as carreiras: a clavícula quebrada de Webber depois de cair de bicicleta foi decisiva para sua derrota em 2010; a mola que atingiu a cabeça na classificação do GP da Hungria tirou Massa de combate durante o resto da temporada de 2009. Inegavelmente bons, nem Webber nem Massa têm arroubos de pilotos fora-de-série, contudo, e diante de Vettel e Alonso, respectivamente, são vistos na maioria como segundões.”

É isso. Nem Massa nem Webber são maus pilotos. Só não têm condições de acompanhar seus companheiros. Há algum pecado em ser pior do que o cara com quem se divide garagem? A Ferrari e a Red Bull não ouvem Cássia Eller e ficam a cantarolar, em Maranello ou Milton Keynes: “Eu vou sabotar / você vai se amarrar”. Ninguém gasta milhões em salário para ferrar com a vida alheia.

Salvo engano, Webber e Massa não usaram a asa móvel hoje — só na reta em que estava liberada independente da distância para o carro da frente. Quer coisa mais abissal que essa? Quando foi liberada pela direção de prova, o australiano já estava mais de 1 segundo atrás do companheiro, tal como Massa. Aí em nenhum outro momento da corrida diminuíram a diferença para ninguém à frente — e Webber, pior, nem mesmo quando foi ultrapassado em pista por Alonso. Convenhamos que, nestes tempos de F1 com possibilidade de ultrapassagem, ainda que seja em Valência, esse horror, alguém que queira ganhar posição ou vencer uma corrida em que ninguém abandona tem de usar o DRS.

Assim, cai por terra a tese de que Massa perdeu a chance de vitória por seus 5 segundos perdidos nos pits, por exemplo.

Sobre Vettel, não há muito o que dizer. Tão logo foi informado de que o parceiro-barreira fora superado por Alonso, impediu sua aproximação. Simples. Apertou o da direita, e aí, o espanhol não tinha o que dar mais à sua torcida a não ser o segundo lugar. E acabou. Acabou o campeonato. Para o próprio Alonso, que tinha de chegar à frente do futuro bicampeão para sonhar o sonho impossível, mas que já deve estar com os pés no intransponível chão de que não há mais o que fazer. A Ferrari — e também a McLaren — deveriam usar 2011 apenas como forma de desenvolvimento das peças dos modelos de 2012.

Na McLaren, Hamilton, de forma mais evidente, e Button ficaram putitos porque não tiveram em nenhum instante como acompanhar a Ferrari, que dirá a Red Bull. A cúpula alega que foi o superaquecimento dos pneus que os tirou de combate e que voltarão com força na Inglaterra. Mas nenhum dos dois pilotos foi bem hoje, Button principalmente.

A Mercedes é simplesmente uma piada em corrida, e não cola mais o papo de que ainda sofrem as consequências do esforço hercúleo do título de 2009 quando ainda era a Brawn. A Lotus Renault caiu demais, e Heidfeld e Petrov não ameaçam sequer a Mercedes e começam a brigar com Sauber, Force India e Toro Rosso — que novamente pôs Alguersuari num oitavo lugar, novamente recuperando-se de uma péssima classificação, utilizando-se de uma estratégia diferenciada. É a sobrevida, o respiro do mediano piloto espanhol no segundo time energético. Sutil fez sua melhor corrida no ano e foi nono, mas nada que deva fazê-lo ficar no grupo dalit.

A próxima corrida é Silverstone, onde o ritmo das provas anteriores, com alguma emoção, deve ser retomado. Do segundo lugar em diante, obviamente. Qualquer coisa diferente disso se torna uma exceção nesta temporada que já tem dono.

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La Comunitad

SÃO PAULO | O mais interessante da sexta-feira em Valência, mesmo, foram as declarações de Alonso. Mais rápido do dia, o espanhol falou que os treinos foram normais, mas que “não tenho ideia do quanto estamos competitivos”.

Alonso tem em Valência praticamente um match point contra, numa fase que estaria próxima das oitavas-de-final do campeonato. Se não sair de lá com uma vitória ou um resultado à frente de Vettel, va a poner la viola en el saco, como diz Fernando Silva, e pensar em 2012 e em como melhorar este carro mediano da Ferrari.

Ou, adaptando às palavras do próprio Alonso, um ponto final em Valência é o início de sua peregrinação pelo caminho de Compostela, aquele que julgou ser mais fácil que uma impossível virada no campeonato.

É que Alonso já toma 92 pontos de Vettel. É muito. Nem se vencer todas até o fim do ano Fernandito depende de si para ser campeão. Se o alemão for segundo em todas, ainda vai ficar 8 à frente do rival.

Vettel, por sua vez, veio com um discurso mais murcho, “às vezes testamos coisas diferentes”, e piriri e parará. 16º na primeira sessão, terceiro na segunda. Amanhã o cara vai vir e jantar todo mundo com paella. E Webber dizendo que sétimo representa uma realidade. Como assim, Bial?, perguntaria Evelyn Guimarães.

A McLaren ficou onde tem ficado sempre nos treinos. Na corrida, sempre vem mais forte. É a equipe que melhor se adaptou ao regulamento de asas que abrem e pneus que acabam rápido. E num fim de semana de estreia de compostos mais duros, mas com alto desgaste, sob sol de 30ºC, há um inglês aí que aparece bem no cenário, e não é Hamilton.

Olho em Button de novo, três pódios seguidos e fase boa.

Massa foi quinto, mas crê em performance igual à de Montreal. O que é bom pra Massa, diria o narrador. Barrichello ficou em 12º confiante de que pode chegar ao Q3 amanhã. É pedir demais. Lá estarão as cinco grandes, e ninguém mais.

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