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4 vezes Cacá

SÃO PAULO | Acabou há pouco a temporada da Stock Car no Velopark, e Cacá Bueno conseguiu seu quarto título sem completar uma prova que poderia ter sido pelo menos segundo colocado. Na volta final, enroscou-se com Marcos Gomes, depois de superá-lo, na curva 2 — a foto é de Miguel Costa Jr., que também atende por Clarice. Claro que Cacá saiu bradando, em meio à felicidade, contra “o filho do grande campeão, Paulão”, de cabeça quente e sem necessidade. Depois há de ver a cena do incidente e notar que Marcos tentava legitimamente recuperar a liderança e não teve para onde ir com a fechada de Bueno. Corridas têm incidentes sem que se necessite punir alguém ou achar culpados para pô-los na inquisição.

Cacá deixou o carro morrer na área de escape da curva 2, mas isso não ajudou em nada Max Wilson, o outro candidato ao título. Primeiro que Max vinha de décimo para cima, e metros depois, o piloto “do carrinho amarelinho número 65″ acabou pegando o óleo que jorrou do carro de Gomes e junto com outros tantos — Allam Khodair, Átila Abreu, Júlio Campos e Nonô Figueiredo, por exemplo — fez um desmanche metros à frente. No fim, a vitória caiu no colo de Daniel Serra.

Bueno é um grande piloto, talvez o melhor da categoria, o título cai em ótimas mãos, mas o regulamento precisa ser revisto, como sempre. Faz-se necessário eliminar esse injusto playoff, criado para dar uma emoção falsa e que nem sempre acaba premiando quem somou mais pontos ou foi mais constante — o próprio Cacá, aliás, é contra esta fase final de quatro míseras etapas. Thiago Camilo, que terminou a primeira fase com larga vantagem, ficou de mãos vazias no fim das contas — é bem verdade que foi mal na decisão. Segundo Luciano Monteiro, Camilo teria 154 pontos contra 153 (150 com dois descartes), num campeonato normal. Se o playoff tem algum fim de audiência  na TV, é bom dizer que a Globo, parceira encalacrada da Vicar, chegou a 6 pontos no Ibope e ficou só em terceiro, perdendo para a Record e para o SBT.

Até porque não adianta transmitir a final achando que é futebol, sendo que pouco se mostra do campeonato como um todo.

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A segurança da Indy

SÃO PAULO | Nos próximos dias, o leitor vai encontrar na Revista Warm Up uma entrevista completa e ampla com Tony Kanaan a respeito da morte de Dan Wheldon e do que vai ser da Indy daqui pra frente. Deixo um ponto aqui para discussão dos caros internautas, quando mencionei a grita de ex-pilotos como Nigel Mansell e David Coulthard a respeito da segurança dos carros da categoria americana e que os da F1 estão “20 anos à frente”:

“Bota o carro de F1 no oval. Quando eles usaram meia parte em Indianápolis, o Ralf Schumacher deu uma porrada lá que quase morreu. Os carros são de papel. É fácil falar agora. Quando a suspensão entrou na cabeça do Senna e matou o (Roland) Ratzenberger no mesmo fim de semana, a F1 era o quê? Eu não estou defendendo ninguém porque eu perdi meu melhor amigo — eu podia estar bem puto e meter a boca em todo mundo. (…) Minha batida em Indianápolis, quando quebrou a suspensão, foi a 220 km/h. Eu desci do carro com uma costela quebrada. É um carro extremamente seguro. Só que 100% de segurança você não vai ter em nenhum lugar.”

>> E me siga no Twitter: @vitonez.

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O passo a passo da morte

SÃO PAULO | É bem possível, e compreensivelmente, que ninguém no mundo deva ter relatado o que aconteceu em pista naquelas 12 voltas do oval de Las Vegas no último domingo, até porque a corrida deixou de existir para os fins estatísticos da Indy face o passamento de Dan Wheldon. Da mesma forma, compreender um acidente em que 15 carros são envolvidos e a maioria é destroçada em segundos não é tarefa para se fazer num estalar de dedos e com pressa. As muitas câmeras da transmissão evidentemente ajudam, mas o cenário de destruição foi tamanho que outros recursos, como fotos de agências e até mesmo dedução, têm de ser aplicados para minuciar os detalhes.

Mergulhei nas imagens para analisar a origem da morte daquele que foi o protagonista do fim de semana, inicialmente designado para uma tarefa com uma meta multimilionária e que acabou pagando o preço com sua vida por um conjunto de fatores que mais para frente deve ser amplamente debatido pela categoria e suas principais peças. O que se conclui é que o então 24º colocado da prova em Vegas morreu em virtude de um pequeníssimo choque entre o nono e o 11º.

Todo este trabalho, com frames, imagens e vídeos, está lá no Grande Prêmio. Creio que ajuda a explicar a morte que é ainda inexplicável para muitos.

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Vegas e o acidente

SÃO PAULO | Entra para a história como um dos maiores e piores…

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Mau começo

SÃO PAULO | No último fim de semana teve início no Brasil o Moto 1000 GP, categoria que tem no comando Alex Barros e Gilson Scudeler, dois dos maiores nomes da história do motociclismo brasileiro. Além da presença de Denilson, o ex-jogador de futebol, a marca da estreia foi o gravíssimo acidente de Renan Alves, 31, durante o warm up da categoria principal. Alves foi parar na barreira de proteção da curva 1 do antigo traçado, e testemunhas afirmam que seu pescoço chegou a “dobrar” no choque. Coisa das mais feias. Renan está internado, e seu estado é considerado gravíssimo.

Quem foi ao autódromo paulista e estava nos boxes tinha imagens ao vivo de absolutamente todos os treinos e corridas. Portanto, viram o acidente, captado por dois cinegrafistas. Nada secreto. Supondo que acontecesse durante as provas, seria transmitido pela Record News, que tem os direitos de transmissão. O Grande Prêmio solicitou formalmente o registro do acidente, via assessoria, à organização.  Mas as imagens não foram liberadas, e nenhuma explicação plausível foi dada. Como muitas coisas sobre o acidente, propriamente dito.

Diante de todos os problemas que aconteceram justamente em Interlagos neste ano, com três mortes — uma delas em um treino de moto — e num momento em que o esporte a motor brasileiro vive um período de tremenda infelicidade, esconder as imagens do acidente já denota o caminho que tende a ser adotado por esta que parece ser uma categoria promissora, o mesmo de abafa que é característica do automobilismo. Um mau caminho, pois.

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McAcidente

SÃO PAULO | Allan McNish sair ileso desse acidente que sofreu nas 24 Horas de Le Mans é uma dádiva…

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Hoosiers, 30

INDIANÁPOLIS | Santo paladino do último giorno, o que foi este fim de prova? Indianápolis é isso. Não eram simplesmente todas aquelas voltas que a Ganassi ousou dominar a torto e a direito.

Mas ninguém ousaria imaginar o fim mais impressionante dos últimos tempos — muito mais que Al Unser Jr. e Scott Goodyear em 1992 ou Sam Hornish Jr. com Marco Andretti em 2006.

Foram os ‘cachorros pequenos’ que no fim surgiram para mudar a história de uma corrida histórica realizada neste domingo (29).

Danica Patrick apareceu com chances remotas e Bertrand Baguette parecia ter combustível para chegar ao fim e conseguir uma zebraça daquelas.

Aí a vitória estava no colo de JR Hildebrand. Entenda: no colo. Mais no colo, impossível. Tinha combustível, carro bom, condições, torcida. Hildebrand, americano, da equipe patrocinada pela Guarda Nacional.

E o cabra vai e bate na última volta.

Na última curva.

Arrastado no muro, ainda parecia chegar na frente. Não.

Dan Wheldon, da pequena Bryan Herta com Curb e Agajanian, a equipe coração de mãe, o fez.

250 mil pessoas aqui no autódromo de Indianápolis, atônitos, assistiram a isso.

Tony Kanaan foi o melhor brasileiro do dia, terminando em quarto, atrás de Graham Rahal, da Ganassi. Oriol Servià ficou em quinto. Vitor Meira foi apenas o 15º, Helio Castroneves completou em 17º com uma irreconhecível Penske e Bia Figueiredo foi a 21ª.

Saiba como foi as 500 Milhas de Indianápolis de 2011

Alex Tagliani pareceu se empolgar um pouco na largada. Foi acelerar, e quase pegou o pace-car, que recolhia para os boxes. Talvez isso o tenha feito tirar o pé do acelerador, e Scott Dixon e Servià aproveitaram para ultrapassá-lo. Mas o carro do canadense era tão bom que, na volta 6, já aparecia na liderança da prova. Seu companheiro, Townsend Bell, tentava escalar o pelotão e logo apareceu em terceiro, atrás do neozelandês da Ganassi. Na outra mão, Castroneves andava para atrás e não saía do 20º lugar.

A corrida transcorria estranhamente bem até surgir o primeiro acidente — que deve ter dado muita grana aos apostadores. Takuma Sato pegou a sujeira do lado externo da curva 2 e foi destruir o lado direito de sua KV Lotus. Pouco antes, Paul Tracy já havia raspado o muro da mesma curva. A bandeira amarela veio, e com ela as primeiras paradas nos pits.

A Sam Schmidt trabalho direitinho e manteve Tagliani na frente. O mesmo não pode se dizer da Penske de Will Power. Único piloto do time a até então ter um desempenho digno, o australiano arrancou dos boxes e segundos depois viu-se sem o pneu traseiro esquerdo. A porca não foi apertada — e certamente a do mecânico responsável há de apertar. O líder do campeonato caiu para um incômodo 29º lugar. Enquanto isso, Simona recuperava incrivelmente duas voltas: uma por ter evitado os pits e ter aparecido na frente do pelotão e a outra justamente por estar antes de Tagliani na relargada, o que fez o pace-car permitir seu realinhamento em pista.

Aí veio o primeiro temor dos pilotos: a relargada dois a dois. Todos a postos e tal, Dixon emparelhou, acompanhou Tagliani na entrada da curva 4 e passou o oponente por fora, retomando o primeiro posto. E a razão do temor fez-se presente — e deve ter dado mais grana ainda aos apostadores: Ernesto Viso tentou ultrapassar James Hinchcliffe por fora na reta principal, para ganhar uma insigne 16ª posição, e tocou rodas. O canadense conseguiu com maestria controlar seu carro da Newman/Haas, que já escapava de frente. Viso, não. Foi lá acompanhar o companheiro Sato. Foi lá dar mais prejuízo para Jimmy Vasser.

Nova relargada, e Tagliani deu o troco no fim da reta. Na volta seguinte, Dixon voltou a ultrapassá-lo. A briga vinha boa, intensificada pela aproximação de Franchitti e Wheldon. E num momento da volta 44, Alex acabou perdendo desempenho rápido e repentino e as duas posições.

De praxe, o nome da corrida no pelotão de trás vinha sendo Kanaan. 22º na largada, já era 16º antes dos pits, assumiu o décimo posto na saída, passou Meira na pista e com ¼ de corrida completada, ganhava de Carpenter a sexta colocação.

Num provável jogo de equipe, Franchitti passou Dixon na volta 60 para se tornar o terceiro diferente piloto a assumir a ponta da Indy 500. O neozelandês foi aos boxes na seguinte, justamente quando a segunda amarela do dia tremulou, com Jay Howard parado no muro interno entre as curvas 1 e 2. Motivo: outra roda que se soltava, assim, do nada. Ruim para Kanaan, que tinha ido para os pits em bandeira verde e despencou para 24º com o realinhamento do pelotão.

As Ganassi não relargaram lado a lado porque havia Bia Figueiredo como retardatária. Acabou provocando um rocambole, porque todos vieram babando para ultrapassá-la, e nisso Tagliani a superou junto com Wheldon para voltar a brigar direto com os carros vermelhos. Pouco depois, era Dixon quem tornava a comandar a galera. E os quatro iam juntos e misturados, sem diferença grande entre eles.

Uma nova janela de boxes se abriu na 97, com Wheldon sendo o primeiro dos pioneiros a ir, seguido por Tagliani e Dixon. A sorte sorriu de novo para Franchitti: James Hinchcliffe entrou forte à beça na curva 3 e foi deslizando no muro até a 4. Novos pilotos eclodiam: Servià e Andretti pintavam no top-3.

A presença de Castroneves como retardatário ajudou e atrapalhou Franchitti na reaparição da bandeira verde. Porque se parecia fácil manter o brasileiro da fraca Penske atrás, as coisas não foram tão simples. Helio partiu para recuperar a volta perdida e trouxe consigo Servià, que na volta 113 ganhava a liderança. Mais atrás, Dixon escalava o grupo com tranquilidade, Wheldon tinha alguma dureza e Tagliani ficou brigando pelo 15º, perdido.

O troco de Franchitti e a graça de Servià acabaram 16 giros depois. Mas não só passou como abriu. O ritmo de Franchitti era tão intenso que não tardou a encontrar Tagliani e aplicar-lhe uma volta. Era o até-logo do conto de Cinderella, como ficou conhecido o causo do pole da prova. Só os pits para pará-lo, e Franchitti foi em bandeira verde — a terceira vez seria demais — na volta 138.

Franchitti e Tagliani voltariam a ser protagonistas de momentos que lhes assustaram. O primeiro tinha vantagem confortável de mais de 7 segundos para Servià e Dixon e, com tamanha volúpia, chegou a raspar o muro da curva 3 quando foi tangenciar a curva. Tagliani, coitado, bateu na curva 4 indo na sujeira. A volta 148 representou, enfim, o adeus do sonho da vitória.

Naquela altura, Wheldon e Kanaan formavam o grupo dos cinco primeiros.

Ação de novo, novo problema nas relargadas lado a lado. Menos para Franchitti, óbvio. Era uma muvuca imensa de Dixon para trás que linhas de até quatro pilotos se formaram. Não deu outra: nova amarela, dessa vez pelo toque entre Ryan Briscoe e Townsend Bell. O primeiro vinha na linha interna na curva 1 e o segundo, por fora, tangenciou sem ver a presença do australiano da Penske. Juntos, sem violência, encontraram a parede. Isso porque Bell já havia entrado na curva 4 raspando no muro. Desastre duplo para a Sam Schmidt.

E para completar o desastre da Penske, Castroneves padeceu do mesmo mal de Power: andou um tempo com três rodas na pista.

Aí, na volta 165, a Ganassi agiu com coerência: chamar Franchitti uma volta antes da largada para os boxes para completar o tanque — os demais não conseguiriam. Servià recebeu a primeira posição, mas só por alguns instantes: Rahal o passou na relargada com a Ganassi ‘B’. Dixon veio na balada. E o incrível Kanaan, idem. 170, e o brasileiro vinha em terceiro.

O público começava a ficar em pé. Dixon foi para cima de Rahal e resgatou o primeiro lugar que obtivera no início. Kanaan tentou seguir o ritmo. Demorou até conseguir, mas Rahal devolveu na volta seguinte. Tudo isso pouco resolveu, afinal os três mais Servià se enfiaram nos pits para o splash & go.

Surgiu, então, Danica na ponta, giro 179, em tática diferente e uma possibilidade remota de terminar a prova sem precisar ir aos pits, trazendo Baguette de longe. Mas logo o belga, que andou bem a prova toda, chegou à primeira posição na 189. Patrick não aguentou. Foi aos boxes. Baguette tinha exatamente a mesma estratégia. Não vinha.

190, 191, 192… Nada de Baguette parar.

Foi na 196. A 196 derrubou Baguette. Pronto. A vitória era de Franchitti. Mas não. A jogada da Ganassi havia dado errado. Franchitti se arrastava de tão lento na pista para tentar economizar etanol.

Sobrou para Hildebrand, com tudo a favor. Tudo. Público em pé, sala de imprensa em meio a gritos, Hildebrand é um piloto bem querido nos EUA. Recebeu a bandeira da branca, e em vez de ficar em paz, abofou-se. Entrou na curva 4 e pam!, deu com uma violência que o fez ainda ir no embalo da reta principal. Mas vinda Wheldon logo atrás — que vinha de dois segundos lugares seguidos aqui, justamente pela Panther, a equipe de Hildebrand.

Natural, então, o choro e a comoção gerais. Wheldon não cabia em si por dar a vitória a um time que só faz esta prova na temporada, comandado por um amigo e seu ex-companheiro na Andretti. Mais ainda, o choro desconsolado de Hildebrand, cuja inteligência e capacidade é propalada por estas terras. Mas depois de hoje, talvez seja visto de outra forma por um bom tempo.

Uma pergunta ao caríssimo internauta: o que foi mais impressionante, o final deste domingo ou a decisão do título da F1 em 2008, entre Hamilton e Massa?

Eu já começo a pender para o que vi aqui em Indy…

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Hossiers, 9

INDIANÁPOLIS | A sequência de fotos do acidente de Patrick Carpentier agora há pouco em Indianápolis, por Carsten Horst.

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Anhembindy, 11

ANHEMBI | Em meio ao caos, eis que pinga um release da assessoria da CBA, que deixo ao gosto do leitor comentar a grande conclusão a que chegou a comissão que investigou o acidente fatal de Gustavo Sondermann.

O relatório sobre o acidente de Gustavo Sondermann, ocorrido dia 3 de abril em Interlagos, será entregue terça-feira à Comissão de Autódromos da Federação Internacional do Automóvel (FIA). O Dr. Felippe Zeraik (Diretor Jurídico da Confederação Brasileira de Automobilismo) e o ex-piloto Ingo Hoffmann – integrantes da comissão que investigou as causas desse acidente -, embarcaram esta noite rumo a Paris para um reunião com a Comissão de Autódromos da FIA. Após estudar as imagens, depoimentos dos pilotos e analisar as condições do autódromo paulistano, a comissão concluiu sobre as causas do acidente e as propostas para melhorar as condições de segurança na curva do Café, como explica Zeraik:

“Com relação às causas do acidentes, apontamos um toque no carro de Sondermann – que voltou à pista após bater no muro e foi abalroado por outros veículos – e a visibilidade reduzida devido à chuva. Embora a Comissão não tenha encontrado problemas técnicos na curva, concluiu-se que a existência de uma área de escape maior poderia ter evitado o acidente.”

Na reunião com a Comissão da FIA, Zeraik e Ingo esperam obter o aval da instituição para aprovar a alteração da área de escape na curva do Café. A proposta da CBA é o alargamento da área de escape nesse trecho através da remoção de parte das arquibancadas existentes no local.

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Ainda sobre o acidente

SÃO PAULO | Vão aí algumas informações a respeito do acidente de Gustavo Sondermann há nove dias em Interlagos.

_ Dados de telemetria apontam que a batida de Pedro Boesel no carro de Sondermann deu-se a 167 km/h. O piloto estava com cerca de 60% do acelerador na subida da Curva do Café. 

_ No próximo dia 18, Boesel vai tirar os pontos da operação que fez na clavícula direita, em que colocou sete pinos. Pedro também teve fratura no cóccix. Uma das marcas do acidente: um ‘J’ perfeito em seu rosto.

_ Prazo mínimo de recuperação de Boesel é de 45 dias.

A sucata dos carros encontra-se ainda nas dependências do autódromo, como um lixão.

_ A família de pelo menos um piloto o proibiu de correr na Copa Montana.

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Técnico de automobilismo

SÃO PAULO | Prestei bastante atenção em todas as opiniões emanadas pelos mais diversos personagens do automobilismo em sites — Grande Prêmio e Tazio, principalmente, e programas de TV — como o bom Linha de Chegada, do SporTV, desta madrugada — nestes últimos três dias, e creio que seja importante debater um ponto não muito apontado profundamente e que pode ser crucial para que acidentes como os de Sondermann e Rafa Sperafico sejam evitados: a formação dos pilotos.

Nos últimos anos, a gente tem notado uma proliferação das categorias para gentlemen drivers. Só neste ano, a Audi e a Mercedes vão se dedicar a este segmento, tal como faz a Porsche Cup, como foi a Maserati, e por aí vai. Em comum, estes campeonatos são abastecidos por montadoras de classe A, o que atrai, por consequência, apaixonados por automobilismo de grandíssimo poder aquisitivo, que querem fazer do hobby algo em maior profundidade. Que passam por um curso de pilotagem relativamente simples e adquirem uma licença — depois de pagá-la, claro — e uma graduação específica para disputarem estas provas.

Assim, ter dinheiro e vontade de correr faz qualquer um facilmente ser piloto no Brasil, independente da idade. E, por definição, um piloto de Stock Car e um piloto de Mercedes ou de Audi são igualmente pilotos, o que leva até a uma aproximação das categorias. O que me leva a entender que, se um piloto se julgar apto a um dia guiar de Stock, vai lá pagar o caminhão de dinheiro que é cobrado e zás, lá está ele para o mundo apreciá-lo — mas sem a bagagem e a experiência necessárias para sentar num carro daquele calibre em termos de potência e reação.

No caso específico da Copa Montana (Vicar, Stock Light), o grid sempre conteve uma mescla de pilotos gabaritados, de formação longa, kart e fórmula — a citar alguns exemplos, nos últimos anos, Rafael Daniel, Douglas Soares, Galid Osman, Diogo Pachenki, Cássio Homem de Mello, Sperafico e Sondermann — com outros tantos que estão lá graças a bons mil dinheiros. Por muitas vezes, mesmo não assistindo a todas as corridas, os comentários eram de que eram mais do que um simples ó do borogodó. Na sala de imprensa, até, no último domingo, falamos depois da corrida da Stock Car que “agora que vai vir emoção”, no sentido de que acidentes e toques eram esperados — sem nenhum tom profético ou depreciativo, por favor.

Na Truck, por exemplo, não há uma categoria de base. Pensam em formar, mas tem piloto que chega lá sem nenhuma experiência e corre. O trabalho de Neusa Félix Navarro é mais psicológico do que prático: a presidenta chega, reúne quem está entrando na categoria, deixa ciente que pilotar um caminhão pesado e potente não é nada fácil e que, se agirem errado desportivamente, serão devidamente expulsos do campeonato. É na base da carcada que os pilotos melhoram. Pode ser uma solução, tal, mas há melhores meios de se peneirar os pilotos capacitados. 

Seria válido, então, que se fizesse por aqui algo semelhante ao que acontece na Inglaterra, em que há um ‘coach’. Primeiro, o técnico de pilotos tem de ser preparado, obviamente. Tem de ser experiente, passar por um curso e receber um certificado de que está apto para 1) ensinar e dar base a aspirantes a pilotos e 2) permitir, em caráter oficial, que estes pilotos corram em determinadas categorias.  Como no futebol, um técnico é quem determina se o jogador vai atuar por sua equipe. No automobilismo, deveria haver algo similar, portanto: ‘coaches’ que aprovariam a inscrição de pilotos nas mais diversas categorias de acordo com suas capacidades técnicas, sem contar o que expressam seus muitos dígitos em seu extrato bancário. Uma espécie de ‘faculdade’ do esporte. Temos aí os dois irmãos Dirani, Dennis e Danilo, Sérgio Jimenez, Roberto Streit, Vicente Siciliano, Thiago Medeiros, Ruben Carrapatoso, Fábio Carreira, André Nicastro (e sabia que esqueceria nomes importantes, como o de Renato Russo), gente que respira gasolina desde sempre e entende — e muitos envolvidos no Super Kart Brasil, que tem tal proposta.

Os centros de pilotagem que temos hoje, como os de Beto Manzini, são válidos. Mas enquanto pessoas tenham permissão para estampar no peito um certificado de piloto tendo como base um curso feito num carro de rua adaptado, este cenário das corridas e acidentes perigosos continuará mais do que presente no nosso automobilismo que procura paliativos em bandeiras amarelas.

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Sondermann

INTERLAGOS | As primeiras informações vieram desencontradas e extremistas: por um lado, jornalistas corriam, desesperada e erroneamente, para dizer que estava tudo bem; do outro, começavam a borbulhar as informações de que o pior poderia ter acontecido. Curiosamente, eu estava sentado na sala de imprensa no mesmo lugar que naquele dezembro de 2007. E sinceramente, temi pelo pior, até pela semelhança do que acontecera com Rafael Sperafico.

Três anos e meio se passaram daquele acidente, e nota-se que pouquíssima coisa mudou. À época, era Stock Light. Hoje, Copa Montana. Tiago Geronimi tocou o carro de Gustavo Sondermann, que rodou e acertou o guard-rail e voltou à pista. Foi acertado em cheio por Pedro Boesel. Estamos atentos às informações sobre o estado de Sondermann, que está inconsciente, teve parada respiratória e foi reanimado ainda na pista.

Felipe Maluhy declarou há pouco para Evelyn Guimarães que toda vez os pilotos passam ali com um frio na barriga. O Sérgio Jimenez, indignado, expôs no Twitter suas queixas. “Estão esperando outro piloto morrer?”, e indicou onde é que os pilotos pedem recorrentemente mudanças — e que se utilize ali a chicane da região da curva do Café.

A CBA não atende — a CBA, incrível, não faz nada de bom pro automobilismo; esta joça só serve para cobrar taxas; é quase uma instituição financeira. É a CBAmerindus.

Adendo: Sondermann morreu. Foda. É um sentimento de indignação e revolta que consomem. Aos parentes e amigos, meus sentimentos profundos.

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Imagem é tudo

CURITIBA | A foto é de Fábio Oliveira e registra a escapa de Alceu Feldmann durante a classificação da Stock Car. E outras tantas fotos vocês podem ver aqui no Facebook do Grande Prêmio.

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Peso no bolso

SÃO PAULO | Só para dizer que o acidente de Xandinho Negrão no, hã, treino — ou shakedown, como preferiram dizer alguns  — da Stock Car em Piracicaba ocasionou perda total, o popular PT, no carro da Full Time.

Mas não estava no seguro.

Dá para aproveitar algumas peças e tudo mais, mas um carro completo destes gira em torno de R$ 250 mil.

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Quem vem?

SÃO PAULO | Só o fato de Kubica acordar, reconhecer todo mundo e conversar com parentes e amigos traz um alívio para quem tem um apreço pelo polonês — e a F1 e a absoluta maioria dos fãs têm. A circulação sanguínea parece estabilizada, mas os médicos preferem a cautela de mais alguns dias para assegurar que tudo está realmente ok. Mas as fraturas foram muitas. Kubica voltou a ser sedado, ficará assim até amanhã às 11h, enquanto avaliam como tratar do cotovelo e do ombro. Serão necessárias, portanto, mais intervenções cirúrgicas.

Num cenário mais otimista, difícil que Kubica volte antes da metade da temporada. É mais prudente, a princípio, que o polonês se recupere prontamente para retornar em 2012, tal como fez Massa após seu acidente na Hungria em 2009. O tempo de recuperação de Kubica será imprescindível para a decisão que a Lotus Renault vai tomar em relação ao campeonato para o qual vinha forte. Senna só será posto para correr se forem algumas corridas. Ou seja, esqueçam.

Numa lista de pilotos que podem reerguer a Renault, a primeira opção é Raikkonen. O problema esbarra em seu ano sabático e na necessidade de uma readaptação rápida. Com poucos testes nesta F1 de hoje, um Kimi enferrujado é um ponto contra.  

O segundo nome que surge é o de Heidfeld. Mas Heidfeld não combina com vitória. É um bom piloto, mas nunca combinou, seja lá as razões que não o levaram a um único triunfo na F1.

O terceiro seria Trulli. Dos pilotos do fundo do grid, é o que já trabalhou na equipe e teve um bom retrospecto naquela casa. Mas Tru-Tru, como apelidou outrora Flavio Gomes, já está em fim de carreira e é difícil imaginar que Tony Fernandes abra mão de seu contrato justamente para que o italiano vá para a outra Lotus. A não ser que seja promovida uma troca com Senna.

O quarto seria Liuzzi, que está sem vaga nenhuma no grid. Bom piloto, vá lá, mas o ano passado foi uma tragédia de Dante. Nunca correu em equipe grande. Vai que ganhe a grande chance. Mas é difícil, sei lá. Liuzzi já deu o que tinha que dar.

Se tivesse de apostar, por enquanto, iria em Heidfeld. E os caros internautas, têm alguma outra opção para o lugar de Kubica?

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