O dono da bola
É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está no Grande Prêmio, isso há quase 9 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para “Folha de S.Paulo”, “Lance!” e “Quatro Rodas”, foi repórter da edição brasileira da “F1 Racing”, cobriu F1, Stock Car, a Indy e três edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Conheceu cidades como São Luís e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou o caminho certo. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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Como não gostar da dupla da Sauber, a melhor da história? #F1 1 hour ago
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Otro mito. RT @fagnermorais: E o @SChecoPerez me ganhou como fã. Melhor capacete de todos os tempos da história da F1: http://t.co/vs9FKmCr 1 hour ago
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Lindona! RT @RONEIRECH: @flaviogomes69 Bela foto nao? http://t.co/PXhLJtw9 1 hour ago
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Vero. RT @estadodecirco: Acho que não houve qualquer destaque para o belo 13º lugar da Bia no grid das 500 Milhas. Estou errado, @vitonez? 3 hours ago
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Fantasiar. É diferente. E ela é maluca. Não duvide. RT @maria_fro: Acho que abuso sexual é muito grave pra inventar... 4 hours ago
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@maria_fro Eu acho essa moça maluca. Não dá para levar muito a sério o que diz. 4 hours ago
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Essa moça é biruta. RT @rcarrapatoso: Disse ! Foi o padeiro, o peixeiro, o amigo do pai, o vizinho, etc ......... 4 hours ago
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E a Xuxa disse quem, afinal, abusou dela? 4 hours ago
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@cutcutdajuju Dida, Domingos e André Luis. EU ACHO SENSACIONAL! 4 hours ago
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O cara está há meia hora mexendo nesta merda de máquina de café e não termina, pqp. 4 hours ago
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Terra do wombate, 2
SÃO PAULO | Hum, então quer dizer que a McLaren é a nova Red Bull, é isso? Pela voltaça final de Hamilton no Q3, a de prima, é o que parece. Tem um pensamento mais além sobre esse neo-Hamilton, mas fica pra depois. E Button, que falaram aí que não é bom de volta rápida e não sei o quê, chegou bem perto no fim para mostrar que carro de F1 bom não tem degrau. É um tapa na cara da cretinice que assolou os engenheiros — e neles está incluso Adrian Newey — de não pensar em nada além daquela saliência de ornitorrinco.
A inversão de forças na F1 é clara: se os taurinos estavam se acostumando a enfiar uma naba de cerca de meio segundo na rapa, tomaram o mesmo na classificação de hoje. E para Vettel, o negócio foi tão ruim que até de Webber ficou atrás. O bicampeão largando em sexto, quem diria, vai lutar pelo pódio, e olhe lá. Sua briga, pelo jeito, é outra.
O mundo de Vettel, agora, é Lotus e Mercedes. Lotus com Grosjean, porque Raikkonen afinou. Pelo menos as declarações dele são espetaculares. “Não pensei que tinha de dar outra volta”, soltou o finlandês depois de amargar sua prematura saída no Q1, 18º lugar, inclusive tirando de Massa um vexame colossal. A história de Romain é daquelas que vão ser contadas apropriadamente em um futuro próximo: o cara que falhou ao substituir quem mostrou uma falha ainda maior, de conduta, e por tal parecia sem rumo e agora volta, pela mesma equipe, com outro nome e comando, absolutamente por cima. E tem o time de Ross Brawn e seu possível novo achado — agora legal? —, um duto frontal ativado concomitante ao DRS.
Maldonado foi bem demais com essa Williams que evoluiu, sim. E Senna poderia ter vindo no embalo não tivesse sido cauteloso e pouco agressivo, como falou à TV. Ao menos, e isso é sempre ótimo, Bruno não se deixa levar pelas lamúrias e fala na lata, sem hesitações. Vai largar em 14º num pelotão intermediário que está bem embolado. Tem a Toro Rosso, muito bem com os novatos Ricciardo e Vergne, a ótima Sauber que falhou na hora que devia — porra, mito!, 13º é pouco —, a Force India, que, sei lá, meio que decepcionou um pouco, e esse arremedo de Ferrari.
Aliás, cêis aí são engraçados. Quando pintou aquele carro esquisito da Delta Wing, aquela proposta maluca de ser o novo chassi da Indy com visual de cabine de astronauta, todo mundo ficou fazendo chacota, galhofa e chiste de que o carro não fazia curva e não sei o quê, agora eles vão correr em Le Mans e com motor Nissan e tal… Por que ninguém fala que aquele Lego Rosso quadrado mal consegue tangenciar? Seus fracos.
Alonso errou na curva 1, foi parar na brita. Uh!, agora quero ver falar mal como foi com Massa ontem. Tanto Alonso, quanto Schumacher e Vettel nos treinos livres, erraram, escaparam e terminaram seus trabalhos com antecedência. Erros, ainda mais com estes carros instáveis. Mas não me consta que nenhum dos três esteja sob pressão ou ainda tenha que provar algo, nem tenha freado com roda na grama no molhado. Feio foi o piti, outro, que Fernandita teve, noffa!, como se ao fiscal fosse atribuído o fardo de os italianos terem feito uma homenagem ao carro de 1992, revolucionário porém pífio. The cat is on the roof. The sea is not for fish. The house fell down. E é claro que em Maranello já devem estar pensando na versão B da F2012.
E Massa se vê de novo com problemas de pneus e aquecimento. Falou que o carro não tem aderência e, pois, não tem equilíbrio. E mesmo tendo participado de todo Q2, levou nas costas 1 segundo da Chiliquenta de Oviedo. Não podia começar pior o périplo de Felipe para se manter na equipe e, quiçá, na F1. Aliás, o que a HRT faz se mantendo como ~equipe~ na F1? Ficaram 1s5 acima dos 107% de classificação. Karthikeyan atrapalhou tanto todo mundo no treino que, se forem aplicar todas as punições que merece, só poderia largar com permissão da FIA na quarta-feira. E De la Rosa, bem, ele que escolheu encerrar a carreira assim, melancólico.
Que venha a corrida, que deve ser daquelas de segurar a peruca. A briga deve ser entre Hamilton e Button. E como desta vez Lewis não tem um Felipe para disputar posições, pinta como favorito à vitória no Parque do Alberto.
Viado, filho da puta
SÃO PAULO | A única certeza que a vida tem é de um gosto mais do que duvidoso, e ninguém sabe com certeza absoluta quem foi que escreveu que deve ser assim.
Há quem aceite com extrema naturalidade, justamente porque uma hora vai chegar, há quem tema e quem queira, há quem peça e que reze para se esquivar. Há quem ache que vem quando um cara num lugar alto chama, fazendo o sinal com o indicador, e quem se opõe a isso pensa que tinha de acontecer e ponto.
No fundo, o problema está em como ela vem. No choque que causa.
Meu avô. Era mais do que meu segundo pai. Da notícia da pior doença até o fim, foram sete meses. Da terça em que eu o vi entrevado na cama do hospital, tentando balbuciar o que dava e o que sentia, uma palavra de três letras, ao sábado, era aquele o destino. Foi do choro da dor e da situação em si ao alívio de quem não tinha reversão. À distância pelo trabalho, não me foi tão duro. Eu me sinto confortável em não ter ido ao velório e ter evitado o ritual. Eu não queria ser mais um par de olhos a ver seu novo lar entre madeira e concreto.
Duro, mesmo, é quando a gente não espera. Duro é quando se bate à porta, assim, como intrusa. Maldita oficiala de justiça, sem justiça, com a intimação do despejo em punho e que só dá o direito de levar a roupa do corpo e nada mais. Em vez de esperar, ela busca. A única certeza é cruel e invencível.
Não que me consuma, mas tenho certo receio disso, de perder alguém hoje que vi ontem ou anteontem. Porque, além de tudo, a tendência é que a gente comece a buscar razões e detalhes para explicar, coisas que gostaria de ter dito ou expressado ou até mesmo evitado, a última palavra, a impressão que passou, a importância que sempre teve e nunca soube, a lição que deixa para uma eventual próxima oportunidade que ninguém quer ter.
Além de tudo, escolhi uma profissão de alto risco. Já foram dois finais vistos pessoalmente e alguns outros tantos longe. Clichê besta e afirmação desnecessária: não é fácil. Há um certo controle que ou se busca na marra ou se adquire com o tempo para evitar que o que se sente seja envolvido na condução jornalística.
Não havia a menor condição de isso acontecer hoje. Ainda mais com ele. E olha aqui eu buscando razões e detalhes para explicar a ironia: o cara que é escolhido como o protagonista, em vez de ganhar 5 milhões de dinheiros americanos, perde tudo. E olha eu aqui lembrando o que disse a ele há cinco meses.
Foi lá em Indianápolis. Wheldon sabia o mínimo de português, o máximo das coisas erradas. Era a convivência com Kanaan e com Benito Santos — então colega de trabalho dele na Panther até o ano passado, hoje RP do próprio Tony. No ano passado, em meio a uma sessão de autógrafos, Benito me levou para conhecer Wheldon e logo depois soltou alguns tantos xingamentos em nossa língua para ver a reação do piloto. “Viado, filho da puta”, respondeu o inglês com o sotaque obviamente embutido, sorrindo e autografando um cartão para um gordo que ria e que talvez não reagisse de tal forma se soubesse o significado.
Em maio deste ano lá estava eu no templo para acompanhar a épica última vitória de Wheldon, na curva final e tal, todo mundo sabe como foi. O prédio da imprensa tem quatro andares, e Wheldon atraía a multidão de jornalistas para o primeiro, na sala de coletivas. Acompanhei algumas das perguntas, saí para fazer outras pautas e na volta, ao pegar o elevador, eis que Wheldon deixou rapidamente ali do lado e entrou junto. Eram umas 10 pessoas, não mais que isso, e eu fiquei ao fundo, bem atrás dele.
Podia ali fazer a pergunta que quisesse, e claro que não sairia nenhuma resposta exclusiva que fosse abalar as estruturas do jornalismo. Minha reação foi imediata e única, besta que sou, em tom que desse para ele ouvir: “Viado, filho da puta”. Wheldon conversava com um assessor à direita, parou e virou pra trás. Deu risada e repetiu, e eu dei a mão o cumprimentando: “Parabéns, viado, filho da puta”, e ele agradeceu e saiu no segundo para para uma sessão de fotos.
Hoje foi rápido. Ela veio letal num lugar conhecido pelas apostas, mas que ninguém ousaria apostar. Poderia ter atacado e levado outros 14, mas escolheu Wheldon. Não deu tempo de fazer a graduação na escala, se era grave, crítica ou irreversível. Mal se sabe ainda em que parte do corpo atingiu. Veio fatal como um todo, e ela acabou com a graça da festa. Acabou com a graça do mundo que o via.
De novo, é de se pensar: maldito seja quem a inventou e quem determinou ou quem a manipulou para que fosse dessa forma, sórdida e cretina. Se ainda pudesse dizer, Wheldon possivelmente definiria o dito cujo como um viado, filho da puta.
>>E me siga no Twitter: @vitonez.
CBA 50
SÃO PAULO | É hoje a festa de 50 anos da CBA. Uma comemoração célebre e, como diria Felipe Paranhos, ‘ryca & phyna’. Aí eu pergunto aos caros internautas: há o que comemorar?
Afonso Rangel, chefe de equipe, diz que sim em seu blog.
Hoosiers, 26
INDIANÁPOLIS | Um giorno frio, mas sem um bom lugar para ler o livro, definiu há pouco esta sexta-feira Américo Teixeira Jr. aqui a meu lado. 13ºC no momento e, segundo a previsão, não passa de 18ºC. Os pilotos, pois, deverão tomar cuidado neste Carburetion Day, o último teste antes da corrida de domingo — dia em que os termômetros devem chegar a 30ºC.
O assunto de ontem à noite foi a notícia da ESPN, que garante que Danica Patrick está para assinar um contrato de temporada toda com a Nationwide. De acordo com a emissora, o plano da pilota é fazer a transição no ano que vem ‘full time’ para a categoria de base, com participação em algumas provas da Nascar e da própria Indy 500, e em 2013 pular para a Nascar.
Considerando que grande parte do sustento da Andretti se dá por causa de Danica, é possível prever que a equipe de Michael no ano que vem vai precisar de um(a) substituto(a) à altura para que a queda não seja ainda mais vertiginosa.
Com cinco carros inscritos para a Indy 500, a Andretti só conseguiu classificar três em pista — John Andretti, Marco Andretti e Danica. Um dos pilotos que ficou de fora, Ryan Hunter-Reay, entrou na corrida pela vaga comprada da Foyt. Mike Conway não teve a mesma sorte.
Hoosiers, 25
INDIANÁPOLIS | Historinha de jantar, aqui e ali: ontem à noite, lá pelas 22h e pouco, estavam lá os pilotos em seus motorhomes lá dentro do Indianapolis Motor Speedway, uns vendo TV, outros de pijaminha e pantufa, outros até dormindo, quando a organização da Indy foi lá bater à porta, um a um.
Queriam que todos deixassem suas casas móveis imediatamente. A ameaça de tornado era grande e devidamente difundida por rádios e TVs.
Muitos pilotos até se recusaram a ir. Tolos. Foram obrigados. E lá nas garagens do Gasoline Alley foram parar. No fim das contas, a chuva não foi nem tão forte. E antes da meia-noite, acabaram liberados para que voltassem ao ritmo normal.
A quinta-feira em Indianápolis foi de chuva e frio. Os pilotos da Indy Lights mal puderam fazer a classificação para a corrida de amanhã. A temperatura despencou: neste momento, 11ºC.
Hoosiers, 3
INDIANÁPOLIS | Uma volta em Indianápolis é dada entre 39 e 41 segundos por estes carros da Indy, dependendo do piloto e da equipe, claro. E, numa escala menor, também dependendo da configuração que é levada à pista em todos estes treinos que são feitos nos sete dias que antecedem o Pole Day.
Ao que tem se visto aqui, as médias de velocidade variam entre 223 (carros ruins de acerto ou em configuração de corrida) e 228 mph (acertos impecáveis e/ou uso do vácuo). E em termos da ausência de matéria no ar, as equipes que mais trabalham conjuntamente são exatamente as duas melhores do campeonato, Penske e Ganassi. A primeira é sensivelmente melhor em voltas rápidas e a segunda, em acertos para a corrida — resultados bem expressos em 2010, com a pole de Helio Castroneves e a vitória de Dario Franchitti.
Para se ter ideia do funcionamento de dados de telemetria e análise em torno dos resultados obtidos em um teste, absolutamente tudo que acontece em volta de um carro é visto pela equipe, como os fatores meteorológicos e, sobretudo, os outros carros. Cada uma tem lá sua avaliação interna, mas, por exemplo: se um time quer analisar como vai o desempenho de seu piloto sem vácuo, não deve haver nenhum carro à frente num espaço que varia de 7 a 11s para que não haja influência — o que acaba sendo quase 1/4 de volta —, do contrário, as voltas feitas são apagadas do sistema.
As equipes evitam também andar em temperaturas baixas — que geralmente não são vistas no dia da corrida, fim de maio, proximidade do verão —, mas também não aprovam termômetros passando dos 30ºC — o sol forte, além do desgaste natural de pilotos e pneus, deixa os carros instáveis e, como Bia Figueiredo explicou, a pista mais escorregadia, obrigando os times a novos acertos.
Anhembindy, 3
ANHEMBI | Vai, falem, brasileiros:
Bia Figueiredo (braço direito patrocinado): “O foco no último mês foi totalmente em cima da recuperação da minha mão, muita fisioterapia, e é lógico que você fica frustrado e ansioso e com pressa de voltar a correr. Em Long Beach, ainda estava com muitas dores, mas foi bom para ganhar alguns pontinhos e me preparar para São Paulo. Eu não acredito que esteja 100% para este fim de semana, mas vou estar bem melhor que Long Beach e até sábado me recuperar da melhor forma possível.”
Raphael Matos (feliz dimais da conta, sô): “A temporada está sendo bem interessante. Eu só consegui acertar meu contrato aos 45 do segundo tempo, bem tarde. Tem sido muito bom. Terminei a primeira corrida na sétima colocação, sendo que a gente fez o shakedown do carro na sexta-feira daquele fim de semana. Não tivemos oportunidade de testar durante a pré-temporada, e a equipe trabalhou bem duro para me dar um carro que não quebrasse e competisse de igual para igual com as outras equipes. Na segunda, bateram em mim numa das relargadas, e não pude terminar, e na terceira prova em Long beach, terminei em 11º, que foi uma excelente colocação, tendo em vista que terminei entre dois carros da Penske. No dia em que os ponteiros errarem e a gente acertar, em termos de pit-stop e classificação, a gente vai estar brigando com eles.
Vitor Meira (pai babão): Tem sido um ano bem legal. Do ano passado para este, o foco sempre foi melhorar em circuitos de rua e mistos, que era onde estávamos mais fracos. No ano passado, a equipe fez um trabalho legal em termos técnicos e estrutura para fazer isso acontecer, e acho que está sendo visivelmente bem feito porque os resultados estão vindo. A gente tem andado melhor e mais rápido em todas as pistas em relação ao ano passado, principalmente vendo que o campeonato está muito mais competitivo. Todas as equipes têm o mesmo carro há sete anos, então todo mundo já pegou a mão e sabe a base do negócio. Os pilotos estão em um nível impressionante. O show em São Paulo vai ser bem melhor. Espero ser tão competitivo quanto e tomar as decisões certas como no ano passado. Vai ser o resultado do trabalho.
Tony Kanaan (zoado pelos vírus): “Estou tentando ficar recuperado. Saí da cama literalmente hoje porque peguei uma virose. Eu li um comentário de um fã no Facebook que dizia assim: ‘Quando o médico não sabe o que é, ele fala que é virose e te manda para casa’. Foi o que aconteceu. Eu estava com muita dor no corpo, mas pensei que era por fazer muito exercício. Mas eu não consegui levantar da cama segunda de manhã, depois de ter passado a noite no hospital, e comecei a ficar preocupado. Passei por todos os exames, e todos deram negativos. Um dos enfermeiros chegou a achar que era dengue. Ainda estou um pouco baqueado, mas estou de pé.
Sobre a temporada, foi super trabalhoso e sofrido para mim assinar um contrato seis dias antes da primeira corrida, e terminamos a corrida num pódio e as três entre os dez primeiros. A equipe é pequena, e conseguimos já igualar o melhor resultado dela na história. Eu não sabia o nome de alguns mecânicos até a segunda corrida, até hoje nunca fui à sede da equipe porque não deu tempo, e apesar disso, o começo de temporada está bom. Mas eu tenho de ser realista: a gente tem muito que trabalhar ainda. A gente nem está nem perto do nível da Penske, da Ganassi e da Andretti também, mas estou aproveitando as situações e fazendo o maior número de pontos. Acho que a gente tem bastante chance de ganhar corrida este ano, e depois desta luta toda, estou feliz só de estar aqui. Mas aí você começa a ter uns resultados melhores e fica mais angustiado para fazer melhor. A gente construiu uma equipe de última hora, que não existia. Os carros estavam lá, prontos, e a gente foi pegando um de lá, outro daqui. Foi bom.”
Helio Castroneves (sem toque): ”Vamos começar o campeonato… eu estou até mais frustrado e chateado do que todo mundo por este começo de temporada, totalmente estranho. Talvez seja uma fase ruim; a gente tenta procurar explicar uma coisa ou outra, mas não tem muito o que achar. É virar a página e promover uma reviravolta aqui no Brasil, o que seria perfeito. A equipe toda me deu um apoio muito grande, principalmente depois do que aconteceu na última corrida, e estou empolgadíssimo para São Paulo, para também levar este bom momento para Indianápolis. Vamos torcer e trabalhar. Parece que as modificações na pista estão sendo bacanas, o que é importante, e o negócio é realmente começar o campeonato.”
Anhembindy
ANHEMBI | Ao vivo e em cores escuras do Anhembi, plúmbeo e úmido, como diria Evelyn Guimarães, que hoje veio colorida para a pista das adjacências do sambódromo. Por enquanto, tudo OK. Rolou agora há pouco a entrevista coletiva de membros da prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab incluso, representantes da Bandeirantes — um deles, Marcelo, torcendo abertamente para o sobrinho, Vitor Meira — e um membro da Indy. Saí de lá com a impressão de que fazer uma corrida de Indy é a coisa mais espetacular e sem problema do mundo, mas deve estar errado. Seguem alguns pontos notáveis:
_ 1.200 policiais vão zelar pela segurança e “apreender ambulantes”. 160 caminhões de vários tipos virão para o entorno da pista, principalmente focados no trabalho de limpeza.
_ A corrida do Anhembi sempre vai acontecer no primeiro domingo de maio, ou seja, uma semana antes do Dia das Mães e antecedendo as 5oo Milhas de Indianápolis, o que me leva a concluir que a corrida em Porto Alegre, se confirmada, será encaixada no último domingo de abril — um dia 29 no ano que vem, 2012, que Flavio Gomes jura ser o último de nossas vidas.
_ O recapeamento com massa asfástica com polímero, que dá mais aderência e resistência, frisagem e tratamento do concreto da pista do sambódromo – com retirada das faixas brancas reflexivas — e o novo asfalto, com uma mistura que foi usada em Interlagos, custou R$ 11,5 milhões. Outros R$ 4,5 milhões foram gastos com elementos móveis, como guard-rails — não aqueles que viraram ponto de visitação da Av. Olavo Fontoura —, alambrados e divisórias de concreto.
_ O prefeito Gilberto Kassab falou em avanços feitos na organização e no “legado” que fica para a cidade com parte da Marginal Tietê asfaltada e a Olavo Fontoura. “Os principais investimentos são esses que possuem maior visibilidade e que ficam como legado para a cidade também, como o recapeamento de parte do circuito. Então fizemos a correção da drenagem em função do que foi observado no ano passado por conta da chuva”, disse o governante e agora líder de partido, o PSD.
_ De todas as perguntas que foram feitas ao alcaíde, 80% foram repassadas a assessores ou ao presidente da SPTuris, Caio Carvalho.
_ A entrevista, de 1h01, foi encerrada com Otavio Mesquita convidado Kassab a andar em sua Ferrari do GT Brasil. “É menos difícil que criar um partido”, falou o apresentador/piloto. O prefeito chegou a se entusiasmar, mas declinou do convite.
Austral, 4
SÃO PAULO | Deveria ter instituído para o BRV, o bolão, nesta primeira etapa que começariam com -20 pontos todos aqueles que não tivessem apostado na pole de Vettel na Austrália. Foi uma performance digna dos tempos de Schumacher na Ferrari. E vou dizer mais: não estranharia se essa temporada fosse à la 2002 ou 2004. A câmera on-board foi clara: o carro da Red Bull vai suave, e parece que dá pra sentir que só se tira uns 80, 90% dele. A hora que precisar, mesmo, Vettel usará o que falta.
1min23s529, novo recorde da pista. 3/4 de anos-luz depois vêm Hamilton e Webber, meio pífio. E até foi bom para o australopiteco perder o outro lugar na primeira fila para o catito inglês, visto que vai largar do lado limpo da pista. Na comemoração pela recuperação da McLaren, Miltão mal deve ter percebido que do lado externo da trajetória tem um latifúndio de farelo.
Vettel só perde essa prova se usar o anti-Kers, colocar uma barreira na asa traseira ou fizer 14,25 paradas, uma a cada quatro voltas. O negócio é contornar a primeira curva em primeiro e, como o Seu Boneco, ir pra galera. Para Hamilton, um segundo lugar é uma vitória. Mais, é um alívio, o suspiro que livra a pressão e a angústia de dias em que nada deu certo para o pessoal e seu carro de Woking. Button confirmou que seu time é, sim, a segunda força do Mundial.
A terceira força é Alonso. Essa Ferrari aí pode até ser confiável, mas é apenas e tão-somente razoável. Fernando levou 1s5 na lomba. Com Massa, foram 2s, fora a rodada bizonha durante o Q3, logo depois de deixar os pits. A diferença para Chandhok, que fez o mesmo no primeiro treino livre de sexta, é que não havia um muro qualquer ali perto da curva 1. Do contrário, concluiríamos que Massa ainda tem um pé em 2010.
Petrov em sexto. Os deuses russos devem estar loucos. E aí a gente há de pensar o que não faria Kubica com esse carro. E aí a gente há de pensar o que Kubica deve ter pensado quando viu Heidfeld maltratando seu carro e não passando sequer do Q1. Nickita vai vir com o mimimi padrão de que foi atrapalhado e tal. Depois reclama da vida. Mas voltando a Petrov, o sábado dele foi excelente, não foi um resultado ocasional. Andou ali mesmo no TL e nas fases anteriores à superpole. Se terminar em sexto — ou à frente de Alonso… —, já será um começo notável.
Rosberg em sétimo, ali no bolo. Até menos do que se esperava, considerando que o pessoal na Mercedes estava arrotando o peru da igualdade com a Red Bull. Na quinta fila, Kobayashi, mítico como sempre, e Buemi, Sauber e Toro Rosso, as intermediárias que querem ser grandes, ratificando o bom desempenho da pré-temporada. Só que a Sauber está melhor. Posso estar enganado, mas o japa se poupou para andar melhor no início da prova amanhã. E vai vir bem com Pérez também, largando ali atrás, em 13º. O Quico é bom.
Barrichello foi mal. Errou. Acontece. Vai ter de pensar o resto do dia em uma tática que lhe faça ganhar posições logo no começo. Que torça por um safety-car e uma entrada rápida nos pits, um bote, sei lá. 17º é quase um atestado de zero ponto num grid embaralhado ali em sua metade.
As Virgin passaram pela guilhotina, ora, ora. D’Ambrosio — ou D’Ambrósio, como disse o narrador-sparring — conseguiu superar por 0s4 o tempo dos 107%. Coisa que, claro, a Hispania esteve longe. Um bagaço de mixirica essa equipe aí, viu. É a quarta vez na história que uma escuderia é podada de correr por esta regra. Forti Corse em 1996 e Lola em 1997, ambas também na Austrália, e Arrows em 2002, propositalmente, na França, foram as outras. Liuzzi e Karthikeyan atrapalharam meio mundo, tomaram entre 9 e 10… e ainda querem correr.
Má vá…
PZero a 10
SÃO PAULO | A Pirelli divulgou hoje que vai levar os mesmos tipos de pneus para as quatro primeiras provas, os macios e os duros. Na F1, mudou o fornecedor, mas as especificações seguem as mesmas. Ainda há o macio para dedéu e o médio/mediano.
A fabricante italiana alegou que são pistas com curvas variadas e aderência alta, com chance de altas temperaturas. Calor, mesmo, só no Bahrein e na Malásia. Na China ainda será início de primavera e na Austrália, outono — Melbourne não é lá o lugar mais quente do país oceânico. De qualquer forma, pouco há a se dizer até que venha a primeira prova, no Bahrein, a não ser destacar a queixa de Schumacher, que andando entre 10ºC e 15ºC na Espanha, reclamou demais.
Se a Pirelli quer fazer de todas as provas algo semelhante ao que se viu no Canadá em 2010, Sakhir 40ºC é um prato cheio para dar o tom do que a F1 pode ser em 2011. O PZero pode ir a 10 na avaliação do povo.
O quarto da casa nova
SÃO PAULO | Merece um post à parte: a Ganassi está investindo muita grana em uma nova sede em Brownsburg, Indiana, perto da casa da De Ferran Dragon para abrigar a nova equipe. O anúncio da próxima quinta vai acontecer lá no Indianapolis Motor Speedway, mas Graham Rahal e Charlie Kimball estarão lá no ‘shop’ ganassiano e participarão através de uma videoconferência.
Uia…
Penske e Shell
SÃO PAULO | A Penske vai anunciar em breve, quiçá horas, talvez amanhã, um acordo de patrocínio com a Shell. Na verdade, trata-se da extensão do acordo que já existe na Nascar para 2011 à Indy.
Tradicionalmente vermelha e branca por conta do ‘sponsor’ da Marlboro na Indy, o preto foi agregado ao time de Roger Penske no ano passado, até pela aproximação com a Verizon — no caso de Will Power. Em 2011, então, os de Helio Castroneves e de Ryan Briscoe — que deve ser mantido; faltam detalhes para anunciarem a manutenção dos três carros — serão vermelhos, amarelos e brancos e terão as marcas Shell, V-Power e Pennzoil.
E falando em Marlboro, ontem houve em Richmond uma festa de despedida do longo relacionamento da Philip Morris com a Penske, que contou com a presença de Helio, Gil de Ferran, André Ribeiro e até Emerson Fittipaldi. O chefe da principal equipe da Indy recebeu uma sela de cavalo de bronze, símbolo da marca de cigarros, em agradecimento pela parceria.
Acréscimo: a apresentação da parceria acontece hoje, 2 de dezembro, em Las Vegas. Outra empresa também será revelada no pacote financeiro para bater a Ganassi.
TK on the market
SÃO PAULO | Tony Kanaan está no mercado, é o que me disse boa e observadora fonte. Apesar de ter contrato com a Andretti por mais duas temporadas, a saída da 7-Eleven já fez o brasileiro começar a procurar outro lugar na Indy para 2011.
Muito provável que TK já venha fazendo contatos com outras equipes desde a semana passada, antes, portanto do anúncio da debandada da patrocinadora. A De Ferran Dragon, time que tem no comando Gil de Ferran, aparece como uma das opções.
Interessante apontar que Tony andou fazendo muita propaganda, digamos assim, do M&M’s, o chocolate em pílulas, no Twitter.
Bia em Homestead
SÃO PAULO | Sim, e Bia Figueiredo vai correr a última etapa da temporada da Indy em Homestead, pode confirmar o Blog Victal. O martelo já está batido e tal, e a pilota deve viajar neste fim de semana para Miami. O anúncio oficial deve acontecer em breve, quiçá amanhã.
Havia a possibilidade de Mike Conway voltar para a vaga que lhe pertence. O inglês, que se acidentou gravemente no fim da corrida em Indianápolis, conversou na tarde de hoje com Dennis Reinbold, um dos chefes da equipe, e ficou constatado que ainda não há condições de guiar. Paul Tracy, que concorria ao cockpit do carro 24, entregou no Twitter que não seria ele o contemplado.
Ana Beatriz, como é conhecida pelas bandas americanas, participou de três provas no ano, todas pela Dreyer & Reinbold. Fez a prova de abertura no Anhembi, correu as 500 Milhas de Indianápolis e andou em Chicago. O melhor resultado foi obtido na pista sambante, um 13º lugar.
Como sempre digo, ela merece.



Toda Cancha