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A hora

GRAVATAà | É hora de vir tudo. Aquela coisa toda que provoca essa divisão de tópicos no pensamento, e quando a gente sai do lugar comum, pensa-se em lá e aqui. É lá e aqui. Lá pode ser qualquer lugar, até mesmo o outro plano, então dá pra entender bem o que é aqui.

É gente que a gente pensa e que pensa muito na gente. Ela pensa, certeza. Ela escreve. Ela reproduz, e bem. Ela fala lá e falaria aqui. Só que quando ela fala, ela não quer dizer muita coisa porque ela tem muito a dizer. E a gente fica nisso, questionando e se questionando, entre as perguntas indiscretas e as respostas certeiras, como se tudo isso fosse os dois botões ao lado do play. E são dois dedos, e o negócio equaciona de forma bem simples: ela aciona o fast forward e a gente pensa em apertar o rewind. O que resulta é o pause.

É bom parar e pensar na outra linha. A gente devia parar de pensar tanto assim. E aqui a gente acaba pensando muito, tipo na diferença do lá e aqui. Parece que não há diferença para quem está aqui, e amanhã tá tudo bem, e amanhã a gente vai pra lá, e tenta por um tempo esquecer de tudo como se fosse um refugo, e depois a realidade volta, e a gente volta para o lugar comum, e a gente volta para a virtualidade, porque parece que a virtualidade é mais real.

No lugar comum, a gente vai ver o que foi tudo, a gente tenta lembrar o que sabe que não vai lembrar e mesmo assim questionar e se questionar, a gente põe na balança tudo que lembra e quer a resposta, a gente vê a diferença do lá que vira aqui e do aqui que é lá. A gente vai ver os dois lados e todos os lados e vai ver se tudo vale a pena.

A gente vê se vale a pena, a gente aperta o rewind porque não sabe ou nem quer ousar apertar o fast forward. E a gente se questiona se é hora de vir tudo.

É realmente a hora?

*Texto originalmente escrito para o Malvadezas, mas a Carolina Mendes me demitiria.

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Palavras para salvação

SÃO PAULO | Essa vida de escritor de contos & crônicas é árdua, e aí a gente vai a campo para ouvir as histórias das pessoas, mais propriamente dos amigos que pouco valem, e daí vem a inspiração para o texto.

O ‘Palavras para salvação’ é um fato verossímil — evito dizer real porque nunca é 100% aquilo que se tenta passar e/ou todo mundo compreende da mesma forma — que retrata dois extremos: a mãe que praticamente abriu mão da vida e policia o filho, que não é santo. E pelo que notei, muita gente, surpreendentemente, vive situação semelhante. A obra da literatura moderna está aqui. Ou, então, acesse o ‘Malvadezas’ direto, do contrário a chefona Carolina Mendes vai brigar pela baixa audiência.

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Neomalvado

SÃO PAULO | Tempo atrás, numa conversa de bar e tal, a doida da Carolina Mendes, aquela linda, me chamou para escrever em um de seus 46 blogs — contagem não confirmada. Recusei de início, tal, para valorizar meu passe e fazer um charminho, mas acabei topando, assim, na calada da madrugada.

Não que eu precise fazer propaganda, mas sempre valeu muito a pena ler o Malvadezas. Gente genial, de um português invejável e de textos deliciosos, como Filipe Quintans, Rob Gordon, Cíntia Moraes, Gui Pinheiro, Clara Averbuck, Lula Falcão e Luiz Thunderbird — não vou elogiar a Carolina. E o blog promove um reencontro de seis anos com o velho amigo e igualmente supremo Rodrigo Borges, parça do início no Grande Prêmio.

Meu primeiro texto tem caráter que vai de verossímil a semirreal e fala da insanidade virtual dos tempos de agora. Vai lá, gente.

PS: Bêjo, Mendes. Você é top.

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