O dono da bola
É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está no Grande Prêmio, isso há quase 9 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para “Folha de S.Pauloâ€, “Lance!†e “Quatro Rodasâ€, foi repórter da edição brasileira da “F1 Racingâ€, cobriu F1, Stock Car, a Indy e três edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Conheceu cidades como São LuÃs e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou o caminho certo. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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Como não gostar da dupla da Sauber, a melhor da história? #F1 40 minutes ago
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Otro mito. RT @fagnermorais: E o @SChecoPerez me ganhou como fã. Melhor capacete de todos os tempos da história da F1: http://t.co/vs9FKmCr 42 minutes ago
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Fantasiar. É diferente. E ela é maluca. Não duvide. RT @maria_fro: Acho que abuso sexual é muito grave pra inventar... 3 hours ago
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@maria_fro Eu acho essa moça maluca. Não dá para levar muito a sério o que diz. 3 hours ago
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Essa moça é biruta. RT @rcarrapatoso: Disse ! Foi o padeiro, o peixeiro, o amigo do pai, o vizinho, etc ......... 3 hours ago
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E a Xuxa disse quem, afinal, abusou dela? 3 hours ago
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@cutcutdajuju Dida, Domingos e André Luis. EU ACHO SENSACIONAL! 3 hours ago
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O cara está há meia hora mexendo nesta merda de máquina de café e não termina, pqp. 3 hours ago
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Exagerado

SÃO PAULO | Sei lá que deram para Mika Salo durante a transmissão da MTV3, da Finlândia, mas devia ser forte. O agora comentarista de TV disse durante o GP da Espanha que Senna “não está no nÃvel de que precisa” para continuar na Williams e que tem informações de que pode ser substituÃdo ainda nesta temporada por Valtteri Bottas.
A memória tem sido cada vez mais seletiva, mas não é tão difÃcil assim lembrar o que foi a temporada 2012. Mas fiquemos só com a dupla da Williams. Na Austrália, Maldonado mandou bem demais. Empolgou-se, oh, com Alonso à frente e, ni qui foi tentá ultrapassá, deu-se mal na última volta. Malásia e China foram claramente de Bruno. A performance em Sepang, aliás, foi excelente, e não fosse um problema nas voltas iniciais, bem capaz que conseguisse algo melhor que o sexto lugar. Em Xangai, com um esquema de paradas diferenciado, foi sétimo.
No Bahrein, a Williams como um todo não foi bem. E agora, em Barcelona, Maldonado dominou. Bruno foi mal na classificação, tentava se recuperar na corrida e era oitavo já quando foi abalroado por Schumacher, esse novato aà das pistas.
Assim, dizer que Senna não está no nÃvel de que precisa não é só um exagero. É mentira. Dizer também que tem informações de que vai ser trocado ainda em 2012 também não corresponde à verdade. Principalmente porque Bruno carrega um tonel de patrocÃnios. Digamos que Salo tenha jogado para a torcida, afinal Bottas é finlandês. Pacheco, pelo jeito, tem em todo paÃs.
No caso dos finlandeses, são os ‘pachekkenen’.
Brincando de rumores
SÃO PAULO | Com um dia de atraso, aqui ponho a Superpole da semana, que fala do exercÃcio que tem sido mais comum nesta temporada da F1: prever o que será de Massa num futuro próximo. O negócio vai de dar lugar a Webber na Ferrari até a formação de um time brasileiro na Indy, aproveitando o plano de Jimmy Vasser. E vai uma informação interessante: a Telmex negocia para patrocinar a Academia de Pilotos da equipe italiana.
A Ãntegra da coluna está no Grande Prêmio ou aqui, ó.
Terra dos Khalifa, 2
SÃO PAULO | Mas vai entender a lógica deste campeonato. O cara me larga em 11º, tem três corridas no currÃculo depois de estar dois anos afastado, a equipe muda de nome e representa uma grande marca que não ganha tem lá umas duas décadas e vai atazanar a vida do bicampeão que estava zerado no ano e parecia não ter chance de ganhar até chegar a temporada europeia. Era Vettel ou Raikkonen — e se os dois se achassem, cairia no colo de Grosjean, o que garantiria, de qualquer forma, um novo vencedor em 2012. É uma temporada tão sortida quanto um saco de balas Kids, me afiançou uma jornalista aÃ, logo demitida por seu gracejo inoportuno.
Vettel e a Red Bull se acharam no ano. Se alguém for colocar um teste de verdadeiro ou falso num vestibular sobre F1, a história de que encontraram o problema do RB8 na sexta é um V garantido. Não tivessem as Lotus largado para brilharem, o alemão teria tido uma vitória tÃpica daquelas do ano passado. Até a primeira parada, havia livrado confortáveis 7 ou 8 segundos para a rapa, já liderada por Kimi. Mas como a Lotus estava espertinha e serelepe, chamou o Tio da Vodka para parar antes. Com os pneus novos, tratou de encostar, encostar e encostar, e com a beleza de um eterno aprendiz, parou mais uma vez e chegou para tentar ultrapassar. Foi, então, a vez da Red Bull se precaver, antecipando a última vez de Vettel e evitar um novo bote. “Eu só tive uma chance”, lamentou Raikkonen via rádio depois da bandeirada. No pódio, Kimi olhou para aquela garrafa de Waard, lembrou que não tinha álcool e desencanou. Eu faria o mesmo.
Para Grosjean, um pódio alentador, que lhe tira a pecha de piloto rápido porém afeito a batidas e confusões, adquirida nas duas primeiras provas no ano. Um resultado que sossega o pito de Eric Boullier e sua turma, tão empolgada no inÃcio da temporada para ver do que este carro era capaz, mas meio desanimada depois de três provas sem muito sucesso.
Webber, quarto pela quarta vez. Se não terminar em quarto este campeonato, tem algo estranho. Por enquanto, é terceiro. Rosberg não foi nem sombra do que havia feito na China, o que coloca, por enquanto, aquela prova vencedora como exceção na vida da Mercedes. Di Resta fez corridaça, e ninguém me tira da cabeça que, apesar de as equipes pequenas sempre optarem por estratégias distintas para suas duplas, a meta era chegar ao primeiro lugar para ver se a FOM exibiria suas imagens. Pois foi o que aconteceu, mas justamente neste momento, o escocês não foi mostrado ou creditado como lÃder da prova. No entanto, a equipe dálit apareceu durante a transmissão.
Aà vieram Ferrari e McLaren. Que coisa. Alonso, sétimo, com aqueles movimentos de quase-entrada nos pits para pegar o vácuo de quem vinha a frente e novamente tirando de si a Chiliquenta escondida. Reclamou de Rosberg, que o arremessou para a areia, tal como fez com Hamilton no mesmo ponto da pista. Se só é permitido um único movimento, não vejo erro nas manobras de Nico, ainda que tenham parecido rÃgidas. Vão chorar na cama de Sakhir que é lugar quente. Hamilton tem é de reclamar desta McLaren em fase descendente e que lhe prejudica nos pits. Mas ele é só um inglesinho neste mundinho. Um inglesinho que perdeu a liderança do campeonato para Vettel. Button, coitado, se ferrou no fim com um pneu furado e resolveu trazer a criança para casa, já que não ia pontuar. Trouxe, claro, como um lorde. Schumacher, 22º no grid, completou a zona de pontos reclamando dos Pirelli que desgastam demais. Má vá…
E Massa, cáspita, ae, uhu!, enfim pontuou. Diante do que vinha apresentando, grande prova do brasileiro. Andou colado na Birrenta de Oviedo, deu lá uma ameaçadinha para ultrapassar, aà chegaram até a falar “Fernando, Felipe is faster than you”, mas só ouvi isso na transmissão da TV brasileira. Fato é que Massa já estava contando com uma prova na defensiva, e não deveria se esperar dele um confronto direto com o companheiro. Por um lado psicológico, passá-lo seria a glória, mas garantir os primeiros pontos ficou de bom tamanho. Sobre Senna, nesta montanha-russa da F1 2012, um fim de semana para se esquecer. A Williams não foi a mesma das últimas corridas, simples assim.
A corrida do Bahrein foi até interessante, sim, teve boas disputas e uma esperança de ver Kimimporta o Resto do Mundo ganhando. O gostoso do campeonato é que ele tem derrubado todas as previsões e expectativas. Vettel só foi ganhar agora, e justo quando não se esperava. A McLaren não tem a vantagem que dela se via depois da primeira prova. A Mercedes não engatou e a Ferrari, que era uma draga, já tem uma vitória. São quatro equipes que chegaram às vitórias, sendo que outras duas tiveram chances — Sauber na Malásia e a Lotus agora. Um repeteco do que aconteceu em 1983 não está descartado, portanto, na Espanha. Uma pena que Williams, Toro Rosso e Force India ainda não tenham condições de brigar por algo mais à frente.
Ou será que esse campeonato é tão maluco e elas têm?
Terra dos Khalifa
SÃO PAULO | Ora, ora, e como são as coisas. Vettel sai na pole. Uma coisa que era tão corriqueira no ano passado e parecia tão estranha neste. Bem que o alemônico soltou ontem que a Red Bull tinha achado o problema do carro, mas vá lá, largar na frente de Mercedes e McLaren, ainda mais depois do desempenho delas ali no deserto bombástico de Sakhir, era sonhar demais.
Encaixou lá 1:32.4, contra 1:32.5 de Hamilton, 1:32.6 de Webber e 1:32.7 de Button. Aà veio Rosberg, que preferiu ser mais cauteloso (hã?) e marcou 1:32.8, e depois este impressionante Ricciardo com 1:32.9. Tudo sequência, que gracinha, ui!, e ainda tem Grosjean com 1:33.0. É só uma demonstração de como a F1 está incrivelmente próxima. “Estou amandoâ€, soltou Schumacher outro dia a respeito disso. “Estou a-man-di-nho tambémâ€, comentou Flavio Gomes outro dia na redação.
Ou seja: Red Bull e McLaren vão brigar ferrenhamente e terão certa indisposição com uma Mercedes, uma Toro Rosso e uma Lotus. Pérez ficou meio longinho na classificação, mas até que pode, sei lá, beliscar algo no bom ritmo que a Sauber parece apresentar durante as corridas.
Alonso, de novo, fez mágica ao levar a capenga CaRossa F2012 ao Q3, algo que Massa, de novo, não conseguiu. Mais um meio de pelotão para Felipe, que prometeu correr na defensiva (hã?) neste domingo. Bruno Senna larga uma posição atrás, 15º, crê que será uma dureza a prova. Ou seja, é tomar um Dreher e ver o que a Williams é capaz de fazer, tipo uma parada a menos como fez semana passada na China para beliscar os pontos.
Raikkonen e Mito Kobayashi formam uma sexta fila interessante, tal qual era a segunda da semana passada. Agora é ver o que eles fazem para se recuperar, visto que, pelo que se esperava deles em Xangai, decepcionaram. Schumacher, voticontá, ficar no Q1 mesmo sem DRS, pelamor. Tá precisando se benzer, o queixada. E as câmeras ignorando a Force India? Bernie Ecclestone, o anencéfalo, é patético.
Previsão para amanhã: bom, certeza que vai estar sol e calor e não vai chover. Mas vou jogar o que apostei no glorioso BRV: Hamilton. Mesmo sendo aquele que, teoricamente, deve gastar mais os pneus por seu estilo. Do contrário, pode ser que o lorde Button apronte.
A inspiração dos ativistas
SÃO PAULO | Falei há pouco com Carlos Latuff, 43, carioca, desenhista e esquerdista, uma das fontes de inspiração dos manifestas barenitas e das demais nações árabes que se debruçam contra os regimes monárquicos e ditatoriais naquela parte do mundo. Seus desenhos viraram grafite em Manama e adjacências e sua obra chamou a atenção do governo local, que o criticou, via Twitter.
Como disse no post anterior, Latuff tem um blog que, à distância, serve como apoio aos rebeldes sunitas do Bahrein. Em linhas gerais, Carlos pede que a F1 respeite e tenha sensibilidade com o povo, já que está sendo usada como viés polÃtico do rei Hamad para mostrar ao mundo uma tranquilidade que o paÃs não tem. O resultado da conversa está no Grande Prêmio e pode ser acessada aqui.
Carro de polÃcia
SÃO PAULO | As redes sociais ajudam bastante na busca por notÃcias da situação do Bahrein, e encontrei uma charge bem interessante sobre os protestos e a corrida que está marcada para o próximo fim de semana.
No lugar do RB8, F2012 ou MP4-27, carros de polÃcia. E o mais legal é saber que o desenho é de autoria de um brasileiro: Carlos Latuff, cujo trabalho pode ser visto em seu blog aqui.
Terra do Zizao, 4

PASSOS | Não é necessário dizer que a corrida perdeu absolutamente toda sua graça depois das duas primeiras curvas quando o Mito desmitou ao cair de terceiro para sétimo, e aà só o que de legal fez foram duas coisas: a volta mais rápida da prova e o passão em Pérez nas voltas finais para ficar com o mÃsero ponto da Sauber na China, que é tipo uma gorjeta de 5 centavos de Dilma diante do milhão que se avizinhava.
Aos costumes: Rosberg e a Mercedes contrariaram neste fim de semana tudo que deles se imaginava de ruim, sobretudo eles mesmos. Se a expectativa era sofrer com o baixo rendimento dos pneus Pirelli com o passar das voltas, eis que Nico aguentou o tranco que tal forma que parou menos que seus adversários diretos, as McLaren e as Red Bull — que ocuparam entre segunda e quinta posições, mostrando serem as grandes forças da temporada. Só não foram páreo para a Flecha de Prata.
Havia uma corrida para Nico e outra para os demais. De Schumacher para trás, formou-se um fricassê que, de inÃcio, fez-se um trenzinho interessante só, mas depois passou a conter alguma ação. Aà Michael abandou de novo, erro da equipe de novo, mas a cama estava feita: ainda que indiretamente, o escudo para o companheiro funcionara. Pérez apareceu na liderança de novo, e ali por um momento criou-se a ilusão de que Monisha Kalterborn e seu grupo haviam dado o pulo, mas a demora em mantê-lo na pista virando mais lento que a rapa jogou Ligeirinho lá para trás, junto com Kobayashi, que parou cedo demais.
Button estava ali em segundo, trazendo Hamilton e Webber, que vez ou outra trocavam de posição. Lá atrás, Vettel tinha dificuldade imensa para se livrar de Force India e Toro Rosso, e pelas estratégias de boxes é que conseguiu aparecer na prova e chegar a ocupar um segundo posto valiosÃssimo até as voltas finais. Mas sem condição alguma de se manter com pneus velhacos diante da voracidade das McLaren e do companheiro Webber, até que o quinto lugar ficou de ótimo tamanho. Fato é que a Red Bull tem de torcer para que a patacoada do Bahrein não siga para que trabalhe intensamente sobre esse não tão bom RB8.
A mesma estratégia que deu certo êxito a Vettel não funcionou a Raikkonen, que terminou num péssimo-quarto lugar, longe, mais longe, que se não tivesse aquela névoa poluente em Xangai dava para vê-lo em Pequim, rodando feito barata. Estaria ali entre os seis primeiros, posição que ficou no colo do companheiro Grosjean, enfim vendo uma bandeirada na vida.Aà vieram as Williams, num desempenho de impressionar, andando forte no fim com borracha bem gasta. Novamente Senna ficou à frente de Maldonado, e Bruno vai ali beliscando lindamente belos pontos e se firmando na F1. Se aquele desempenho de Sepang poderia soar como algo pouco recorrente, o primeiro-sobrinho tem mostrado uma competência de certa forma surpreendente para quem está numa equipe nova e refeita de alguns parcos anos.
Alonso foi ali, comboiando, incomodando, e na sua tocada firme só obteve um nono lugar. O companheiro Massa não foi mal desta vez, não: Felipe até que andou num ritmo semelhante ao do espanhol, numa tática de parar uma vez menos. Por instantes, ocupou a liderança, mas não havia muita ilusão de conquistar nada melhor que o último lugar na zona de pontos, por exemplo. Nem isso teve: foi 13º, sem superar a pÃfia Force India de Paul di Resta. Como um todo, Massa ainda deve — e pra caramba: é o único dos pilotos que não pontuou no ano; as bananas-nanicas estão fora deste dado. Seja qual for a fase da Ferrari, Felipe vai vivendo este duro armistÃcio interno, e mesmo que tenha evoluÃdo, ainda há de escutar poucas e boas aqui e ali.
Na pista, os resultados apontam uma disputa deveras saborosa: Hamilton na ponta do campeonato com três terceiros lugares — hoje não fez cara de cloaca suja —, Button vem 2 pontitos atrás e Alonso e Webber comboiam — o australiano na mesma balada de Lewis, com três quartos postos. Três equipes diferentes vencendo, e a Red Bull nem está no meio disso. Pena que o exterior estraga. Não dá pra cravar com muita certeza que tem corrida na semana que vem, não. Os ativistas no Bahrein estão usando a confirmação da prova como mote para possÃveis atentados. Bombas já foram encontradas perto de Sakhir, e até que a F1 desembarque lá, há de rolar muita coisa feia, que encobre a já mencionada anencefalia dos homens que fazem deste espetáculo algo longe de se aplaudir.
  testando, 1, 2, 3
Terra do Zizao, 3

PASSOS | O relato da classificação do GP da China teve um leve toque de ironia e sarcasmo, talvez em uma ou duas frases, nada mais, mas é sério que Kobayashi tem lá a grande chance da carreira de ganhar esta corrida — que tende a apresentar um começo dos mais eletrizantes e decisivos para seu decorrer.
A Mercedes está rapidÃssima como nunca por causa de seu DRS duplo que sei lá para onde empurra, no fim das contas, mas que empurra bem. Mas não é segredo que o carro ainda consome demais os pneus Pirelli, e grande parte da derrocada durante as corridas se dá por causa disso. Assim, ainda que se mantenham em primeiro e segundo, Rosberg e Schumacher vão sofrer um desgaste acentuado antes dos demais. Com as retas longas de Xangai, serão presas fáceis em um momento determinado. Aà vai da estratégia: antecipar as paradas para andar rápido sempre e programar-se para uma ida aos pits a mais que os demais ou se segurar como der na pista.
Raikkonen e a Lotus também não são de se jogar fora. Ali se encontra a grande incógnita, porque o real desempenho da combinação ainda não pôde ser totalmente dissecado neste ano — Kimi se deu mal na classificação da Austrália e teve de fazer uma prova de recuperação, e a chuva mascarou do que o carro aurinegro é capaz na Malásia. É bem provável que o finlandês tenha um ritmo similar ao de Kobayashi, mas digamos que pouco abaixo.
Aà vem um trio das favoritas, com Button, Webber e Hamilton; McLaren e Red Bull, em tese os melhores carros, mas a coisa está tão absurdamente parelha em Xangai que não se pode dizer que é esperar o momento certo para passar o top-4 do grid, não. Valer-se-ão (baita mesóclise, vou até dar print depois) do KERS, mas certamente sofrerão o revide. Tirar pelo menos um de combate na largada seria imprescindÃvel para qualquer um deles. Mas Hamilton não tem partido bem no apagar das luzes, Button faz as coisas de maneira correta e Webber é bem inconstante.
E não se pode descartar Pérez, oitavo, principalmente depois do que o Ligeirinho fez em Sepang. Oitavo ali, meio que quietinho, sem ter tido a mesma performance de Kobayashi… a coisa muda.
A Sauber tem um carro reconhecidamente constante e rápido em longos trechos, os stints. É uma qualidade que as rivais já puderam assentir em apenas duas etapas, tanto que algumas delas observam os detalhes do C31 para copiar suas partes. O único calcanhar de Aquiles, que foi abertamente exposto pela dupla antes da corrida, foi a velocidade em reta. Só que aà a gente observa o ‘top speed’ e vê que Pérez e Kobayashi justamente foram os que tiveram as maiores velocidades da classificação, pelo menos 6 km/h mais rápidos que as McLaren e 5 km/h de frente para as Mercedes.
Button já foi o primeiro a verificar que Kobayashi é o ponto chave da prova. Via Twitter e à distância, Heidfeld foi na mesma linha e afirmou que não é ilusão pensar numa vitória do Mito. O próprio, coitado, desconversou, disse que não é sonhador. Mas não custa nada. Já tem um monte de gente que está fazendo por Kamui, e com base na realidade dos fatos.
Terra do Zizao, 2
SÃO PAULO | Aà o idiota se baseia em todo o retrospecto de uma vida recente para definir que as Mercedes seriam um mero leãozinho que muge fino na classificação, e zás, crava certinho sua tese, só que não. É que eu não contava com a astúcia e o desempenho pleno de um sistema de DRS duplo que funciona como um avião andando para trás, um achado aerodinâmico fenomenal, e daà estão ali na primeira fila os carros prateados, com Rosberg na pole.
Confesso que não estou lá muito interessado em falar da primeira fila, mas obviamente se faz necessário: tava na hora de Rosberg desencantar & descabaçar, tal qual diria Fernando Silva. Cara entrou na F1 em 2006 pela Williams, e logo na corrida de estreia fez a melhor volta, no Bahrein. Daà foi aquela coisa da primeira impressão que fica, e o tanto de gente que se decepcionou com Kekinho Jr. foi uma coisa de louco. Nico foi taxado como um piloto mediano sem ter lá um carro que lhe permitisse coisa melhor. Daà foi para a Mercedes achando que venceria fácil, só que com Schumacher de volta, sua carreira parecia fadada ao limbo. Pois fez o contrário, e pôs o hepta no chinelo. E mesmo assim nada que fizesse dele alguém especial.
É claro que uma pole não vai mudar uma avaliação quase consolidada dos últimos anos, mas é meio que uma recompensa para um piloto que tem lá seus bons atributos, talvez agora descobertos no levantar do tapete que o escondia. Sua volta foi perfeita, e assim todos a definiram, colocando meio segundo na rapa que vinha juntinha como nunca havia sido visto na F1.
Schumacher vai largar a seu lado, e a Mercedes comemora um feito que não via há 57 anos. Creio que 2 ou 3 funcionários da Mercedes vivos hoje tenham visto aquela pole de Fangio em 1955. E o alemão velhote tá de volta, para deleite de uns, desagrado de outros. Uma primeira fila que não vem desde o anúncio de sua primeira aposentadoria, seis anos atrás, Itália, ah, Itália, campeã do mundo…
Talvez fosse legal ver a Mercedes ganhando, com qualquer um dos dois, mas lá está em terceiro o Mito. Ali está o homem. Ali está a lenda. E creio que ali esteja um piloto meio resguardado, mas ávido pra devolver o que Pérez lhe fez na Malásia. “Galoto pelaltaâ€, mimimizou Kamui depois da corrida, quando o mundo estava boquiaberto com o desempenho do Ligeirinho. “Agola vou mostlar quem dá as caltasâ€, e deu nisso. Acenderam o japa. E tem um ditado nipônico que expressa claramente isso: “Um homem-san cutucado tem a força de doisâ€.
Mais legal é ver que a Sauber conquistou seu melhor grid na história e que está sendo comandada por Monisha Kaltenborn em Xangai, já que Peter Sauber teve um compromisso inadiável com a Ligue Du Chauve em Genebra. Uma vitória amanhã do Mito e numa equipe cuja chefe é uma mulher. I-de-al.
Tem ali Raikkonen em quarto, outro que seria muito interessante ver ganhando uma corrida. Imaginem só Kimi, dois anos fora, terceira prova, lá no degrau mais alto do pódio. Haja vodka na noite xing-ling, sem contar que poria em dúvida a falácia de que um hiato na F1 é fatal para os pilotos. Mas ao que parece, a Lotus não tem lá um carro ainda capaz de fazer isso.
Terceira fila tem Button e Webber, que é meio perigosa à primeira vista, mas aparentemente inofensiva para o segundo. Jenson vai fazer aquela prova de sempre, cauteloso, fino, e no fim vai acabar beliscando um pódio, cêis vão ver. Markola vai como der pra chegar em quarto, é sempre assim. O interessante é que ele está invicto nas classificações deste ano em relação a Vettel, péssimo-primeiro hoje. Pô, que aconteceu? E ele ainda disse que não tinha mais o que tirar do RB8. A Red Bull nunca rezou tanto para voltar à Europa e fazer um recall.
Hamilton é ameaça, mesmo em sétimo. Como a corrida chinesa é longa e tem retas longas, o teoricamente longo caminho não é tão penoso até chegar aos primeiros, quero dizer, Kobayashi. E é outro que tá sanguinário para vencer depois de dois terceiros lugares pelos quais fez um muxoxo.
Aà vêm Pérez e Alonso, oitavo e nono. Não pode. Pelas regras dos conspiradores, Fernando tem de vir à frente… E o top-10 termina com Grosjean, algo que é perigoso para Vettel e Massa, mais uma vez ligeiramente atrás de Alonso, largando em 12º. Vai melhorando de pouquinho em pouquinho, quando deveria estar mostrando algo de poucão em poucão. De qualquer forma, como este grid está quase um Super Bonder de tão grudado, Felipe pode sonhar com seus primeiros pontinhos. Tal com Senna, que andou no ritmo de Maldonado, mas larga apenas numa sétima fila.
Bem, anotem aà que vai ser o seguinte amanhã: as luzes vermelhas apagam e o Mito, do lado limpo, aciona o botão do super-KERS da largada. Nem vai ver o velhote do outro lado da fila e vai passar rapidinho o peida-na-farofa da frente. Como as Mercedes vão mal em corrida – ainda creio nisso –, elas farão o papel de segurar todo o resto enquanto Kamui abre distância suficiente para vencer lindamente. E no domingo, cantando Para Nossa Alegria, o mundo se acaba num porre de saquê.
Terra do Zizao
SÃO PAULO | Pouco acompanhei os treinos livres da última madrugada, mas é só para não passar em branco que Schumacher foi o mais rápido e não o será neste sábado, tampouco no domingo. Essa Mercedes aà é meramente um leão de treino de sexta — nos dias seguintes, “vira um leãozinho e na corrida se mostra um gatinho”, como bem disse outro dia Felipe Giacomelli. Os brasileiros foram mal e tal em termos de resultado, mas vamos em frente.
Na verdade, este post era só para apresentar o nome da seção do fim de semana — que será em terras mineiras para mim.
Os anencéfalos
SÃO PAULO | Dois assuntos estão em voga no noticiário e estão relacionados na coluna Superpole que escrevi há pouco: o julgamento da descriminalização do aborto dos fetos com má formação encefálica e os protestos no Bahrein às vésperas da realização da corrida da F1. Nos dois casos, a questão se encontra na opinião — baseada por alguns meramente em questões religiosas no primeiro e ausente por completo no segundo. O que me leva a crer que os anencéfalos estão aà às pencas.
Veja lá no Grande Prêmio e dê a opinião aqui.



SÃO PAULO | Hamilton ou Maldonado, Maldonado ou Hamilton, e assim a F1 pelo menos lança aos touros, não aos da Red Bull, que pode, sim, ter um quinto vencedor diferente no domingo. Melhor ainda se fosse Maldonado, bolivariano, venezuelano, da Williams, de Frank Williams, 70 anos hoje, parabéns, Frank, te mando o presente depois que a grana já tá curta. E o mais engraçado dessa história é que, num pensamento além, vai que seja Maldonado: a gente estava apostando que seria a Lotus ou, no máximo, a Sauber a nova equipe a vencer.

Toda Cancha