Arquivo da categoria: F-Truck

A várzea de rodas, 6

SÃO PAULO | E Geraldo Piquet acabou tomando um gancho de 30 dias por ter provocado o acidente com Felipe Giaffone na etapa da F-Truck realizada há menos de duas semanas em Curitiba. A punição foi revelada pelo próprio piloto em seu Twitter — porque, claro, não foi ainda divulgada pela CBA —, onde desde então trava uma batalha de mensagens em 140 caracteres com o rival das pistas.

No momento do acidente, cheguei a dizer também no Twitter que, se a Truck fosse uma categoria minimamente séria, aplicaria uma punição a Geraldo, retardatário naquela corrida — não importa se tinha problema no freio, cisco no olho, quero-quero atrapalhando; deveria ter sido prudente e não ido dividir a freada do S com Giaffone. Claro que a gente bem sabe que não parte da Truck uma pena; ela sai da cachola da CBA e de seu STJD.

O egrégio STJD, como diz um advogado aí, reuniu-se ou vai se reunir às pressas, do que se depreende. Aí está a estranheza da questão.

O Tribunal da CBA não costuma agir tão rápido assim. Dias atrás, até dedilhei alguns parágrafos no capítulo anterior desta novela. Campeonatos terminam sub judice a rodo no Brasil. Como aconteceu com o Trofeo Linea, que até agora não sabe quem é seu vice porque o supracitado STJD não avaliou os recursos impetrados por Allam Khodair e André Bragantini contra uma desclassificação técnica na segunda corrida da etapa de Londrina, ocorrida há quatro meses. Ou ainda o de Galid Osman, que quis reaver sua vitória em Brasília na Copa Montana que lhe foi levada. Ou mais longe, como campeonatos na terra — o de 2005 ninguém sabe quem venceu…

Pois em dez dias se juntaram e puniram Piquet, que não vai poder correr em Brasília e, assim, está fora da disputa pelo título truckiano e consagra mais uma vez Giaffone. “Jamais gostaria de ganhar no tapetão”, falou Felipe a Geraldo agora à noite, “também jamais gostaria de tomar uma porrada proposital”, e Giaffone jura que o concorrente admitiu que assim o fez lá na pista momentos depois do choque. Geraldo respondeu que Felipe “mexeu seus pauzinhos” e tal.

Sem nenhuma acusação, é relevante adicionar ao caso que Giaffone tem relação próxima com a CBA, que o indicou como comissário para o GP do Brasil nos últimos dois anos. Também, Felipe integra, a pedido da entidade, a Comissão de F-Truck da FIA e é conselheiro da Comissão Nacional de Kart.

Um dos melhores pilotos da Truck e de atributos indubitáveis, Giaffone vai ser declarado campeão sem um embate propício, ao redor de uma história em que entrou aparentemente como vítima, mas que, em virtude da desconfiança que o meio traz e dados os fatos deste enredo, já não deixa ninguém assim tão ileso.

Adendo 1: à Evelyn Guimarães, a assessoria da CBA disse que a Comissão Disciplinar aplicou a punição de 30 dias e que o STJD vai julgar a questão na próxima quarta-feira. Cabe recurso. A história é bem esquisita.

Tags: , , , , , | 22 comentários

Uma nova mulher na Truck

SÃO PAULO | Cristina Rosito é nome corriqueiro e muito respeitado principalmente lá pelas bandas do Sul do país. Gaúcha, lá começou a carreira entre o fim dos anos 70 e o comecinho dos anos 80. Consolidou-se no automobilismo com força nas provas de Endurance e carros de turismo. Seu nome é visto destacadamente no Brasileiro de Ford Fiesta, no Marcas & Pilotos, Fórmula Ford, Brascar e em provas de longa duração como as 12 e as 3 Horas de Tarumã.

Aos 43, Cristina terá um novo desafio na carreira em 2011: pilotar caminhões. A pilota fechou com Djalma Fogaça e vai pilotar um Ford nesta temporada, ao lado de Danilo Dirani. Quem pode aparecer na equipe também é o atual campeão da Copa Montana, Diogo Pachenki, que não teve chance de subir para a Stock Car. O anúncio vai acontecer em breve, questão de dias.

Rosito passa a ser a quarta mulher na história a entrar para a categoria dos caminhões. Além de Débora Rodrigues, há anos andando de Volkswagen, Danuza Moura por lá esteve em 2004, pela Iveco, e muito antes, como lembrou Luciano Monteiro, Márcia Arcade apareceu nos anos 90.

Tags: , , , | 14 comentários

Truck veta Pizzonia

SÃO PAULO | Foi nos primeiros dias de abril de 2008 que veio ao meu conhecimento uma história de que a Vicar, respaldada ou incentivada pela TV Globo, havia traçado por linhas não tortas como regra, a cláusula 7ª de um tal “Contrato de credenciamento e outras avenças”, o veto da participação de qualquer piloto da Stock Car em qualquer categoria do automobilismo brasileiro que não fosse transmitida pelo sistema Globo — o que incluía o SporTV. Na prática, então, a regra impedia que um piloto da Stock Car também corresse na F-Truck, atualmente produto da TV Bandeirantes.

Literalmente, a malfadada e mal-escrita cláusula sétima era isto: “Os eventos, provas e treinos, (sic) são alvo de transmissão e reportagens, que irão ao ar através de sinal de empresas detentoras dos direitos de exibição em TV aberta, TV fechada, internet ou outros meios analógicos ou digitais, ficando vetada a participação dos piloto (sic) da Copa Nextel Stock Car [V8], (sic) em campeonatos nacionais de outras categorias que tenham transmissão ao vivo ou em VT, em outras emissoras de TV aberta, TV fechada ou internet que não as detentoras dos direitos de exibição.”

Consultei gente da Globo e da Vicar. Carlos Col confessara ser uma “imposição da Globo”; a Globo devolveu com um “isso é negócio da Vicar”. E falei com o então presidente da CBA, Paulo Scaglione, que disse à época que mal sabia da existência daquele efeito proibidor. “A CBA não aceita qualquer tipo de restrição à carreira do piloto. O promotor e o patrocinador não têm poder para exigir isso, e nós não aceitamos. A função do promotor é promover, e as funções técnicas e desportivas são exclusividade da CBA. E esta questão é desportiva”, disse o ex-dirigente.

No fim das contas, faltando três dias para o início do campeonato da Stock, a cláusula foi derrubada. Só que Col não a derrubava ad eternum. “No futuro pode ser que exista um tipo de situação que tenha que acordar com a Globo e com os pilotos. Para este ano, a regra era inócua”, salientou.

Teve quem me dissesse que a Truck fazia a mesma coisa. O caso acabou morrendo ali.

Pouco menos de dois anos depois, a regra de exclusividade torna a ser assunto. Só que desta vez, teve efeito prático. Agiu contra um piloto que queria correr na F-Truck, e que só não fechou contrato por a gloriosa categoria dos caminhões impediu. O piloto é Antonio Pizzonia. 

A Truck não disponibiliza seu regulamento no site oficial, nem fala abertamente destes contratos paralelos. Sabe-se, no entanto, que há um item que proíbe o piloto de participar de qualquer outro campeonato, não só no Brasil, mas no mundo. Pizzonia negociava um lugar de Djalma Fogaça, a DF Motorsport, com um caminhão Ford. Diversos pilotos, inclusive, fariam testes pela equipe. Fogaça abriu mão destes testes só para ter o amazonense, que pretendia conciliar suas atividades com a Superliga.

Daí foram conversar com a Truck para resolver a situação. Não resolveu. A categoria reiterou o veto. Por isso Pizzonia teve de continuar na Stock. Dias antes do Natal, Antonio assinou contrato com a Hot Car, de Amadeu Rodrigues, penúltima colocada no campeonato de 2009.

À Ford e a Fogaça restaram procurar outro nome de peso. Foi sugerido o nome de Bruno Junqueira. Djalma conversou com Pedro Aquino, diretor da montadora, e consultou os demais diretores envolvidos. O processo todo, entre a indicação e a aprovação do nome de Junqueira, levou menos de 10 minutos. Junqueira será companheiro de Danilo Dirani.

E este é mais um capítulo que demonstra o porquê de o automobilismo brasileiro estar assim. Muitas cabeças pensantes (?) apenas nos umbigos palmos abaixo de si.

Tags: , , , , , , , , , , | 32 comentários