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Apelou, perdeu (e não choveu)

SÃO PAULOGastaram mais de 5 milhões de dilmas em trabalhos de drenagem, mas nenhum dos promotores, prefeitura e Bandeirantes, comprometeu-se a garantir que a SP Indy 300 aconteceria se viesse mais um ano de pleno aguaceiro. O que preferiu fazer a emissora, segundo o bem informado Flávio Ricco, no UOL? Encomendaram os trabalhos de um esotérico, digamos assim.

Um membro da Fundação Cacique Cobra Coral foi responsável pela reza brava para que não chovesse durante a prova no Anhembi. A FCCC é uma “entidade científica especializada em fenômenos climáticos”. De fato não caiu água até que a bandeirada fosse brava. O pai-de-santo é forte. Os fracos são outros…

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Wet’n'Indy, 4

SÃO PAULO | O negócio é tão corrido que mal dá tempo de escrever para o blog quando se tem uma ampla cobertura ‘in loco’ pela frente. Agora que a coisa acalmou, dá para tecer mais alguns pitacos sobre o que aconteceu no Anhembi, a competição, a vida e o universo.

Primeiro que algumas providências básicas, como a melhoria na segurança na sala de imprensa, foram tomadas. Uma simples identificação nos laptops e outros aparelhos eletrônicos e câmeras foram instaladas. Nenhum incidente furtivo foi registrado. Da mesma forma, a assessoria do evento também merece elogios pela organização e solução de problemas. Ao que lhe cabia, não há queixa alguma. Um trabalho muito bem executado pela equipe comandada por Rodolpho Siqueira — tirando, claro, o macarrão sem sal e o suco em pó.

A Indy no Anhembi continua muito acessível — e por isso é bom cobri-la. Não há privilégios para este ou aquele — isso só parte por iniciativa de alguns pilotos com determinados veículos de comunicação ou seus, hã, empregados. Há algumas coisas, no entanto, a serem revistas: 1) no primeiro dia do evento, os repórteres Felipe Giacomelli e João Paulo Borgonove e o fotógrafo Rodrigo Berton estavam na reta da Marginal para dar uma volta na pista e registrar o andamento do trabalhos quando foram abordados por dois homens, em um carrinho com o logo da Amil — recusaram-se a se identificar, disseram que eram “sequestradores”, e, da mesma forma, dois dos nossos o fizeram, quando solicitados a tal. Os dois questionaram a presença dos três alegando que “lugar de jornalista é na sala de imprensa” e ameaçaram até a tomar a cartão das fotos tiradas por Berton. Num ambiente de certa animosidade, os três membros do Grande Prêmio saíram de lá; 2) havia muita gente que não era jornalista no espaço que representaria o paddock no Anhembi. Isso dificulta a vida de todo mundo, sobretudo das próprias equipes e pilotos. É compreensível que a categoria tenha uma natureza muito mais humana e próxima dos fãs do que a F1, mas era gente demais em horas não apropriadas. No que se refere à questão do trabalho jornalístico, como diria a senhora presidenta, uma criação de uma zona mista ou a sugestão de horários previamente determinados poderia ajudar. Mas ressalto que não houve sobressaltos para entrevistar ou conversar com quem quer que fosse.

Não choveu ontem durante a prova, o que é um alento para os organizadores — prefeitura e TV Bandeirantes. Mas se estivesse caindo a água desta segunda-feira, não hesito em dizer que haveria problemas, mesmo com todos os quase 5 milhões de dilmas investidos. A drenagem ainda é uma questão crônica, tanto que ninguém ousou garantir a realização da corrida em pista molhada. De qualquer forma, houve uma corrida. Não foi a melhor do mundo, mas esteve longe também de ser sem emoção, como andei lendo em manchetes por aí — é que é difícil agradar quem vai lá para cobrir apenas e tão-somente uma única pessoa. Will Power não deixou que houvesse uma disputa. Porque o cara é o melhor de todos em pista mista. É simples, ué. E aí surge a péssima velha mania de se transformar quem é bom em inimigo da nação, como se todos que ali estivessem ou acompanhassem pela transmissão fossem obrigados a torcer para um brasileiro, com muito orgulho, com muito amor. O pobre coitado do Power não entendia as vaias que lhe eram aplicadas, e aquele povo antes era convocado a entoar um Ru-binhô, Rubi-nhô até por repórteres, que deixavam sua função meramente informativa — nem isso às vezes — para se tornarem macacas de arquibancada. E vai ser sempre assim enquanto a TV for copromotora do evento: ausência de isenção — e de noção. Mas que a Band pelo menos não faça um comercial no ano que vem no mesmo molde do que fizeram na Stock Car, com os pilotos rotulados com adjetivos não muito bons, dando declarações olhando para a câmera de que estão atrás de Power, na condição de grande campeão.

A Bandeirantes, por exemplo, poderia se preocupar em fazer uma melhor transmissão da corrida, a pior que vi desde o GP da Malásia de F1 de 1999. Disputas eram cortadas para se passar a imagem da Marginal ou da reta dos boxes com os patrocinadores aparecendo no telão. Para ela, ótimo que a SP Indy 300 by cerveja que não abre no pódio e chocolate tenha registrado 6 pontos no Ibope, com pico de 8. É isso que será, no fim, avaliado pela cúpula.

Por fim, resta dizer que são quatro dias intensos, cansativos, mas que são recompensadores. Como disse acima, e sempre digo, cobrir a Indy é mais legal que a F1. Ainda mais com uma equipe com Evelyn Guimarães, Bruno Terena, os supracitados e, às vezes, Flavio Gomes. É sempre bom fazer parte de um time que entende do riscado e que sabe do que escreve/fala/ clica. Tal qual este clique aí embaixo, tirado pelo Berton e randomicamente escolhido aqui…

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Wet’n'Indy, 3

ANHEMBI | Giorno. E molhado. Muito molhado. A corrida da Indy nasceu, mesmo, para ser disputada sob chuva intensa no Anhembi. Não adianta a patuleia que organiza a parada toda rezar e torcer contra. Com o aguaceiro que tem vindo, difícil imaginar que não haverá problemas no sábado e no domingo. Enfim.

Vamos a algumas infos colhidas da base aqui no sambódromo & adjacências: a direção da Indy solicitou que fossem enviadas fotos, vídeos e relatórios daqui para a China. Segundo a avaliação da categoria, a organização da corrida preparada é exemplar fora dos Estados Unidos e deve servir de base para que a primeira corrida no país asiático, nas ruas de Qingdao, seja realizada.

Uma das tarefas das quais Helio Castroneves estava incumbido de participar ontem era a de levar seus companheiros Will Power e Ryan Briscoe à famosa rua 25 de Março. A ideia era levar os australianos para fazer compras para o Dia das Mães. No entanto, a chuva intensa na capital paulistana interferiu os planos do grupo da Penske.

A velhusca pauta do primeiro motor ligado teve em Bia Figueiredo suas atenções. Aconteceu por volta das 10h20 de hoje. A pilota brasileira tem sua primeira chance de duas, pelo menos, correndo pela Andretti.

E esta é Evelyn Guimarães, produzindo para não ser demitida.

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Wet’n'Indy, 2

ANHEMBI | São 12, e uma vai ser eleita.

É só isso que digo. Vejam. Votem.

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Wet’n'Indy

ANHEMBI | Ah, é sempre aquela alegria vir aqui do ladicasa para acompanhar a Indy às margens do Tietê. E é sério. Cobrir a categoria, do ponto de vista jornalístico, é mais agradável do que aquele ambiente sisudo e fechadão da F1. E a máquina de café é mais moderna e variada, como se nota nesta bela foto merchan.

Estou ao lado de Felipe Giacomelli e Rodrigo Berton para a cobertura do Grande Prêmio, que vai contar também com Flavio Gomes — o menor membro da turma, disparado, portanto o menos gabaritado para o noticiário, segundo reportagem de uma revista de pouca relevância —, Evelyn Guimarães, João Paulo Borgonove e Bruno Terena.

A previsão do tempo preocupa, com tempestades vindo da região Sul, onde chove torrencialmente desde ontem. Assim sendo, a chance de que a cobertura seja de cinco dias é grande. Colocaram umas canaletas lá na Marginal, foi o que fizeram para escoar melhor a água que vier lá de cima.

Ou seja, a notícia é: para solucionar alagamento, Indy transforma Marginal em pista de boliche.

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Quem canta o Hino

SÃO PAULO | Surtiu resultado aquela pesquisa que foi feita pela Andrea Leite/Dea Indy neste imenso fórum da alta mídia social (mentira) a respeito de quem deveria cantar o Hino Nacional da SP Indy 300 sponsored by cerveja e chocolate.

O maestro João Carlos Martins é quem vai reger o canto brasileiro. Luísa Possi, filha de Zizi ‘Per Amore’, o americano.

O Pica-Pau agradece.

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Costadazaga

SÃO PAULO | Notinha rápida: depois da narração ‘in loco’ em São Petersburgo, dos nem 10 minutos de compacto no fim da noite do Alabama e da meia corrida ao vivo na semana passada em Long Beach, Téo José vai ter de passar o microfone na SP Indy 300 no Anhembi. A Bandeirantes escalou Luciano do Valle para a transmissão.

Téo vai apenas ficar como âncora durante o fim de semana e depois narrar uma das semifinais do Paulistão. Assim, o domingo deixa de ter costadazaga para Bryan Riscoe.

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Satisfaction

SÃO PAULO | A edição 96 da Indy 500 terá uma atração diferenciada, digamos assim. A organização vai ter uma manhã de domingo musical, o Snake Pit, e se estava acostumada a convocar bandas de rock para tocar na semana do evento, a organização da principal prova do mundo vai numa pegada mais eletrônica.

O italiano Benny Benassi é quem será o protagonista do evento, iniciando suas atividades techno a partir das 8 da manhã. Benassi ganhou o mundo no fim dos anos 90/começo dos 2000, com os hits ‘Satisfaction’ e ‘No Matter What Do You Do’. E tem obras mais ousadas como a ‘Who’s Your Daddy’…

Acho que eu vou querer ir de novo.

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A corrida do imposto

SÃO PAULO | Não deve ter sido privilégio só meu ter recebido o não muito aprazível carnê de pagamento do IPTU com uma foto de uma corrida porque as pessoas responsáveis por tal mal devem saber que milito no jornalismo desta área há alguns anos. Assim, os moradores desta não muito sossegada cidade de São Paulo devem ter visto em suas caixas de correio o mesmo papel de cobrança.

É uma foto singela, puxa vida, que quebra os padrões normais, burocráticos e frios. Há uma cor naquele papel, como se fosse um alento para quem paga o imposto da sua casa, própria ou não.

Mas não é bem isso, a gente sabe bem, a foto que ali está é uma promoção da corrida que vai acontecer ainda neste mês, no fim do mês, a corrida da Indy, a corrida no Anhembi, a corrida às margens do Tietê. Dia 29 de abril, como bem indica a data da foto.

Por promoção, entendo que a prefeitura paulistana esteja fazendo uma propaganda em seu carnê de IPTU a seus habitantes da etapa que vai correalizar (que palavra horrível) com a TV Bandeirantes. Mas noto, com certa rapidez, que a foto não me remete bem à Marginal ou à Olavo Fontoura ou à reta do sambódromo.

Reparo a reta principal, a curva de um circuito oval, o povo ali atrás na arquibancadas, o alambrado à esquerda, o muro dos boxes e os integrantes das equipes com as placas, a linha de tijolinhos e posso concluir, com quase certeza, que é Indianápolis.

Considerando que seja em Indianápolis, posso ainda ter algumas dúvidas, noto que a foto parece ter Helio Castroneves ali à esquerda, com Vitor Meira logo atrás, isso está claro. Meira correndo na Panther. E tem um carrinho verde ali atrás que posso garantir ser Tony Kanaan. Na Andretti. Posso assentir que a foto é de 2008 ou 2009, e imagino que são tempos difíceis, estes, para se buscar uma imagem ligeiramente mais recente da corrida.

Entendo que a prefeitura deste douto prefeito no qual não votei precise angariar cada vez mais dinheiro, até porque já criou muitas proibições com as quais tenta lucrar, mas, puxa vida, cobrar-me IPTU de Indianápolis talvez seja um exagero. É bem verdade que estive três vezes lá, mas não julgo que seja motivo para me sobretaxar do uso do hotel e das dependências do famoso autódromo localizado em town of Speedway, Indiana, USA.

Se insistirem, talvez eu considere propaganda enganosa o que eles tentam me vender no carnê e tome a terrível medida de ir ao Reclame Aqui.

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A ação da TV

SÃO PAULO | Duas informações que ouvi ali e acolá, que não vão mudar o rumo do mundo, mas que só entram a título de curiosidade e envolvem a TV Bandeirantes.

1) Tão logo viu que Barrichello se animou com seu primeiro teste na Indy, os executivos da emissora paulista chamaram o piloto para uma reunião a fim de convencê-lo a correr na Indy. Tiveram papel salutar, pois, na decisão do brasileiro, que se tornou o xodó da TV.

2) Sim, a Bandeirantes só transmitiu a corrida de São Petersburgo até o fim porque era Castroneves quem estava na liderança — apesar de a área de vídeos do site da emissora apontar que a vitória foi de Kanaan. A ordem é a seguinte, quando conflitar com o futebol: só passar se brasileiro estiver na ponta. Ou seja…

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Quem canta o Hino?

SÃO PAULO | A ordem veio rápida e rasteira da Andréa Leite, mulher influente no mundo da Indy. Algo meio assim: “Pergunta naquela merda de blog o que acham.” Respondi, fino, com um “sim, minha ama e senhoura”.

Gostaria, mui encarecidamente, de questionar aos gloriosos leitores de suas opções musicais a respeito do cântico do Hino Nacional Brasileiro antecedendo a etapa às margens do Tietê. Gostaria de lembrar, caso seja necessário, que devem evitar galhofas (mentira), pois já as tivemos no ano passado com o juvenil Luan Santana.

Gratos por sua atenção.

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Não perde (mais)

SÃO PAULO | O prato vai estar bem cheio nesta semana para quem gosta de automobilismo. Mais F1, de madrugada, com a corrida da Malásia, e o começo da Indy, na temporada mais esperada dos últimos tempos. É ver se a McLaren é a nova grande força e a estreia de Barrichello em terras americanas.

A TV Bandeirantes vai tratar o evento com dedicada atenção. Como no ano passado, vai mandar sua equipe ‘in loco’ para a narração da corrida na São Petersburgo da Flórida. E não vai ter Bryan Riscoe, Takumo Sato ou Simona di Silvestre: é Téo José quem vai comandar a transmissão, e por isso deve estar vertendo uma cerveja. Sem álcool, claro. O jornalista viaja na próxima quinta-feira com o comentarista Felipe Giaffone — e, portanto, não vai fazer pela rádio Jovem Pan a etapa F1zística em Sepang.

No ano passado, Luciano do Valle é quem estava responsável pelas principais transmissões da emissora paulistana. Problemas de saúde — que não se iniciaram recentemente — afastaram o locutor dos microfones há cerca de dois meses.

A corrida em St. Pete tem início marcado para as 13h30 (de Brasília) do domingo. Gostaram?

Adendo 1: o Tiago Souza, do ótimo TV a Ver, disse que a audiência da corrida da F1 na Austrália rendeu 6 pontos à Globo no Ibope. Pouco, hein?

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Bia e a Andretti

SÃO PAULO | Em meio ao horário do futebol, Libertadores e Copa do Brasil, uma notícia de última hora: Bia Figueiredo, que esteve hoje na Flórida de macacão e tudo tirando fotos e participando do dia da imprensa da Indy, vai participar dos treinos de amanhã.

A pilota vai treinar com um carro da Andretti, mais especificamente o de James Hinchcliffe. Será a primeira vez de Ana Beatriz em uma equipe diferente da Dreyer & Reinbold, atual Lotus DRR. E já se fala que a brasileira, patrocinada pela Ipiranga, está garantida em pelo menos duas corridas no ano: a do Anhembi e as 500 Milhas de Indianápolis.

A temporada 2012 da Indy tem apenas três brasileiros confirmados: Tony Kanaan, Helio Castroneves e Rubens Barrichello. Vitor Meira deixou a categoria para correr na Stock Car. Raphael Matos e Bruno Junqueira ainda rondam o campeonato.

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O que será que será

SÃO PAULO | Anúncio divulgado nos grandes jornais hoje.

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O caminho a seguir

SÃO PAULO | Habemus anuncium, e lá no WTC de São Paulo, a fumaça indicou o que todo mundo já sabia: Barrichello se torna o novo astro da Indy e a maior aquisição da categoria em 19 anos — curiosamente o espaço de tempo que ele ficou na F1 —, tal como a menina dos olhos da TV Bandeirantes.

E se faz válido analisar estas três peças.

Barrichello primeiro, claro. É um bem danado a Rubens no âmbito esportivo. É curioso ver que ele será um estreante no ano em que completa 40. Mais ainda, que ele será o mais velho de todos — Davey Hamilton e Paul Tracy não devem fazer a temporada toda. Um novato decano. Coisas da vida. Enfim, Barrichello tem tanto sua mente e seu físico voltados às corridas que seria impossível vê-lo tirar um ano sabático, que certamente o deixaria cômodo demais para que tentasse uma volta em 2013. Sua irmandade com Kanaan o levou a topar o desafio de guiar o carro. Sua qualidade o fez mandar bem nos testes. Seu peso chamou patrocínio. Sua obstinação dobrou o veto e o muxoxo da mulher Silvana. Com tudo conspirando a favor, não havia como não chegar a um acordo com Jimmy Vasser, que veio ao Brasil para participar da coletiva.

Curiosamente, Barrichello acaba por apagar sua saída sombria da F1 sem aquela despedida digna que (se) merecia. Porque ele justamente vai para a Indy como o grande nome, em substituição a Danica Patrick. Rubens vem também no momento mais propício possível, em que a Indy abandona suas carcaças velhas da Dallara para pegar chassis novinhos em folha, numa KV crescente com motores confiáveis da Chevrolet — que volta pelas mãos da Ilmor, preparadora dos antigos Honda — e com apoio irrestrito, esportivo e técnico, de Kanaan. Assim, não é viajar muito pensar que Barrichello alcance o mesmo êxito de Mansell em 1993. Cai no clichê do difícil, mas não impossível.

À Indy, nada melhor. Para quem quis transformar Wheldon em um super astro numa prova e o viu sair dela morto, a presença de Barrichello é uma ressurreição ideal. Mesmo de longe, observa-se entre os americanos uma certa euforia. É como se a série que havia rachado depois de 1995, cambaleado até 2008 com a fusão com a Champ Car e ainda não se achado apropriadamente até então, com mudanças em seu comando e decisões dúbias durante as corridas, tivesse enfim um valor. Os planetas parecem devidamente alinhados numa temporada mais curta do que o convencional. Se for válida, excelente.

E tem a Bandeirantes. O grupo de comunicação omitiu de seu público, em todas as suas mídias, a informação que já tinha há algum tempo, completa — a que todos já sabem. Tem quem não veja problema nisso. Pena. Se um dos pilares do jornalismo é o furo, a emissora do Morumbi preferiu embalar a notícia de Barrichello em um mega evento, com transmissão ao vivo por rádio e TV, nos moldes que a Globo fez na F1 com Senna e a Williams. Aliás, as TVs no Brasil geralmente são parceiras de eventos esportivos, e como um membro da Bandeirantes disse em off, não conseguem achar uma forma de coexistir com uma independência editorial. Daí a ausência de críticas. É por isso que, enquanto aliada de prefeitura paulistana e governo paulista, a Band se presta a até deturpar a realidade nos vários defeitos e problemas apresentados nas corridas realizadas no Anhembi. “Espaço para bom jornalismo mesmo é cada vez menor e, pior, cada vez mais controlado e dirigido. Somos ilhas nesse mundo”, sintetizou o mesmo funcionário da casa.

Resumidamente, o interesse comercial atropela o jornalismo. Assim, ter Barrichello no ‘elenco’ é uma dádiva. A Bandeirantes agora sabe que detém na mão um grande produto de audiência. Rubens, mal ou bem, é centro das atenções. Não à toa que a emissora deixou de prontidão todas as suas equipes e deu um tom até de que foi grande auxiliar no acordo do piloto com a KV. Teve até um “parabéns em nome de todo grupo Bandeirantes de comunicação” ao vivo no meio da coletiva. Isso já denota o que devem ser as transmissões neste ano: Barrichello belo e divino, o melhor brasileiro de todos os tempos do automobilismo, o mais perfeito, o mais bem sucedido, o mais carismático, o mais mais.

E aí, Barrichello vai ser tão bem tratado, por assim dizer, quanto era em seus tempos de Globo. Se era alvo do ‘Casseta’ lá, vai se tornar astro do ‘CQC’ e do ‘Pânico’ — só que será blindado de início até porque a Bandeirantes deve determinar que não ousem falar mal dele. Se havia um desejo e uma esperança em não ver aquele Rubinho do Brasil-sil-sil manipulado e reclamão, há controvérsias. E se Rubens tirou uma lição do que passou na F1, seria de bom grado que não mergulhasse nos mimos e regalos que a Band vai ofertá-lo.

Seria bom que Rubens, neste renascer da carreira, já caminhasse por si só.

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