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1 de novembro de 2011 - 16:55A várzea de rodas, Automobilismo brasileiro, Brasileiro de Marcas, Stock Car

A várzea de rodas, 5

SÃO PAULO | Valho-me desta ênclise e dos comunicados de imprensa dos caros Bruno Império e Rodrigo França para mais uma saga made in Brazil, na novela do automobilismo, ‘A várzea de rodas’. O fundo musical está no trecho “isso aqui, ô, ô…”

A primeira nota, imperial, data do domingo, horas depois das realização da última etapa do Trofeo Linea. A segunda, francesa, chegou hoje ao e-mail e se refere à Copa Montana, que termina no vindouro fim de semana. Em comum, ambas no Velopark e um fim sem fim.

Primeiro release:

Com vitórias de André Bragantini e Cesinha Bonilha neste domingo, a rodada dupla do Velopark encerrou a temporada 2011 do Trofeo Linea. Mas as disputas na categoria que reúne os modelos da Fiat ainda não terminaram. Apesar de o campeão já estar definido – Cacá Bueno consumou o bicampeonato na penúltima etapa do calendário – a disputa pelo vice ainda está aberta, já que um recurso judicial pode anular a polêmica penalização sofrida por Allam Khodair em Londrina. O piloto da equipe Greco/Sinal havia vencido a prova no norte do Paraná.

Hoje, a tabela de classificação do Trofeo Linea mostra Popó Bueno em segundo com 74 pontos. Khodair, que conquistou dois quintos lugares neste domingo, aparece em quinto com 71. Caso o recurso seja julgado procedente, o piloto reaveria 15 pontos e levaria o vice-campeonato. André Bragantini, companheiro de Khodair na equipe Greco/Sinal e igualmente penalizado na etapa de Londrina, adicionaria mais 12 pontos em seu resultado final e subiria da quinta para a terceira colocação.

O resultado do recurso deve sair nas próximas semanas. Khodair e Bragantini foram desclassificados pela ausência de uma arruela que comprovadamente não influencia em nada no desempenho do carro.

Segundo release:

A Copa Montana chega ao Velopark para a última etapa do ano com o seu resultado oficial sub-júdice. Isso porque o piloto Galid Osman, o primeiro a cruzar a linha de chegada da corrida de Brasília, há duas semanas, recorreu de uma polêmica punição que lhe tirou a vitória no Distrito Federal. O recurso não deve ser julgado antes da prova, marcada para este domingo.

Galid foi penalizado por conta de uma disputa de posição com Rafael Daniel e teve 20 segundos acrescidos ao seu tempo final de prova. Desta maneira, acabou na sétima posição. Hoje, ele está no quarto lugar da tabela. Mas, com os 25 pontos da vitória, seria o terceiro e brigaria pelo título. Para ser o campeão, Galid precisa vencer a corrida e torcer contra Leandro Romera e Rafael Daniel.

Campeonatos nacionais, Linea e Montana podem ser considerados segundo e terceiro, terceiro e quarto, que seja, em termos de importância entre as categorias de turismo. Um acabou e outro vai acabar sem que as posições finais sejam efetivamente conhecidas, o popular termo em latim sub judice.

Digamos que o STJD da CBA não tenha lá muita rapidez para julgar recursos e afins. Tampouco frequência. As reuniões são escassas, e vez ou outra há quem faça por muito prolongá-las por dias. Uma rápida ida ao site da entidade supracitada não traz com muita eficácia sequer resultados dos processos ou mesmo editais, como bem se pode ver aqui. Tive o cuidado de abrir o link anterior no Chrome para que não culpem, por exemplo, o IE. As desculpas sempre são muitas nesta rede mundial. Nos comunicados, nem Bruno nem Rodrigo citam datas — simplesmente porque inexistem.

A CBA e seu STJD não conseguiram sequer devolver os 30 pontos de punição dados a Felipe Maluhy da primeira etapa da temporada da Stock Car por o piloto ter terminado com quantidade inferior de combustível determinado pelo regulamento, mesmo com todos os pilotos da categoria unidos pedindo. A absoluta inércia da entidade e de seu órgão que deveria acelerar as ações tem provocado todos os anos casos de campeonatos que levam asteriscos e cheiram a tapetões. À CBA, parece bonito ter mais um item que ateste sua nulidade, como esconder casos positivos de doping ou impedir que empresas participem de seus campeonatos. À CBA, vale encher seu peito de pombo para se impor e soltar ao vento que haverá incentivos à base e enganar uma meia dúzia aí que gosta de alimentar este pombo que não é da paz e gosta de uma guerra.

Ninguém precisa pegar uma arma e atirar no pombo que voa e viaja sem direção alguma. O pombo já tem se dado esse tiro há algum tempo. Sua morte ainda está sub judice. Um dia, enfim, o último respiro vai se fazer vida.

8 comentários

  1. Pedro Branco disse:

    Não entendi a desclassificação “polemica” no caso do Khodair e do Bragantini em Londrina.
    O que diz o regulamento? A arruela é opcional?
    Desta vez tenho que concordar com a CBA. Imagino que esta mesma peça estava presente nos outros carros vistoriados, não?
    Abç a todos

  2. Claudio disse:

    Fazendo jus à fama de chato que me atribuem, mais uma vez eu pergunto: Cadê os pilotos ? Qual deles se manifesta a respeito ? Qual deles tem um fio de cabelo de preocupação de botar ordem nesse chiqueiro ?

  3. Flavio Tozzo Junior disse:

    É impressionante como mesmo assim o automobilismo brasileiro consegue crescer (a duras penas mais consegue).

    No entanto é desanimador ver a maior parte desse potencial disperdiçado pela ganância (que muito se diferencia da ambição), corrupção e incompetência (até mesmo para ser corrupto) da CBA e suas filhadas espalhadas pelo Brasil à fora. Bem como por empresas como a VICAR, que pretende monopolizar o automobilismo brasileiro da forma mais ridícula possível, e as próprias emissoras de TV que transmitem (a largada) dos eventos ou a reprise no canal fechado segunda-feira às 03h00min da madrugada.
    O pior é que essa novela, a várzea de rodas, pode reservar capítulos ainda mais absurdos que construção de chicanes invertidas e superfaturadas, sumiço de exames anti doping, festas milhonárias no Rio e recursos que nunca são julgados.

  4. Ailton Lopez Moreira disse:

    Hummm, mas eu recebi um release no domingo, por sinal depois do citado acima, cujo título é: “Popó Bueno garante vice e temporada “perfeita” para equipe Itaú no Linea”. Acabou ou não, garantiu ou não?

  5. Marcão disse:

    De novo a CBA!!
    Desculpem a expressão!! Bem sem vergonha e maloqueira!
    Então!! Só pra entrar com recurso o piloto reclamante é obrigado a pagar uma “taxa” bem riquinha, na hora da reclamação, se não pagar não tem dirteito de reclamar nada..
    Ai com o dinheiro em caixa que deve ter um uso muito apreciavel pelos senhores CBAnos, devem ter sim a obrigação de demorar e depois demorar mais ainda pra dar o resultado da decisão.. Pois o Din dim já foi gasto no mínimo com um jantarsinho..
    Mas o que fazem com o dinheiro um dia vão ter que responder por ele, afinal não é deles, é só um depósito, tem que devolver no final, pelo menos eu acho que é assim.. Se bem que em se tratando de CBA tudo é possível…
    Pra fazer festinha de arromba, pra viajar pra lá e pra cá são rápidos pra caramba, agora pra fazer o trabalho são umas leeessssmmmassssss daquelas…
    A pergunta é até quando que teremos que aturar essa máfia que está devastando com o autromobilsmo nacional???
    Esse ano onde se meteram fizeram cagadas, não acertaram uma. Ou melhor acertaram todas, estiveram na mídia especialisada o tempo todo, recebendo os comentários desaboandores de sempre…Eu acho que esses que a comandam hoje são totalmente descerebrados, não entendem o que o povo escreve, são cara de pau pra caramba, e ainda são verdadeiros mágicos financeiros, somem com a grana num estalar de dedos…
    É isso o que a CBA representa hoje no Brasil, bagunça, desmando, desorganização, falta de engajamento para com o esporte que a sustenta, e safadeza, mas muita..
    E ainda vamos ver muita coisa até o GP BR de F-1 desse povo, que fez do uniforme da CBA, antes respeitado, uma roupa de palhaços de circo….
    E para os que fazem o trabalho com honestidade acabam ficando envergonhados de a usarem…

    • Nando Sato disse:

      Fala Marcão! Meu amigo, o din din da reclamação só é devolvido (sem correção) no caso do piloto reclamante ganhar a “ação”. Se perder… Tchauuu Tchauuu. Vai para os cofres de algum bom restaurante em Porto Alegre ou Recife!!!
      Alias esse din din já é bem grande para inibir as reclamações!

  6. Até o release tem uma pequena incorreção. Supostamente Popó é o vice com 74 pontos, enquanto Giuliano Losacco tem 73. Allam Khodair seria quarto com 71 e não quinto. O quinto é André Bragantini Jr., com 70.
    Recurso aceito, Khodair passa para vice com 86 pontos e Bragantini para terceiro, com 82, salvo engano.
    Abraços!

    • Bruno Império disse:

      Isso mesmo Rodrigo. Mas as suas contas são corretas e exatamente iguais as que fiz. A diferença é essa mesmo, Khodair, hoje, seria quarto. E não quinto.

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