A chegada da Forza Rossa

SÃO PAULO | A uma sequência de fatos: na quinta-feira, o Conselho Mundial da FIA tava pra lá de Marrakech e saiu ditando regras e afins sobre todas as categorias. Na F1, além de confirmar que aceitou a Haas como nova equipe para 2015, disse que iria ‘investigar’ a inscrição de uma tal Forza Rossa, da Romênia. Na sexta, os rumores de que algo estava acontecendo nos bastidores da Ferrari começaram a eclodir, e em uma participação num evento que inaugurava o museu do time, Luca di Montezemolo soltou suas frases de efeito aqui e ali, falou em fé e que faria as mudanças que julgasse necessário para que a crise não batesse à janela.

Hoje me soltam o comunicado dizendo que Domenicali pulou da janela. Uma clara brincadeira com a nossa inteligência, que não cita o pé que o defenestrou.

Devidamente saído, o comando de Maranello substitui Domenicali com um tal Marco Mattiacci, prazer, que vem a ser CEO da Ferrari Norte América. Um cara que está lá do outro lado do mundo provavelmente desligado do mundo da F1 e que, se estiver alguma noção esportiva, só acompanha os carros italianos na United SportsCar – onde corre Fisichella. Mattiacci, sem linhas tortas, está preocupado em vender superesportivos aos caras lá. Assim, é uma nova clara brincadeira, não com a nossa inteligência, no caso.

Voltando ali em cima: a Forza Rossa, numa rápida pesquisa, é uma representante oficial da Ferrari em Bucareste e grande região. Guardadas as proporções, é a Ferrari da América do Norte naquela região do leste europeu. O que Montezemolo fez oficialmente foi algo como trazer a Forza Rossa para a F1 para ver no que dá, tipo uma equipe satélite à qual se oferece todos os recursos. Após três etapas e poucos pontos, a Ferrari abre mão do campeonato deste ano com uma tendência enorme de agravar seus problemas: existe um Alonso ali que não vai aceitar ser apenas um cliente de luxo, premiado com test-drives em várias partes do mundo.

Alonso teve de aguentar a vendetta de Montezemolo no ano passado depois que pediu para seu empresário ciscar no terreno da Red Bull. Com um carro capenga e uma gestão perdida – e um sangue latino –, vai fazer da vida do chefe um dantesco inferno até se refestelar. Negociar uma volta à McLaren, agora, será um prazer explícito ao espanhol, o único que deve ter neste resto de temporada com a ‘outra’ Rossa.

Tags: , , , | 20 comentários

Formato e sentimento duplos

SÃO PAULO | A Stock Car estreou hoje em Santa Cruz do Sul seu novo formato ‘duplicado’, com uma bateria maior de 40 minutos, um curto de intervalo de 20 e uma nova bateria, d’outros 20. Pego três opiniões de quem lá esteve para uma análise. Cacá, depois da primeira corrida: “O importante não é vencer”; Serrinha, após a segunda: “Foi bom, mas foi ruim”. Jimenez, no pódio: “Frustrado, mas feliz”.

Se os pilotos estão com um sentimento dicotômico, quem acompanhou as corridas de fora também pode estar tranquilamente, sem remorso. A segunda prova, que teve Pizzonia vencendo na arrancada final após a última curva, foi brilhante e tal. Mas o formato geral precisa de uns bons ajustes para ficar decente.

O cenário atual praticamente impede que o piloto se dê bem nas duas provas. Quer coisa mais antagônica que isso, um piloto quase não poder lutar pela vitória? Alguma delas tem de ser privilegiada. Por exemplo: a equipe de Valdeno o pôs para ganhar a primeira, e a segunda que se lasque – teria de parar, reabastecer, fazer a novena e rezar. 24 pontos no bolso. Cacá até poderia ter conseguido coisa melhor na segunda, depois de terminar a primeira em terceiro. Ainda assim, saiu do fim de semana com um ponto a mais que o vencedor Brito.

O intervalo de 20 minutos não deixa que os três primeiros sequer respirem. Porque eles têm de estacionar o carro na posição de largada para a próxima, descem, vão para o pódio, comemoram discretamente e, pior, abrem a champanhe sem poder bebê-la ou espirrá-la nos adversários para não ficarem melados e com cheiro de nhaca véia.

Ainda, o tempo é curtíssimo para que os comissários analisem eventuais erros que comprometam decisivamente a segunda corrida e seu grid. Por exemplo: digamos que um transponder não pode falhar da forma que aconteceu com Khodair, que cruzou em décimo lugar, mas não largaria na pole da segunda prova pelo erro. É algo que se torna mais fácil com as câmeras porque ficou óbvio que Pizzonia cruzou atrás do adversário.

Ainda, é injusto com quem não terminou a primeira corrida não poder largar na segunda. Não há muito sentido privá-los de uma prova em que já teriam desvantagem clara por terem de começar no fundo do pelotão. Se o carro tiver condições, que se deixe participar e recuperar o que não puderam conquistar na primeira corrida.

Havia pensado, de início, que jogar a corrida 1 para o sábado poderia ser uma alternativa, mas, principalmente, deixaria o domingo absolutamente esvaziado. Já que a Vicar toma conta de uma série de categorias, seria mais fácil encaixar uma ali no meio – a F3, por exemplo –, antecipando um pouco o horário da primeira prova da Stock Car – 9h30 ou 10h, deixando a segunda para 11h30. Se não quiser mudar as regras de pneus e reabastecimento, que se pense em uma espécie de ‘Parque Fechado’ e impeça que os mecânicos toquem nos carros – só liberando para os que não terminaram.

Uma outra coisa, no que se refere, como diria a presidenta, a questão dos pits – e aí não é culpa da categoria: os autódromos brasileiros, em sua maioria, não nasceram para proporcionar o maior dos espaços às equipes. Sempre há problemas nas trocas porque as imperfeições são muito maiores, quando comparadas às dos campeonatos principais. Ter dois itens que definem as corridas nos boxes, pois, é problemático: ora se troca um pneu, ora se troca três – não vou entender muito uma troca de pneus em número ímpar; ora se reabastece com um tanque, ora coloca dois.

A Stock Car tem tido provas bem bacanas com pilotos do mais alto gabarito. Estudar alguns pontos quando implanta novas regras e mudá-los não é demérito. Se permitir aos pilotos que lutem para ganhar ambas as corridas e diminuir esse sentimento maniqueísta típico da personagem de Sexy Indecisa, do ótimo Tá no ar: a TV na TV, já é um grandíssimo passo.

Tags: , , , | 5 comentários

As imagens que ninguém vai ver

SÃO PAULO | Assisti há pouco ao Conexão Repórter, do SBT, que retrata os 20 anos da morte de Senna contados por Roberto Cabrini, o jornalista que informou ao Brasil a notícia da fatalidade, à época pela Globo. O documentário traz um ótimo apanhado do que foi aquele fim de semana, com entrevistas interessantes com gente do corpo médico que atendeu o brasileiro, com a família, a ex-mulher e Adriane Galisteu, além de trazer a intimidade que o repórter e o piloto tinham entre si — algo não forçado e que delineava respeito mútuo.

A parte que mais me prendeu se encontra da metade para a frente do programa. Cabrini comenta, citando várias fontes da F1, que há imagens pós-acidente da câmera on-board do carro de Senna, contrariando o que Ecclestone lhe disse na sequência da morte — de que a câmera havia sido desligada para filmar Schumacher.

Obviamente, um corte na transmissão não invalida as imagens que estão sendo registradas pelas demais. É como dizer que as câmeras só captam o momento exato que vai ao ar, invalidando o resto. Do contrário, não existiria replay ou demais ângulos de qualquer ultrapassagem, largada, etc.

O que se pensou por um bom tempo é que o impacto do acidente de Senna a 230 km/h no muro da Tamburello havia destruído o aparato. Não.

Sobre o fato, uma informação, corroborando o que Cabrini trouxe: no fim do ano passado, a P&G veiculou um comercial que mostra Senna contornando o S em Interlagos durante cerca de 7s para promover seu exclusivo e perene aparelho de barbear — a campanha, por sinal, foi feita com antecedência à data do 1º de maio a pedido da família. Para a composição do reclame, solicitaram à FOM o acesso às imagens de Ayrton como um todo. Foi neste contexto que se soube que há uma continuidade na transmissão. A Formula One Management, no entanto, não permitiu que ninguém a visse.

Muito provavelmente, a FOM nunca vai liberá-las. As cenas devem ser fortes demais. E talvez seja bem melhor assim.

Adendo 1: a FOM, a mesma, já retirou do YouTube o documentário…

Tags: , , | 50 comentários

Pelo direito de comer

SÃO PAULO | É bem sabido que vivemos tempos de súper e auto-exposição o tempo todo pelas diversas redes sociais que nos são oferecidas. ‘Selfies’ viraram temas de longas reportagens nos mais importantes veículos — também denotando a falta de critérios e ideias jornalísticas, mas é papo pr’outra hora — e fotos e frases passaram a ser usadas como notícias e verdades mais do que absolutas.

Mas uma imagem no Instagram de Jean-Éric Vergne agora há pouco é simbólica, reflexiva e muito mais que uma notícia.

A princípio, imagina-se que Vergne seja o mais novo garoto-propaganda do McDonald’s ou que apenas estranhou a linguagem árabe na fachada da loja. O francês está no Bahrein e andou hoje com o carro da Toro Rosso, terminando os últimos testes coletivos em segundo. A postagem contém uma frase única, “diet is finished”, seguida do emoticon que representa alegria sincera, corroborada pelo ‘hehehe’.

Ser piloto de F1 no regulamento atual tornou-se uma tarefa árdua não só porque os pneus e combustível têm de ser controlados, bem como o peso. Se as equipes não conseguem fazer seus carros pesarem o mínimo de 692 kg, descontam nos pilotos, e aí são eles que se veem obrigados a gastar: as calorias; e é claro que os mais altos e ósseos sofrem mais.

Sutil, o mais pesado de todos, abriu a cruzada contra a categoria do regime eterno e expôs uma situação grave: a de que alguns pilotos, como ele, não estavam se hidratando durante o desgastante e quente GP da Malásia. Button, 6% de gordura para baixo, quase denota em seu semblante uma anorexia profunda. À grita, o presidente da FIA, depois de se entupir de brioches e croissants contígua à Place de la Concorde, desdenhou e disse que dieta alguma leva piloto para o hospital, escarrando sua ignorância.

Naquele fim de semana em Sepang, o comentarista Martin Brundle disse durante a transmissão da britânica Sky Sports que um piloto chegou a desmaiar durante um evento promocional de sua equipe, sem mencioná-lo. Sem a revelação confirmada por quem quer que seja, um nome havia sido especulado: o de Vergne.

Não é meramente uma questão de gula ou satisfação da saciedade, comer um pudim ou bater uma massa em um domingo sem corrida. Todt e quem quer que tenha feito o regulamento não se deram conta de que este é, sim, um item de segurança. Um piloto desidratado ou mal alimentado para se manter magro e ganhar décimos pode ter um mau súbito durante um treino ou uma corrida. Vira um perigo absurdo e insano, além de desnecessário. Mais do que a preocupação de um bom espetáculo, de uma categoria igualitária ou de um som melhor de motor, os dirigentes deveriam ouvir as vozes da maioria e aumentar este peso mínimo de modo que não sejam os protagonistas os afetados da história.

A foto de Vergne não é um ‘selfie’ nem é uma indireta, mas grita e informa: comer um nº 1 com Coca-Cola não pode se tornar um peso psicológico nem ser crime com castigo perpétuo.

Tags: , , , | 31 comentários

Bem que Sakhir, 2

SÃO PAULO | Como é bom queimar a língua e os dedos que vaticinavam que nada podia se esperar da corrida d’hoje no Bahrein. Se bem que, na verdade, ninguém cogitava que esta prova na noite das Arábias fosse tão espetacular. Eu me peguei pensando desde quando não se via algo de tamanha magnitude. Brasil 2008? Brasil 2012? Teteia pura, soltou Evelyn Guimarães na redação. Chuchu beleza, definiu Gabriel Curty. As nossas reações ao que acontecia se resumem ao conceito de ‘pure racing’ que havíamos deixado de lado desde a segunda metade da temporada passada.

Bem, tá claro que a disputa pelo título fica entre Hamilton e Rosberg. O que os dois fizeram hoje foi digno de aplausos de pé. E o abraço e a comemoração dos dois mostra que a rivalidade há de ficar na pista, por enquanto. Nico, que deveria ter feito a primeira curva na frente por sua posição de largada, acabou perdendo para o companheiro. Mas não desistiu. Atacou Lewis antes da primeira troca nos pits, que indicaram uma mudança na estratégia de ambos: o inglês de pneus amarelos com a obrigação de abrir distância para o alemão, que foi de duros para, no fim da prova, fazer a reaproximação na parada seguinte com os macios.

Mas não contavam com o safety-car e a volta de Maldonado aos seus tempos de Pica-Pau de polainas. Aliás, a falta de critério em punições mundo afora no esporte é abissal. Tomar três pontos na carteira – um a mais que o convencional – e cinco posições no grid de largada na China é muito barato; Ricciardo, que não prejudicou ninguém ao ser prejudicado pela Red Bull na Malásia, levou o dobro no grid do Bahrein.

Voltando: o cenário era ideal para Rosberg, que teria os macios, a facilidade da redução da diferença a zero e a asa móvel para partir para a vitória. Logo que o SC se foi, Hamilton começou a reportar perda de potência. Como, não sei, afinal encaixou uma sequência de voltas rápidas. Só que depois, Nico foi para cima. Duas tentativas no fim da reta principal, dois xis; na curva 4, outras duas tentativas, e Hamilton devolveu.

É ainda prematuro, óbvio, mas o que Lewis guiou hoje começa a credenciá-lo ainda mais como favorito. Hamilton é sabidamente mais piloto e tal e está guiando o fino do fino. Seu problema é ter um companheiro cerebral e que há de conseguir equilibrar as ações e endurecer a parada. Nico tem 11 de vantagem com essa Mercedes que não vai dar muita chance pras demais, não. Melhor começo de uma equipe desde 2004, com três vitórias e duas dobradinhas; naquele ano, Schumacher ganhou as três primeiras, Barrichello foi segundo em duas e quarto noutra.

A prova dos outristas também foi um espetáculo. Bottas parecia o mais credenciado ao pódio por sua posição no grid, só que falhou miseravelmente na largada, onde Massa sambou na cara da sociedade. Aí, então, o brasileiro roubava o posto do companheiro. Só que as Force India estavam, oh!, fortes. Hülkenberg veio passando meio mundo no pelotão de trás e ia colando em Pérez, que passou Felipe com o desenrolar das ações. Os indianos têm um carro mais bem equilibrado que o da Williams, é fato, e logo Hülk seguiu a toada do parça. Com ou sem SC, a briga entre os quatro pelo último lugar no pódio seria excelente. É no fim surgiu Ricciardo, esse danadão, que escalou o grid, não deu a mínima para Vettel e tinha mais condições que Pérez, mas só não tinha mais voltas – a corrida, uma hora, acaba; e que pena.

Se tem alguém que merece o pódio, é Ricciardo. Por tudo que já lhe aconteceu no ano.

Hülk, de pneus duros, também foi bravo ao segurar Vettel, muito na força do motor Mercedes. E nessa brincadeira aí, a Force India é vice-líder do campeonato. Mamma mia, here I go again, diria Renan do Couto Sem Cisto. Maior acerto do mundo, o da Force India, de trazer Hülk de volta e pegar Pérez. Não ia longe se continuasse com Sutil e Di Resta. Nico é melhor que Sergio, mas os dois casaram bem. Viva a diversidade.

Vettel também teve certo trabalho com Massa, que forçou a ultrapassagem no fim e foi empurrado para fora da pista na retinha que leva à curva 4. Aquela parte ali já era pista, amigo. Felipe até chegou a se queixar do ímpeto de Sebastian, mas tava valendo tudo, amigo. Massa também fez o mesmo com Hülk. Hoje o estado era de graça e de plenitude.

E a Ferrari, hein? Alonso cruzou a linha de chegada em nono, comemorando. O jovem é rápido nas ironias e sarcasmos. Camarada deve estar puto demais com essa tartaruga rossa. Räikkönen foi décimo e tava meio perdido. “Kimindica o caminho?”, questionou. Só sei que a cara de Montezemolo, impagável, resume.

Interessante foi ver que cinco equipes ocuparam as dez posições da pontuação. A McLaren falhou miseravelmente. Em algum lugar do mundo, Martin Whitmarsh deve estar rindo loucamente, cutucando a agulha da bunda do bonequinho de Ron Dennis que ele tem. Vodu é pra jacu.

Tudo muito lindo, que nos faz torcer pelo replay da corrida na TV, mas a questão é que, infelizmente e por enquanto, o GP do Bahrein entra como exceção. Ou será que as corridas na Austrália e na Malásia é que saíram do eixo e ficaram fora da órbita mundial? A China costuma ter provas boas e vai clarear esta resposta. Hoje, o que vale é a frase de Niki Lauda: “Quem acha esse esporte chato é um idiota”.

Tags: , , , , | 15 comentários

Bem que Sakhir

SÃO PAULO | Tinha uma personagem na ‘Escolinha do Professor Raimundo’, o Sandoval Quaresma, que era assim: respondia a todas as perguntas impecavelmente e, na hora de tirar o dez, vinha com um absurdo imenso. A nota vinha baixa, e ele respondia: “Tava indo tão bem…”. O Quaresma de hoje na F1 é Lewis Hamilton. Porque de nada adiantou o camarada andar todos os treinos livres possíveis na frente, longe de tudo e de todos. Chegou no Q3, e Nico Rosberg fez uma voltaça, 1min33s185, e tirou a invencibilidade do companheiro em classificações.

Foram quase 0s3 sobre Hamilton, que vai ter de amargar o segundo lugar no grid. Fosse o apresentador do ‘Fantástico’, viria com aquela pergunta do que isso significa, a pausa de suspense e o nada como resposta. Pior que não vale muita coisa. Só uma, vai: Lewis larga do lado emporcalhado da pista, com restos de borracha e areia. Teoricamente, Nico contorna a primeira curva na frente sem sobressaltos.

Ricciardo, coitado de novo… o cara se esmera à toa. Se bem que já se sabia que teria essa punição, mas ver o moleque largando em 13º depois de um desempenho desse, sua pole interna, é duro. Deve ser atração da corrida na recuperação. E vai se encontrar ali com Vettel, que mal foi ao Q3. Aliás, é curioso vê-lo dando entrevista com a calma que só o desespero traz. A Red Bull não tem muito a fazer a não ser comer o toco da Renault.

Quem se deu bem foi Bottas, mais rápido que Massa, que parte em terceiro e do lado limpo. E como é um cara que tem boa largada, é até capaz de pular em segundo na frente de Hamilton. É com isso que eventualmente pode contar Rosberg — por algumas voltas e contos de réis.

Pérez em quarto. É, sim, uma surpresa, embora o mexicano esteja com uma Force India muito bem acertada e conhecedora de Sakhir, vide os treinos da pré-temporada. O que é esquisito é ver Hülkenberg em 11º, também beneficiado pela agrura riccardiana. Seu tempo foi pior no Q2 que no Q1, o que indica algum problema ou mesmo erro que as câmeras não captaram. Hülk é daqueles que hão de vir no bolo da remontada com as Red Bull.

Button e Magnussen, sexto e oitavo, tão ali por estar. Não devem fazer cócegas, puro palpite. O carro é lindão à noite, mas não se vislumbra que briguem pelo pódio. O mesmo acontece com Räikkönen e Alonso — este, então, já entregou os pontos; na Espanha, já tem quem diga que começaram as negociações para um retorno à McLaren em 2015, que a Honda quer, que a equipe quer, que Ron Dennis quer. “E ele vai?”. Sei lá, mas ele talvez queira…

Massa em sétimo. Bom, a Williams está bem melhor no Bahrein, como apontavam os estudos da pré-temporada. Felipe que não foi bem, mesmo, e reconheceu que deveria ir mais rápido. A questão é que o episódio da semana passada deu um faniquito em Bottas, e o moleque vai fazer do FW36 e suas tripas coração para jogar as indiretas de que ele pode, ele consegue.

Assim, que Massa se recupere e faça igual. Senão, ai das pulgas dele.

Escolados que estamos pelas duas primeiras corridas do campeonato, que não se espere muito da prova deste domingo. Apesar da baloubetzada de hoje, Hamilton pinta como favorito, mas Rosberg tem um baita apreço pelo Bahrein. A briga pode ser boa. Bottas deve ser o outrista no pódio. E o resto que se arrume pelos pontos, incluindo as Toro Rosso.

Tags: , , | 14 comentários

Aqui se faz, aqui Sepang, 3

SÃO PAULO | A corrida na Malásia ter tido como fato principal a questão da ordem de equipe da Williams denota o que ela foi para nossas vidas. O que significa dizer, primeiro, que errei. Foi uma prova tão chata quanto a da Austrália. E também não choveu. Hamilton venceu com uma tranquilidade digna de quem se entope de suco de maracujá com camomila. E Rosberg não teve dificuldades para ser segundo e manter sua liderança no Mundial.

Vettel perdeu duas posições nas primeiras voltas – para Rosberg e Ricciardo –, mas logo recuperou a do companheiro. Desde então, o pódio foi definido. Daniel seria quarto não fosse a presepada nos boxes. Não ter trocado o pneu dianteiro esquerdo e tê-lo destarrachado fez o australiano ser empurrado de ré, perder um bico e um pneu, tomar uma punição de 10s e mais uma para a corrida do Bahrein, 10 posições no grid. Tem ele de tomar a combinação maracujá/camomila para dar uma acalmada. Não tem sido fácil, coitado.

Mais atrás, Alonso ganhou de Hülk, em estratégia diferente, a quarta colocação. Aliás, os dois têm brigado demais desde a segunda parte da temporada passada. Virou a briga mais legal da F1. Pilotaços. Alonso faz o que dá com essa Ferrari mezza-bocca e Hülk, bem… deem a ele um carro decente, como a campanha diz. O moleque tem de brigar por vitória e título. Button ficou em sexto. Foi o que sobrou a ele, que andou por andar. Quase ninguém notou.

Quer dizer, notou no fim, né, com a questão lá que a Williams resolveu arrumar – para a cabeça. Bom, ao fato inicial: Massa vinha com muito mais ação para passar Button. Teve lá sua tentativa e, na hora de armar o bote na reta principal, tomou o traçado externo em vez do interno – onde dava para ter ido. Em sequências belas de xis, Button acabou ficando à frente e Massa não mais teve chance. Foi quando se aproximou Bottas, que tinha a tal ação para passar o companheiro. Foi quando veio a mensagem de que Valtteri estava mais rápido. “Passe”, disseram ao finlandês.

Na segunda corrida pela Williams, Massa teve diante de si uma decisão na carreira. Que já havia sido tomada há quatro anos, quando ouviu a famosa e fatídica frase naquele GP da Alemanha. Desde então, se prometeu a não mais abrir quando não tivesse a menor necessidade. Evidentemente, hoje, não tinha a menor necessidade. De abrir e de ouvir aquilo. É de uma insensibilidade e, sem eufemismo, de uma burrice atroz. Era um sétimo e um oitavo lugar. E se Felipe abrisse ao companheiro, esquece, camarada: o respeito que resta ia para o saco e para a cova. Passe, o caralho, e Massa botou a bilola à mesa. “Que desbocado”. É meu jeito, dsclp.

Massa tem uma certa sina em ouvir coisas desse tipo. E já que não precisa engolir mais sapos desta natureza nessa longa estrada da vida, com essa atitude de dar de ombros e fazer a linha Katia cega, talvez parem. Bem como talvez a Williams não gostasse de escutar que o carro dela não é nem fodendo o segundo melhor do grid. Terminar a corrida a mais de 1min20s de Hamilton não é coisa para quem se diz só abaixo da Mercedes. E não tem a desculpa da pista molhada, coisa nenhuma.

Enfim, lá na Williams, o negócio não deveria nem ser a discussão que Bottas pretende ou que a equipe ainda pode alegar. Chega um determinado momento na vida que a pessoa acalma e evita entrar em certas discussões ou brigas que, mesmo estando com a razão, não valem a pena. É muito provável que os avisos dados pelos engenheiros respectivos tenham partido de Claire Williams, que é relativamente nova no comando da estrutura. Criou um caso e uma tensão que deixa uma certa marquinha sem que precisasse.

Logo Claire entende isso — se já não entendeu. É o preço do noviciado.

Magnussen e Kvyat foram de novo aos pontos, Kobayashi teve belíssimas brigas ali com Lotus e a Ferrari de Räikkönen, que desandou, e Bianchi e o danês estrearam o sistema de pontos da CET-FIA – ambas, para mim, injustas. Qualquer toquinho, agora, é um prato cheio para estes comissários que poderiam estar em casa dormindo ou dando um passeio qualquer.

Como nós nesta manhã.

Rosberg vai a 43 pontos e tem Hamilton mais atrás, 25. É bom que abram uma gordurinha boa nestas próximas duas corridas aí que Vettel não tá morto, não, para o resto do campeonato. E lá na Williams, tem uma receita boa para dar uma baixada na galera: maracujá com camomila.

Tags: , , | 42 comentários

Aqui se faz, aqui Sepang, 2

SÃO PAULO | A chuva de fazer inveja para qualquer Sistema Cantareira é boa sempre para dar uma embaralhada no grid e criar algumas expectativas e situações novas, mas tem mascarado a realidade da F1. A classificação em tempo seco em Sepang naturalmente traria a situação real dos carros, algo que já se queria ver em Melbourne – muito embora Hamilton e Vettel pareceriam donos da primeira fila se não estivesse molhada a pista.

O TL3 da manhã foi um engano total. Quando se olhou para os tempos e se viu longe a Mercedes do resto, logo se concluiu que a F1 deste ano seria um passeio para a Mercedes. Mas era só comparar com o TL2 de ontem para verificar o ponto: Rosberg e Hamilton haviam sido 0s9 melhores da sexta para o sábado; em compensação, Räikkönen e Bottas pioraram 0s2; Vettel, 0s4; Ricciardo, 0s5; e Massa e Alonso, 0s6. Aí, claro, a diferença é absurda.

Na chuva, é possível ver bem que Mercedes e Red Bull têm os carros mais bem feitos. O problema da segunda é, ainda, o motor um pouco menos potente. Vettel consegue tirar no braço a questão. Ricciardo também não vem mal, é bom que se diga. O moleque risonho é bom. Ainda é imprudente colocá-los como favorita e tal, mas já se nota que a Red Bull se achou no campeonato. A Mercedes que aproveite logo essas primeiras corridas para abrir uma gordura, senão Sebastian vai lá e créu.

Então não tem muito essa história de o campeonato acabou, não. A Mercedes domina, mas a torcida canta: ô, a Red Bull chegou, ô, ô.

Em momentos do TC, a diferença de Mercedes e Red Bull para o resto era acima de 2s. A Ferrari é mediana nestas condições e a Williams, péssima. Não à toa, Massa foi só 13º e Bottas, 15º – também amparados por uma estratégia bem dicotômica da Williams, que decidia no jó-quen-pô se colocava intermediários ou ‘wets’. A Ferrari e a McLaren também estiveram na brincadeira que também tem pique-bandeira e amarelinha pra quem gosta de pular. E tem ali Hülkenberg, esse excelente, que sempre se põe ali no meio dos grandes. A Force India podia dar um carrinho melhor a ele. Pérez, coitado, olha que limbo.

“E Rosberg, esqueceu dele?” Outro coitado. Primeiro, colocam-no em meio ao dilúvio na tela da TV para o outro falar que ele estava comendo uma frutinha. É muita maldade. Mas o líder do campeonato não esteve muito à altura de Hamilton e Vettel, não, naquelas condições. No seco, há de ser adversário cerebral e ardiloso. Como dificilmente não vai chover, Nico e seu engenheiro vão ter de pensar muito bem na estratégia pós-paralisação da corrida – notem que Pai Zulu já me buzinou aqui o que vai acontecer; pelo jeito, vamos esperar uns bons 50 minutos como na classificação.

Só um pitaco ali no meio do pelotão: a Lotus quer que chova o tempo inteiro, né, porque esse carro, minha mãe do céu… e aquele otimismo que tinha visto no carro da Marussia, pode embrulhar e colocar ali no cesto de lixo orgânico, não reciclável. Não vai, não adianta. A Caterham, então, se honrar o que falou no começo do ano, está em contagem regressiva na F1 e vai tirar o time de campo.

Aos palpites de sempre: Hamilton parece com boas chances de vitória, apesar de que Vettel tem se mostrado um adversário bastante complicado no fim de semana. O pódio não deve sair muito além com Rosberg incluso – algo que lhe permitiria manter a liderança do Mundial. Interessante vai ser ver o que Magnutcho e Button, oitavo e décimo, podem fazer ali, talvez brigar bem com as Ferrari de Alonso-suspensão-d’ouro (quarto) e Räikkönen (sexto). Não sei se Hülk (sétimo) será concorrente para se manter ali, não, mas não seria surpresa ficar rondando o pão como a mosca que adora incomodar. E deve ser igualmente legal acompanhar a recuperação de Massa e Bottas ali atrás.

A corrida há de ser boa. Melhor que a da Austrália, certamente.

Tags: , , | 2 comentários

Aqui se faz, aqui Sepang

SÃO PAULO | Digamos que tenha sido bem interessante que, num circuito de volta longa como Sepang e numa F1 que tenta ainda se entender, os 16 primeiros tenham ficado separados por uma diferença menor que 2 segundos — tire aí as nanicas que não vão evoluir nunca, Marussia e Caterham, e a Lotus-Lola. O resto vem até que na mesma toada. O que significa dizer que Ferrari e Renault diminuíram a diferença para a Mercedes em seus motores. Mas que, principalmente, o campeonato pode ter, sim, uma grande graça.

Rosberg ficou coisa pouca, bobagem, à frente de Räikkönen e Vettel. Ao menos em Sepang, Ferrari e Red Bull se acharam. Na mesma toada vieram Hamilton, Alonso e a Williams de Massa. Pouco depois, Ricciardo e Bottas. Falta só a McLaren para completar o quinteto das melhores, e dá para incluir tranquilamente Button e Magnussen nisso aí.

A não ser que a Mercedes tenha escondido o jogo, o GP da Malásia tende a ser bem diferente do da Austrália, com o lindo componente da tempestade e da tormenta que se avizinham. Para o horário em que a corrida é marcada, 5h no nosso horário federal, sempre chove. E, sim, deve ser um elemento com o qual as equipes trabalhem — afinal, se elas evitarem ir aos boxes até o fenômeno natural, com uma eventual bandeira vermelha vão poder se beneficiar da regra de mexer no carro sem ter de parar nos pits.

Gostaria de dizer, para finalizar, que a Lola não merece tal comparação com os carros de bico-tomada. Que vergonha…

Tags: , | 3 comentários

Passos à frente

SÃO PAULO | Vi a parte final da corrida da Stock Car ontem em Interlagos, mas muito acompanhei a cobertura que o timê do Grande Prêmio fez ao longo do fim de semana — que, ‘digassidipassagi’, ficou uma beleza —, e atesta-se uma evolução interessante na categoria — que segue atrapalhada pelo time de comissários da CBA. Os pilotos convidados em sua grande maioria aplaudiram a estrutura e o esquema da prova que promoveu o revezamento dos ótimos titulares. No fim, a qualidade do jovem Felipe Fraga, 18, e a baita experiência do Sperafico, o Rodrigo, foram premiadas.

O automobilismo nacional vive uma nova fase, em que os pilotos já se veem obrigados a definir a carreira pensando no turismo. Acontece isso com Fraga, cujo nome recorrente na base do kart como o melhor talento surgido numa geração pós-Felipe Nasr e César Ramos — este agora também voltado a este tipo de competição. Chegou a ir do Tocantins para a Europa, mas não evoluiu também porque não há apoio financeiro.

A prova de que o esporte a motor nacional vai no fluxo de uma diarreia é ver aí, além de Fraga, Gabriel Casagrande, Felipe Lapenna, Lucas Foresti e os da escala um pouco acima que teriam condição de fazer bonito lá fora, Rafael Suzuki e Sérgio Jimenez.

O trunfo da Stock Car é contar com um elenco de pilotos de altíssimo nível. Mas ainda peca no trabalho de marketing de torná-los pessoas mais acessíveis às gentes que não os conhece. Assim, dificilmente o público se renova ou cresce. Chuva à parte, o povo que se desloca para assistir à prova em Interlagos tem diminuído — e teve ano que a organização fez isso até que propositalmente, privilegiando quem via pela TV para tentar manter o campeonato inteiro na grade da Globo.

Da corrida em si, só coloco três pontos que poderiam ter sido melhor pensados: realizá-la em um período que chamasse a atenção de pilotos de F1, MotoGP e Indy, dar a ela uma pontuação diferenciada e uma duração maior. A Stock Car tem de ser maior e não se prender ao que determina a emissora que a transmite.

A Stock Car tem de ser mais que um quadro do ‘Esporte Espetacular’.

Tags: , | 17 comentários

Desconfiem

SÃO PAULO | A notícia surgiu rápido lá de Interlagos, onde Renan do Couto e grande trupe se encontram para a cobertura da Stock Car: a Indy estava para anunciar um acordo com a Bandeirantes que, além de livrar a cara da emissora naquele processo movido no fim do ano passado pela não realização da SP Indy 300 deste ano, coloca o Brasil de volta ao calendário da categoria em 2015 com uma corrida em Brasília.

Depois da publicação da notícia no Grande Prêmio, surgiu a confirmação via Band, mesmo. O governador Agnelo Queiroz esteve presente a uma convenção que o grupo de comunicação faz em São Paulo e assinou o acordo de comprometimento com a Indy por cinco temporadas — até 2019.

Mais interessante: a corrida, segundo o comunicado, vai acontecer no autódromo local.

Essa coisa aí de corrida acontecer em Brasília, quem está por dentro sabe que não é bem assim. Nosso pessoal levou ao ar no fim do ano passado um dossiê que mostrou bem como a coisa toda em todas as esferas. Em meio a isso, anunciaram — o mesmo Agnelo e tal — que o Brasil voltava a figurar no calendário da MotoGP, dando a Brasília uma data em setembro. O governo local teria mais ou menos um ano para realizar as reformas mais do que necessárias no autódromo de quatro décadas de existência.

O destino, por assim dizer, torna a colocar Brasília na rota de uma categoria máster e com outro ano de prazo para retocar aquele lugar que nunca recebeu cuidado algum. De novo: para começarem as obras, é necessária uma licitação. Abrir o processo e depois analisá-lo, se as vias foram lisas e corretas, leva um tempo. Pelo histórico brasileiro de realização de obras, se ficar pronto, vai ser bem em cima, fevereiro do ano que vem. E, então, será necessária a homologação da nova pista, que tem de obedecer aos padrões FIA e FIM.

No mês passado, a Dorna rifou a corrida brasileira do calendário porque nada foi feito. Aguardemos junho ou julho para uma posição mais clara. Por ora, a prudência e a experiência se fazem mais do que necessárias: desconfiem da realização desta corrida.

Tags: , | 10 comentários

Top Gear em Barbados

SÃO PAULO | O amigo Edgar Efeiche, da AMK Viagens, tá soltando rojões: virou o parceiro oficial do Top Gear de Barbados aqui no Brasil. Top Gear, sim, o maior programa britânico sobre carros, e que na edição da terra de Rihanna, em maio, vai contar com a presença de Hamilton.

Lewis viaja para lá depois das quatro primeiras etapas do Mundial da F1, em que deve estar na ponta ou na segunda colocação do campeonato — Pai Robério de Ogum que me disse. Vai ser atração do festival, que ainda vai contar com o Global Rallycross, shows e acrobacias.

O pessoal que for pra lá ainda vai ganhar 200 obamas para gastar com que quiser. As informações estão aqui. Mesmo se o Edgar não me chamar, acho que vou aproveitar essa sem titubear muito.

E Top Gear também me lembra o jogo do Super Nintendo, a musiquinha, o nitro, as pistas da Escandinávia…

Tags: , , , | 11 comentários

Doodle de Senna

SÃO PAULO | Nos países onde já é dia 21, o Google já está mostrando em sua página oficial uma homenagem a Ayrton Senna. O Doodle é para os 54 anos que o brasileiro faria nesta data.

 

Tags: , , , | 3 comentários

O legado Melbourne, 3

SÃO PAULO (olha a hora…) | E deu Rosberg, com absurda facilidade, na prova não muito empolgante que abriu o ano da F1 em Melbourne. Para quem gosta de agito e emoção, é um pouco preocupante — estamos no início; o desconto ainda vale. Mas é possível dizer que as partes mais importantes da corrida se deram na largada e nas primeiras voltas.

Os atos: 1) o passão de Rosberg sobre Hamilton — nem se conta Ricciardo — nos primeiros 500 m; 2) o acidente de Kobayashi e Massa; 3) os abandonos de Hamilton e Vettel.

No resto da prova, o que valeu foi Bottas — sua escalada no pelotão, o toque no muro que furou seu pneu e provocou a entrada do safety-car e sua remontada. Assim, nada que fizesse o nego que aguardou com tanta expectativa se satisfazer explicitamente.

Rosberg abriu uma vida para Ricciardo, que só se viu ameaçado por Magnussen nas voltas finais, sem muita pressão. Button apareceu em quarto se dando bem no momento em que o SC foi acionado, sendo o primeiro a se beneficiar em pista parando nos pits e depois na troca convencional. Ficou à frente de Alonso, que teve de ganhar nos boxes a posição de Hülkenberg. Este só não terminou atrás do espanhol porque Bottas sentou seu nome.

A Mercedes é a Red Bull do passado. A McLaren vem com o papel de Mercedes. A Ferrari segue sendo a Ferrari, bem como Hülkenberg e a Force India — ou seja, continuaremos na missão de ‘deem um carro decente para este cara’. A grande ascensão é, de fato, a da Williams, que parece ser pelo menos a Lotus de outrora.

Seria interessante ver o que Massa faria na prova ou aonde Bottas chegaria não fosse seu errinho naquela primeira parte onde voava para cima de todos. Nesta impressão acima, briga tranquilamente com Magnussen e Button. Mas, como diz o poeta moderno, infelizmente não deu.

O acidente em si: já era possível ver que algum problema havia acontecido com Kobayashi durante a tentativa de freada. Há um toque ainda numa Ferrari, a de Räikkönen, que desvia de leve a rota e acerta Massa em cheio. Mesmo sem o desvio, provavelmente o brasileiro seria o alvo. É coisa de manter a sina desgraçada e negra de Felipe em Melbourne — algo que Hülk, que nunca havia completado uma volta lá, superou. Óbvio que a culpa é de Mito, mas se encontraram uma falha técnica, um problema no freio, é minimizada.

Agora, se tem um sistema punitivo lindo e novo na F1, a Caterham é quem tem de ser punida. Um freio não funcionar logo numa largada, justamente numa curva tão fechada quanto a 1 de Melbourne, mereceria pelo menos uma reprimenda à equipe.

E Ricciardo, porra, coitado. A Red Bull também, voticontá, me usa um fluxômetro não homologado pela FIA. Quem vê também pensa que entendo pacas de fluxômetro ou tinha qualquer ideia que havia este artigo no regulamento técnico, ui, o limite é 100 kg/h, daí chegam no fim de semana e diminuem a frequência pela metade, de 10 para 5 Hz, nossa, gente. É coisa que aprendi com a Marisa no colegial lá no São Bento e não faço mais ideia do que signifique. Mas a Red Bull foi avisada que o fluxo durante a prova estava excedendo o tal limite, deu de ombros, se ferrou e ferrou Riccardinho.

Assim que saiu o resultado, deve ter sido a primeira vez no ano em que o pobre não sorriu. Há boatos que ele sorri até dormindo.

E esse Magnussen lindo e garboso, honrando nossa nação, acabando em segundo. Eu já dizia aqui que se tratava de um talento diferenciado. “Mas só foi a primeira corrida, daí se ele for mal depois, vai dizer o quê, idiota?” Ora, cale-se e me deixe viver. Primeiro pódio da Dinamarca na história da F1 e melhor resultado de um estreante desde Villeneuve em 1996 naquela linda prova na mesma Melbourne. A rainha Margô deve estar irradiante.

No mais, a Toro Rosso surpreendeu com um boníssimo ritmo de corrida. Vergne e Kvyat mandaram bem. Bons pilotos, jovens, têm de mostrar serviço e tal. A Marussia, pelo jeito, não vai muito além. Os dois carros deram presepada na tentativa de largada e na dita cuja. A Lotus foi muito além do que imaginava: Maldonado e Grosjean abandonaram passando metade da prova. As duas equipes foram pegas na regra do fiascômetro, que também consta no regulamento técnico, artigo 1.7.1, como soltou Pedro Henrique Marum.

Torno a dizer que o campeonato é feito para as características de Rosberg. Hamilton, sabedor de que esta pode ser sua última chance de conquistar o bi, vai ter de ralar para se mostrar o melhor piloto, que é, adaptado ao que pede a F1 de cuidados e poupanças. E torcer para que os males técnicos acometam o companheiro. É esta a grande diferença para os anos anteriores: dentro da melhor equipe da temporada, há uma competição real entre os pilotos, diferente da Red Bull.

Tags: , , | 21 comentários

O legado Melbourne, 2

SÃO PAULO | A turma que vem ali do rebolo deposita suas esperanças nas quebras alheias e na capacidade que seus carros podem apresentar de recuperação — sobretudo se a pista estiver seca em Melbourne. Massa é o primeiro deles, nono, liderando o trenzinho que ainda tem Button, Räikkönen e Vettel.

Os quatro terão um pouco de dificuldade porque há três obstáculos à frente: as Toro Rosso dos bons Vergne e Kvyat e a Force India de Hülkenberg. A princípio, os tourinhos mirins não representariam tanta preocupação, só que até agora não se sabe o que estes carros, todos, são capazes de produzir. Pelos treinos nas CNTP, o ritmo é mediano. Quanto a Hülk, é casca grossa, mas parece que ainda falta um pouco aos indianos para estar na toada dos parceiros empurrados pelo motor Mercedes.

A Williams parece bem para um stint de corrida. Ao que parece, no entanto, torce para que a pista não esteja molhada. Obviamente, faz-se necessário relativizar qualquer análise da classificação naquelas condições, só que fica claro que o FW36 não se virou tão bem quanto os demais em condições adversas. Dizer que Massa, mudando de equipe, continua na mesma faixa do grid por causa disso é leviano.

Dos quatro, aquele que parece estar abaixo do que pode render é Räikkönen. Ainda lhe falta encontrar a sintonia fina do novo estilo de pilotagem que a F1 requer, sem contar os vários problemas vistos no fim de semana. É um que, a princípio, terá dificuldade de evoluir na prova.

Quanto a Vettel… comédia é ler a patuleia se deleitando com o 12º no grid e dizendo que se trata de uma farsa, que nunca enganou ninguém, que está acabado, um mimimi e um chorume de quem (dis)torce contra. Nego não pode ter nenhum problema que já usa como arma para desconstruir tudo o que o cara fez e mostrou na F1. E mesmo que vá mal logo mais, o cara tem crédito ad eternum para mandar uma série de beijinhos nos ombros.

A Red Bull saiu do coma, é o que vale dizer diante dos treinos. E é Vettel quem vai iniciar o tratamento para voltar à vida normal.

Kobayashi, o Mito Lindo, está em 14º no grid. Nada mais enganoso, para nossa tristeza. A Caterham não tem ritmo algum com o carro-vassourinha. Só não perde para esta Lotus, que faz um papelão que não me lembro de precedentes. As reações de Grosjean, espontâneas e, consequentemente, engraçadas, dão o tom do que é o desespero de guiar o E22-tomada, como se vê aqui.

Ele e Maldonado, se derem 10 voltas juntos, têm de ir para o Outback e pedir um ribs no esquema de rodízio para comemorar o feito.

Melbourne é um lugar que é propício para entrada do safety-car e, com este novo regulamento e as condições apresentadas, vai ser o palco de estratégias amplamente diferenciadas entre todos. A corrida se desenha como um baralho. Palpites? Mercedes fazendo 1-2, com Rosberg vencendo — uia! O terceiro… Alonso. Puramente pelo que é capaz de tirar o ás da manga do que por sua Ferrari.

Tags: , , | 4 comentários