Happy man

SÃO PAULO | Daí o pessoal da Toyota foi tirar uma selfie lá no pódio das 6 Horas de Silverstone do WEC para comemorar a dobradinha, e teve um cara que foi aparecer, todo feliz.

Webber.

Vê se ele tá com cara que queria ter estado em Xangai para chegar em sétimo no GP da China.

A F1 traz uma alegria imensa a qualquer piloto. A liberdade que se tem depois que a deixam proporciona uma sensação duplicada.

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Nanashara Sarahsheeva Shanghai, 2

SÃO PAULO | Tô cá pensando aqui com meus botões: e se Hamilton não tivesse abandonado previamente o GP da Austrália, teriam sido quatro de quatro? — sem maldade, pelamor. Seriam 100 pontos contra 72 de Rosberg? Provavelmente. O que Hamilton tá guiando neste ano é coisa de louco. Não há palavras, como diria Luciano do Valle. E pelo jeito, não há muitos estudos que guiem Rosberg, por mais inteligente e eficiente que seja. O que isso quer dizer? Sim, meus caros: só uma hecatombe tira o título de Lewis.

“Como assim, tá dizendo que Hamilton vai ser campeão depois da quarta prova do Mundial?” Então: sim. “Que abusado, que absurdo”. Então: cale-se.

Em Xangai, não deu para o cheiro – que é ruim demais, diga-se; enxofre puro. E aí você olha para o todo e vê que ninguém há de melhorar tanto assim a ponto de alcançar a Mercedes, até porque esta não vai ficar parada no desenvolvimento deste ótimo carro. Dentre os dois pilotos, é consenso geral que Hamilton é melhor e que Rosberg é mais inteligente. A pilotagem está ganhando de longe. E a hecatombe só pode ser uma sequência de abandonos de Lewis para Nico se manter na briga.

Alonso completou o pódio. Até que era esperado, pelo desempenho nos treinos. Aliás, o revezamento no terceiro lugar tem sido interessante: Button, Vettel, Pérez e o espanhol agora. Quatro equipes diferentes. Falta só a Williams ali. Que, vixe maria, tá precisando treinar um pouco mais e estudar o que é esquerda e o que é direita – em termos de pneus.

Sobre o episódio Alonso/Massa na largada, não sei bem a que conclusão chego. A primeira imagem, a geral, me pareceu que o espanhol deveria ser punido, já que essa F1 é rigorosa e opressora; da câmera on-board, não fica claro que há um movimento brusco para jogar o carro à direita. Se houve essa dúvida na cabeça dos comissários, não seria justo aplicar qualquer pena. Felipe reclamou na hora, é claro, mas tinha muito mais a reclamar da equipe depois. Também não foi aquilo que determinou seu resultado.

E Riccardinho, hein? Molecão tá dando aquele suadouro em Vettel. E quase deu em Alonso no fim da prova. Havia uma dúvida leve se a Red Bull tinha escolhido certo e se não fora injusta com Vergne. A quarta prova do ano só traz um asterisco em cima da certeza construída nas anteriores. Hülkenberg fez o que dele se esperava, Räikkönen xingou não sei quem porque foram lhe perguntar sobre motivação, Kvyat foi aos pontos de novo, e a McLaren, deusdocéu, Whitmarsh tá mandando mais lembranças.

Outra coisa: parece mesmo que o GP do Bahrein foi um ponto fora da curva e não sei o quanto a corrida ter sido excelente influi no gosto acre que gerou esta da China. A F1 vai, depois de uma pausa, a Barcelona, uma pista que não é das mais propícias a boas corridas. Se a impressão que fica é a última, o mundo volta a ser como antes: é bom não esperar nada empolgante para a abertura da temporada europeia.

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Nanashara Sarasheeva Shangai

SÃO PAULO | Houve tempos, jovens, que a chuva era um fator de embaralhabilidade (proj. Tite) de grid e tudo mais, e os davis sonhavam com a chance de ir encher os pacová dos golias. Mas hoje não tem lá tanta diferença assim: a F1 segue praticamente a mesma de quando se apresenta no seco em termos de resultado, mesmo quando as condições geram a dúvida do uso dos tipos de pneus à disposição. Não havia cristo neste pós-sexta-feira glorificada que tirasse a pole de Hamilton, que ainda esnobou com um ‘poderia ter ido melhor’.

OK, Lewis, cê tá guiando o fino e tal, mas não precisa sapatear sobre a mesa da santa ceia para desespero dos demais 21 apóstolos das pistas (proj. Félix da novela lá).

Não creio que haja muitas dúvidas de que, seja qual for a condição meteorológica amanhã, certamente envolva em muita poluição, Hamilton é o favoritão. Aí, a chuva só serviria para os outros torcerem por uma escapada ou um erro maldonáldico – aliás, viram a reação dos mecas da Lotus depois da batida hamiltoniana/2007 que Pastor deu na entrada dos pits? Impagável.

Ricciardo. Esse moleque, ele é bom mesmo. Tá iluminado. Ou se adaptou às novas condições da F1 com uma destreza que faz Vettel coçar a cabeça e bufar em alemão arcaico. E tome-lhe tempo. “Ai, mas Vettel não era um gênio, o melhor do melhor, o suprassumo?”. Calma, nêga. O cara é tudo isso. A F1 tá um pouco confusa neste começo de ano. “Ain, que desculpinha esfarrapada”. Calada. Que ano louco é esse em que as regras mudam e chove a torto e a direito na classificação? Só o Bahrein foi fiel, por enquanto. Então sossega a piriquita, ajoelha e reza.

Vettel tá ali em terceiro e, claro, briga com o parça pelo lugar no pódio. Alonso em quinto e Massa em sexto? Talvez tenham chances, sim. Não é que a Ferrari melhorou assim, com a chegada de Mattiacci e um milagre celestial, é mais porque costumeiramente o carro se dá bem na pista de Xangai – e, ainda assim, Räikkönen continua pagando todas as penitências. É mais fácil Felipe ser o adversário das Red Bull pela potência de seu motor. E mesmo com a chuva, o carro da Williams se comportou razoavelmente bem. Tem, de fato, de comemorar o resultado. E Bottas? Esse não sai do encalço de Massa. E por consequência e dedução, é outro a ser considerado na luta pelo terceiro lugar. Hülkenberg em oitavo? Parece que a Force India não tá com essa bola toda para transformar a água da chuva em champanhe.

Claro, o segundo é de Rosberg. Quer dizer, tem de ser, né? O erro no fim do Q3 é compreensível na medida em que foi para o tudo ou nada na volta final. O quarto lugar no grid só deve preocupar pelo tempo que vai perder em superar as Red Bull – e provavelmente Massa com seu superlargador mega plus combo.

Esses, sim, podem atribuir o resultado ao tempo: Vergne em nono e Grosjean em décimo. A Toro Rosso não tá com carro para isso – apesar de, insisto, o pacote ser bom; precisa ser melhor desenvolvido. E mesmo que Romain diga que a evolução da Lotus é clara, que não é magia, é tecnologia, digamos que seja sábado de aleluia, e isso explique…

Depois de Kimi em 11º, tem Button. E vendo que Magnussen é 15º, nota-se que a McLaren voltou a multiplicar seus problemas. A curva descendente da equipe desde a Austrália é assombrosa. Outros ali a se observar são Kvyat, 13º, e Pérez, 16º. Vão tentar brigar pelo maná dos pontos.

E aí fica a dúvida: a corrida será nível Australásia ou Bahrein? Se houver essa briga múltipla aí pelo pódio entre Red Bull, Williams e Alonso, o peso recai de leve sobre a segunda opção. Mas se olhar lá para a frente, há um equilíbrio na balança: soa difícil ver uma nova disputa entre os mercedianos com esse Hamilton que está longe de cometer o pecado do erro.

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A volta da lenda italiana

SÃO PAULO | Só pelo registro: a primeira foto que o Mundial de GT disponibilizou em sua página oficial daquele que é um dos mitos vivos do esporte e da humanidade.

Zanardi voltou. A gente só aplaude e reverencia.

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A chegada da Forza Rossa

SÃO PAULO | A uma sequência de fatos: na quinta-feira, o Conselho Mundial da FIA tava pra lá de Marrakech e saiu ditando regras e afins sobre todas as categorias. Na F1, além de confirmar que aceitou a Haas como nova equipe para 2015, disse que iria ‘investigar’ a inscrição de uma tal Forza Rossa, da Romênia. Na sexta, os rumores de que algo estava acontecendo nos bastidores da Ferrari começaram a eclodir, e em uma participação num evento que inaugurava o museu do time, Luca di Montezemolo soltou suas frases de efeito aqui e ali, falou em fé e que faria as mudanças que julgasse necessário para que a crise não batesse à janela.

Hoje me soltam o comunicado dizendo que Domenicali pulou da janela. Uma clara brincadeira com a nossa inteligência, que não cita o pé que o defenestrou.

Devidamente saído, o comando de Maranello substitui Domenicali com um tal Marco Mattiacci, prazer, que vem a ser CEO da Ferrari Norte América. Um cara que está lá do outro lado do mundo provavelmente desligado do mundo da F1 e que, se estiver alguma noção esportiva, só acompanha os carros italianos na United SportsCar – onde corre Fisichella. Mattiacci, sem linhas tortas, está preocupado em vender superesportivos aos caras lá. Assim, é uma nova clara brincadeira, não com a nossa inteligência, no caso.

Voltando ali em cima: a Forza Rossa, numa rápida pesquisa, é uma representante oficial da Ferrari em Bucareste e grande região. Guardadas as proporções, é a Ferrari da América do Norte naquela região do leste europeu. O que Montezemolo fez oficialmente foi algo como trazer a Forza Rossa para a F1 para ver no que dá, tipo uma equipe satélite à qual se oferece todos os recursos. Após três etapas e poucos pontos, a Ferrari abre mão do campeonato deste ano com uma tendência enorme de agravar seus problemas: existe um Alonso ali que não vai aceitar ser apenas um cliente de luxo, premiado com test-drives em várias partes do mundo.

Alonso teve de aguentar a vendetta de Montezemolo no ano passado depois que pediu para seu empresário ciscar no terreno da Red Bull. Com um carro capenga e uma gestão perdida – e um sangue latino –, vai fazer da vida do chefe um dantesco inferno até se refestelar. Negociar uma volta à McLaren, agora, será um prazer explícito ao espanhol, o único que deve ter neste resto de temporada com a ‘outra’ Rossa.

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Formato e sentimento duplos

SÃO PAULO | A Stock Car estreou hoje em Santa Cruz do Sul seu novo formato ‘duplicado’, com uma bateria maior de 40 minutos, um curto de intervalo de 20 e uma nova bateria, d’outros 20. Pego três opiniões de quem lá esteve para uma análise. Cacá, depois da primeira corrida: “O importante não é vencer”; Serrinha, após a segunda: “Foi bom, mas foi ruim”. Jimenez, no pódio: “Frustrado, mas feliz”.

Se os pilotos estão com um sentimento dicotômico, quem acompanhou as corridas de fora também pode estar tranquilamente, sem remorso. A segunda prova, que teve Pizzonia vencendo na arrancada final após a última curva, foi brilhante e tal. Mas o formato geral precisa de uns bons ajustes para ficar decente.

O cenário atual praticamente impede que o piloto se dê bem nas duas provas. Quer coisa mais antagônica que isso, um piloto quase não poder lutar pela vitória? Alguma delas tem de ser privilegiada. Por exemplo: a equipe de Valdeno o pôs para ganhar a primeira, e a segunda que se lasque – teria de parar, reabastecer, fazer a novena e rezar. 24 pontos no bolso. Cacá até poderia ter conseguido coisa melhor na segunda, depois de terminar a primeira em terceiro. Ainda assim, saiu do fim de semana com um ponto a mais que o vencedor Brito.

O intervalo de 20 minutos não deixa que os três primeiros sequer respirem. Porque eles têm de estacionar o carro na posição de largada para a próxima, descem, vão para o pódio, comemoram discretamente e, pior, abrem a champanhe sem poder bebê-la ou espirrá-la nos adversários para não ficarem melados e com cheiro de nhaca véia.

Ainda, o tempo é curtíssimo para que os comissários analisem eventuais erros que comprometam decisivamente a segunda corrida e seu grid. Por exemplo: digamos que um transponder não pode falhar da forma que aconteceu com Khodair, que cruzou em décimo lugar, mas não largaria na pole da segunda prova pelo erro. É algo que se torna mais fácil com as câmeras porque ficou óbvio que Pizzonia cruzou atrás do adversário.

Ainda, é injusto com quem não terminou a primeira corrida não poder largar na segunda. Não há muito sentido privá-los de uma prova em que já teriam desvantagem clara por terem de começar no fundo do pelotão. Se o carro tiver condições, que se deixe participar e recuperar o que não puderam conquistar na primeira corrida.

Havia pensado, de início, que jogar a corrida 1 para o sábado poderia ser uma alternativa, mas, principalmente, deixaria o domingo absolutamente esvaziado. Já que a Vicar toma conta de uma série de categorias, seria mais fácil encaixar uma ali no meio – a F3, por exemplo –, antecipando um pouco o horário da primeira prova da Stock Car – 9h30 ou 10h, deixando a segunda para 11h30. Se não quiser mudar as regras de pneus e reabastecimento, que se pense em uma espécie de ‘Parque Fechado’ e impeça que os mecânicos toquem nos carros – só liberando para os que não terminaram.

Uma outra coisa, no que se refere, como diria a presidenta, a questão dos pits – e aí não é culpa da categoria: os autódromos brasileiros, em sua maioria, não nasceram para proporcionar o maior dos espaços às equipes. Sempre há problemas nas trocas porque as imperfeições são muito maiores, quando comparadas às dos campeonatos principais. Ter dois itens que definem as corridas nos boxes, pois, é problemático: ora se troca um pneu, ora se troca três – não vou entender muito uma troca de pneus em número ímpar; ora se reabastece com um tanque, ora coloca dois.

A Stock Car tem tido provas bem bacanas com pilotos do mais alto gabarito. Estudar alguns pontos quando implanta novas regras e mudá-los não é demérito. Se permitir aos pilotos que lutem para ganhar ambas as corridas e diminuir esse sentimento maniqueísta típico da personagem de Sexy Indecisa, do ótimo Tá no ar: a TV na TV, já é um grandíssimo passo.

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As imagens que ninguém vai ver

SÃO PAULO | Assisti há pouco ao Conexão Repórter, do SBT, que retrata os 20 anos da morte de Senna contados por Roberto Cabrini, o jornalista que informou ao Brasil a notícia da fatalidade, à época pela Globo. O documentário traz um ótimo apanhado do que foi aquele fim de semana, com entrevistas interessantes com gente do corpo médico que atendeu o brasileiro, com a família, a ex-mulher e Adriane Galisteu, além de trazer a intimidade que o repórter e o piloto tinham entre si — algo não forçado e que delineava respeito mútuo.

A parte que mais me prendeu se encontra da metade para a frente do programa. Cabrini comenta, citando várias fontes da F1, que há imagens pós-acidente da câmera on-board do carro de Senna, contrariando o que Ecclestone lhe disse na sequência da morte — de que a câmera havia sido desligada para filmar Schumacher.

Obviamente, um corte na transmissão não invalida as imagens que estão sendo registradas pelas demais. É como dizer que as câmeras só captam o momento exato que vai ao ar, invalidando o resto. Do contrário, não existiria replay ou demais ângulos de qualquer ultrapassagem, largada, etc.

O que se pensou por um bom tempo é que o impacto do acidente de Senna a 230 km/h no muro da Tamburello havia destruído o aparato. Não.

Sobre o fato, uma informação, corroborando o que Cabrini trouxe: no fim do ano passado, a P&G veiculou um comercial que mostra Senna contornando o S em Interlagos durante cerca de 7s para promover seu exclusivo e perene aparelho de barbear — a campanha, por sinal, foi feita com antecedência à data do 1º de maio a pedido da família. Para a composição do reclame, solicitaram à FOM o acesso às imagens de Ayrton como um todo. Foi neste contexto que se soube que há uma continuidade na transmissão. A Formula One Management, no entanto, não permitiu que ninguém a visse.

Muito provavelmente, a FOM nunca vai liberá-las. As cenas devem ser fortes demais. E talvez seja bem melhor assim.

Adendo 1: a FOM, a mesma, já retirou do YouTube o documentário…

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Pelo direito de comer

SÃO PAULO | É bem sabido que vivemos tempos de súper e auto-exposição o tempo todo pelas diversas redes sociais que nos são oferecidas. ‘Selfies’ viraram temas de longas reportagens nos mais importantes veículos — também denotando a falta de critérios e ideias jornalísticas, mas é papo pr’outra hora — e fotos e frases passaram a ser usadas como notícias e verdades mais do que absolutas.

Mas uma imagem no Instagram de Jean-Éric Vergne agora há pouco é simbólica, reflexiva e muito mais que uma notícia.

A princípio, imagina-se que Vergne seja o mais novo garoto-propaganda do McDonald’s ou que apenas estranhou a linguagem árabe na fachada da loja. O francês está no Bahrein e andou hoje com o carro da Toro Rosso, terminando os últimos testes coletivos em segundo. A postagem contém uma frase única, “diet is finished”, seguida do emoticon que representa alegria sincera, corroborada pelo ‘hehehe’.

Ser piloto de F1 no regulamento atual tornou-se uma tarefa árdua não só porque os pneus e combustível têm de ser controlados, bem como o peso. Se as equipes não conseguem fazer seus carros pesarem o mínimo de 692 kg, descontam nos pilotos, e aí são eles que se veem obrigados a gastar: as calorias; e é claro que os mais altos e ósseos sofrem mais.

Sutil, o mais pesado de todos, abriu a cruzada contra a categoria do regime eterno e expôs uma situação grave: a de que alguns pilotos, como ele, não estavam se hidratando durante o desgastante e quente GP da Malásia. Button, 6% de gordura para baixo, quase denota em seu semblante uma anorexia profunda. À grita, o presidente da FIA, depois de se entupir de brioches e croissants contígua à Place de la Concorde, desdenhou e disse que dieta alguma leva piloto para o hospital, escarrando sua ignorância.

Naquele fim de semana em Sepang, o comentarista Martin Brundle disse durante a transmissão da britânica Sky Sports que um piloto chegou a desmaiar durante um evento promocional de sua equipe, sem mencioná-lo. Sem a revelação confirmada por quem quer que seja, um nome havia sido especulado: o de Vergne.

Não é meramente uma questão de gula ou satisfação da saciedade, comer um pudim ou bater uma massa em um domingo sem corrida. Todt e quem quer que tenha feito o regulamento não se deram conta de que este é, sim, um item de segurança. Um piloto desidratado ou mal alimentado para se manter magro e ganhar décimos pode ter um mau súbito durante um treino ou uma corrida. Vira um perigo absurdo e insano, além de desnecessário. Mais do que a preocupação de um bom espetáculo, de uma categoria igualitária ou de um som melhor de motor, os dirigentes deveriam ouvir as vozes da maioria e aumentar este peso mínimo de modo que não sejam os protagonistas os afetados da história.

A foto de Vergne não é um ‘selfie’ nem é uma indireta, mas grita e informa: comer um nº 1 com Coca-Cola não pode se tornar um peso psicológico nem ser crime com castigo perpétuo.

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Bem que Sakhir, 2

SÃO PAULO | Como é bom queimar a língua e os dedos que vaticinavam que nada podia se esperar da corrida d’hoje no Bahrein. Se bem que, na verdade, ninguém cogitava que esta prova na noite das Arábias fosse tão espetacular. Eu me peguei pensando desde quando não se via algo de tamanha magnitude. Brasil 2008? Brasil 2012? Teteia pura, soltou Evelyn Guimarães na redação. Chuchu beleza, definiu Gabriel Curty. As nossas reações ao que acontecia se resumem ao conceito de ‘pure racing’ que havíamos deixado de lado desde a segunda metade da temporada passada.

Bem, tá claro que a disputa pelo título fica entre Hamilton e Rosberg. O que os dois fizeram hoje foi digno de aplausos de pé. E o abraço e a comemoração dos dois mostra que a rivalidade há de ficar na pista, por enquanto. Nico, que deveria ter feito a primeira curva na frente por sua posição de largada, acabou perdendo para o companheiro. Mas não desistiu. Atacou Lewis antes da primeira troca nos pits, que indicaram uma mudança na estratégia de ambos: o inglês de pneus amarelos com a obrigação de abrir distância para o alemão, que foi de duros para, no fim da prova, fazer a reaproximação na parada seguinte com os macios.

Mas não contavam com o safety-car e a volta de Maldonado aos seus tempos de Pica-Pau de polainas. Aliás, a falta de critério em punições mundo afora no esporte é abissal. Tomar três pontos na carteira – um a mais que o convencional – e cinco posições no grid de largada na China é muito barato; Ricciardo, que não prejudicou ninguém ao ser prejudicado pela Red Bull na Malásia, levou o dobro no grid do Bahrein.

Voltando: o cenário era ideal para Rosberg, que teria os macios, a facilidade da redução da diferença a zero e a asa móvel para partir para a vitória. Logo que o SC se foi, Hamilton começou a reportar perda de potência. Como, não sei, afinal encaixou uma sequência de voltas rápidas. Só que depois, Nico foi para cima. Duas tentativas no fim da reta principal, dois xis; na curva 4, outras duas tentativas, e Hamilton devolveu.

É ainda prematuro, óbvio, mas o que Lewis guiou hoje começa a credenciá-lo ainda mais como favorito. Hamilton é sabidamente mais piloto e tal e está guiando o fino do fino. Seu problema é ter um companheiro cerebral e que há de conseguir equilibrar as ações e endurecer a parada. Nico tem 11 de vantagem com essa Mercedes que não vai dar muita chance pras demais, não. Melhor começo de uma equipe desde 2004, com três vitórias e duas dobradinhas; naquele ano, Schumacher ganhou as três primeiras, Barrichello foi segundo em duas e quarto noutra.

A prova dos outristas também foi um espetáculo. Bottas parecia o mais credenciado ao pódio por sua posição no grid, só que falhou miseravelmente na largada, onde Massa sambou na cara da sociedade. Aí, então, o brasileiro roubava o posto do companheiro. Só que as Force India estavam, oh!, fortes. Hülkenberg veio passando meio mundo no pelotão de trás e ia colando em Pérez, que passou Felipe com o desenrolar das ações. Os indianos têm um carro mais bem equilibrado que o da Williams, é fato, e logo Hülk seguiu a toada do parça. Com ou sem SC, a briga entre os quatro pelo último lugar no pódio seria excelente. É no fim surgiu Ricciardo, esse danadão, que escalou o grid, não deu a mínima para Vettel e tinha mais condições que Pérez, mas só não tinha mais voltas – a corrida, uma hora, acaba; e que pena.

Se tem alguém que merece o pódio, é Ricciardo. Por tudo que já lhe aconteceu no ano.

Hülk, de pneus duros, também foi bravo ao segurar Vettel, muito na força do motor Mercedes. E nessa brincadeira aí, a Force India é vice-líder do campeonato. Mamma mia, here I go again, diria Renan do Couto Sem Cisto. Maior acerto do mundo, o da Force India, de trazer Hülk de volta e pegar Pérez. Não ia longe se continuasse com Sutil e Di Resta. Nico é melhor que Sergio, mas os dois casaram bem. Viva a diversidade.

Vettel também teve certo trabalho com Massa, que forçou a ultrapassagem no fim e foi empurrado para fora da pista na retinha que leva à curva 4. Aquela parte ali já era pista, amigo. Felipe até chegou a se queixar do ímpeto de Sebastian, mas tava valendo tudo, amigo. Massa também fez o mesmo com Hülk. Hoje o estado era de graça e de plenitude.

E a Ferrari, hein? Alonso cruzou a linha de chegada em nono, comemorando. O jovem é rápido nas ironias e sarcasmos. Camarada deve estar puto demais com essa tartaruga rossa. Räikkönen foi décimo e tava meio perdido. “Kimindica o caminho?”, questionou. Só sei que a cara de Montezemolo, impagável, resume.

Interessante foi ver que cinco equipes ocuparam as dez posições da pontuação. A McLaren falhou miseravelmente. Em algum lugar do mundo, Martin Whitmarsh deve estar rindo loucamente, cutucando a agulha da bunda do bonequinho de Ron Dennis que ele tem. Vodu é pra jacu.

Tudo muito lindo, que nos faz torcer pelo replay da corrida na TV, mas a questão é que, infelizmente e por enquanto, o GP do Bahrein entra como exceção. Ou será que as corridas na Austrália e na Malásia é que saíram do eixo e ficaram fora da órbita mundial? A China costuma ter provas boas e vai clarear esta resposta. Hoje, o que vale é a frase de Niki Lauda: “Quem acha esse esporte chato é um idiota”.

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Bem que Sakhir

SÃO PAULO | Tinha uma personagem na ‘Escolinha do Professor Raimundo’, o Sandoval Quaresma, que era assim: respondia a todas as perguntas impecavelmente e, na hora de tirar o dez, vinha com um absurdo imenso. A nota vinha baixa, e ele respondia: “Tava indo tão bem…”. O Quaresma de hoje na F1 é Lewis Hamilton. Porque de nada adiantou o camarada andar todos os treinos livres possíveis na frente, longe de tudo e de todos. Chegou no Q3, e Nico Rosberg fez uma voltaça, 1min33s185, e tirou a invencibilidade do companheiro em classificações.

Foram quase 0s3 sobre Hamilton, que vai ter de amargar o segundo lugar no grid. Fosse o apresentador do ‘Fantástico’, viria com aquela pergunta do que isso significa, a pausa de suspense e o nada como resposta. Pior que não vale muita coisa. Só uma, vai: Lewis larga do lado emporcalhado da pista, com restos de borracha e areia. Teoricamente, Nico contorna a primeira curva na frente sem sobressaltos.

Ricciardo, coitado de novo… o cara se esmera à toa. Se bem que já se sabia que teria essa punição, mas ver o moleque largando em 13º depois de um desempenho desse, sua pole interna, é duro. Deve ser atração da corrida na recuperação. E vai se encontrar ali com Vettel, que mal foi ao Q3. Aliás, é curioso vê-lo dando entrevista com a calma que só o desespero traz. A Red Bull não tem muito a fazer a não ser comer o toco da Renault.

Quem se deu bem foi Bottas, mais rápido que Massa, que parte em terceiro e do lado limpo. E como é um cara que tem boa largada, é até capaz de pular em segundo na frente de Hamilton. É com isso que eventualmente pode contar Rosberg — por algumas voltas e contos de réis.

Pérez em quarto. É, sim, uma surpresa, embora o mexicano esteja com uma Force India muito bem acertada e conhecedora de Sakhir, vide os treinos da pré-temporada. O que é esquisito é ver Hülkenberg em 11º, também beneficiado pela agrura riccardiana. Seu tempo foi pior no Q2 que no Q1, o que indica algum problema ou mesmo erro que as câmeras não captaram. Hülk é daqueles que hão de vir no bolo da remontada com as Red Bull.

Button e Magnussen, sexto e oitavo, tão ali por estar. Não devem fazer cócegas, puro palpite. O carro é lindão à noite, mas não se vislumbra que briguem pelo pódio. O mesmo acontece com Räikkönen e Alonso — este, então, já entregou os pontos; na Espanha, já tem quem diga que começaram as negociações para um retorno à McLaren em 2015, que a Honda quer, que a equipe quer, que Ron Dennis quer. “E ele vai?”. Sei lá, mas ele talvez queira…

Massa em sétimo. Bom, a Williams está bem melhor no Bahrein, como apontavam os estudos da pré-temporada. Felipe que não foi bem, mesmo, e reconheceu que deveria ir mais rápido. A questão é que o episódio da semana passada deu um faniquito em Bottas, e o moleque vai fazer do FW36 e suas tripas coração para jogar as indiretas de que ele pode, ele consegue.

Assim, que Massa se recupere e faça igual. Senão, ai das pulgas dele.

Escolados que estamos pelas duas primeiras corridas do campeonato, que não se espere muito da prova deste domingo. Apesar da baloubetzada de hoje, Hamilton pinta como favorito, mas Rosberg tem um baita apreço pelo Bahrein. A briga pode ser boa. Bottas deve ser o outrista no pódio. E o resto que se arrume pelos pontos, incluindo as Toro Rosso.

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Aqui se faz, aqui Sepang, 3

SÃO PAULO | A corrida na Malásia ter tido como fato principal a questão da ordem de equipe da Williams denota o que ela foi para nossas vidas. O que significa dizer, primeiro, que errei. Foi uma prova tão chata quanto a da Austrália. E também não choveu. Hamilton venceu com uma tranquilidade digna de quem se entope de suco de maracujá com camomila. E Rosberg não teve dificuldades para ser segundo e manter sua liderança no Mundial.

Vettel perdeu duas posições nas primeiras voltas – para Rosberg e Ricciardo –, mas logo recuperou a do companheiro. Desde então, o pódio foi definido. Daniel seria quarto não fosse a presepada nos boxes. Não ter trocado o pneu dianteiro esquerdo e tê-lo destarrachado fez o australiano ser empurrado de ré, perder um bico e um pneu, tomar uma punição de 10s e mais uma para a corrida do Bahrein, 10 posições no grid. Tem ele de tomar a combinação maracujá/camomila para dar uma acalmada. Não tem sido fácil, coitado.

Mais atrás, Alonso ganhou de Hülk, em estratégia diferente, a quarta colocação. Aliás, os dois têm brigado demais desde a segunda parte da temporada passada. Virou a briga mais legal da F1. Pilotaços. Alonso faz o que dá com essa Ferrari mezza-bocca e Hülk, bem… deem a ele um carro decente, como a campanha diz. O moleque tem de brigar por vitória e título. Button ficou em sexto. Foi o que sobrou a ele, que andou por andar. Quase ninguém notou.

Quer dizer, notou no fim, né, com a questão lá que a Williams resolveu arrumar – para a cabeça. Bom, ao fato inicial: Massa vinha com muito mais ação para passar Button. Teve lá sua tentativa e, na hora de armar o bote na reta principal, tomou o traçado externo em vez do interno – onde dava para ter ido. Em sequências belas de xis, Button acabou ficando à frente e Massa não mais teve chance. Foi quando se aproximou Bottas, que tinha a tal ação para passar o companheiro. Foi quando veio a mensagem de que Valtteri estava mais rápido. “Passe”, disseram ao finlandês.

Na segunda corrida pela Williams, Massa teve diante de si uma decisão na carreira. Que já havia sido tomada há quatro anos, quando ouviu a famosa e fatídica frase naquele GP da Alemanha. Desde então, se prometeu a não mais abrir quando não tivesse a menor necessidade. Evidentemente, hoje, não tinha a menor necessidade. De abrir e de ouvir aquilo. É de uma insensibilidade e, sem eufemismo, de uma burrice atroz. Era um sétimo e um oitavo lugar. E se Felipe abrisse ao companheiro, esquece, camarada: o respeito que resta ia para o saco e para a cova. Passe, o caralho, e Massa botou a bilola à mesa. “Que desbocado”. É meu jeito, dsclp.

Massa tem uma certa sina em ouvir coisas desse tipo. E já que não precisa engolir mais sapos desta natureza nessa longa estrada da vida, com essa atitude de dar de ombros e fazer a linha Katia cega, talvez parem. Bem como talvez a Williams não gostasse de escutar que o carro dela não é nem fodendo o segundo melhor do grid. Terminar a corrida a mais de 1min20s de Hamilton não é coisa para quem se diz só abaixo da Mercedes. E não tem a desculpa da pista molhada, coisa nenhuma.

Enfim, lá na Williams, o negócio não deveria nem ser a discussão que Bottas pretende ou que a equipe ainda pode alegar. Chega um determinado momento na vida que a pessoa acalma e evita entrar em certas discussões ou brigas que, mesmo estando com a razão, não valem a pena. É muito provável que os avisos dados pelos engenheiros respectivos tenham partido de Claire Williams, que é relativamente nova no comando da estrutura. Criou um caso e uma tensão que deixa uma certa marquinha sem que precisasse.

Logo Claire entende isso — se já não entendeu. É o preço do noviciado.

Magnussen e Kvyat foram de novo aos pontos, Kobayashi teve belíssimas brigas ali com Lotus e a Ferrari de Räikkönen, que desandou, e Bianchi e o danês estrearam o sistema de pontos da CET-FIA – ambas, para mim, injustas. Qualquer toquinho, agora, é um prato cheio para estes comissários que poderiam estar em casa dormindo ou dando um passeio qualquer.

Como nós nesta manhã.

Rosberg vai a 43 pontos e tem Hamilton mais atrás, 25. É bom que abram uma gordurinha boa nestas próximas duas corridas aí que Vettel não tá morto, não, para o resto do campeonato. E lá na Williams, tem uma receita boa para dar uma baixada na galera: maracujá com camomila.

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Aqui se faz, aqui Sepang, 2

SÃO PAULO | A chuva de fazer inveja para qualquer Sistema Cantareira é boa sempre para dar uma embaralhada no grid e criar algumas expectativas e situações novas, mas tem mascarado a realidade da F1. A classificação em tempo seco em Sepang naturalmente traria a situação real dos carros, algo que já se queria ver em Melbourne – muito embora Hamilton e Vettel pareceriam donos da primeira fila se não estivesse molhada a pista.

O TL3 da manhã foi um engano total. Quando se olhou para os tempos e se viu longe a Mercedes do resto, logo se concluiu que a F1 deste ano seria um passeio para a Mercedes. Mas era só comparar com o TL2 de ontem para verificar o ponto: Rosberg e Hamilton haviam sido 0s9 melhores da sexta para o sábado; em compensação, Räikkönen e Bottas pioraram 0s2; Vettel, 0s4; Ricciardo, 0s5; e Massa e Alonso, 0s6. Aí, claro, a diferença é absurda.

Na chuva, é possível ver bem que Mercedes e Red Bull têm os carros mais bem feitos. O problema da segunda é, ainda, o motor um pouco menos potente. Vettel consegue tirar no braço a questão. Ricciardo também não vem mal, é bom que se diga. O moleque risonho é bom. Ainda é imprudente colocá-los como favorita e tal, mas já se nota que a Red Bull se achou no campeonato. A Mercedes que aproveite logo essas primeiras corridas para abrir uma gordura, senão Sebastian vai lá e créu.

Então não tem muito essa história de o campeonato acabou, não. A Mercedes domina, mas a torcida canta: ô, a Red Bull chegou, ô, ô.

Em momentos do TC, a diferença de Mercedes e Red Bull para o resto era acima de 2s. A Ferrari é mediana nestas condições e a Williams, péssima. Não à toa, Massa foi só 13º e Bottas, 15º – também amparados por uma estratégia bem dicotômica da Williams, que decidia no jó-quen-pô se colocava intermediários ou ‘wets’. A Ferrari e a McLaren também estiveram na brincadeira que também tem pique-bandeira e amarelinha pra quem gosta de pular. E tem ali Hülkenberg, esse excelente, que sempre se põe ali no meio dos grandes. A Force India podia dar um carrinho melhor a ele. Pérez, coitado, olha que limbo.

“E Rosberg, esqueceu dele?” Outro coitado. Primeiro, colocam-no em meio ao dilúvio na tela da TV para o outro falar que ele estava comendo uma frutinha. É muita maldade. Mas o líder do campeonato não esteve muito à altura de Hamilton e Vettel, não, naquelas condições. No seco, há de ser adversário cerebral e ardiloso. Como dificilmente não vai chover, Nico e seu engenheiro vão ter de pensar muito bem na estratégia pós-paralisação da corrida – notem que Pai Zulu já me buzinou aqui o que vai acontecer; pelo jeito, vamos esperar uns bons 50 minutos como na classificação.

Só um pitaco ali no meio do pelotão: a Lotus quer que chova o tempo inteiro, né, porque esse carro, minha mãe do céu… e aquele otimismo que tinha visto no carro da Marussia, pode embrulhar e colocar ali no cesto de lixo orgânico, não reciclável. Não vai, não adianta. A Caterham, então, se honrar o que falou no começo do ano, está em contagem regressiva na F1 e vai tirar o time de campo.

Aos palpites de sempre: Hamilton parece com boas chances de vitória, apesar de que Vettel tem se mostrado um adversário bastante complicado no fim de semana. O pódio não deve sair muito além com Rosberg incluso – algo que lhe permitiria manter a liderança do Mundial. Interessante vai ser ver o que Magnutcho e Button, oitavo e décimo, podem fazer ali, talvez brigar bem com as Ferrari de Alonso-suspensão-d’ouro (quarto) e Räikkönen (sexto). Não sei se Hülk (sétimo) será concorrente para se manter ali, não, mas não seria surpresa ficar rondando o pão como a mosca que adora incomodar. E deve ser igualmente legal acompanhar a recuperação de Massa e Bottas ali atrás.

A corrida há de ser boa. Melhor que a da Austrália, certamente.

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Aqui se faz, aqui Sepang

SÃO PAULO | Digamos que tenha sido bem interessante que, num circuito de volta longa como Sepang e numa F1 que tenta ainda se entender, os 16 primeiros tenham ficado separados por uma diferença menor que 2 segundos — tire aí as nanicas que não vão evoluir nunca, Marussia e Caterham, e a Lotus-Lola. O resto vem até que na mesma toada. O que significa dizer que Ferrari e Renault diminuíram a diferença para a Mercedes em seus motores. Mas que, principalmente, o campeonato pode ter, sim, uma grande graça.

Rosberg ficou coisa pouca, bobagem, à frente de Räikkönen e Vettel. Ao menos em Sepang, Ferrari e Red Bull se acharam. Na mesma toada vieram Hamilton, Alonso e a Williams de Massa. Pouco depois, Ricciardo e Bottas. Falta só a McLaren para completar o quinteto das melhores, e dá para incluir tranquilamente Button e Magnussen nisso aí.

A não ser que a Mercedes tenha escondido o jogo, o GP da Malásia tende a ser bem diferente do da Austrália, com o lindo componente da tempestade e da tormenta que se avizinham. Para o horário em que a corrida é marcada, 5h no nosso horário federal, sempre chove. E, sim, deve ser um elemento com o qual as equipes trabalhem — afinal, se elas evitarem ir aos boxes até o fenômeno natural, com uma eventual bandeira vermelha vão poder se beneficiar da regra de mexer no carro sem ter de parar nos pits.

Gostaria de dizer, para finalizar, que a Lola não merece tal comparação com os carros de bico-tomada. Que vergonha…

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Passos à frente

SÃO PAULO | Vi a parte final da corrida da Stock Car ontem em Interlagos, mas muito acompanhei a cobertura que o timê do Grande Prêmio fez ao longo do fim de semana — que, ‘digassidipassagi’, ficou uma beleza —, e atesta-se uma evolução interessante na categoria — que segue atrapalhada pelo time de comissários da CBA. Os pilotos convidados em sua grande maioria aplaudiram a estrutura e o esquema da prova que promoveu o revezamento dos ótimos titulares. No fim, a qualidade do jovem Felipe Fraga, 18, e a baita experiência do Sperafico, o Rodrigo, foram premiadas.

O automobilismo nacional vive uma nova fase, em que os pilotos já se veem obrigados a definir a carreira pensando no turismo. Acontece isso com Fraga, cujo nome recorrente na base do kart como o melhor talento surgido numa geração pós-Felipe Nasr e César Ramos — este agora também voltado a este tipo de competição. Chegou a ir do Tocantins para a Europa, mas não evoluiu também porque não há apoio financeiro.

A prova de que o esporte a motor nacional vai no fluxo de uma diarreia é ver aí, além de Fraga, Gabriel Casagrande, Felipe Lapenna, Lucas Foresti e os da escala um pouco acima que teriam condição de fazer bonito lá fora, Rafael Suzuki e Sérgio Jimenez.

O trunfo da Stock Car é contar com um elenco de pilotos de altíssimo nível. Mas ainda peca no trabalho de marketing de torná-los pessoas mais acessíveis às gentes que não os conhece. Assim, dificilmente o público se renova ou cresce. Chuva à parte, o povo que se desloca para assistir à prova em Interlagos tem diminuído — e teve ano que a organização fez isso até que propositalmente, privilegiando quem via pela TV para tentar manter o campeonato inteiro na grade da Globo.

Da corrida em si, só coloco três pontos que poderiam ter sido melhor pensados: realizá-la em um período que chamasse a atenção de pilotos de F1, MotoGP e Indy, dar a ela uma pontuação diferenciada e uma duração maior. A Stock Car tem de ser maior e não se prender ao que determina a emissora que a transmite.

A Stock Car tem de ser mais que um quadro do ‘Esporte Espetacular’.

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Desconfiem

SÃO PAULO | A notícia surgiu rápido lá de Interlagos, onde Renan do Couto e grande trupe se encontram para a cobertura da Stock Car: a Indy estava para anunciar um acordo com a Bandeirantes que, além de livrar a cara da emissora naquele processo movido no fim do ano passado pela não realização da SP Indy 300 deste ano, coloca o Brasil de volta ao calendário da categoria em 2015 com uma corrida em Brasília.

Depois da publicação da notícia no Grande Prêmio, surgiu a confirmação via Band, mesmo. O governador Agnelo Queiroz esteve presente a uma convenção que o grupo de comunicação faz em São Paulo e assinou o acordo de comprometimento com a Indy por cinco temporadas — até 2019.

Mais interessante: a corrida, segundo o comunicado, vai acontecer no autódromo local.

Essa coisa aí de corrida acontecer em Brasília, quem está por dentro sabe que não é bem assim. Nosso pessoal levou ao ar no fim do ano passado um dossiê que mostrou bem como a coisa toda em todas as esferas. Em meio a isso, anunciaram — o mesmo Agnelo e tal — que o Brasil voltava a figurar no calendário da MotoGP, dando a Brasília uma data em setembro. O governo local teria mais ou menos um ano para realizar as reformas mais do que necessárias no autódromo de quatro décadas de existência.

O destino, por assim dizer, torna a colocar Brasília na rota de uma categoria máster e com outro ano de prazo para retocar aquele lugar que nunca recebeu cuidado algum. De novo: para começarem as obras, é necessária uma licitação. Abrir o processo e depois analisá-lo, se as vias foram lisas e corretas, leva um tempo. Pelo histórico brasileiro de realização de obras, se ficar pronto, vai ser bem em cima, fevereiro do ano que vem. E, então, será necessária a homologação da nova pista, que tem de obedecer aos padrões FIA e FIM.

No mês passado, a Dorna rifou a corrida brasileira do calendário porque nada foi feito. Aguardemos junho ou julho para uma posição mais clara. Por ora, a prudência e a experiência se fazem mais do que necessárias: desconfiem da realização desta corrida.

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