We are Indiana

SÃO PAULO | É um post meio americanizado, mas faz jus — até porque vem da América. O superdomingo das corridas também marca um fato raríssimo para Indianápolis: uma corrida e um jogo de basquete no mesmo dia.

A última vez que a Indy 500 e um jogo do Indiana Pacers em casa aconteceram separados por horas na capital do estado foi em 30 de maio de 2004, há nove anos, pois.

Naquele dia, a corrida foi atrapalhada duas vezes pelas chuvas. Teve seu início atrasado em duas horas e seu fim antecipado em 20 voltas por conta de uma tempestade que virou um tornado de intensidade 2. O vencedor da prova foi Buddy Rice, que pela única vez ganhou naquele solo, com o carro #15 da Rahal-Letterman.

Horas mais tarde, o Indiana recebeu o Detroit Pistons pelo jogo 5 da final da Conferência Leste da NBA. A série estava empatada em 2 a 2. E o time de Michigan foi lá e ganhou por 83 a 65. O Indiana acabou sendo eliminado na partida seguinte.

Neste domingo, há de chance de chuva, 20%, para a prova. O carro #15 está nas mãos de Graham Rahal, que disse essa semana que sonhou ter ganhado as 500 Milhas. O Pacers vai jogar mais tarde com o Miami Heat na série que está empatada em 1 a 1.

A Indy 500 e a NBA atraem um dinheiro enorme para Indianápolis, segundo os estudos do governo. São 65 milhões de obamas que são injetados na cidade. Mas nada proporcional: 64 mi deles são por causa da corrida.

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Santo devoto


SÃO PAULO | Deu o óbvio quando até não parecia dar. A Mercedes, favorita desde que deixou a Espanha para largar na primeira fila em Mônaco, por pouco não viu tudo indo para o vinagrete com o chuvisco que afetou o Q1 e parte do Q2. Mas em condições devidamente secas e apropriadas, a equipe entubou a rapa pela quarta vez seguida, e com Rosberg pela terceira à frente de Hamilton.

O domínio de Rosberg é tamanho em Monte Carlo que criou uma situação até está rara de ver: dominou todos os treinos e larga na frente, algo que acontece pela primeira vez no ano. Nico deve ter tomado aquela pastilha do gato-a-jato do Pica-Pau, e com asas batendo, marchas em decolagem, turbinas e já, há de pensar que suas chances são maiores desta vez.

São, claro, porque é Mônaco, mas não tem tanto mais aquela história de não passar de jeito nenhum. “Tá louco?” Não, calma. É que com estes pneus que desfiam como frango de coxinha, a diferença é tamanha que aquela retinha no fim do túnel, literalmente, possibilita tais chances. E mesmo pequenas, são maiores que os nadas vistos durante tantos anos no Principado. Outro dia, escrevi sobre esta situação, e o melhor que a Mercedes teria a fazer para sair com a vitória seria um jogo de equipe em que, aquele que estiver atrás no contorno da Sainte-Dévote, faz o papel de escudeiro de fato.

“Tá louco, defendendo um jogo de equipe?” Sossega aí e lê: não é um benefício explícito a Hamilton ou a Rosberg – e, se tivesse de haver, por justiça, seria a favor de Nico, prejudicado na Malásia por ordens de Ross Brawn. A Mercedes, em corrida, é um caco. Esquece. Não vai. E mesmo em Mônaco, é improvável que ganhe porque Ferrari, Lotus e Red Bull vão dar o bote em algum momento nas táticas – ou seja, jamais pararão, em sã consciência, na mesma volta que os prateados. É impossível imaginar, ainda mais largando com pneus supermacios, que Nico e Lewis parem menos que duas vezes, considerando que a Pirelli calcula ser possível fazer uma; duvidável. Uma tática sensata seria fazer com que, mantendo as duas primeiras posições após a largada, a Mercedes fizesse o segundo, seja quem for, segurar de fato o resto enquanto o primeiro colocado deslanche. E que este se vire no fim da prova para brigar com as feras.

Vettel e Webber aparecem como maiores beneficiados da situação, mas também não podem garantir que serão primeiro e segundo. A Red Bull tem, sim, melhor ritmo, mas só que as Mercedes. E logo atrás vem justamente os mais eficientes, Räikkönen e Alonso. Ou seja, como diria o outro, os seis primeiros estão numa posição inversa ao que os carros representam em desempenho de corrida. Isso garante que o pelotão esteja sempre junto, e daí ser importante para a Mercedes uma análise conjunta para seu triunfo.

Nessa, nem Massa está tão mal largando em último. “Ah, não é possível, tá louco e comendo merda”. Cale-se. Primeiro que Felipe larga dos boxes e se livra de qualquer enrosco, pedaço de carro, patifaria de Grosjean ou manicômio de Maldonado. Supondo que fique ali atrás, preso na Marussia da vida, a Ferrari há de chamá-lo rapidamente aos pits e voltar com uma diferença de pouco mais de 25 segundos do anterior. A Mercedes haverá de estar segurando – alô, telemarketing? – o grupo todo, e nisso o brasileiro começaria a descontar a diferença em pista com terreno livre, esperando que os demais demorem a parar. Viria um provável rebond de chat aí. Do contrário, numa tática convencional, Massa há de encontrar um Bernoldi qualquer que vai prendê-lo por voltas e voltas e empacar seu eventual progresso, e aí ele não há de dizer depois que foi sensacional.

Tem Sutil ali em sétimo, que pode conquistar algo bom se sair da zica do pântano – onde foi afundado Di Resta, que mal passou do Q1 –, as McLaren com Pérez e Button, nesta ordem, sem muita perspectiva, e Vergne, no GP mais próximo que tem em casa, em décimo. A Williams, que poderia fazer algo de interessante com o especialista em Mônaco, errou feio com Maldonado, demorando a trocar o pneu intermediário para o slick no fim do Q2 e o tirando dos primeiros lugares para o 16º. “Acho que alguém precisa acordar do sonho lá na fábrica”, bufou o bolivariano, putisticamente certo. A Williams parece uma ex-equipe em atividade. E VDG? VDG chegou a figurar em segundo, meu pai. Van der Garde, quem diria, larga na oitava fila. Ao lado de Maldonado. Coitado.

Coitado, mesmo, foi Bianchi. O cara espera a chance da vida, outro que pode dizer que tá em casa, começa a chover, é bom piloto pra cacete, sai para o treino, e em oito segundos o motor Cosworth da Marussia fuma. “Est de coller le doigt dans le cu et déchirer”, diria o torcedor mais fanático e nem tão polido.

O legal, para finalizar, é que o trecho inicial da corrida monegasca se desenha aquela teteia: o cenário do trenzinho atrás do maquinista Rosberg é muito visível depois de umas dez voltas, quando os supermacios começarem a se desgrudar. E mais do que nunca, bicho, quem estiver estudando o grid e atento ao que os demais vão fazer há de tirar o dez. Indo para os palpites, sempre tem uma prova que Webber ganha no ano. Tá lá no contrato da F1, alínea 5, fonte Arial 2, em branco. Tá à feição dele, que já venceu lá no ano passado e tal, e anda bem. Tá com jeito de Markola, a última que há de ganhar no Principado. A Mercedes, surpreendentemente, oh!, nem pega pódio porque vai errar em algum ponto. Massa fica em 11º (uia!).

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4 lado a lado

SÃO PAULO | Como não gostar deste esporte?

E a gente esperando o superdomingo com GP de Mônaco, Indy 500 e Charlotte 600…

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Xeque-mate

SÃO PAULO | A Pirelli deu hoje mais um passo para a eclosão apropriada de uma guerra sem na prática entrar na batalha que a artilharia da F1, liderada por Vettel, vem armando nas últimas semanas. Ouvindo que seus pneus não são bons o suficiente e no meio-termo entre manter o produto que tem e trazer a receita do ano passado, a fornecedora começa a pressionar paralelamente as 11 equipes para firmar os acordos necessários para garanti-la no espetáculo — como protagonista ou coadjuvante.

O contra-ataque dos italianos foi claro e inteligente: enquanto ninguém se decide, chora ou se conforma, a fabricante quer que todos concordem, de papel assinado e tudo, que seja ela a responsável pela borracha do ano que vem e dos seguintes o quanto antes, afinal vai precisar entregar em pouco mais de três meses o resultado de seus novos pneus, que obviamente vão ter de se adaptar ao novo regulamento da F1, o de motores menores, mas turbinados. Do contrário, cai fora da brincadeira. Simples.

E todo mundo vai ter de assinar logo, porque ninguém está disposto a pegar uma outra empresa nesta altura do campeonato para lidar com uma incógnita. Xeque-mate.

Provavelmente, a Pirelli não terá muito mais trabalho com 2013 porque as mudanças dependeriam de uma aprovação unânime, e Ferrari, Lotus e Force India, pelo menos, não estão dispostas a beneficiar a Red Bull e seu choro desbragado. De fato, e como já dito, mudar a regra do jogo no meio do campeonato sempre traz a sombria questão de favorecimento, e não é porque agora Sebastian se vê num quase-limbo é que o resto tem de se curvar.

Justiça seja feita: se Alonso virou La Chilica, Vettel já faz jus a uma alcunha semelhante. Pitizenten lhe cabe bem. Um tricampeão que também foi auxiliado vez ou outra pela condição que os pneus lhe trazia tem se mostrado multifacetado neste ano — ao menos neste fim de semana, compensou com um capacete termoativo que mostra peitinhos. Os brados que destina ao grupo de Paul Hembery poderiam encontrar os ouvidos de Adrian Newey e companhia para que averiguassem onde é que o carro deste ano não é aprazível aos pneus.

Porque nem na Mercedes, a maior destruidora de borracha que a F1 viu nos últimos tempos, se ouve um mimimi tão grande.

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O que será de Kimi

SÃO PAULO | Nada como um ano após o outro. Se nas últimas temporadas o cenário da F1 dependia do movimento de xadrez feito pela Ferrari com o bispo Massa, 2014 e suas mudanças técnicas vêm acompanhadas da expectativa do que a Red Bull pretende fazer com o cavalo/touro Webber, que já anda meio comido — no bom sentido — há tempos.

A briga interna entre os taurinos no GP da Malásia deixou Massa na brisa, e a situação de Webber foi ventilada sempre fora da equipe e até da F1, ou com a vida ganha e voltada à bike na Austrália ou novamente dedicada à Porsche e ao endurance. Nesta vertente, é mais do que natural que os olhos se abram para aquele que está melhor na Toro Rosso, o compatriota Ricciardo. Mas diante da opção Räikkönen à mesa, o negócio muda.

O assunto ganhou reforço hoje em Mônaco quando Kimi resolveu murmurar mais do que de costume e confirmar que tem “duas opções” para o ano que vem, obviamente a equipe onde está, a Lotus, e a Red Bull de Vettel.

O copo pela metade apresenta suas velhas duas visões: é difícil que Kimi vá ser mais do que amigo de Sebastian. É um fato esquecido e sempre negado, mas o finlandês tem lá sua parte acionária na Lotus, segundo alguns infiltrados no assunto. Por outro lado, Räikkönen tem ligações com a Red Bull desde o momento em que escolheu ir correr de rali pela Citroën.

Uma segunda taça mostra a Red Bull. A empresa tem como filosofia de nascimento uma segunda equipe para fornecer-lhe pilotos capazes de guiar na primeira, como aconteceu com Vettel a partir de 2009. Mas à época em que o tirou da Toro Rosso, não era grande. Na condição de principal equipe da F1 hoje, e olhando para as duplas das principais rivais, tem de contar com um segundo piloto necessariamente forte. E a STR, hoje, é cada vez mais independente de sua matriz em termos financeiros.

Talvez Räikkönen nem ligue para isso, mas uma mudança para a Red Bull o transformaria num dos pouquíssimos nomes da história a correr por todas as grandes de seu tempo  — com bondade considerando a Lotus, mas contando Ferrari e McLaren. Ainda é cedo para que um dos pilotaços da F1 tome uma decisão — visto que está claramente na disputa pelo título —, mas é bem possível que as férias da F1 em julho já sejam devidamente celebradas com um novo contrato assinado.

Se a distância na tabela para a Red Bull for mínima, Kimi provavelmente continua a pôr seu nome no papel de Enstone. Do contrário, vai lá misturar energético com sua adorável vodka e cair torto de gauche na vida.

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As dez ideias


SÃO PAULO
| Já que falei no post anterior de Bernie Ecclestone e de sua provável retirada de time diante do cenário que se apresenta, pensei em alguns pontos que a F1 poderia modificar para atrair mais interesse das fábricas vinculadas ao automobilismo e do público. As minhas dez ideias iniciais para uma categoria mais atraente seriam estas:

1) Números fixos aleatórios, à escolha preferencialmente dos pilotos — como acontece na MotoGP. A Ferrari poderia optar por sempre correr com 27 e 28.

2) Carros com possibilidade de mudança de cor e patrocínio durante a temporada, inclusive dentro da própria equipe. A BAR de 1999 teria vez com sua divisão 555/Lucky Strike.

3) Concorrência entre fabricantes de pneus, não restritas a apenas duas — ou seja, Pirelli, Michelin, Bridgestone e outras fornecedoras poderiam entrar na disputa.

4) Produção de três tipos de especificação de pneus — duro, médio, macio — por cada uma das fabricantes, que poderiam ser usados livremente nas corridas conforme as estratégias adotadas. Apenas um tipo seria eleito como obrigatório para o fim de semana.

5) Três semanas de treinos de pré-temporada e outras três de intertemporada, que seriam realizadas em pistas não pertencentes ao calendário da F1.

6) Calendário com provas nos cinco continentes — ou seja, pelo menos uma na África — e resgate de corridas em praças tradicionais, como Paul Ricard.

7) Duas corridas especiais, sendo que a primeira teria um fim de semana com duas corridas, no estilo GP2, e a segunda teria maior duração e possibilidade de inscrição de terceiros ou até quartos carros, com treinos e classificação especiais, no estilo Indy 500.

8) Venda de chassis a outras equipes.

9) Manutenção do teto do custo de motores e incentivo a montadoras para retornarem ou ingressarem na F1 — casos de BMW, Ford, Toyota e Audi, Chevrolet, Hyundai e Kia.

10) Maior liberdade para inovações aerodinâmicas nos carros — bicos, asas, aletas e outras pensatas engenhísticas.

Outras são sempre interessantes de ver.

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Os últimos atos de Bernie


SÃO PAULO
| O anúncio da volta da Honda à F1 como parceira da McLaren serviu como impulso para Bernie Ecclestone esconder dois fatos delicados e que pesam contra si, um particular e outro de interesse da categoria.

Entusiasmado com o retorno da velha parceira japonesa, o chefão da categoria usou seus veículos preferidos na Inglaterra para pressionar as demais que ultimamente saíram e jogou no ar um possível movimento de Toyota e, principalmente, BMW. Os bávaros já negaram categoricamente e continuam concentrando seus e$forço$ no DTM e no automobilismo americano, sequer pensando em Le Mans, que dirá tornar à F1.

Até porque é fácil pensar: que fontes tão próximas Ecclestone teria com uma montadora já tão distante a ponto de cravar sua volta à F1? Jogar ao léu é um esporte de que gosta tanto quanto seu brinquedo de carros.

A declaração de Ecclestone vem depois da notícia do GP de Nova Jersey, que envolveu Long Beach, promotores, dinheiro e promessas, e com isso, o dirigente vai tentando chamar as manchetes para outros assuntos diferentes daqueles que o envolvem num sério caso de propina e corrupção — elevado ao patamar de intimação judicial e possível julgamento ainda neste ano — e das demais montadoras que vão elevar os preços de seus motores a patamares não mais imaginados nestes tempos que deixam sete equipes com os pires nas mãos.

Bernie já não governa a F1 como um monarca absolutista e divide suas responsabilidades com um grupo seleto e de confiança que deve assumir a F1 tão logo o bilionário falte. Nos próximos meses, Ecclestone enfrentará duas batalhas que a saúde pode ajudar a debilitá-lo: ter de enfrentar tribunais e uma condenação que acabaria com sua reputação e os chefes das montadoras, costurando novos acordos que até podem resultar na compra de chassi de outras equipes para que os custos caiam.

A grande mudança que a F1 prepara para 2014, com a introdução dos motores de 6 cilindros em V e o retorno do turbo tende a ser o ato final que Ecclestone, 82, vai acompanhar de perto para passar o bastão que já lhe cai como um fardo.

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Mudança de protagonista

SÃO PAULO | A coluna Superpole de hoje fala a respeito da Pirelli, que a F1 elevou à condição de protagonista e deixou os atores principais do elenco com certo ciúme e, agora, foi transformada em bandida e vilã.

Leiam e comentem.

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Prix salé

SÃO PAULO | Se não baixar os preços de mercado, a Renault vai ver seus motores sendo reduzidos no grid de 2014. Com a eliminação do teto de quase R$ 15 milhões imposto pela categoria, cada montadora vai poder cobrar o que bem entender pelos 1,6L turbo do ano que vem. E os motores franceses são os de longe mais caros.

A Renault inflacionou os preços de tal forma que a Williams já pensa em trocar de parceira. O preço foi para 55 milhões de dilmas por temporada. Se o time do velho Frank estuda pegar os Mercedes (42 mi), que ainda são mais caros que os Ferrari (38 mi). O preço é tão salgado que até Bernie Ecclestone deve intervir e conversar com Carlos Ghosn, brasileiro que presidente a montadora galesa.

A montadora já disse que pode fornecer suas peças propulsoras até cinco equipes, mas que gostaria de ver uma redução para atendê-las bem — no máximo três. Atualmente, além de Caterham e Williams, a Renault empurra Lotus e Red Bull, mas pela parceria com os taurinos, é bem possível que a Toro Rosso se junte a ela e deixe a Ferrari.

Pessoal tá bem feliz com as mudanças de regulamento. Mas como diria a tal formanda lá, ou não.

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A tática em Mônaco

SÃO PAULO | A última prova com a configuração dos atuais pneus-chicletes da Pirelli tende a ser um jogo de xadrez dos mais complicados se o discurso de Alonso se confirmar. O espanhol foi absolutamente preciso quando apontou favoritismo da Mercedes para o GP de Mônaco – na corrida. É realmente onde a equipe pode ter um resultado diferente das últimas, em que penou para pontuar. Mas vão ter de pensar em um jogo tático absurdo e meticuloso para sair do Principado com uma vitória.

Schumacher foi o pole moral em Monte Carlo no ano passado – só não largou na frente porque carregava a punição pelo acidente com Senna em Barcelona. Assim, reforça-se a tese de que os carros de prata hão de ser flechas na classificação. Se largarem em primeiro e segundo como aconteceu em Barcelona – ou ‘só’ na pole como na China e no Bahrein –, é possível que Hamilton e/ou Rosberg se mantenham na frente por um tempo e segurem os demais até quando os pneus se tornarem frangalhos.

É bem possível, assim, que as Mercedes estejam segurando todo o pelotão logo atrás numa fila única que deve chegar até a Sauber e Williams, ou seja, 16 ou 18 carros. Um pit-stop feito de maneira correta em Mônaco leva em média 25 segundos, onde cabem todos estes carros em uma fila contínua, o que significa que o bote de ir aos boxes primeiro encontra sérias limitações.

Haveria um dilema na estratégia aí: quem parar antes vai ficar de qualquer forma preso no pelotão e pode pegar adversários em táticas diferentes, que prenderiam ainda mais a evolução na corrida; quem seguir as Mercedes até que parem vai ter algumas voltas para, com os pneus levemente gastos, tentar desgarrar do pelotão agrupado e compactado e, então, fazer sua parada e voltar à frente das Mercedes e dos que pararem antes e estiverem trancados.

É aí que entra a opção de uso do pneu no primeiro trecho da prova. Quem disputar o Q3 apropriadamente vai usar os supermacios e largar com os pneus gastos. Aqueles que não disputarem a sessão e do 11º para cima terão a opção de largar com os macios. Que, incrivelmente, se torna a melhor coisa do mundo num cenário em que as Mercedes sejam imbatíveis, já que terão a chance de escolher o que fazer da situação supramencionada com mais clareza – antecipar ou retardar. Um primeiro stint longo de pneus macios, cuidadosamente conservados na eventual lentidão da Mercedes, e uma parada a menos que os outros, tende a ser a chave para um bom resultado.

As equipes que se mostraram mais aprazíveis à borracha da Pirelli são Lotus, Force India e Sauber. E se no vaivém das paradas a Mercedes souber encaixar as peças mantendo pelo menos um de seus carros comandando o pelotão, há de esquecer por um fim de semana sua agrura. Uma opção: fazer com que um companheiro proteja o outro.

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O maior espetáculo do automobilismo

SÃO PAULO | A ESPN americana lançou hoje a chamada para a Indy 500 deste ano, que vai ser exibida pela ABC, como de costume, no próximo dia 26. A edição é a 97 da corrida e a das imagens é excelente:

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A McLaren da Indy

SÃO PAULO | A pintura do carro de Bourdais na Indy já era uma das mais bonitas, com preto e dourado que lembrava a Lotus. Para Indianápolis e suas 500 Milhas, a Dragon teve outra inspiração na F1: a McLaren.

Bourdais esteve um ano e meio correndo na F1, na Toro Rosso.

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Los mossos y las mossas, 2

SÃO PAULO | Substituição no trono da Espanha: sai Juan Carlos, entra Fernando. E é capaz de perguntar à população e uma porcentagem considerável acreditar que Alonso é a solução para os problemas pelos quais o país passa desde a recessão econômica. Se bem que o povo que foi ao autódromo catalão deu uma banana para os ideais separatistas e foi ao delírio com a vitória do asturiano esqueceu a vida dura. Hay que celebrar.

Pues que lo celebre. A atuação do hijo mayor foi soberba, como costuma ser nas situações em que tem se desvencilhar dos adversários e ir para cima sem hesitar. Se Vettel ficou cozinhando el pollo sem ameaçar Rosberg no começo – e se entende que não tinha carro para isso –, Alonso não tardou em passar o alemão tão logo voltaram dos pits. Daí, foi manter o bom ritmo mesmo com os pneus em frangalhos para alcançar a glória e o reinado.

Longe de qualquer pachequismo ou a pieguice inerente, a volta de retorno aos pits com a bandeira na mão e o comportamento do público se assemelharam às vitórias de Senna em Interlagos, e isso tem de ser destacado porque o negócio hoje é muito diferente em termos de comportamento porque a F1 impõe uma padronização coxinha e babaca aos pilotos e ao seu produto – vide aquele pódio que parece o Roda a Roda Jequiti. Mal comparando, a Espanha é hoje o que o Brasil foi há 20 anos, com alta taxa de desemprego, economia em recessão e pouca perspectiva de evolução. O esporte é a válvula de escape, e ao esportista, nada mais gratificante que vencer em casa e comemorar da forma mais espontânea.

Alonso, de fato, tem do que sorrir. Nas corridas em que tudo transcorreu normalmente, venceu. Na Austrália, a Ferrari levou o bote da Lotus na estratégia – algo que tentou repetir hoje e só conseguiu o segundo posto porque o calor era excessivo e o carro de Räikkönen não é tão rápido quanto os dos vermelhos. Na China, venceu a partir da terceira volta. Talvez daí venha tamanha confiança e desdém para o abandono na Malásia e o problema no Bahrein – o mesmo número que teve em 2012 e que já o poria na linha de risco do título. Realmente é claro que a Ferrari tem o melhor carro em corrida.

A Lotus já tem essa consciência e trabalha Kimi na base da cabeça. Já que não dá para vencer, que se tente algo diferente, considerando que o carro, amável com os Pirelli, permite. O resultado normal seria terminar atrás de Massa, então o segundo é mais do que o esperado. Com estes pódios que arrebata, o finlandês vai bebendo champanhe e se mantendo nas cabeças. Está só quatro pontos atrás de Vettel, que venceu duas provas em cinco corridas. Aliás, a disputa de posição com Sebastian foi um dos pontos altos desta boa corrida em Barcelona, que quebrou os paradigmas das estatísticas: nenhum dos três do pódio largaram entre os três primeiros.

Falando em Vettel, a diferença de quase 40 segundos para Alonso na bandeirada também deve ligar o alarme na Red Bull. Não é nada normal que, em condições similares de tática de pneus, o alemão acabe tomando uma média de 0s58 por volta, considerando que no primeiro trecho de corrida se manteve à frente do rival espanhol. Também não pode colar qualquer excusa da Red Bull que se tratou de um resultado atípico: as temperaturas do ar e da pista não eram nada absurdas e o composto dos pneus é de conhecimento da equipe. Digamos que, no geral, a Red Bull ainda tem um carro melhor que o da Lotus. Mas é muito mais volúvel.

Teve nego aí, bocudo, que veio com o papo de que Massa mal passaria do oitavo lugar largando em nono e com o discurso preparado de que a degradação dos Pirelli era imensa antes da corrida. Queimou a língua e ardeu no inferno. Felipe teve uma largada ótima, passando a sétimo, e levou um par de voltas para passar Pérez por volta lá na reta do miolo. Nisso, teve uma sorte: como Rosberg prendia Vettel, Alonso, Räikkönen e Hamilton, não perdeu tempo e logo encostou no pelotão da frente. Passou Hamilton e, inteligentemente, foi chamado para parar antes dos demais, onde ganhou o posto de Kimi. Aí, tornou atrás de Vettel, que perdeu a posição para o espanhol. Gradativamente, voltou ao seu ritmo de perda de tempo com o decorrer da prova, mas surpreendentemente não foi tão grande. Com a parada a menos do finlandês, não teve como brigar pelo segundo lugar.

De qualquer forma, um lugar no pódio para Massa apaga os desempenhos medianos que teve nas últimas provas e o mantém ali no bolo. “Você tá louco em dizer que ele vai lutar pelo título, né?” E eu disse isso, cazzo? Felipe tem um campeonato para terminar ali em quarto ou quinto. Pode não ser lá grande coisa, mas só o fato de estar realmente ali à frente de Webber e perto de Hamilton demonstram uma melhora sensível. O problema é que Massa tem a mesma síndrome de Barrichello: não conseguir engatar uma série de corridas com performances acima da média.

Se Oscar Maroni quiser abrir um meretrício, deveria colocar o nome de Dona Mercedes. Porque passaram a mão nos caras com gosto hoje. Hamilton, então, tomou até de Maldonado certa hora. Camarada que larga em segundo e termina em 12º, chegando a andar dois postos acima, tem de chorar com um carro que só serve para uma volta rápida. Rosberg, então, fez milagre em terminar em sexto e segurar a rapa no começo. O ritmo de corrida das flechinhas é pior que o da Toro Rosso – e isso deveria ser considerado uma ofensa para os taurinos da Série B, que com Ricciardo andam muito bem; só pecam no início, quando o carro não apresenta aderência alguma. Lewis já clamou, ajoelhado e depois de ser amordaçado no coito, que o pessoal tem de voltar urgentemente para a mesa de planejamento e desenho e ver onde é que está o erro para que o desgaste seja tão acentuado.

Webber foi quinto, mas parece que vai e aluga o carro da Red Bull para correr, tipo cliente. Ninguém percebe que está ali. Credo. Di Resta foi sétimo em um desempenho realmente mediano da Force India – sim, esperava-se mais. Sutil foi acometido por outra zica do pântano depois de uma largada excepcional, pulando de 13º para oitavo. Por muito tempo apareceu com a melhor volta da prova. No fim, ainda foi 13º, atrás de Hamilton, no pré-coito. As McLaren ficaram em oitavo e nono com Button e Pérez, devidamente comportados, e Ricciardo foi décimo, andando novamente bem. Gutiérrez, que chegou a liderar a prova, num momento de psicodelia e catarse, até que andou direitinho e foi o 11º. A Williams está lá por estar. O resto é aquilo de sempre, um terror em forma de quatro rodas.

Daqui duas semanas vem Mônaco, e para lá a Pirelli vai levar os supermacios. Se a vida já não é facil, andar com os pneus que se desfazem em quatro ou cinco voltas será um desafio e tanto. E num circuito diferente de tudo dos demais, o negócio pode embaralhar um pouco. Até a McLaren pode aparecer bem. Até lá, o peito estufado de Alonso vai pensar em, depois do reinado, conquistar o principado.

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Los mossos y las mossas

SÃO PAULO | A gente vinha frisando há muito tempo, na manhã de hoje no horário de Brasília, depois da voltaça de Hamilton no Q2: a Mercedes vem para as cabeças. E não deu outra: Rosberg na pole.

Tem uns aí que chegaram a dizer outras coisas minutos antes, meio bocós… Enfim, adiante. Mercedoca escondeu o jogo bonito do resto. Não pagou de bonitona e dona da bola durante os treinos livres, dominados por Ferrari e Red Bull (Vettel), para aparecer só na segunda parte da classificação, no minuto final, quando Lewis fez 1min21s0qualquer coisa e colocou 0s6 na rapa. Ali estava a chave do sucesso, que parecia nas mãos do inglês, mas o alemão companheiro roubou-lhe lindamente.

Ou seja, como diria o outro, fomos todos enganados o tempo todo. Pútridos e alvíssaras.

É difícil, na real, falar dessa Mercedes que engata a terceira pole seguida, algo que não acontecia havia 58 anos. Que ela está mais bonita com este tom de prata, está. Mas que as semanas que separaram o Bahrein da Espanha também tenham servido para o pessoal da bela viola trabalhar no conteúdo – entenda-se o melhor funcionamento dos pneus sem degradá-los abruptamente. Na China, Hamilton viu sua pole se esvair em três voltas, enquanto Rosberg levou uma a menos para começar a despencar no grid, até chegar em um esquisito nono lugar.

Aí a gente pega a declaração dos dois pós-classificação. Rosberg já veio com o papo de cautela e desafio; Hamilton soltou que a vitória é irreal. O que indica que o pão-borracha deve continuar bolorento.

Vettel sorri. Räikkönen, idem. Os dois vêm logo atrás no grid. Sebastian, aliás, ficou meio inconformado de não ter feito a pole a ponto de ficar petrificado olhando para o monitor dos tempos o tamanho da naba que levou. Mas se a Mercedes o fez durante o fim de semana, por que não fazer um jogo de cena também? Quanto a Kimi, nada que reclamar, visto que a Lotus tem um ótimo acerto para a pista de Barcelona, onde foi bem nos treinos de pré-temporada. “Ah, mas era a pré-temporada, estava frio e tudo era diferente”. Verdade. Mas os resultados em termos de tempos não são muito diferentes. E o carro aurinegro vai muito bem, obrigado, em corrida.

Alonso é só o quinto na grelha, terceiro na prática. Raramente perde posição na largada, então a meta é clara: jantar um dos seus principais adversários logo para não perder tempo atrás dos mercedianos. Massa ficou 1 milésimo atrás do companheiro, mas só larga em nono, devidamente punido por ter atrapalhado Webber – um dos beneficiados com a queda de Felipe no grid; os outros são Grosjean e Pérez (uia!). A queda é um horror para o brasileiro, já que vai ter pelo menos dois carros, a Red Bull 2 e a Lotus 2 como empecilhos. E considerando seu histórico de começar bem e ir pra trás, o prospecto para Massa ou aponta as posições finais da pontuação ou nem isso.

Pérez, depois do choque de realidade que levou, começou a andar melhor que Button, desanimado 14º hoje. A McLaren mudou, mudou, mudou e não mudou muito. Di Resta sai em décimo com uma Force India levemente mais atrás no fim de semana. Como a equipe lida bem com os pneus na corrida, pode se recuperar – Sutil, inclusive, em 13º. As Toro Rosso andaram direitinho e não passaram por pouco para a fase final. São outras que se dão bem em ritmo de prova. Podem ir enchouriçar Massa. Pobre Felipe.

A Sauber é um engano, só não maior que a Williams, pole no ano passado e 17ª com Maldonado – que ganhou um posto com a outra punição, a do limítrofe Gutiérrez. E Van der Garde se postou à frente de Bianchi. A Caterham deve estar com 114 cv a mais, não é possível. Ou trocaram o ventríloquo ali dentro do cockpit e ninguém reparou.

Palpite? Dá Vettel em Granollers/Montmeló/Barcelona, numa análise racional, mas para o campeonato seria legal se desse uma das Mercedes ou Räikkönen. Aliás, é sempre legal quando Kimi vence. É quando ele faz da vida algo prazeroso: o encontro com a champanhe para a posterior festança noturna.

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Vai, claro…

SÃO PAULO | Cleyton Pinteiro, o presidente da CBA, apareceu no Anhembi no último fim de semana como parte de sua extensa agenda de eventos públicos e atividades que o cargo lhe exige, por assim dizer. O Renan do Couto o pegou de jeito para uma entrevista, abordando-o sobre os autódromos de Interlagos e Deodoro.

Pinteiro deu suas opiniões. Falou que Bernie Ecclestone fez uma “pressãozinha” sobre a prefeitura de São Paulo para fazer uma reforma necessária porque “as equipes ficam mal acomodadas”. Reiterou que “a F1 não pode sair do Brasil” e que “Deodoro sai”, achando a dúvida que paira sobre a construção do autódromo fluminense “bem interessante” porque voltaram a falar do assunto.

Também tenho algumas opiniões sobre o assunto. Faz quatro anos que Pinteiro está no comando do automobilismo brasileiro. Desde então, o Brasil perdeu seus representantes no Conselho Mundial da FIA, bem como na Comissão de Kart. Nunca moveu uma palha para a sobrevivência de Jacarepaguá, bem como d’outros, kartódromos inclusos, além de não apresentar projeto nenhum para a construção de qualquer outro circuito. Saindo da área dos palcos esportivos, também não se mexeu para manter viva nenhuma categoria e, na prática, comanda um órgão meramente atuante em homologar e tungar grana de dirigentes e pilotos. Ainda, detém os presidentes de federações nas mãos, muitas delas envoltas em denúncias de mau funcionamento de gestão e desvio de dinheiro.

O automobilismo brasileiro simplesmente afunda. Diante de uma Copa do Mundo e das Olimpíadas no Rio, há de sucumbir ainda mais pela falta de investimentos e patrocínios, naturalmente deslocadas para estes dois supraeventos. E o presidente vomita suas crenças, somente crenças, de que o Brasil nunca pode perder a F1 e que é ótimo que o assunto Deodoro volte à tona porque é bom tê-lo no noticiário — lavando as mãos para o terreno com um campo minado porque não entende do assunto.

Diria um personagem de elite aí que o senhor é muito fanfarrão — o que é um eufemismo.

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